domingo, 25 de março de 2012

Os oito mitos relacionados à saúde

A revista VEJA desta semana trouxe uma matéria muito interessante e extremamente útil. Como a revista não tem uma edição online em HTML (suas edições semanais são digitalizadas e disponibilizadas na Internet, para todos os internautas, somente uma semana depois que as edições impressas vão às bancas, e as edições digitais, exclusivas para tablets, são disponibilizadas somente para assinantes), achie que seria  interessante reproduzir aqui a matéria.

Esclareço que não é falta de assunto de minha parte ou comodismo em ficar copiando o que os grandes veículos de informação divulgam. Acho somente que o que é importante e, principalmente, útil para a maioria das pessoas tem de ser divulgado. A VEJA publicou uma matéria últil, informativa e esclarecedora. Por que não ajudar a divulgar essas informações publicando aqui, com os devidos créditos, obviamente? Então, logo a seguir, a matéira de VEJA.

A sabedoria popular está repleta de mitos relacionados à saúde. Associar, por exemplo, resfriado a “friagem|”. Quem nunca teve receio de cair na piscina após o almoço?

Recomendações repetidas geração após geração deixam de ser questionadas, ainda que os médicos não as endossem. O problema se agrava quando a história vai além de restringir hábitos e passa a prejudicar a saúde. O caso mais recente é o que atribui efeitos colaterais graves à vacinação. Apolêmica começou no fim da década de 90, quando a conceituada revista científica The Lancet publicou um estudo associando a vacina tríp0lice viral à ocorrência de autismo. Logo depois, o estudo revelou-se uma fraude, o que resultou na cessação do registro médico de Andrew Wakefield, autor do trabalho. Apesar da retratação da revista, há dois anos, a farsa ainda afeta a decisão de pais que, equivocadamente, deixam de vacinar seus filhos. Veja o que dizem os médicos sobre oito mitos relacionados à saúde.

Mito: FRIAGEM CAUSA RESFRIADO
O que dizem os médicos: NÃO
Gripes e resfriados são causados por vírus, não pelo frio. A tal friagem também é incapaz de afetar o sistema imunológico – apenas a má alimentação, a falta de sono e o excesso de exercícios físicos podem prejudicar as defesas do organismo de uma pessoa saudável. Outro vilão associado aos resfriados é o ar-condicionado. Nesse caso, a relação está correta, mas o problema não é a temperatura, e sim a baixa umidade do ar. “O ar seco proveniente dos equipamentos resseca a mucosa das vias respiratórias, o que facilita a entrada de vírus e favorece as infecções”, explica o infectologista Artur Timerman. Manter-se hidratado minimiza o problema. .

Mito: VACINA PODE PREJUDICAR A SAÚDE DA CRIANÇA
O que dizem os médicos: NÃO
“Os possíveis efeitos adversos das vacinas são conhecidos e esperados: em alguns casos, elas podem provocare dor local, mal-estar ou febre”, diz o pedriatra Renato Kfouri, presidente da Associação Brasileira de Imunizações (SBIm). Além da proteção individual – em mais de 90% dos casos a vacina é eficaz -, a imunização coletiva reduz o risco de epidemia. Os benefícios da vacinação são, portanto, infinitamente superiores aos efeitos colaterais. Os quais, vale repetir, de modo nenhum incluem transtornos como o autismo.

Mito: ALGUMAS PESSOAS FICAM GRIPADAS DEPOIS DE TOMAR A VACINA DA GRIPE
O que dizem os médicos: NÃO
“A vacina da gripe não provoca a doença, pois é desenvolvida a partir do vírus morto e fracionado”, explica o presidente da SBIn, Renato Kfouri. O que acontece é que entre 15% e 20% da população apresenta reações adversas , como mal-estar e febre – daí a confusão. “Nesses casos, não há sinais de coriza e tosse, sintomas característicos da doença. Portanto, não se trata de gripe”, diz o infectologista Artur Timerman.

Mito: VER TELEVISÃO NO ESCURO OU MUITO PERTO DA TELA PREJUDICA OS OLHOS
O que dizem os médicos: NÃO
Não há comprovação científica de que esses hábitos causem danos aos olhos. Tampouco ler em ambiente com pouca luminosidade provoca problemas de refração, como miopia, astigmatismo e hipermetropia, que são de origem genética. “A luz traz conforto à leitura, mas o esforço exigido pela iluminação fraca não oferece risco”, diz o oftalmologista Claudio Lottemberg, presidente do Hospital Albert Einstein, em São Paulo. Atenção: ver TV próximo demais do aparelho pode ser, isso sim, sinal de uma miopia não corrigida, e nunca a causa do problema.

Mito: ESTALAR OS DEDOS ENGROSSA AS JUNTAS
O que dizem os médicos: DEPENDE

Articulações engrossam em decorrência de artrose, doença degenerativa resultante de uma combinação de fatores como predisposição genética e inflamação local. Embora não provoque a doença, o hábito de estalar os dedos não é recomendado, principalmente a pessoas com maior flexibilidade nas articulações (que conseguem, por exemplo, dobrar a mão até encostar o polegar no braço). “O risco de lesionar as estruturas articulares é maior com os exercícios de impacto, mas os estalos também podem causar lesões que favorecem o desencadeamento da doença”, diz José Goldenberg, reumatologista do Hospital São Luiz, em São Paulo.

