quinta-feira, 25 de dezembro de 2008

Pereira Barreto em 1968

Como devia ser a vida em Pereira Barreto em 1968?


Falei aqui, em postagem anterior, sobre o ano de 1968. Agora, quero falar sobre como foi esse mesmo ano aqui em minha cidade, em Pereira Barreto. Como era Pereira Barreto em 1968, justamente no ano do “Maio de 68” da França, dos festivais de música, do AI-5. Tudo isso a gente já sabe. Mas como era viver em Pereira Barreto em 1968?

Em 1968, Pereira Barreto era muito diferente do que é hoje. A cidade era bem menor. A sociedade local da época era dominada por uma dúzia de famílias tradicionais. Se bem que, já naquele ano, devido ao início da construção da usina hidrelétrica de Ilha Solteira e à chegada, na região, de trabalhadores para a construção da obra, esse quadro já começava a apresentar alguns discretos sinais de mudança, pois Pereira Barreto passaria por profundas transformações, principalmente no início dos anos 70. Em decorrência desses migrantes que vieram trabalhar direta e indiretamente na construção da usina de Ilha Solteira e, mais tarde, na de Três Irmãos, provavelmente mais de 70% da população da cidade, hoje, é composta por pessoas, entre ascendentes e descendentes, que aqui chegaram depois de 1970. Isso, talvez, explique um pouco a quase inexistência de vínculos da atual população pereira-barretense com o passado histórico e com os pioneiros habitantes da cidade.

Em 1968, Pereira Barreto era uma cidade bem provinciana ainda, aquela típica cidadezinha do interior mesmo, dominada por um grupo pequeno de famílias tradicionais e de imigrantes e seus descendentes, principalmente de origem japonesa. Naquele tempo, o número de japoneses e de seus descendentes em Pereira Barreto era bem maior do que hoje. A debandada de descendentes de japoneses fazendo o caminho de volta de seus pais e avós, indo trabalhar no Japão, principalmente nos anos 90, foi a principal causa desse encolhimento no tamanho da colônia nipônica local.

Vejamos a seguir alguns aspectos da vida pereira-barretense em 1968.

- O meio de comunicação mais usado, naquela época, ainda era o rádio. A TV já existia aqui, mas, por ser ainda caro, poucas famílias tinham um receptor, que era em preto-e-branco e pegava, de forma precária, a TV Tupi de São Paulo e, de forma mais precária ainda, a TV Record. As imagens vinham das retransmissoras de Araçatuba e Machado de Melo. Só em 1969 é que a cidade foi ter a sua primeira estação retransmissora de TV local, instalada no alto da caíxa d’água do Serviço Autônomo de Água. Naquele ano distante, não havia parabólica, TVs por assinaturas, videocassete nem DVD.

• O telefone, em 1968, ainda era manual. Mesmo para ligações locais, havia necessidade de auxílio de telefonista. Os números dos telefones da cidade tinham só três dígitos. Lembro-me de que o da casa comercial de meu avô, na época, era 185. Não havia DDD, nem DDI. Uma ligação interurbana podia demorar horas para ser completada e a qualidade era quase sempre ruim. As pessoas daqueles tempos heróicos tinham que falar com o seu interlocutor às vezes aos berros para serem ouvidas do outro lado da linha. Nem se pensava, ainda, em telefone celular. Aliás, ter um telefone naquela época era um privilégio de poucos. Outro meio de comunicação muito usado na época era o telégrafo, para troca de informações curtas, objetivas e que exigissem certa urgência, Era um sistema que utilizava o Código Morse. Naquele tempo, ainda não havia sido criada a ECT. Por isso, o serviço de telegrafia era prestado por empresa desvinculada dos Correios.

• A semana útil, em 1968, durava seis dias, e não cinco, como hoje. É que, naquela tempo, o sábado era considerado praticamente um dia normal de trabalho, pois o comércio funcionava o dia todo, até às 18 horas. Não havia ainda a chamada “Semana inglesa”. As repartições públicas tinham expediente até o meio-dia. O expediente bancário, em 1968, era de segunda a sexta, das 9h às 11h e das 13h às 17h. Mesmo aos sábados os bancários trabalhavam internamente, pois não podemos nos esquecer de que, naquele tempo, era tudo manual, tudo escriturado em livros e fichas. Não havia computadores. A compensação de um cheque e de uma ordem de pagamento para uma conta em outra cidade, por exemplo, demoravam dias, até semanas, para serem efetuadas. Aos domingos, no entanto, com exceção de bares, lanchonetes, sorveterias e restaurantes, praticamente nenhum estabelecimento comercial abria suas portas. Quem precisasse de alguma coisa de emergência, tinha de pedir a um comerciante amigo que fizesse a vendo pelos fundos do estabelecimento, quando possível. Só a partir de 1970 é que, em decorrência do enorme movimento de migrantes de outros pontos do País, que vieram para esta região trabalhar nas obras da construção de Ilha Solteira, é que houve um período em que boa parte do comércio abria suas portas aos domingos até o meio-dia.

• Naquele tempo não havia ainda supermercados em Pereira Barreto. O que havia eram mercearias, uma delas, inclusive, era a Casa Portuguesa, que, alguns anos depois, se transformou no atual Supermercado Proença, cujo prédio se localiza no mesmo local onde funcionava a antiga mercearia. O primeiro supermercado só começou a funcionar aqui por volta de 1970. Era o Supermercado Tem Tudo, de propriedade da família Milanezi, e se localizava onde hoje funciona a loja Luamar Móveis. Ele tinha quase o tamanho de um minimercado atual, um “mercadinho”. No entanto, era uma novidade para a época em nossa cidade. Afinal de contas, o cliente mesmo escolhia e pegava as mercadorias.

• Como televisão, em 1968, ainda era um bem acessível a uns poucos privilegiados e, mesmo assim, a qualidade da recepção era ruim, a vida noturna de Pereira Barreto era bem mais agitada, principalmente nos finais de semana. Havia bailes no CAP e no ACEP, Aliás, naquela época, o CAP só podia ser freqüentado por sócios ou convidados. Aliás, para ser sócio do CAP havia toda uma formalidade. O nome do candidato, como é de praxe, tinha de passar pelo crivo da diretoria, mas, devido ao conservadorismo da sociedade daquela época, a seleção era bem mais rigorosa que hoje. Para ir a um baile naquela época, havia necessidade de saber o traje exigido. Podia ser esporte fino, passeio ou traje a rigor, que exigia o uso de paletó e gravata. O mesmo se deve dizer também em relação ao ACEP, que é um clube cujo quadro de associados sempre foi mais restrito à colônia japonesa. Além disso, naquele tempo circos e parques de diversão eram atrações mais freqüentes em cidades do interior.

• A Praça da Bandeira era o local do footing das moças e dos rapazes da época. O Cine Itapura, com sessões diárias, inclusive com matinês aos domingos à tarde, era uma das diversões preferidas dos pereira-barretenses daquela época. Mas o ponto de encontro preferido dos jovens daquele tempo era o saudoso Tropical Bar, que se localizava onde existe hoje a galeria New Center.

• O prefeito de Pereira Barreto, em 1968, era Leo Liedtke Junior. Naquele tempo, a Câmara Municipal era composta por treze vereadores, que não recebiam nenhuma remuneração financeira por suas atividades legislativas. Mas isso não significava que o cargo de vereador fosse desinteressante. As disputas para uma cadeira na Câmara na época eram tão acirradas quanto hoje.

• A propósito, 1968 foi ano de eleição em Pereira Barreto. Os candidatos a prefeito na época foram Ernesto Trentin, da ARENA 1, o "positivo", Antônio Gomes da Silva, da ARENA 2, o "barra limpa", e o polêmico Lourival da Silva Louzada, do MDB, que não tinha nenhum símbolo para a sua campanha, mas muita gente, como chacota, dizia que ele era o "barra pesada". O vencedor foi Ernestro Trentin, que tinha o apoio do então prefeito Léo Liedtke Júnior, e tomou posso em 1.º de fevereiro de 1969.

• Naquela época, ainda havia por aqui muitas plantações de algodão. Muita gente, então, principalmente estudantes das escolas da cidade, aproveitava para ganhar um dinheirinho extra com a colheita. O algodão colhido nas lavouras de Pereira Barreto, naquela época, beneficiado aqui mesmo, pela Anderson Clayton e pela Cooperativa Agrícola da Fazenda Tietê, era de enorme importância econômica para o Município.

