Na história recente do Brasil e da humanidade, 1968 foi um ano diferente de todos os que o antecederam e, também, de todos os que o sucederam. Não foi um ano de mudanças, mas foi um ano que fez o mundo mudar. Como diz o sugestivo título do famoso livro de Zuenir Ventura, 1968 foi o ano que não terminou. Ele só terminou no calendário. Na memória dos que o viveram, ele continua até hoje.
O mundo, em 1968, era bem diferente dos tempos atuais. Não havia ainda muita tecnologia, mas havia magia. Enquanto estudantes e operários franceses faziam seus protestos pelas ruas de Paris, no que ficou conhecido como “Maio de 68”, a Tchecoslováquia tentava, sob a liderança de Alexander Dubcek, se libertar do jugo do imperialismo de Moscou e criar uma sociedade mais democrática. Em represália a essa rebeldia, o exército soviético invadiu a Tchecoslováquia e massacrou o movimento liberal daquele país, que ficou conhecido como “Primavera de Praga”.
Em 1968, a Guerra do Vietnã estava em seu auge, gerando protestos nos Estados Unidos e em outros países do mundo. Foi o ano, também, da morte do pacifista e pastor protestante Martin Luther King e do senador Robert Kennedy, ambos norte-americanos, ambos assassinados. O ano de 1968 também foi declarado como “Ano Internacional dos Direitos Humanos”.
No Brasil, a morte, pela polícia, no Rio de Janeiro, de um estudante secundarista, chamado Edson Luís de Lima Souto, de 16 anos, durante um protesto contra a alimentação servida pelo restaurante estudantil Calabouços. Foi um dos estopins que fizeram com que os estudantes, setores da Igreja Católica Romana e da classe média começassem a se mobilizar contra a ditadura militar. No dia 26 de junho, realizou-se a histórica “Passeata dos Cem Mil”, na Avenida Rio Branco, no Rio de Janeiro. Em 03 de setembro, o jornalista e deputado federal Márcio Moreira Alves, do MDB carioca, fez um discurso na tribuna da Câmara dos Deputados criticando a ditadura, no qual ele ironiziou os militares, pedindo para as mães de moças não permitirem que suas filhas namorassem cadetes. Esse discurso do deputado irrita os generais, que tentam, pelas vias legais, processar o deputado, alegando ofensa às Forças Armadas. No entanto, a Câmara, numa decisão histórica, nega autorização para que o Supremo Tribunal Federal processe Márcio Moreira Alves. Foi a gora d’água para que o presidente da República, o General Costa e Silva, reunisse o então famigerado Conselho de Segurança Nacional, na tarde-noite do dia 13 de dezembro, no Palácio Laranjeiras, no Rio de Janeiro e decretasse o Ato Institucional n.º 5, o AI-5, que dava poderes praticamente ilimitados ao presidente da República, dando início ao período mais fechado e violento da ditadura militar no Brasil.
Mas 1968 não foi um ano só de protestos, de arbitrariedades, de violência. Apesar de toda repressão, foi um ano marcante para a cultura, principalmente para a música. Foi a época dos grandes festivais da TV Record e do Festival Internacional da Canção, promovido pela então recém-nascida Rede Globo de Televisão. Foi um ano de efervescência cultural no Brasil e no mundo. Era época do movimento hippie, da contracultura, do surgimento da Tropicália, um movimento que iria mudar radicalmente a música brasileira, cujo ponto de partida oficial foi o lançamento, com show, em São Paulo, do disco (LP, na época) “Tropicália ou Panis et Circensis”, em 12 de agosto de 1968, com a participação de Caetano Veloso Gilberto Gil e convidados.