Mito: ENTRAR NA PISCINA OU TOMAR VANHO LOGO APÓS A REFEIÇÃO FAZ MAL
O que dizem os médicos: DEPENDE
O contato com a água não oferece risco – é o exercício físico que o faz. “Como a atividade física exige maior circulação de sangue na musculatura, há uma redução de fluxo sanguíneo no sistema digestivo e no cérebro”, explica Alfredo Salim, clínico geral do Hospital Sírio-Libanês. Isso pode ocasionar náusea, vômito, tontura, fraqueza e até desmaio. Portanto, embora seja arriscado nadar, um banho ou um mergulho para refrescar depois do almoço não oferecem perigo.

Mito: O STRESS PROVOCA GASTRITE NERVOSA
O que dizem os médicos: DEPENDE
A gastrite é a inflamação da mucosa que reveste o estômago. Entre suas principais causas estão as infecções bacterianas e o uso de medicamentos que agridem o revestimento gástrico, como anti-inflamatórios não hormonais e ácido acetilsalicílico. “A ansiedade e o stress não causam o problema, apenas acentuam os sintomas”, diz o gastroenterologista Ricardo Barbuti, do Hospital das Clínicas de São Paulo. Além disso, nas pessoas que apresentam dispepsia funcional – distúrbio sem causa orgânica em que a digestão gera desconforto abdominal – as situações de tensão pode aumentar a sensibilidade à dor e, consequentemente, o incômodo.

Mito: SUPLEMENTOS DE VITAMINA C PREVINEM A GRIPE
O que dizem os médicos: DEPENDE
É verdade que o poder antioxidante da vitamina C evita que radicais livre ataquem as células de defesa do organismo. Mas uma dieta diversificada, com porções variadas de frutas e verduras, é o bastante para proporcionar a quantidade necessária de vitamina C, ou seja, 100 miligramas por dia. “O excesso da vitamina proveniente do suplemento será eliminado pela urina”, explica o clínico geral Alfredo Salim.
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Fonte: revista VEJA – ediçAao n.º 2.262 – Ano 45 – n.º 13 – 28/03/2012, páginas 138 e 139.

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sábado, 17 de março de 2012

Estou no Twitter e no Facebook

Confesso que tenho postado pouca coisa aqui neste blog ultimamente. Muita gente pode achar que ando mais preguiçoso do que o cara que desenhou a bandeira do Japão. Nada disso. Só posto alguma coisa aqui quando sou tomado pelo espírito da prolixidade. Quem quiser me acompanhar mais amiúde pode me seguir no Twitter e/ou no Facebook.

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Isso não significa que vou abandonar esgte blog. De jeito nenhum. Quando o espírito da prolixidade se apossar de mim novamente, prometo que posto alguma coisa aqui. Enquando isso não acontece, acaompanhem-me no Twitter ou no Facebook.

Claro que, para você me acompanhar nessa redes sociais, tem que estar cadastrado nelas.

domingo, 11 de março de 2012

“VAMOS QUEIMAR OS DICIONÁRIOS”

Transcrevo abaixo artigo da escritora Lia Luft, publicado na edição da revista VEJA que está indo às bancas e a seus assinantes neste final de semana. No seu texto, Lia Luift comenta a esdrúxula ação civil pública que o Ministério Público Federal de Minas Gerais ajuizou contra a Editora Objetiva e o Instituto Antônio Houaiss para a imediata retirada de circulação, suspensão de tiragem, venda e distribuição das edições do Dicionário Houaiss, sob a alegação de que os significados atribuídos pelo Dicionário à palavra “cigano” são preconceituosos, o que, inclusive, pode vir a caracterizar crime de acordo com a Constituição Federal. De acordo com o procurador Cléber Eustáquio Neves, que ajuizou a ação, o dicionário usa de termos pejorativos para definir a palavra. Antes de ler a o artigo de Lia Luft, veja como o Dicionário Houaiss define a palava CIGANO.

adjetivo
1    relativo ao ou próprio do povo cigano; zíngaro
Ex.: <música c.> <vida c.> <esperteza c.>adjetivo e substantivo masculino
2    relativo a ou indivíduo dos ciganos, povo itinerante que emigrou do Norte da Índia para o oeste (antiga Pérsia, Egito), de onde se espalhou pelos países do Ocidente; calom, zíngaro
3    Derivação: por extensão de sentido.
que ou aquele que tem vida incerta e errante; boêmio
Ex.: <meus parentes c. não pensam no dia de amanhã> <viver como c.>
4    Derivação: por analogia.
vendedor ambulante de quinquilharias; mascate
5    (1899) Uso: pejorativo.
que ou aquele que trapaceia; velhaco, burlador
6    Uso: pejorativo.
que ou aquele que faz barganha, que é apegado ao dinheiro; agiota, sovina
7    que ou o que serve de guia ao rebanho (diz-se de carneiro)
8    Rubrica: lingüística.
m.q. romani
Coletivos: bando, cabilda, ciganada, ciganagem, ciganaria, gitanaria, maloca, pandilha
Homônimos: cigano(fl.ciganar)
Etmologia: fr. cigain (sXV, atual tsigane ou tzigane, estas por infl. do al. Zigeuner), do gr.biz. athígganos 'intocável', nome dado a certo grupo de heréticos da Ásia Menor, que evitava o contato com estranhos, a que os ciganos foram comparados quando de sua irrupção na Europa central; cp. tur. cigian, romn. zigan, húng. cigány, it. zingano (a1470, atual zingaro); f.hist. 1521 cigano, 1540 çigano, 1708 sigano