• Pereira Barreto tinha dois problemas sérios naquele tempo: energia elétrica e abastecimento de água. Á água distribuída na cidade naquela época, retirada de poços artesianos, possuía uma quantidade excessiva de fluor, o que fez com que muita gente, principalmente crianças daquela época, adquirisse fluorose. Além disso, era uma água salobra, com um gosto muito ruim. Quanto à energia elétrica, os cortes no seu fornecimento, que eram de responsabilidade da Companhia Paulista de Força e Luz, então estatal, eram freqüentes. Naquele tempo, as grandes hidrelétricas ainda não estavam prontas. A energia de Pereira Barreto vinha de uma pequena usina geradora em Itapura, que já não existe mais. A energia aqui, então, além de ser fraca, sofria cortes constantes.

Para a história de Pereira Barreto, foi um ano importante. Foi em 1968 que começou a construção da usina hidrelétrica de Ilha Solteira, o que veio a mudar radicalmente a vida social, cultural e econômica de Pereira Barreto, principalmente a partir de 1970.

A propósito disso, muita gente costuma afirmar, hoje, que o prefeito da época, Léo Liedtke Junior, errou em não permitir ou em não lutar para que o que é hoje a cidade de Ilha Solteira fosse construído aqui em Pereira Barreto e que, se isso tivesse sido feito, Pereira Barreto, hoje, seria uma grande cidade. A afirmação é um enorme disparate, fruto de uma dose de ingenuidade e de desinformação histórica.

O
aglomerado urbano que é hoje a cidade de Ilha Solteira nunca seria construído aqui em Pereira Barreto, mesmo que o prefeito quisesse. São várias as razões para isso. Se não, vejamos.

O canteiro de obra de Ilha Solteira ficava a mais de quarenta quilômetros de nossa cidade. Se, mesmo a quarenta quilômetros de distância, todos os trabalhadores da usina hidrelétrica de Ilha Solteira tivessem vindo morar em Pereira Barreto, a CESP dificilmente teria investido aqui na construção da mesma infra-estrutura que implantou em Ilha Solteira. Afinal, Pereira Barreto já tinha, pelo menos em tese, toda infra-estrutura básica necessária, como hospital, médicos, lojas, restaurantes, etc., para abrigar os trabalhadores e suas famílias. Uma prova disso foi na época da construção da usina hidrelétrica de Três Irmãos, ocasião em que não foi construído nenhum núcleo urbano para abrigar os trabalhadores da obra, que passaram a residir e viver, em sua maioria, em Pereira Barreto, sem que isso trouxesse nada de relevante que contribuísse para o crescimento urbano da cidade.

Há, também, uma informação curiosa, que me foi passada por gente da época, segundo a qual, a maioria das terras onde está situada hoje a cidade de Ilha Solteira pertencia a pessoas com o sobrenome Junqeira, e o presidente da CESP, então, se chamaria Guilherme Junqueira, Coincidência apenas? Obviamente que seria uma leviandade afirmar hoje que, em razão disso, tanha havido qualquer tipo de benefício ou coisa desse tipo. Mas não deixa de ser um detalhe curioso, que não pode ser desprezado.

Outro detalhe importante, que pouca gente conhece hoje: naquele tempo havia, em Pereira Barreto, um preconceito muito forte contra os chamados “barrageiros”. As famílias tradicionais da cidade consideravam a maioria desse pessoal que vinha de fora para trabalhar nas obras de Ilha Solteira gente ”sem eira nem beira”, desqualificados, gente perigosa, em quem não se poderia confiar. Conta-se até que o então prefeito Léo Liedtke Junior guardou por muito tempo um abaixo-assinado a ele dirigido, firmado por ilustres pereira-barretenses da época, pedindo-lhe que não permitisse que nossa cidade abrigasse os “barrageiros” de Ilha Solteira, para que não houvesse riscos de que eles viessem a “desonrar” as dignas famílias da cidade. O prefeito teria ignorado a reivindicação e engavetado o documento.

Estes são alguns aspectos de Pereira Barreto em 1968 dos quais me recordo. Claro que pode haver outros. Você, leitor, se se lembrar de mais fatos ou coisas curiosas referente àquele ano em nossa cidade, pode postar na parte de comentários, logo abaixo, ou enviar pelo endereço gilmargrespan@gmail.com, que vou publicar aqui, desde que você se identifique, é claro.

domingo, 14 de dezembro de 2008

1968 - o ano que virou História

Na história recente do Brasil e da humanidade, 1968 foi um ano diferente de todos os que o antecederam e, também, de todos os que o sucederam. Não foi um ano de mudanças, mas foi um ano que fez o mundo mudar. Como diz o sugestivo título do famoso livro de Zuenir Ventura, 1968 foi o ano que não terminou. Ele só terminou no calendário. Na memória dos que o viveram, ele continua até hoje. 

O mundo, em 1968, era bem diferente dos tempos atuais. Não havia ainda muita tecnologia, mas havia magia. Enquanto estudantes e operários franceses faziam seus protestos pelas ruas de Paris, no que ficou conhecido como “Maio de 68”, a Tchecoslováquia tentava, sob a liderança de Alexander Dubcek, se libertar do jugo do imperialismo de Moscou e criar uma sociedade mais democrática. Em represália a essa rebeldia, o exército soviético invadiu a Tchecoslováquia e massacrou o movimento liberal daquele país, que ficou conhecido como “Primavera de Praga”.

Em 1968, a Guerra do Vietnã estava em seu auge, gerando protestos nos Estados Unidos e em outros países do mundo. Foi o ano, também, da morte do pacifista e pastor protestante Martin Luther King e do senador Robert Kennedy, ambos norte-americanos, ambos assassinados. O ano de 1968 também foi declarado como “Ano Internacional dos Direitos Humanos”. 

No Brasil, a morte, pela polícia, no Rio de Janeiro, de um estudante secundarista, chamado Edson Luís de Lima Souto, de 16 anos, durante um protesto contra a alimentação servida pelo restaurante estudantil Calabouços. Foi um dos estopins que fizeram com que os estudantes, setores da Igreja Católica Romana e da classe média começassem a se mobilizar contra a ditadura militar. No dia 26 de junho, realizou-se a histórica “Passeata dos Cem Mil”, na Avenida Rio Branco, no Rio de Janeiro. Em 03 de setembro, o jornalista e deputado federal Márcio Moreira Alves, do MDB carioca, fez um discurso na tribuna da Câmara dos Deputados criticando a ditadura, no qual ele ironiziou os militares, pedindo para as mães de moças não permitirem que suas filhas namorassem cadetes. Esse discurso do deputado irrita os generais, que tentam, pelas vias legais, processar o deputado, alegando ofensa às Forças Armadas. No entanto, a Câmara, numa decisão histórica, nega autorização para que o Supremo Tribunal Federal processe Márcio Moreira Alves. Foi a gora d’água para que o presidente da República, o General Costa e Silva, reunisse o então famigerado Conselho de Segurança Nacional, na tarde-noite do dia 13 de dezembro, no Palácio Laranjeiras, no Rio de Janeiro e decretasse o Ato Institucional n.º 5, o AI-5, que dava poderes praticamente ilimitados ao presidente da República, dando início ao período mais fechado e violento da ditadura militar no Brasil.

Mas 1968 não foi um ano só de protestos, de arbitrariedades, de violência. Apesar de toda repressão, foi um ano marcante para a cultura, principalmente para a música. Foi a época dos grandes festivais da TV Record e do Festival Internacional da Canção, promovido pela então recém-nascida Rede Globo de Televisão. Foi um ano de efervescência cultural no Brasil e no mundo. Era época do movimento hippie, da contracultura, do surgimento da Tropicália, um movimento que iria mudar radicalmente a música brasileira, cujo ponto de partida oficial foi o lançamento, com show, em São Paulo, do disco (LP, na época) “Tropicália ou Panis et Circensis”, em 12 de agosto de 1968, com a participação de Caetano Veloso Gilberto Gil e convidados. 

Um fato que ficou gravado na história cultural brasileira, ocorreu em 28 de setembro de 1968, no III Festival Internacional da Canção, da Globo, em São Paulo, no Teatro da Universidade Católica, Acompanhado pelo conjunto Os Mutantes, Caetano Veloso apresentou a música “É proibido proibir”. Os Mutantes mal começaram a tocar a introdução da música, e a platéia já atirava ovos, tomates e pedaços de madeira contra o palco. O provocativo Caetano apareceu vestido com roupas de plástico brilhante e colares exóticos. Entrou em cena rebolando, fazendo uma dança erótica que simulava os movimentos de uma relação sexual. Escandalizada, a platéia deu as costas para o palco. A resposta dos Mutantes foi imediata: sem parar de tocar, viraram as costas para o público. Gilberto Gil, que também participava, foi atingido na perna por um pedaço de madeira, mas não se rendeu. Em tom de deboche, mordeu um dos tomates jogados ao chão e devolveu o resto à irada platéia. Caetano fez um longo e inflamado discurso que quase não se podia ouvir, tamanho era o barulho dentro do teatro. 