Um fato que ficou gravado na história cultural brasileira, ocorreu em 28 de setembro de 1968, no III Festival Internacional da Canção, da Globo, em São Paulo, no Teatro da Universidade Católica, Acompanhado pelo conjunto Os Mutantes, Caetano Veloso apresentou a música “É proibido proibir”. Os Mutantes mal começaram a tocar a introdução da música, e a platéia já atirava ovos, tomates e pedaços de madeira contra o palco. O provocativo Caetano apareceu vestido com roupas de plástico brilhante e colares exóticos. Entrou em cena rebolando, fazendo uma dança erótica que simulava os movimentos de uma relação sexual. Escandalizada, a platéia deu as costas para o palco. A resposta dos Mutantes foi imediata: sem parar de tocar, viraram as costas para o público. Gilberto Gil, que também participava, foi atingido na perna por um pedaço de madeira, mas não se rendeu. Em tom de deboche, mordeu um dos tomates jogados ao chão e devolveu o resto à irada platéia. Caetano fez um longo e inflamado discurso que quase não se podia ouvir, tamanho era o barulho dentro do teatro.
Em 1968, o movimento da Jovem Guarda estava já em decadência, mas a sua estrela maior, Roberto Carlos, sobreviveu. Naquele ano mesmo, venceu um festival na Itália, o de San Remo, e, finda a Jovem Guarda, tornou-se o mais popular cantor romântico do País. Sem engajamento político, Roberto Carlos e a elite politizada da época ignoravam-se mutuamente. Sua única obra “levemente subversiva” foi uma música, lançada no início dos anos 70, em homenagem a Caetano Veloso, que se encontrava exilado em Londres, chamada “Debaixo dos caracóis de seus cabelos”.
Ouvir música, naquele tempo, era bem diferente. Não havia CD, nem DVD, nem MP3, nem as já superadas fitas cassetes ainda existiam. As músicas eram gravadas em discos de vinil, isto é, em LPs (Long Plays) e em discos compactos, que eram menores e traziam somente duas músicas, compacto simples, ou quatro músicas, compacto duplo. Para gravadoras, autores e cantores, a vantagem daquela época era que, como a tecnica para produzir esses discos era complexa e cara, a pirataria era preticamente impossível de existir, como hoje acontece, infelizmente, com os CDs e DVDs. A desvantagem é que, como os discos de vinil eram caros, a maior parte da população não podia comprá-los. O jeito, para esse segmento, era ouvir as músicas de seus cantores preferidos pelo rádio. Havia, então, os programas de musicais de grande sucesso, nas principais emissoras do Rio e de São Paulo, que, por ondas curtas, chagavam praticamente a todo o Brasil. O rádio ainda era a principal fonte de informação da maioria absoluta da população em 1968. A televisão ainda tinha pouca abrangência naquele tempo. Por isso, o sucesso de uma determinada canção não era medido somente pela quantidade de discos que vendia, mas, e principalmente, pelo número de vezes que ela era tocada no rádio. Claro que, naquele tempo, já existia o famoso “jabá”, mas isso é outra história.
Segundo o site do radialista Beto Brito, da Rádio Globo (www.betobrito.com.br), as músicas que faziam mais sucesso em 1968 eram: Hey Jude – Beatles, Viola Enluarada - Marcos Valle & Milton Nascimento (destaque no Festival de MPB da TV Record), Baby - Gal Costa, Sá Marina - Wilson Simonal, Love Is Blue - Paul Mauriat e sua orquestra, Light My Fire - Jose Feliciano, Se Você Pensa - Roberto Carlos (que já iniciava sua fase mais romântica), MacArthur Park - Richard Harris, Pata Pata - Miriam Makeba, Tenho Um Amor Melhor Que o Seu - Antonio Marcos, Última Canção - Paulo Sergio, Sou Louca Por Você – Elizabeth, San Francisco (Be Sure To Wear Flowers In Your Hair) - Scott McKenzie, Mrs. Robinson - Simon & Garfunkel, A Chuva Que Cai - Os Caçulas, The Rain, The Park And Other Things – Cowsills, Do You Want To Dance - Johnny Rivers, Só o Ôme - Noriel Vilela, Segura Esse Samba Ogunhé - Osvaldo Nunes.
