terça-feira, 26 de agosto de 2008

Pereira Barreto - história da Comunicação - A TELEFONIA

O início


Não há registro de quando foram instalados os primeiros telefones em Pereira Barreto. Isso deve ter ocorrido no final da década de 40 ou início da década de 50. O sistema era manual. Mesmo as ligações locais tinham de ser feitas por telefonista.

Naquele tempo, obviamente não existiam ainda redes de micro-ondas nem satélites. Cada cidade ou região tinha sua empresa própria de telefonia. As conexões entre uma localidade e outra eram feitas via cabos de fios de cobre. Era comum ver às margens de rodovias postes pelos quais passavam os cabos telefônicos que ligavam uma cidade a outra. Foi esse sistema rudimentar que funcionou em nossa cidade até o início da década de 70 do século passado.

Como a cidade era bem menor, não havia muitos assinantes, pois ter telefone naqueles tempos idos era um luxo acessível a poucas pessoas. Só mesmo os moradores mais abastados, escritórios, repartições públicas a alguns estabelecimentos comerciais é que tinham o privilégio de ter uma linha telefônica.

Para se fazer uma ligação, bastava tirar o telefone do gancho. A telefonista (geralmente era mulher) atendia. Bastava dizer a ela o número do telefone desejado e esperar que o interlocutor atendesse do outro lado da linha. Como a cidade era pequena e quase todo o mundo se conhecia, era comum somente dizer o nome da pessoa ou o local (empresa, repartição, etc.) para onde pretendia ligar, que a telefonista se encarregava de completar a ligação.

Uma ligação interurbana, no entanto, exigia do usuário um pouco mais de paciência e boa garganta. Paciência porque, como, naquele tempo, cada cidade ou região tinha sua própria empresa telefônica e as conexões eram feitas por enormes malhas de cabos de fios de cobre entre uma cidade e outra, tinha que haver toda uma negociação entre uma empresa e outra, por meio das telefonistas, para que uma ligação se completasse, o que podia demorar horas. Boa garganta, porque, como o sistema era precário, o usuário tinha que berrar ao telefone para poder ser ouvido do outro lado da linha.

O telefone automático

Em 1972, com a criação da TELEBRRAS e a estatização do sistema de telecomunicações no Brasil, promovido pela ditadura militar, as coisas começaram a mudar um pouco. Nesse mesmo ano, chegou a Pereira Barreto, por intermédio da então recém-criada COTESP (depois, TELESP), o tão sonhado telefone automático, uma sofisticação que já existia nas cidades médias e grandes. Com isso, muita gente se cadastrou e adquiriu uma linha telefônica, os números foram todos alterados, passando de três para quatro algarismos, e os velhos telefones pretos, pesados, foram substituídos por modernos aparelhos com disco, mais leves e, em sua maioria, com cores claras (branco, cinza, azul-claro, etc.).

As ligações locais, a partir de então, não necessitavam mais do auxílio das prestativas telefonistas. Bastava o usuário tirar o telefone do gancho, aguardar por alguns segundos o sinal de discar, discar o número desejado e, pronto, a ligação era completada. No entanto, para se fazer uma chamada interurbana, o usuário tinha que discar 101 e pedir a ligação. Depois disso, haja paciência e força na garganta. Uma ligação podia levar horas para ser completada. E, depois de completada, o usuário tinha que ter garganta resistente para poder ser ouvido pelo seu interlocutor do outro lado da linha.

O advento do DDD

Em meados da década de 70 do século passado, por volta de 1976 ou 1977, Pereira Barreto passou a integrar o sistema de Discagem Direta à Distância (DDD), que já era operado por meio de conexões por torres de micro-ondas. Com isso já era possível fazer uma ligação interurbana sem a necessidade de auxílio da telefonista. No entanto, como no início nem toda cidade estava integrada ao sistema, para essas cidades a ligação tinha de ser efetuada por meio de telefonista.

Esse sistema de Discagem Direta à Distância trouxe, não só a facilidade para efetuar a ligação, mas também melhor qualidade no serviço. O usuário não precisava mais gritar ao telefone. Muita gente, no início, se espantava, quando era atendida por alguém de uma localidade distante, com a qualidade da ligação. Muitos diziam, admirados: “Parece que estou falando com alguém aqui da cidade mesmo”.

