Em uma espécie de imitação um tanto desajeitada dos velhos concursos de músicas da televisão dos anos 60, chamados de “festivais”, a Prefeitura de Pereira Barreto está realizando mais um festival de MPB, sigla muita usada nos anos 60 e 70 para “música popular brasileira”, de uma época em que essas músicas eram mesmo populares, não só no nome. Era um tempo em que Chico Buarque, Caetano e Gil tocavam em populares programas musicais do rádio.
O tempo passou, o mundo mudou e os velhos festivais da Record e da Excelsior viraram somente doces lembranças. No entanto, em cidades perdidas no interior do Brasil, como Pereira Barreto e Ilha Solteira, citanto só duas como exemplo, os anos 60, de repente, estão de volta. Num determinado momento, centenas de cidadãos do século XXI viajam no tempo para reviverem uma época de muita agitação, rebeldia, protesto e música de letra complicada, que fala de política, de problemas existenciais e sociais, de política e de costumes, num misto de pretenso intelectualismo e ingenuidade.
Em tempos de funk e sertanejo universitário, o sucesso, em uma pequena cidade do interior do Brasil, de um concurso de músicas mais sofisticadas, com letras mais elaboradas, falando de assuntos que vão do intimismo a questões sociais, é algo que realmente surpreende. É um sinal de que a boa música, a música de verdade, ainda pode ser resgatada. Nem tudo está perdido....