Em 1968, o movimento da Jovem Guarda estava já em decadência, mas a sua estrela maior, Roberto Carlos, sobreviveu. Naquele ano mesmo, venceu um festival na Itália, o de San Remo, e, finda a Jovem Guarda, tornou-se o mais popular cantor romântico do País. Sem engajamento político, Roberto Carlos e a elite politizada da época ignoravam-se mutuamente. Sua única obra “levemente subversiva” foi uma música, lançada no início dos anos 70, em homenagem a Caetano Veloso, que se encontrava exilado em Londres, chamada “Debaixo dos caracóis de seus cabelos”.

Ouvir música, naquele tempo, era bem diferente. Não havia CD, nem DVD, nem MP3, nem as já superadas fitas cassetes ainda existiam. As músicas eram gravadas em discos de vinil, isto é, em LPs (Long Plays) e em discos compactos, que eram menores e traziam somente duas músicas, compacto simples, ou quatro músicas, compacto duplo. Para gravadoras, autores e cantores, a vantagem daquela época era que, como a tecnica para produzir esses discos era complexa e cara, a pirataria era preticamente impossível de existir, como hoje acontece, infelizmente, com os CDs e DVDs. A desvantagem é que, como os discos de vinil eram caros, a maior parte da população não podia comprá-los. O jeito, para esse segmento, era ouvir as músicas de seus cantores preferidos pelo rádio. Havia, então, os programas de musicais de grande sucesso, nas principais emissoras do Rio e de São Paulo, que, por ondas curtas, chagavam praticamente a todo o Brasil. O rádio ainda era a principal fonte de informação da maioria absoluta da população em 1968. A televisão ainda tinha pouca abrangência naquele tempo. Por isso, o sucesso de uma determinada canção não era medido somente pela quantidade de discos que vendia, mas, e principalmente, pelo número de vezes que ela era tocada no rádio. Claro que, naquele tempo, já existia o famoso “jabá”, mas isso é outra história.

Segundo o site do radialista Beto Brito, da Rádio Globo (www.betobrito.com.br), as músicas que faziam mais sucesso em 1968 eram: Hey Jude – Beatles, Viola Enluarada - Marcos Valle & Milton Nascimento (destaque no Festival de MPB da TV Record), Baby - Gal Costa, Sá Marina - Wilson Simonal, Love Is Blue - Paul Mauriat e sua orquestra, Light My Fire - Jose Feliciano, Se Você Pensa - Roberto Carlos (que já iniciava sua fase mais romântica), MacArthur Park - Richard Harris, Pata Pata - Miriam Makeba, Tenho Um Amor Melhor Que o Seu - Antonio Marcos, Última Canção - Paulo Sergio, Sou Louca Por Você – Elizabeth, San Francisco (Be Sure To Wear Flowers In Your Hair) - Scott McKenzie, Mrs. Robinson - Simon & Garfunkel, A Chuva Que Cai - Os Caçulas, The Rain, The Park And Other Things – Cowsills, Do You Want To Dance - Johnny Rivers, Só o Ôme - Noriel Vilela, Segura Esse Samba Ogunhé - Osvaldo Nunes.

Naquele tempo, apesar da efervescência musical, havia muita música direcionada ao chamado "povão", como as do iniciante Paulo Sérgio, de Aguinaldo Timóteo, de Elizabeth e muitos outros, mas não havia espaço para a música sertaneja, como acontece hoje. A música sertaneja era vista com certo preconceitos, mesmo pelas classes C e D da época. Ela era direcionada a um público específico, que habitava, principalmente, o interior de Goiás, Matro Grosso, Minas Gerais, São Paulo e Paraná. Se bem que aqui estou falando de música sertaja típica mesmo, de raiz. Essa música psudo-sertaneja de hoje, cantada por Zezé de Camargo e Luciano, Bruno e Marrone, Victor e Leo e outros, que, na realiadade, está mais para música suburbana do que para sertaneja, ainda não existia.

Assim como a música, o teatro também vivia dias de novos ares em 1968. No entanto, a radicalização política não perdoava, também, as artes cênicas. No dia 16 de janeiro, estreou, no Rio de Janeiro, a peça “Roda Viva”, de Chico Buarque de Holanda, dirigida por José Celso Martinez Corrêa. No entanto, quando se apresentavam em São Paulo, no Teatro Ruth Escobar, no dia 18 de julho, os integrantes da peça foram agredidos fisicamente por um grupo pertencente a um tal CCC (Comando de Caça aos Comunistas).

No cinema, 1968 marca o início da 3.ª fase do chamado “Cinema Novo”, cujo marco principal foi o filme Macunaíma, de Joaquim Pedro de Andrade. No entanto, a repressão política foi particularmente cruel com o cinema naquele período. Mas alguns ficaram na história, como O Bandido da Luz Vermelha,
O Homem Nu, As Amorosas, Panca de Valente, Lance Maior e outros. 

Na Medicina, o Brasil dava um importante passo. Em 1968, foi realizado o primeiro transplante de coração no Brasil, Em 26 de maio daquele ano, no Hospital das Clínicas de São Paulo. O Dr. Euryclides de Jesus Zerbini, ganharia notoriedade ao colocar o coração de um jovem morto em um acidente no peito de João Ferreira da Cunha, um agricultor conhecido como “João Boiadeiro”. Apesar de a cirurgia ter se tornado um marco histórico, João Ferreira Cunha sobreviveu por apenas 18 dias depois do transplante. Naquela época, ainda não se sabia contornar o grande entrave dos transplantes de órgãos, a rejeição.

Como seria viver em 1968?

Se fosse possível e você decidisse viajar no tempo para viver em 1968, certamente estranharia muito o modo de vida daquela época. Para um típico cidadão do início do século XXI, não seria nada fácil viver em 1968. Uma coisa é a gente ler sobre uma determinada época, saber sobre ela, ver um filme ou uma novela que se passa naquela época; outra coisa é viver nessa época. 

Em 1968, o mundo, obviamente, era bem diferente de hoje, ou seja, muito mais atrasado. Não havia telefonia celular, que só chegou no Brasil no início da década de 90. Fazer uma ligação telefônica interurbana era um exercício de perseverança e paciência naquela época. Muitas cidades ainda tinham sistema de telefonia manual e precário. Não havia DDD. Havia necessidade de pedir a ligação para uma telefonista e, às vezes, esperar por horas. Outro meio de comunicação muito usado na época era o telegrama. A televisão ainda era em preto-e-branco e tinha, naquele tempo, pouca abrangência, pois não havia satélites domésticos disponíveis e nem um sistema de retransmissão via microondas. Muitas regiões brasileiras só foram receber os primeiros sinais de TV em meados da década de 70. Em 68, o rádio ainda era o grande meio de comunicação de massa do Brasil. A TV em cores só surgiu no Brasil em 1972. 

A informática ainda estava engatinhando. Não havia computadores pessoais. Para se ter uma idéia do atraso daquele ano, esse computador que você está utilizando agora para ler este texto, seja ele qual for, é milhões e milhões de vezes mais poderoso do que o mais avançado e robusto computador do Departamento de Defesa dos Estados Unidos em 1968. A Internet era só um embrião nos Estados Unidos, de uso exclusivamente militar, e se chamava, na época, Arpanet. Era um sistema tão rudimentar, que nada tem a ver com a Internet de hoje. 

Os carros mais usados em 1968 eram o Aero Willis, o DKV, o Galaxie, o Itamaraty, o Karmann Ghia, o Fusca e o lançamento do ano, o Opala. Em comparação com as modernas máquinas de hoje, esses carros eram verdadeiras “carroças motorizadas”.

Por mais que 1968 faça a gente sentir uma forte vontade de reviver aqueles tempos loucos e rebeldes, dos festivais, da contracultura, dos Beatles, você gostaria de viver num tempo em que não havia forno de microondas, telefone celular, antena parabólica, TV por assinatura, computador, Internet? Acredito que não. Ou viveria?

sábado, 29 de novembro de 2008

Todos somos iguais perante a lei. Será?