O telefone celular

Em 1995, Pereira Barreto entra na era da telefonia celular. A Telesp Celular, antiga subsidiária da Telesp, que era responsável pela telefonia celular no Estado de São Paulo, implantou aqui, naquele ano, o serviço de telefonia móvel, ainda no sistema analógico. Com a privatização dos serviços de telefonia, em 1998, Pereira Barreto passou a ser atendido pela VIVO, um holding de várias empresas de telefonia celular de vários estados.

Como o sistema analógico de telefonia celular era precário e limitado, a população da cidade começou a reivindicar à VIVO a implantação do sistema digital. Mas a empresa relutou muito em fazer tal investimento em Pereira Barreto. Só com a chegada em Pereira Barreto, em 2003, da TESS (atual CLARO), que já começou disponibilizando seus serviços na cidade totalmente digitalizados, é que a VIVO, sentindo-se ameaçada, decidiu, às pressas, digitalizar os seus serviços na nossa cidade. Em meados de 2005, instalou-se também na cidade a empresa de telefonia móvel TIM, pertencente à Telecom Itália, também com seus serviços totalmente digitalizados. A previsão é de que, até o final de 2009, se instale aqui também a OI, antiga Telemar.

Nova era – privatização;

Até 1998, ter um telefone fixo em casa ou na empresa não era nada fácil. Não havia disponibilidade de linhas. Quem tivesse pressa em adquirir uma linha telefônica tinha que comprar de terceiros, por um valor igual a de um veículo popular zero quilômetro. Quem não quisesse pagar um preço tão alto, tinha de aguardar os chamados “planos de expansão” que as estatais de telefonia ofereciam de vez em quando. O interessado se cadastrava, pagava pela linha e, só depois de dois ou três anos, se tivesse sorte, tinha a sua linha instalada em casa.

Com o fim da TELEBRÁS e a privatização dos serviços telefônicos no País, essa realidade começou a mudar a partir de 1998. Hoje, como linha telefônica não é mais bem, mas apenas um serviço oferecido pelas operadoras, ter telefone em casa é bem mais fácil e rápido. Na verdade, a privatização do sistema, não só de telefonia fixa, mas também do serviço móvel, acarretou a democratização da telefonia no Brasil. Hoje em dia, a maioria das pessoas pode ter uma linha telefônica, seja móvel ou fixa.

O que, vinte ou trinta anos atrás era um luxo, que só os mais abonados tinham, hoje é um serviço acessível à maioria da população. E Pereira Barreto não ficou fora disso.

Por mais críticas que um romântico “esquerdista” possa fazer às privatizações promovidas pelo governo de Fernando Henrique Cardoso, no final da década de 90, ninguém pode negar que a privatização dos serviços telefônicos promoveu o acesso de parcela significativa da população a esse serviço hoje essencial.

Telefone via Internet

A evolução cada vez mais rápida da tecnologia vem provocando mudanças inimagináveis alguns anos atrás. A chamada convergência tecnológica está dando seus primeiros passos. Apesar de ainda não estar funcionando de forma totalmente satisfatória, pois a qualidade das ligações ainda deixam um pouco a desejar, muita gente já começa, principalmente por razões econômicas, a fazer uso do tal do voIP, isto é, do telefone pela Internet. Em Pereira Barreto, algumas empresas já fazem uso do sistema. O sistema ainda está dando seus primeiros passos, mas quem aderiu já começa a sentir no bolso a vantagem dessa nova tecnologia.