O mundo, em 1968, era bem diferente dos tempos atuais. Não havia ainda muita tecnologia, mas havia magia. Enquanto estudantes e operários franceses faziam seus protestos pelas ruas de Paris, no que ficou conhecido como “Maio de 68”, a Tchecoslováquia tentava, sob a liderança de Alexander Dubcek, se libertar do jugo do imperialismo de Moscou e criar uma sociedade mais democrática. Em represália a essa rebeldia, o exército soviético invadiu a Tchecoslováquia e massacrou o movimento liberal daquele país, que ficou conhecido como “Primavera de Praga”.
Em 1968, a Guerra do Vietnã estava em seu auge, gerando protestos nos Estados Unidos e em outros países do mundo. Foi o ano, também, da morte do pacifista e pastor protestante Martin Luther King e do senador Robert Kennedy, ambos norte-americanos, ambos assassinados. O ano de 1968 também foi declarado como “Ano Internacional dos Direitos Humanos”.
No Brasil, a morte, pela polícia, no Rio de Janeiro, de um estudante secundarista, chamado Edson Luís de Lima Souto, de 16 anos, durante um protesto contra a alimentação servida pelo restaurante estudantil Calabouços. Foi um dos estopins que fizeram com que os estudantes, setores da Igreja Católica Romana e da classe média começassem a se mobilizar contra a ditadura militar. No dia 26 de junho, realizou-se a histórica “Passeata dos Cem Mil”, na Avenida Rio Branco, no Rio de Janeiro. Em 03 de setembro, o jornalista e deputado federal Márcio Moreira Alves, do MDB carioca, fez um discurso na tribuna da Câmara dos Deputados criticando a ditadura, no qual ele ironiziou os militares, pedindo para as mães de moças não permitirem que suas filhas namorassem cadetes. Esse discurso do deputado irrita os generais, que tentam, pelas vias legais, processar o deputado, alegando ofensa às Forças Armadas. No entanto, a Câmara, numa decisão histórica, nega autorização para que o Supremo Tribunal Federal processe Márcio Moreira Alves. Foi a gora d’água para que o presidente da República, o General Costa e Silva, reunisse o então famigerado Conselho de Segurança Nacional, na tarde-noite do dia 13 de dezembro, no Palácio Laranjeiras, no Rio de Janeiro e decretasse o Ato Institucional n.º 5, o AI-5, que dava poderes praticamente ilimitados ao presidente da República, dando início ao período mais fechado e violento da ditadura militar no Brasil.
Mas 1968 não foi um ano só de protestos, de arbitrariedades, de violência. Apesar de toda repressão, foi um ano marcante para a cultura, principalmente para a música. Foi a época dos grandes festivais da TV Record e do Festival Internacional da Canção, promovido pela então recém-nascida Rede Globo de Televisão. Foi um ano de efervescência cultural no Brasil e no mundo. Era época do movimento hippie, da contracultura, do surgimento da Tropicália, um movimento que iria mudar radicalmente a música brasileira, cujo ponto de partida oficial foi o lançamento, com show, em São Paulo, do disco (LP, na época) “Tropicália ou Panis et Circensis”, em 12 de agosto de 1968, com a participação de Caetano Veloso Gilberto Gil e convidados.
Um fato que ficou gravado na história cultural brasileira, ocorreu em 28 de setembro de 1968, no III Festival Internacional da Canção, da Globo, em São Paulo, no Teatro da Universidade Católica, Acompanhado pelo conjunto Os Mutantes, Caetano Veloso apresentou a música “É proibido proibir”. Os Mutantes mal começaram a tocar a introdução da música, e a platéia já atirava ovos, tomates e pedaços de madeira contra o palco. O provocativo Caetano apareceu vestido com roupas de plástico brilhante e colares exóticos. Entrou em cena rebolando, fazendo uma dança erótica que simulava os movimentos de uma relação sexual. Escandalizada, a platéia deu as costas para o palco. A resposta dos Mutantes foi imediata: sem parar de tocar, viraram as costas para o público. Gilberto Gil, que também participava, foi atingido na perna por um pedaço de madeira, mas não se rendeu. Em tom de deboche, mordeu um dos tomates jogados ao chão e devolveu o resto à irada platéia. Caetano fez um longo e inflamado discurso que quase não se podia ouvir, tamanho era o barulho dentro do teatro.