Agora, vamos ao primosoro texto de Lia Luft.

Quando a gente pensa que já viu de tudo, não viu. Faz algum tempo, dentro do horroroso politicamente correto que me parece tão incorreto, resolveram castrar, limpar, arrumar livros de Monteiro Lobato, acusando-o de preconceito racial, pois criou entre outras a deliciosa personagem da cozinheira Tia Nastácia, que, junto com Emília e outros do Sítio do Picapau (sic – a grafia correta é pica-pau) Amarelo, encheu de alegria minha infância. Se formos atrás disso, boa parte da literatura mundial deve ser deletada ou “arrumada”. Primeiro, vamos deletar a palavra “negro” quando se refere a raça e pessoas, embora tenhamos uma banda Raça Negra, grupos de Teatro Negro e incontáveis oficinas, açougues, borracharias “do Negrão”, como “do Alemão”, “do Portuga” ou “do Turco”. Vamos deletar as palavras. Quem sabe, vamos ficar mudos, porque ao mal-humorado essencial, e de alma pequena, qualquer uma pode ser motivo de escândalo. Depende da disposição com que acordou, ou do lado de onde sopram os ventos do seu próprio preconceito.

Embora meus antepassados tivessem vindo ao Brasil em 1825, portanto sendo eu de muitas gerações de brasileiros tão brasileiros quanto os de todas as demais origens, na escola havia também a turminha que nos achacava com refrão como “Alemão batata come queijo com barata”. Nem por isso nos odiamos, nos desprezamos. Eram coisas infantis, sem consistência. O que vemos hoje quer mudar a cara do país, ou da cultura do país, e não tem nada de inocente.

Um dos negros que mais estimei (no passado, porque morreu), ligado a mim por laços de família, era culto, bom interessante, nossos encontros eram uma alegria. Com ele muito aprendi, sua cultura era vasta. A cor de sua pela nunca me incomodou, como, imagino, não o aborreciam meus olhos azuis. Havia coisas bem mais positivas e importantes entre nós e nossas famílias. Não vou desfilar casos com amigos negros, japoneses, árabes, judeus, seja o que for. Mas vou insistir no meu escândalo e repúdio a qualquer movimento que seja discriminatório, que incite o ódio de classes ou o ódio racial, não importa em que terreno for.

Agora, de novo para meu incorrigível assombro, em um lugar deste vasto, belo, contraditório país que a gente tanto ama, desejam sustar a circulação do Dicionário Houais, porque no verbete “cigano”consta também o uso pejorativo – que, diga-se de passagem, não foi inventado por Houaiss, mas era ou é uso de alguns falantes brasileiros, que o autor meramente, como de sua obrigação, registrou. Ora, para tentar um empreendimento desse vulto, como suspender um dicionário de tal peso e envergadura, seria preciso um profundo e preciso conhecimento de linguística, de lexicografia, uma formação sólida sobre oque é dicionário são dicionários e como são feitos.

O dicionário não inventa, não acusa nem elogia, deve ser imparcial – porque é apenas alguém que registra os fatos da língua, normalmente da língua-padrão, embora haja dicionários de dialetos, de gírias, de termos técnicos etc. Então, se no verbete “cigano”Houaiss colocou também os modos pejorativos como a palavra é ou foi empregada, criticá-lo por isso é uma tolice sem tamanho, que, se não cuidarmos, atingirá outros termos em outros dicionários, com esse olhar rancoroso. Vamos nos informar, antes de falar. Vamos estudar, antes de criticar. Vamos ver em que terreno estamos pisando, antes de atacar obras literárias e científicas com o azedume de nossos preconceitos e da nossa pequenez ou implicâncias infundadas. Há coisas muito mais importantes a fazer neste país, como estimular o cuidado com a educação, melhorar o atendimento à saúde, promover e preservar a dignidade de todos nós.

Ou, numa mistura maligna de arrogância e ignorância – talvez simplesmente porque não temos nada melhor a fazer , vamos deletar as palavras que nos incomodam, os costumes que nos irritam, as pessoas que nos atrapalham e, quem sabe, iniciar uma campanha de queima de livros. De autores, seria um segundo passo. E assim caminhará para trás, velozmente, o que temos de hum,anidade.

Lia Luft, escritora,

Revista VEJA, edição de 15/03/2012, pagina 22.

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