quarta-feira, 13 de agosto de 2008

Pereira Barreto - história dos meios de comunicação

Vamos fazer uma viagem no tempo?
Viver em Pereira Barreto nos anos 30, 40, 50 e até 60 não seria nada fácil para nenhum de nós, que estamos acostumados a estar permanentemente em contato com a civilização, com os grandes centros, por meio de telefone celular, Internet, TV via satélite e toda tecnologia que nos liga ao resto do mundo. Naqueles tempos difíceis, telefone era privilégio de poucos e, mesmo assim, seu funcionamento era muito precário. Para conseguir uma ligação interurbana era um transtorno. Depois de conseguir a ligação, a pessoa tinha de falar com seu interlocutor que estava do outro lado da linha aos berros para poder ser ouvida. O rádio só veio a se popularizar por aqui na década de 50. Antes, só os muito privilegiados tinham um receptor. A TV só veio aparecer aqui em 1965, e, mesmo assim, de forma muito precária e irregular. A Internet, bem mais recente, começou a ser usada aqui praticamente na mesma época em que ela surgia no resto do País, em 1995, por meio de conexões via ligações interurbanas com provedores de São Paulo (Capital), São José do Rio Preto e Araçatuba. No entanto, o primeiro provedor local só começou a operar em julho de 1998.

Nos próximos dias, vamos fazer uma viagem no tempo e resgatar um pouco da história da comunicações em Pereira Barreto. Vamos ver como funcionavam os telefones, quando foi inaugurada a primeira emissora de rádio da cidade, como foi a chegada da televisão em nossa cidade e, também, da Internet.

Vamos ter um capítulo especial sobre a participação de Pereira Barreto no programa Cidade x Cidade, de Sílvio Santos, na TV Tupi de São Paulo, em 08 de agosto de 1969.

Aguarde e visite sempre este nosso blog.

segunda-feira, 11 de agosto de 2008

Pereira Barreto - curiosidades históricas

  • Pereira Barreto chegou a ser o maior município do Estado de São Paulo, pois chegou a incorporar em seu território os atuais municípios de Itapura, Aparcida D’Oeste, Marinópolis, Suzanápolis, Sud Menucci e Ilha Solteira.
  • Em 1983, em uma festa, tive oportunidade de ter contato com o Sr. Arlindo Custódio Leite, que foi prefeito nomeado de Pereira Barreto durante a ditadura do Estado Novo, no início da década de 40 do século passado. Arlindo Curtódio Leite era muito ligado ao ditador Getúlio Vargas e ao interventor (governador nomeado) de São Paulo na época. Ele disse que Pereira Barreto foi transformada em sede de comarca em 1945 sem atender a nenhum (eu disse NENHUM) dos requisitos técnicos exigidos na época para obter tal benefício. Eram outros tempos e, com certeza, naqueles anos idos eram outras as lideranças políticas locais.
  • A propósito, com a recente alteração na classificação das comarcas no Estado de São Paulo, Pereira Barreto, que era comarca de SEGUNDA ENTRÂNCIA, passou a ser uma comarca de ENTRÂNCIA INICIAL. Ou seja, fomos REBAIXADOS. Como eu disse acima, em 1945, eram outras as lideranças políticas de Pereira Barreto, bem diferentes das de hoje, se é que me entendem...
  • O primeiro jornal local de Pereira Barreto foi da década de 40 e chamava-se A CIDADE. Era de propriedade do então prefeito nomeado pala ditadura do Estado Novo, Arlindo Custódio Leite. Com certeza, ele não fazia críticas ao prefeito.
  • A primeira emissora de rádio de nossa cidade foi implantada e entrou no ar em 1955. Seu fundador, ou um de seus fundadores, pelo que sei, foi o saudoso Dr. Benevides Lopes Siqueira. Na inauguração teve show no Cine Itapura (lembram dele?). Era a Rádio Pereira Barreto, ZYR87, que operava em ondas médias,na freqüência de 730 khz. Oportunamente, vamos falar mais sobre sua história.
  • As primeiras imagens de TV começaram a chegar a Pereira Barreto no final de 1965. O precário sinal da TV Tupi de São Paulo era captado aqui por altas antenas externas da retransmissora da TV localizada na cidade de Araçatuba (em VHF, no canal 9). Pela primeira vez, os pereira-barretenses puderam assistir pela TV a uma Copa do Mundo de futebol, que foi a de 1966, na Inglaterra, ainda em videotape e em preto-e-branco (naquele tempo ainda não havia transmissões internacionais ao vivo e nem TV em cores). Só no dia 11 de julho de 1969 é que entrava no ar a primeira estação retransmissora de TV local em Pereira Barreto, que retransmitia o sinal da TV Tupi de São Paulo, em VHF, no canal 8. A torre de retransmissão foi instalada inicialmente na caixa d´água do Serviço de Abastecimento de Água da cidade.
  • No dia 08 de agosto de 1969, quase um mês após inaugurar sua primeira retransmissora de TV, Pereira Barreto participou do program CIDADE X CIDADE, que era levado ao ar às sexta-feiras à noite, pela TV Tupi de São Paulo, apresentado por Sílvio Santos. A disputa foi com a cidade de Itapeva, que venceu a competição. Oportunamente, vamos falar mais detalhadamente sobre essa participação de Pereira Barreto em um programa de TV, que foi transmitido para todo o interior de São Paulo, sul de Minas Gerais, norte do Paraná e sul do Mato Grosso (hoje, Mato Grosso do Sul), onde, naquela época chegava o sinal da TV Tupi de São Paulo.