Em 1968, o movimento da Jovem Guarda estava já em decadência, mas a sua estrela maior, Roberto Carlos, sobreviveu. Naquele ano mesmo, venceu um festival na Itália, o de San Remo, e, finda a Jovem Guarda, tornou-se o mais popular cantor romântico do País. Sem engajamento político, Roberto Carlos e a elite politizada da época ignoravam-se mutuamente. Sua única obra “levemente subversiva” foi uma música, lançada no início dos anos 70, em homenagem a Caetano Veloso, que se encontrava exilado em Londres, chamada “Debaixo dos caracóis de seus cabelos”.
Ouvir música, naquele tempo, era bem diferente. Não havia CD, nem DVD, nem MP3, nem as já superadas fitas cassetes ainda existiam. As músicas eram gravadas em discos de vinil, isto é, em LPs (Long Plays) e em discos compactos, que eram menores e traziam somente duas músicas, compacto simples, ou quatro músicas, compacto duplo. Para gravadoras, autores e cantores, a vantagem daquela época era que, como a tecnica para produzir esses discos era complexa e cara, a pirataria era preticamente impossível de existir, como hoje acontece, infelizmente, com os CDs e DVDs. A desvantagem é que, como os discos de vinil eram caros, a maior parte da população não podia comprá-los. O jeito, para esse segmento, era ouvir as músicas de seus cantores preferidos pelo rádio. Havia, então, os programas de musicais de grande sucesso, nas principais emissoras do Rio e de São Paulo, que, por ondas curtas, chagavam praticamente a todo o Brasil. O rádio ainda era a principal fonte de informação da maioria absoluta da população em 1968. A televisão ainda tinha pouca abrangência naquele tempo. Por isso, o sucesso de uma determinada canção não era medido somente pela quantidade de discos que vendia, mas, e principalmente, pelo número de vezes que ela era tocada no rádio. Claro que, naquele tempo, já existia o famoso “jabá”, mas isso é outra história.
Segundo o site do radialista Beto Brito, da Rádio Globo (www.betobrito.com.br), as músicas que faziam mais sucesso em 1968 eram: Hey Jude – Beatles, Viola Enluarada - Marcos Valle & Milton Nascimento (destaque no Festival de MPB da TV Record), Baby - Gal Costa, Sá Marina - Wilson Simonal, Love Is Blue - Paul Mauriat e sua orquestra, Light My Fire - Jose Feliciano, Se Você Pensa - Roberto Carlos (que já iniciava sua fase mais romântica), MacArthur Park - Richard Harris, Pata Pata - Miriam Makeba, Tenho Um Amor Melhor Que o Seu - Antonio Marcos, Última Canção - Paulo Sergio, Sou Louca Por Você – Elizabeth, San Francisco (Be Sure To Wear Flowers In Your Hair) - Scott McKenzie, Mrs. Robinson - Simon & Garfunkel, A Chuva Que Cai - Os Caçulas, The Rain, The Park And Other Things – Cowsills, Do You Want To Dance - Johnny Rivers, Só o Ôme - Noriel Vilela, Segura Esse Samba Ogunhé - Osvaldo Nunes.
Naquele tempo, apesar da efervescência musical, havia muita música direcionada ao chamado "povão", como as do iniciante Paulo Sérgio, de Aguinaldo Timóteo, de Elizabeth e muitos outros, mas não havia espaço para a música sertaneja, como acontece hoje. A música sertaneja era vista com certo preconceitos, mesmo pelas classes C e D da época. Ela era direcionada a um público específico, que habitava, principalmente, o interior de Goiás, Matro Grosso, Minas Gerais, São Paulo e Paraná. Se bem que aqui estou falando de música sertaja típica mesmo, de raiz. Essa música psudo-sertaneja de hoje, cantada por Zezé de Camargo e Luciano, Bruno e Marrone, Victor e Leo e outros, que, na realiadade, está mais para música suburbana do que para sertaneja, ainda não existia.