Causou grande repercussão a decisão unânime do Órgão Especial do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo, que, na quarta-feira, dia 26 de novembro último, absolveu o promotor de Justiça Thales Ferri Schoedl, acusado de matar um estudante em Bertioga, no litoral paulista, em dezembro de 2004.

Não contesto a decisão dos desembargadores. Posso até não concordar com ela, com base no que li e ouvi sobre os fatos pela imprensa. No entanto, reconheço que, mesmo em se tratando de um caso bastante explorado pela mídia, os membros do Órgão Especial do Tribunal de Justiça não se deixaram influenciar pelo clamor popular e, analisando apenas o que consta dos autos, absolveram por unanimidade o promotor Thales, embasados na tese de legítima defesa, apesar dos doze tiros disparados pelo acusado. 

O elevado grau de impunidade no Brasil, aliado às espalhafatosas coberturas da mídia em relação a determinados fatos de grande repercussão pública, fez com que se disseminasse a idéia de que todo acusado de algum crime tem de ser punido. Errado. Todo acusado de algum crime tem de ser investigado e, se for o caso, processado e julgado, com o direito de defesa que lhe assegurar a lei. 

Podemos, sim, exigir mais empenho da polícia e mais rigor e celeridade da Justiça. Isso é saudável. O que não podemos fazer é prejulgar, ou seja, condenar publicamente alguém por antecipação. Mas infelizmente isso é o que mais tem acontecido ultimamente, por influência, principalmente, da mídia sensacionalista. 

Voltando ao caso do Dr, Thales, a meu ver, o grande erro dessa história não está na decisão dos dignos julgadores do TJ paulista, e sim na legislação que, usurpando o princípio, não só constitucional, mas também universal da igualdade de direitos, concede a determinados ocupantes de cargos públicos, como promotores, juízes, deputados, governadores, ministros, presidente da República, prerrogativas inacessíveis aos cidadãos comuns, algo que chega à beira da imoralidade, quase uma afronta aos contribuintes, que pagam os salários de todos esses “figurões engravatados”. Independentemente de ser culpado ou inocente, de ter sido ou não legítima defesa, o Dr. Thales tinha de ser julgado por um Tribunal de Júri Popular, como ocorre com qualquer pessoa comum acusada de homicídio ou de tentativa de homicídio, e não por um colégio de desembargadores, como ocorreu. O objetivo dessas prerrogativas é evitar que a autoridade a ser julgada passe por constrangimentos. Eles não podem passar por constrangimentos. O cidadão comum pode ser algemado, humilhado e se sentar no banco dos réus.

Aliás, é uma vergonha que ainda existam aberrações jurídicas, como o foro privilegiado e a chamada imunidade parlamentar, que, se se restringisse somente à liberdade de atuação e de expressão do parlamentar, seria algo perfeitamente salutar e um dispositivo de segurança para a democracia. Mas, no Brasil, esse instrumento legal funciona quase como uma espécie de “imunidade jurídica” para deputados e senadores. 

Em suma, não vou contestar aqui a decisão do Órgão Especial do Tribunal de Justiça paulista sobre o caso do Dr. Thales Ferri Schoedl. Eles julgaram como magistrados que são, com base nos autos, cujo conteúdo completo nós, da opinião pública, não conhecemos. Só sabemos, e muito por alto, o que a mídia nos informa. O que contesto é a existência de tratamento diferenciado para as chamadas autoridades e os cidadãos comuns. Isso tem que acabar. Não é só antidemocrático, mas também moralmente questionável.


domingo, 23 de novembro de 2008

Ditadura militar - quem realmente lutou pela volta da democracia no Brasil?

Recentemente, o ministro da Justiça, Tarso Genro, trouxe à baila um assunto polêmico: a revisão da chamada Lei de Anistia, de 1979, que perdoou os perseguidos pela regime militar e permitia que os exilados políticos voltassem para o Brasil. Em contrapartida, os crimes cometidos pela repressão também seriam esquecidos. O ministro da Justiça de Lula quer que os torturadores do regime militar sejam punidos.

Quem conhece a história recente do Brasil sabe que a era da ditadura militar (1964-1985) foi um período negro, terrível, doloroso. Os golpistas rasgaram a Constituição de 1946 e impuseram um regime de força, sob a tutela das baionetas e dos fuzis. No entanto, ao analisar o ambiente da época em que o golpe militar ocorreu, há que se ressaltar que o Brasil estava entre a cruz e a espada. Vivíamos o auge da chamada “Guerra Fria”. De um lado o imperialismo dos Estados Unidos e de seus aliados europeus; do outro, o imperialismo da União Soviética e de seus “satélites”, ambos nocivos, ambos aniquiladores de consciência, ambos violentos, ambos perversos.

Em 1964, o Brasil vivia um período de turbulências políticas. De um lado a chamada “direita”, que defendia a “família, a Pátria, a liberdade e a propriedade” contra os “comunistas” de plantão, comedores de criancinhas. Do outro, uma horda de políticos, intelectuais e pseudo-intelectuais da chamada “esquerda”, que, deslumbrados com a figura mítica de “Che” Guevara e do ditador cubano Fidel Castro, defendiam uma reforma socialista. Na verdade, não só o Brasil, mas praticamente o mundo todo, naquela época, se dividia entre esses dois pensamentos políticos, dividido que estava entre os dois grandes impérios da época. Para os defensores de cada um dos lados, quem não era amigo era inimigo. Não havia como fugir deles. Ou se era um capitalista selvagem, um defensor do império Ianque, exploradores da miséria e do trabalho dos países pobres, ou se era um comunista, uma ameaça à liberdade e ao direito de expressão e de propriedade.

Na verdade, são dois sistemas que se baseiam em idéias totalmente falsas. Os capitalistas defendem a liberdade e o direito à propriedade. Como pode haver liberdade com miséria, com fome, com exploração do trabalho de milhões de despossuídos, com injustiças sociais profundas? Já os socialistas têm como base de suas idéias a igualdade entre os cidadãos e a justiça social, um discurso tão falso e nocivo quando o do capitalismo. Todas as experiências socialistas até hoje só geraram massas e massas socializando a pobreza e a fome, enquanto as elites das cúpulas dos Partidos Comunistas se refestelavam às escondidas, e, assim, fingiam para os ingênuos “intelectuais” de esquerda que estavam promovendo justiça social.

Portanto, não se iluda: na guerra suja travada entre os carrascos da ditadura militar e os servos ingênuos das organizações armadas de esquerda, não havia anjos. Todos, ou pelo menos a maioria absoluta, lutavam pelo poder. Eram, na verdade, duas ditaduras, uma querendo derrubar a outra. Durante esse negro período de nossa história, foram poucos, muito poucos mesmo, os que realmente lutaram pela verdadeira democracia, pela restauração dos direitos individuais, pela liberdade de expressão, pelas liberdades políticas.

A ditadura militar foi implacável e cruel com seus inimigos, tanto com as organizações de esquerda que lutavam para tomar o poder e instaurar aqui uma outra ditadura, quanto com os desarmados, que só queriam o retorno da democracia, nada mais. Por conta disso, prenderam, torturaram e mataram. Mas as organizações de esquerda também não foram nada delicadas: mataram, seqüestraram, assaltaram bancos, explodiram bombas. Era uma guerra suja, incentivada e até patrocinada pelos imperialistas do Ocidente (os EUA e seus parceiros), de um lado, e pelos imperialistas do Oriente (a URSS e seus estados "asseclas") de outro.

Um lado bizarro dessa história é que, para algumas pessoas, hoje, a ditadura militar foi até um bom negócio. Muita gente, alegando ter sido perseguida pelos aparelhos de repressão da época, recebeu indenizações e muitos até recebem atualmente generosas pensões do Governo Federal, alguns merecidamente, é claro; outros, nem tanto.

Essa idéia fixa do atual ministro da Justiça nos faz lembrar que nem todo o mundo que diz ter lutado contra a ditadura foi herói. A maioria desse pessoal cerrou fileira com organizações que queriam mesmo era implantar uma ditadura de esquerda no Brasil. Poucos, como Ulisses Guimarães, Tancredo Neves, Franco Montoro, Mário Covas, Hélio Bicudo e não políticos, como jornalistas, juristas e membros da sociedde civil, lutaram realmente pela restauração da democracia. E com um detalhe: não precisaram pegar em armas para encarar a ditadura. Foi com muitos debates, muitos discursos, muitas articulações políticas, usando até a seu favor a própria legislação espúria que a ditadura criou que esses verdadeiros heróis conseguiram nos legar esta democracia plena que temos hoje no Brasil.

segunda-feira, 27 de outubro de 2008

O homem que processou Deus


Ernie Chambers (foto ao lado), um senador pelo Estado norte-americano de Nebraska, resolveu abrir um processo contra Deus. É isso mesmo que você leu. A notícia, curiosa, está na página 60 da edição desta semana da revista VEJA.