sábado, 9 de agosto de 2008

Por que Pereira Barreto?

Neste dia 11 de agosto de 2008, Pereira Barreto comemora 80 anos de fundação.

Pereira Barreto foi fundada oficialmente, com o nome de Novo Oriente, em 11 de agosto de 1928, quando a Sociedade Colonizadora do Brasil Ltda.. adquiriu parte das terras do povoado de Itapura, a fim de receber imigrantes japoneses que para cá vieram trabalhar na lavoura.

Em 1938, foi elevado à categoria de município, pelo Decreto Estadual n.o 9.775, de 30 de novembro de 1938, aí sim com o nome de Pereira Barreto, em homenagem ao médico e político Luís Pereira Barreto.

Mas por que a homenagem a Luís Pereira Barreto? Por acaso ele morou aqui? Ele fez alguma coisa por nossa cidade?

Na verdade, apesar do que muita gente pensa, o Dr. Luís Pereira Barreto não tem nenhum vinculo histórico com nossa cidade. Ele nunca sequer esteve nesta região, mesmo porque ele faleceu em 1923, e Pereira Barreto foi fundada em 1928. Foi uma dessas homenagens políticas, uma espécie de bajulação muito comum na época. O Decreto Estadual que transformou o distrito de Novo Oriente (hoje, Pereira Barreto) em município também transformou vários outros distritos dos Estado de São Paulo em municípios. Portanto, a decisão sobre os nomes que esses então novos municípios deveriam ter partiu da cúpula do governo estadual da época. Não podemos nos esquecer de que estávamos em plena ditadura do Estado Novo, e o governador de São Paulo era um interventor, nomeado por Getúlio Vargas.

Nascido em Resende, no Estado do Rio de Janeiro, em 11/01/1840, Luís Pereira Barreto era filho de Fabiano Pereira Barreto e de.Francisca Salles Pereira Barreto. Ele era médico, formado pela Faculdade de Medicina da Universidade de Bruxelas, na Bélgica, doutorado em Ciências Naturais, medicina cirúrgica e partos. Em sua época, foi considerado um dos melhores médicos e cirurgiões do Brasil. Ele foi fundador e presidente da Sociedade de Medicina e Cirurgia de São Paulo.

Além da medicina, dedicou-se também aos estudos filosóficos e, particularmente, à filosofia positivista, e envolveu-se também em política, elegendo-se senador da República pelo Estado de São Paulo (não temos a informação de quando ele foi senador). Foi, ainda, presidente da Assembléia Constituinte de São Paulo e deputado à Assembléia Constituinte Republicana.

Luiz Pereira Barreto foi colaborador do jornal "A Província de São Paulo" ("O Estado de São Paulo" de hoje) durante 36 anos. Seus artigos tinham como objetivo divulgar suas experiências e idéias.

Ele teve diversas obras publicadas, entre as principais: "Teoria das Gastralgias e das Nevroses em Geral"; "As Três Filosofias"; "Filosofia Metafísica"; "Positivismo e Teologia"; "Soluções Positivas da Política Brasileira"; "La viticulture à Saint Paul"; "A Vinha e a Civilização"; "O Século XX sob o ponto de vista Brasileiro" e "Il Processo Longaretti e la difesa del Dr. L. P. Barreto".

Luiz Pereira Barreto faleceu em São Paulo, no dia 11 de janeiro de 1923, portanto cinco anos antes da fundação de Pereira Barreto.