O senador Chambers acusa Deus de todos os desastres, tais como furacões, tornados, doenças, fome, etc. Perguntado por que decidiu procesar o Criador, Chambers alegou que havia uma articulação em seu estado, para tornar algumas pessoas inimputáveis, e ele quis provar que qualquer pessoa pode ser processada. Ele reconhece que Deus não é necessariamente uma pessoa, mas que sua existência está provada, pelo menos nos Estados Unidos, pois está escrito nas notas de dólar “Em Deus nós acreditamos”. Além disso, nos tribunais norte-americanos, jura-se por Deus, o que prova que o Estado daquele país aceita a existência de Deus.

A grande questão é como intimar Deus. Chambers afirma que, sendo ele onisciente, já sabe que está sendo processado. Como ele também é onipresente, estará na corte no dia do julgamento.

A Justiça, obviamente, determinou o arquivamento do processo contra Deus, mas o senador Chambers já disse que vai recorrer.

Perguntado se acredita em Deus, Chambers respondeu: “Na verdade, não. Quem precisa acreditar é a Justiça. Não acredito e, por isso, não tenho medo de ir para o inferno”,

A iniciativa do senador norte-americano é apenas uma forma de protesto contra o Estado, mas não deixa de ser bizarra.


sexta-feira, 10 de outubro de 2008

Pereira Barreto - a eleição de Arnaldo Enomoto

O empresário Arnaldo Enomoto foi eleito prefeito de Pereira Barreto no último dia 05 de outubro, por quase 54% do eleitorado local. Foram 8.010 eleitores que confiaram em suas propostas para governar o Município de 2009 a 2012.

Um detalhe importante sobre a eleição de Arnaldo Enomoto é sua inexperiência política. Ele nunca ocupou um cargo público. Em qualquer outra situação, isso poderia até ser um ponto negativo em sua biografia. Mas, como em política nem tudo é o que parece ser, esse detalhe em seu currículo pode lhe ter sido bastante favorável. Muita gente se diz desiludida com os chamados políticos tradicionais, ou seja, há um enorme desgaste da classe política. Parece que o eleitor, hoje, quer sangue novo. Para os pereira-barretenses que optaram por votar em Arnaldo, há uma expectativa de nova era para o Município, provavelmente pelo fato de ele ser desprovido dos “vícios” comuns aos políticos convencionais.

Mas o mundo político é complicado e tem suas regras. Apesar da expressiva votação que recebeu, Arnaldo Enomoto não conseguiu eleger a maioria dos vereadores. Dos nove eleitos, apenas dois pertencem às coligações que o apoiaram. Além disso, nenhum candidato a vereador de seu partido, o PSDB (Partido da Social Democracia Brasileira) foi eleito. Enomoto vai ter de negociar, vai ter de dialogar com os vereadores, principalmente com os da oposição, se quiser cumprir à risca seu projeto de governo. E isso não é nada fácil. Há que se fazer concessões. E é justamente aí que está o “X” da questão para Arnaldo Enomoto. Dos nove vereadores eleitos, cinco já têm experiência política. Os outros quatro serão “neófitos” na Câmara. Mas isso não muda a regra. Arnaldo, pelo menos de início, terá apenas um “neófito” e um “experiente” a seu favor. Os demais serão da oposição. Não vai ser nada fácil, pelo menos no início. Depois, como em política tudo é possível e exeqüível, as coisas podem mudar. E não há nada de errado nisso. Faz parte do jogo político.

Há um detalhe curioso nessas últimas eleições: uma certa incoerência do eleitor pereira-barretense. Ele deu ao candidato Arnaldo Enomoto uma votação maciça. No entanto, elegeu apenas dois vereadores de sua base de apoio, deixando as demais sete vagas para vereadores da oposição.

Mas, como em política nada é definitivo, como já disse acima, as coisas podem mudar. Só espero que essas mudanças, se houver, sejam bastante favoráveis à cidade de Pereira Barreto.

domingo, 28 de setembro de 2008

PEREIRA BARRETO - HISTÓRIA DA TELEVISÃO LOCAL

Antes da televisão

No início da noite daquela segunda-feira, 18 de setembro de 1950, os freqüentadores do “Bar do Tata”, que bebiam sua cervejinha e jogavam conversa fora, discutiam animadamente as fofocas da cidade, ou sobre a forte rivalidade dos times de futebol de Pereira Barreto na época, ou, talvez, sobre a derrota do Brasil na Copa do Mundo para o Uruguai, ou, também, sobre as eleições que se aproximavam, com a possibilidade de Getúlio Vargas voltar ao poder, não imaginavam que, naquele exato momento, bem distante dali, na capital do Estado, um novo veículo de comunicação estava nascendo no País, um veículo, aliás, que dali a quinze anos iria mudar a rotina de Pereira Barreto. Naquela noite, inaugurava-se na capital do Estado, a primeira emissora de TV da América do Sul, a PRF3 TV Tupi de São Paulo. Com certeza, pelo menos a maioria daquelas pessoas que bebiam e conversavam no “Bar do Tata” não fazia a menor idéia do que fosse TELEVISÃO.

A vida em Pereira Barreto, antes da chegada da televisão, era bem diferente de hoje. Durante o dia, a rotina era de trabalho. À noite, as pessoas costumavam se reunir para conversar, falar sobre os assuntos do dia-a-dia. Naquele tempo, as notícias do resto do Brasil e do mundo vinham pelo rádio e pelos jornais, que chegavam geralmente depois das 17h na cidade, isso quando chegavam no mesmo dia.

A vida noturna da cidade era, de certa forma, até mais agitada do que hoje. Como não havia televisão, não havia novelas a acompanhar, a não ser as de rádio, as pessoas saíam mais de casa para se divertirem. Naquele tempo não havia também problemas de violência nem tanta criminalidade. Por isso, as pessoas não se preocupavam em sair mais às ruas à noite e nos finais de semana.

Havia o tradicional footing na Praça da Bandeira. o saudoso Cine Itapura, com sessões quase que diárias. As sorveterias e as lanchonetes geralmente ficavam cheias. Aos sábados à noite, além dos filmes do Cine Itapura, das quermesses, dos circos e dos parques de diversão, que eram muito mais freqüentes naquela época, também havia os baile de gala no CAP. Um dos pontos de encontro preferidos da juventude pereira-barretense na década de 60 era o famoso “Tropical Bar”, onde é hoje a galeria New Center. Assim era a vida em Pereira Barreto antes da chegada da televisão.

As primeiras imagens

As primeiras imagens de TV começaram a chegar a Pereira Barreto, de forma irregular e precária, em 1965, quinze anos depois de inaugurada a primeira emissora de TV no Brasil. E era justamente a imagem dessa emissora pioneira que começava a chegar a Pereira Barreto. A implantação de uma retransmissora da TV Tupi de São Paulo na cidade de Araçatuba permitiu que alguns pereira-barretenses mais abonados trouxessem para cá os primeiros aparelhos receptores de TV. Para captar a imagem da TV Tupi, havia necessidade de instalar uma antena externa bem alta Na verdade, quanto mais alta a antena, melhor seria a qualidade da imagem. Depois de conectada a antena ao televisor, bastava ligar o receptor e sintonizá-lo no canal 9 (VHF). Lá estava, vinda diretamente de São Paulo (Capital), acompanhada de alguns "chuviscos" ainda, a imagem da TV Tupi de São Paulo.

Aliás, naqueles primeiros tempos da TV em Pereira Barreto, ainda não havia técnicos especializados nem antenistas. A solução era chamar os amigos e parentes para ajudarem a instalar a tão esperada antena de TV. Era sempre uma festa. Era motivo até para um animado churrasco para os esforçados colaboradores.

Naquele tempo não havia rede de microondas nem satélites, como hoje. Evidentemente, a qualidade da imagem não era das melhores. O sinal vinha de São Paulo via links, ou seja, o sinal passava de uma cidade para a outra até chegar a Pereira Barreto. Como não havia TVs regionais, como existem atualmente (TV Tem, TV I, etc.), a programação era a original, produzida em São Paulo, incluindo os comerciais da praça paulistana.

Isso permitiu a vários pereira-barretenses assistirem pela primeira vez, em 1966, pela TV, a uma Copa do Mundo de Futebol, que foi realizada na Inglaterra naquele ano. Os jogos internacionais, naquela época, ainda não eram transmitidos ao vivo. As partidas eram gravadas em videotapes, que eram trazidos para o Brasil de avião e exibidos cerca de dois dias depois do jogo.

Acostumados às transmissões de futebol pelo rádio, os pereira-barretenses de então estranhavam o estilo dos narradores de TV, que não descreviam as jogadas como os narradores de radiofônicos. Outro fato curioso, esse para os telespectadores de hoje, é que na década de 60 ainda não havia o recurso do replay. Quando os videotapes dos jogos do Brasil eram exibidos e havia um gol ou uma jogada polêmica, a exibição era interrompida, voltava-se a fita em alguns segundos e exibia-se novamente o gol ou a jogada.

Ainda em 1966, além da TV Tupi, começou também a chegar o sinal da TV Excelsior de São Paulo, mas com qualidade de imagem bem inferior à da TV Tupi. No entanto, em 1967 o sinal da TV Excelsior foi substituído pelo da TV Record, a emissora de TV mais badalada da época. Por causa disso, muitos pereira-barretenses puderam ver programas como “Família Trapo”, “Praça da Alegria”, “Hebe”, além, é claro, dos famosos festivais de MPB da Record.

Em 1969, os pereira-barretenses que já tinham seu receptor de TV puderam assistir a momentos históricos, como a chegada do homem à Lua, em julho, a participação de Pereira Barreto no programa “Cidade contra Cidade”, no dia 08 de agosto de 1969, apresentado por Sílvio Santos na TV Tupi de São Paulo, fato que vamos abordar oportunamente, com mais detalhes. Naquele ano, também, muitos pereira-barretenses puderam ver, na noite de 19 de novembro de 1969, ao milésimo gol de Pelé. Narrado por Walter Abrão, em transmissão ao vivo pela TV Tupi de São Paulo..

Canal 8 - a primeira retransmissora local

Na noite do dia 11 de julho de 1969, menos de um mês antes da participação de Pereira Barreto no programa “Cidade contra a Cidade”, de Sílvio Santos, entrou em operação a primeira repetidora de TV de Pereira Barreto, que retransmitia o sinal da TV Tupi de São Paulo, no canal 8, em VHF. O curioso dessa repetidora de TV é que ela foi instalada inicialmente no alto da caixad’água do Serviço de Abastecimento de Água da Cidade. Posteriormente foi transferida para um local nas proximidades da Santa Casa local.

Rede Globo em Pereira Barreto;

Por volta de 1972, a TV Globo já podia ser sintonizada em Pereira Barreto por imagens captadas de repetidoras de cidades vizinhas. Mas a repetidora local da emissora entrou em funcionamento em julho de 1973. A Rede Globo chegava aqui por meio de sua única afiliada na região naquela época, a TV Bauru, e era retransmitida no canal 10, em VHF. E, ao contrário do que dizem absurdamente algumas lendas que já circularam na cidade recentemente, o programa "Fantástico", naquele tempo, era visto pelos pereira-barretenses aos domingos mesmo, ao vivo, como é até hoje, e não dois dias depois, como alguns desinformados andaram dizendo por aí. Naquele tempo a Rede Globo já transmitia em rede nacional.

No final dos anos 70, a própria Rede Globo começou a instalar retransmissoras prórias na região. Quando entrou em operação, em 1980, a retransmissora da Rede Globo em Andradina, no canal 9, em VHF, a retransmissora local da Globo, que pertencia a um link paralelo, acabou sendo desativada. Por muitos anos, os pereira-barretenses assistiram à programação da Rede Globo de Televisão por meio de repetidora da cidade de Andradina. Só em 2004 é que a cidade voltou a contar com uma retransmissora local da TV Tem, de São José do Rio Preto, afiliada da Rede Globo, que pode ser sintonizada no canal 7, em VHF.

Os primeiros TV em cores

A TV em cores começou a funcionar oficialmente no Brasil em 31 de março de 1972. Mas os primeiros receptores só começaram a chegar aqui em 1973. A primeira loja a vender um receptor de TV em cores em Pereira Barreto, da marca "Colorado", foi a extinta Loja Eletro-Rádio, que pertencia ao grupo Calil, com sede na cidade de Birugüi (SP). No entanto a TV em cores só foi se popularizar em Pereira Barreto no início da década de 80.

O fim da TV Tupi

A TV Tupi de São Paulo não foi só a primeira emissora de TV da América do Sul. Ela foi , também, a primeira emissora de TV a chegar ao interior do Estado de São Paulo. Suas imagens chegaram mais longe ainda. A Tupi cobria o sul de Minas Gerais, o norte do Paraná e várias cidades do Mato Grosso do Sul.

Em razão de problemas de gestão, a situação financeira da TV Tupi, já em meados da década de 70 era bastante difícil. A situação só piorou e, em 17 de julho de 1980, a concessão da emissora foi cassada pelo então presidente da República, o último da ditadura militar, general Joáo Figueiredo. Mas, bem antes disso, o sinal da TV Tupi em Pereira Barreto, que era sintonizada no canal 8, em VHF, já havia sido cortado. Os pereira-barretenses não viram o triste fim da TV Tupi, no dia 18 de julho de 1980. A Rede Globo, já naquela época, era a campeã de audiência, não só em Pereira Barreto, mas em todo o Brasil.

Retransmissão via satélite;

Em meados da década de 80, um forte temporal pôs abaixo a retransmissora TV de Pereira Barreto, deixando a cidade sem o sinal das TVs Cultura e Record. Uma nova retransmissora então foi instalada, em local mais adequado, usando, a partir de então, a retransmissão de imagens recebidas diretamente do recém-lançado satélite Brasilsat I, em vez da retransmissão por link terrestre, como era antes. Passamos a receber então, em 1986, os sinais da TV Bandeirantes e da extinta TV Manchete, diretamente de suas geradores, via satélite. Posteriormente, a TV Manchete foi substituída pelo SBT. Por essa razão, uma nova retransmissora da TV Manchete foi implantada posteriormente.

Antenas parabólicas e as TVs por assinatura

No início da década de 90, as antenas parabólicas começaram a se tornar bastante populares em nossa cidade. Alguns telespectadores locais, descontentes com as limitações da retransmissora local, que oferecia apenas 5 canais, decidiram instalar em suas residências antenas parabólicas, que lhes permitiam captar, do satélite, diretamente das geradoras, com boa qualidade de recepção, vários canais de TV que não podiam ser sintonizados nas bandas de VHF e UHF locais, tais como MTV Brasil, CNT, Record (já em sua nova fase pós Igreja Universal), Rede Globo e muitas outras.

Outro avanço tecnológico, bem popular em nossa cidade, no final da década de 80, era o videocassete, que, além de reproduzir filmes e programas gravados em VHS, oferecia o recurso de os telespectadores poderem gravar seus programas preferidos na TV. Posteriormente, o videocassete foi superado pelo DVD, uma mídia que oferece qualidades de gravação e de imagem muito melhores.

Em meados da década de 90 também começaram a surgir as TVs por assinatura, via satélite (TV A, Directv, Sky, etc.).

Inicialmente, apareceu a TV A, do Grupo Abril, que oferecia um sinal digital de algumas emissoras a cabo, mas ele utilizava, para recepção do sinal, a antenas parabólicas convencionais. Posteriormente, ela foi substituída pela Directv, do mesmo grupo Abril, só que a recepção era por meio de antenas menores, pois utilizava satélites diferentes e as transmissões em banda KU. Além desssas, também surgiram a SKY, ligada às Organizações Globo, e a Tecsat, pertencente à tradicional fabricante de antenas parabólicas.

A TV por assinatura da Tecsat deixou de existir há já alguns anos. A Directv foi incorporada pela SKY, A operadora de telefonia TELEFONICA também entrou na briga das TVs por assinatura via satélite e criou a TELEFONICA TV DIGITAL. Outro que entrou na disputa do mercado foi o empresário e líder religioso R.R. Soares, que criou recentemente a NOSSA TV. Já no início do ano que vem, deve entrar em operação também a TV por assinatura via satélite da EMBRATEL.

À espera da TV digital

No dia 02 de dezembro de 2007, foi implantada oficialmente na capital paulista a TV digital, que possibilita a transmissão de programas de TV com imagens em alta definição. Paulatinamente, a TV digital está chegando a outras localidade do País, mas só deverá chegar ao interior paulista a partir do ano que vem. Em razão disso, não se sabe exatamente quando a TV digital vai chegar a Pereira Barreto. No entanto, como ela ainda não despertou muito o interesse do telespectador brasileiro em geral, principalmente pelo fato de, não só os receptores de TV digital, mas também os tais conversores, estarem ainda com um preço inviável para a popularização do sistema. Mas isso é natural. A TV digital deve, em breve, começar a substituir a velha TV analógica. Se tudo der certo, em 2016, as transmissões de TV no sistema analógico serão desativadas.

terça-feira, 26 de agosto de 2008

Pereira Barreto - história da Comunicação - A TELEFONIA

O início


Não há registro de quando foram instalados os primeiros telefones em Pereira Barreto. Isso deve ter ocorrido no final da década de 40 ou início da década de 50. O sistema era manual. Mesmo as ligações locais tinham de ser feitas por telefonista.

Naquele tempo, obviamente não existiam ainda redes de micro-ondas nem satélites. Cada cidade ou região tinha sua empresa própria de telefonia. As conexões entre uma localidade e outra eram feitas via cabos de fios de cobre. Era comum ver às margens de rodovias postes pelos quais passavam os cabos telefônicos que ligavam uma cidade a outra. Foi esse sistema rudimentar que funcionou em nossa cidade até o início da década de 70 do século passado.

Como a cidade era bem menor, não havia muitos assinantes, pois ter telefone naqueles tempos idos era um luxo acessível a poucas pessoas. Só mesmo os moradores mais abastados, escritórios, repartições públicas a alguns estabelecimentos comerciais é que tinham o privilégio de ter uma linha telefônica.

Para se fazer uma ligação, bastava tirar o telefone do gancho. A telefonista (geralmente era mulher) atendia. Bastava dizer a ela o número do telefone desejado e esperar que o interlocutor atendesse do outro lado da linha. Como a cidade era pequena e quase todo o mundo se conhecia, era comum somente dizer o nome da pessoa ou o local (empresa, repartição, etc.) para onde pretendia ligar, que a telefonista se encarregava de completar a ligação.

Uma ligação interurbana, no entanto, exigia do usuário um pouco mais de paciência e boa garganta. Paciência porque, como, naquele tempo, cada cidade ou região tinha sua própria empresa telefônica e as conexões eram feitas por enormes malhas de cabos de fios de cobre entre uma cidade e outra, tinha que haver toda uma negociação entre uma empresa e outra, por meio das telefonistas, para que uma ligação se completasse, o que podia demorar horas. Boa garganta, porque, como o sistema era precário, o usuário tinha que berrar ao telefone para poder ser ouvido do outro lado da linha.

O telefone automático

Em 1972, com a criação da TELEBRRAS e a estatização do sistema de telecomunicações no Brasil, promovido pela ditadura militar, as coisas começaram a mudar um pouco. Nesse mesmo ano, chegou a Pereira Barreto, por intermédio da então recém-criada COTESP (depois, TELESP), o tão sonhado telefone automático, uma sofisticação que já existia nas cidades médias e grandes. Com isso, muita gente se cadastrou e adquiriu uma linha telefônica, os números foram todos alterados, passando de três para quatro algarismos, e os velhos telefones pretos, pesados, foram substituídos por modernos aparelhos com disco, mais leves e, em sua maioria, com cores claras (branco, cinza, azul-claro, etc.).

As ligações locais, a partir de então, não necessitavam mais do auxílio das prestativas telefonistas. Bastava o usuário tirar o telefone do gancho, aguardar por alguns segundos o sinal de discar, discar o número desejado e, pronto, a ligação era completada. No entanto, para se fazer uma chamada interurbana, o usuário tinha que discar 101 e pedir a ligação. Depois disso, haja paciência e força na garganta. Uma ligação podia levar horas para ser completada. E, depois de completada, o usuário tinha que ter garganta resistente para poder ser ouvido pelo seu interlocutor do outro lado da linha.

O advento do DDD

Em meados da década de 70 do século passado, por volta de 1976 ou 1977, Pereira Barreto passou a integrar o sistema de Discagem Direta à Distância (DDD), que já era operado por meio de conexões por torres de micro-ondas. Com isso já era possível fazer uma ligação interurbana sem a necessidade de auxílio da telefonista. No entanto, como no início nem toda cidade estava integrada ao sistema, para essas cidades a ligação tinha de ser efetuada por meio de telefonista.

Esse sistema de Discagem Direta à Distância trouxe, não só a facilidade para efetuar a ligação, mas também melhor qualidade no serviço. O usuário não precisava mais gritar ao telefone. Muita gente, no início, se espantava, quando era atendida por alguém de uma localidade distante, com a qualidade da ligação. Muitos diziam, admirados: “Parece que estou falando com alguém aqui da cidade mesmo”.

O telefone celular

Em 1995, Pereira Barreto entra na era da telefonia celular. A Telesp Celular, antiga subsidiária da Telesp, que era responsável pela telefonia celular no Estado de São Paulo, implantou aqui, naquele ano, o serviço de telefonia móvel, ainda no sistema analógico. Com a privatização dos serviços de telefonia, em 1998, Pereira Barreto passou a ser atendido pela VIVO, um holding de várias empresas de telefonia celular de vários estados.

Como o sistema analógico de telefonia celular era precário e limitado, a população da cidade começou a reivindicar à VIVO a implantação do sistema digital. Mas a empresa relutou muito em fazer tal investimento em Pereira Barreto. Só com a chegada em Pereira Barreto, em 2003, da TESS (atual CLARO), que já começou disponibilizando seus serviços na cidade totalmente digitalizados, é que a VIVO, sentindo-se ameaçada, decidiu, às pressas, digitalizar os seus serviços na nossa cidade. Em meados de 2005, instalou-se também na cidade a empresa de telefonia móvel TIM, pertencente à Telecom Itália, também com seus serviços totalmente digitalizados. A previsão é de que, até o final de 2009, se instale aqui também a OI, antiga Telemar.

Nova era – privatização;

Até 1998, ter um telefone fixo em casa ou na empresa não era nada fácil. Não havia disponibilidade de linhas. Quem tivesse pressa em adquirir uma linha telefônica tinha que comprar de terceiros, por um valor igual a de um veículo popular zero quilômetro. Quem não quisesse pagar um preço tão alto, tinha de aguardar os chamados “planos de expansão” que as estatais de telefonia ofereciam de vez em quando. O interessado se cadastrava, pagava pela linha e, só depois de dois ou três anos, se tivesse sorte, tinha a sua linha instalada em casa.

Com o fim da TELEBRÁS e a privatização dos serviços telefônicos no País, essa realidade começou a mudar a partir de 1998. Hoje, como linha telefônica não é mais bem, mas apenas um serviço oferecido pelas operadoras, ter telefone em casa é bem mais fácil e rápido. Na verdade, a privatização do sistema, não só de telefonia fixa, mas também do serviço móvel, acarretou a democratização da telefonia no Brasil. Hoje em dia, a maioria das pessoas pode ter uma linha telefônica, seja móvel ou fixa.

O que, vinte ou trinta anos atrás era um luxo, que só os mais abonados tinham, hoje é um serviço acessível à maioria da população. E Pereira Barreto não ficou fora disso.

Por mais críticas que um romântico “esquerdista” possa fazer às privatizações promovidas pelo governo de Fernando Henrique Cardoso, no final da década de 90, ninguém pode negar que a privatização dos serviços telefônicos promoveu o acesso de parcela significativa da população a esse serviço hoje essencial.

Telefone via Internet

A evolução cada vez mais rápida da tecnologia vem provocando mudanças inimagináveis alguns anos atrás. A chamada convergência tecnológica está dando seus primeiros passos. Apesar de ainda não estar funcionando de forma totalmente satisfatória, pois a qualidade das ligações ainda deixam um pouco a desejar, muita gente já começa, principalmente por razões econômicas, a fazer uso do tal do voIP, isto é, do telefone pela Internet. Em Pereira Barreto, algumas empresas já fazem uso do sistema. O sistema ainda está dando seus primeiros passos, mas quem aderiu já começa a sentir no bolso a vantagem dessa nova tecnologia.

quarta-feira, 13 de agosto de 2008

Pereira Barreto - história dos meios de comunicação

Vamos fazer uma viagem no tempo?
Viver em Pereira Barreto nos anos 30, 40, 50 e até 60 não seria nada fácil para nenhum de nós, que estamos acostumados a estar permanentemente em contato com a civilização, com os grandes centros, por meio de telefone celular, Internet, TV via satélite e toda tecnologia que nos liga ao resto do mundo. Naqueles tempos difíceis, telefone era privilégio de poucos e, mesmo assim, seu funcionamento era muito precário. Para conseguir uma ligação interurbana era um transtorno. Depois de conseguir a ligação, a pessoa tinha de falar com seu interlocutor que estava do outro lado da linha aos berros para poder ser ouvida. O rádio só veio a se popularizar por aqui na década de 50. Antes, só os muito privilegiados tinham um receptor. A TV só veio aparecer aqui em 1965, e, mesmo assim, de forma muito precária e irregular. A Internet, bem mais recente, começou a ser usada aqui praticamente na mesma época em que ela surgia no resto do País, em 1995, por meio de conexões via ligações interurbanas com provedores de São Paulo (Capital), São José do Rio Preto e Araçatuba. No entanto, o primeiro provedor local só começou a operar em julho de 1998.

Nos próximos dias, vamos fazer uma viagem no tempo e resgatar um pouco da história da comunicações em Pereira Barreto. Vamos ver como funcionavam os telefones, quando foi inaugurada a primeira emissora de rádio da cidade, como foi a chegada da televisão em nossa cidade e, também, da Internet.

Vamos ter um capítulo especial sobre a participação de Pereira Barreto no programa Cidade x Cidade, de Sílvio Santos, na TV Tupi de São Paulo, em 08 de agosto de 1969.

Aguarde e visite sempre este nosso blog.

segunda-feira, 11 de agosto de 2008

Pereira Barreto - curiosidades históricas

  • Pereira Barreto chegou a ser o maior município do Estado de São Paulo, pois chegou a incorporar em seu território os atuais municípios de Itapura, Aparcida D’Oeste, Marinópolis, Suzanápolis, Sud Menucci e Ilha Solteira.
  • Em 1983, em uma festa, tive oportunidade de ter contato com o Sr. Arlindo Custódio Leite, que foi prefeito nomeado de Pereira Barreto durante a ditadura do Estado Novo, no início da década de 40 do século passado. Arlindo Curtódio Leite era muito ligado ao ditador Getúlio Vargas e ao interventor (governador nomeado) de São Paulo na época. Ele disse que Pereira Barreto foi transformada em sede de comarca em 1945 sem atender a nenhum (eu disse NENHUM) dos requisitos técnicos exigidos na época para obter tal benefício. Eram outros tempos e, com certeza, naqueles anos idos eram outras as lideranças políticas locais.
  • A propósito, com a recente alteração na classificação das comarcas no Estado de São Paulo, Pereira Barreto, que era comarca de SEGUNDA ENTRÂNCIA, passou a ser uma comarca de ENTRÂNCIA INICIAL. Ou seja, fomos REBAIXADOS. Como eu disse acima, em 1945, eram outras as lideranças políticas de Pereira Barreto, bem diferentes das de hoje, se é que me entendem...
  • O primeiro jornal local de Pereira Barreto foi da década de 40 e chamava-se A CIDADE. Era de propriedade do então prefeito nomeado pala ditadura do Estado Novo, Arlindo Custódio Leite. Com certeza, ele não fazia críticas ao prefeito.
  • A primeira emissora de rádio de nossa cidade foi implantada e entrou no ar em 1955. Seu fundador, ou um de seus fundadores, pelo que sei, foi o saudoso Dr. Benevides Lopes Siqueira. Na inauguração teve show no Cine Itapura (lembram dele?). Era a Rádio Pereira Barreto, ZYR87, que operava em ondas médias,na freqüência de 730 khz. Oportunamente, vamos falar mais sobre sua história.
  • As primeiras imagens de TV começaram a chegar a Pereira Barreto no final de 1965. O precário sinal da TV Tupi de São Paulo era captado aqui por altas antenas externas da retransmissora da TV localizada na cidade de Araçatuba (em VHF, no canal 9). Pela primeira vez, os pereira-barretenses puderam assistir pela TV a uma Copa do Mundo de futebol, que foi a de 1966, na Inglaterra, ainda em videotape e em preto-e-branco (naquele tempo ainda não havia transmissões internacionais ao vivo e nem TV em cores). Só no dia 11 de julho de 1969 é que entrava no ar a primeira estação retransmissora de TV local em Pereira Barreto, que retransmitia o sinal da TV Tupi de São Paulo, em VHF, no canal 8. A torre de retransmissão foi instalada inicialmente na caixa d´água do Serviço de Abastecimento de Água da cidade.
  • No dia 08 de agosto de 1969, quase um mês após inaugurar sua primeira retransmissora de TV, Pereira Barreto participou do program CIDADE X CIDADE, que era levado ao ar às sexta-feiras à noite, pela TV Tupi de São Paulo, apresentado por Sílvio Santos. A disputa foi com a cidade de Itapeva, que venceu a competição. Oportunamente, vamos falar mais detalhadamente sobre essa participação de Pereira Barreto em um programa de TV, que foi transmitido para todo o interior de São Paulo, sul de Minas Gerais, norte do Paraná e sul do Mato Grosso (hoje, Mato Grosso do Sul), onde, naquela época chegava o sinal da TV Tupi de São Paulo.

sábado, 9 de agosto de 2008

Por que Pereira Barreto?

Neste dia 11 de agosto de 2008, Pereira Barreto comemora 80 anos de fundação.

Pereira Barreto foi fundada oficialmente, com o nome de Novo Oriente, em 11 de agosto de 1928, quando a Sociedade Colonizadora do Brasil Ltda.. adquiriu parte das terras do povoado de Itapura, a fim de receber imigrantes japoneses que para cá vieram trabalhar na lavoura.

Em 1938, foi elevado à categoria de município, pelo Decreto Estadual n.o 9.775, de 30 de novembro de 1938, aí sim com o nome de Pereira Barreto, em homenagem ao médico e político Luís Pereira Barreto.

Mas por que a homenagem a Luís Pereira Barreto? Por acaso ele morou aqui? Ele fez alguma coisa por nossa cidade?

Na verdade, apesar do que muita gente pensa, o Dr. Luís Pereira Barreto não tem nenhum vinculo histórico com nossa cidade. Ele nunca sequer esteve nesta região, mesmo porque ele faleceu em 1923, e Pereira Barreto foi fundada em 1928. Foi uma dessas homenagens políticas, uma espécie de bajulação muito comum na época. O Decreto Estadual que transformou o distrito de Novo Oriente (hoje, Pereira Barreto) em município também transformou vários outros distritos dos Estado de São Paulo em municípios. Portanto, a decisão sobre os nomes que esses então novos municípios deveriam ter partiu da cúpula do governo estadual da época. Não podemos nos esquecer de que estávamos em plena ditadura do Estado Novo, e o governador de São Paulo era um interventor, nomeado por Getúlio Vargas.

Nascido em Resende, no Estado do Rio de Janeiro, em 11/01/1840, Luís Pereira Barreto era filho de Fabiano Pereira Barreto e de.Francisca Salles Pereira Barreto. Ele era médico, formado pela Faculdade de Medicina da Universidade de Bruxelas, na Bélgica, doutorado em Ciências Naturais, medicina cirúrgica e partos. Em sua época, foi considerado um dos melhores médicos e cirurgiões do Brasil. Ele foi fundador e presidente da Sociedade de Medicina e Cirurgia de São Paulo.

Além da medicina, dedicou-se também aos estudos filosóficos e, particularmente, à filosofia positivista, e envolveu-se também em política, elegendo-se senador da República pelo Estado de São Paulo (não temos a informação de quando ele foi senador). Foi, ainda, presidente da Assembléia Constituinte de São Paulo e deputado à Assembléia Constituinte Republicana.

Luiz Pereira Barreto foi colaborador do jornal "A Província de São Paulo" ("O Estado de São Paulo" de hoje) durante 36 anos. Seus artigos tinham como objetivo divulgar suas experiências e idéias.

Ele teve diversas obras publicadas, entre as principais: "Teoria das Gastralgias e das Nevroses em Geral"; "As Três Filosofias"; "Filosofia Metafísica"; "Positivismo e Teologia"; "Soluções Positivas da Política Brasileira"; "La viticulture à Saint Paul"; "A Vinha e a Civilização"; "O Século XX sob o ponto de vista Brasileiro" e "Il Processo Longaretti e la difesa del Dr. L. P. Barreto".

Luiz Pereira Barreto faleceu em São Paulo, no dia 11 de janeiro de 1923, portanto cinco anos antes da fundação de Pereira Barreto.