Assim como a música, o teatro também vivia dias de novos ares em 1968. No entanto, a radicalização política não perdoava, também, as artes cênicas. No dia 16 de janeiro, estreou, no Rio de Janeiro, a peça “Roda Viva”, de Chico Buarque de Holanda, dirigida por José Celso Martinez Corrêa. No entanto, quando se apresentavam em São Paulo, no Teatro Ruth Escobar, no dia 18 de julho, os integrantes da peça foram agredidos fisicamente por um grupo pertencente a um tal CCC (Comando de Caça aos Comunistas).
No cinema, 1968 marca o início da 3.ª fase do chamado “Cinema Novo”, cujo marco principal foi o filme Macunaíma, de Joaquim Pedro de Andrade. No entanto, a repressão política foi particularmente cruel com o cinema naquele período. Mas alguns ficaram na história, como O Bandido da Luz Vermelha, O Homem Nu, As Amorosas, Panca de Valente, Lance Maior e outros.
Na Medicina, o Brasil dava um importante passo. Em 1968, foi realizado o primeiro transplante de coração no Brasil, Em 26 de maio daquele ano, no Hospital das Clínicas de São Paulo. O Dr. Euryclides de Jesus Zerbini, ganharia notoriedade ao colocar o coração de um jovem morto em um acidente no peito de João Ferreira da Cunha, um agricultor conhecido como “João Boiadeiro”. Apesar de a cirurgia ter se tornado um marco histórico, João Ferreira Cunha sobreviveu por apenas 18 dias depois do transplante. Naquela época, ainda não se sabia contornar o grande entrave dos transplantes de órgãos, a rejeição.
Como seria viver em 1968?
Se fosse possível e você decidisse viajar no tempo para viver em 1968, certamente estranharia muito o modo de vida daquela época. Para um típico cidadão do início do século XXI, não seria nada fácil viver em 1968. Uma coisa é a gente ler sobre uma determinada época, saber sobre ela, ver um filme ou uma novela que se passa naquela época; outra coisa é viver nessa época.
Em 1968, o mundo, obviamente, era bem diferente de hoje, ou seja, muito mais atrasado. Não havia telefonia celular, que só chegou no Brasil no início da década de 90. Fazer uma ligação telefônica interurbana era um exercício de perseverança e paciência naquela época. Muitas cidades ainda tinham sistema de telefonia manual e precário. Não havia DDD. Havia necessidade de pedir a ligação para uma telefonista e, às vezes, esperar por horas. Outro meio de comunicação muito usado na época era o telegrama. A televisão ainda era em preto-e-branco e tinha, naquele tempo, pouca abrangência, pois não havia satélites domésticos disponíveis e nem um sistema de retransmissão via microondas. Muitas regiões brasileiras só foram receber os primeiros sinais de TV em meados da década de 70. Em 68, o rádio ainda era o grande meio de comunicação de massa do Brasil. A TV em cores só surgiu no Brasil em 1972.
A informática ainda estava engatinhando. Não havia computadores pessoais. Para se ter uma idéia do atraso daquele ano, esse computador que você está utilizando agora para ler este texto, seja ele qual for, é milhões e milhões de vezes mais poderoso do que o mais avançado e robusto computador do Departamento de Defesa dos Estados Unidos em 1968. A Internet era só um embrião nos Estados Unidos, de uso exclusivamente militar, e se chamava, na época, Arpanet. Era um sistema tão rudimentar, que nada tem a ver com a Internet de hoje.
Os carros mais usados em 1968 eram o Aero Willis, o DKV, o Galaxie, o Itamaraty, o Karmann Ghia, o Fusca e o lançamento do ano, o Opala. Em comparação com as modernas máquinas de hoje, esses carros eram verdadeiras “carroças motorizadas”.
Por mais que 1968 faça a gente sentir uma forte vontade de reviver aqueles tempos loucos e rebeldes, dos festivais, da contracultura, dos Beatles, você gostaria de viver num tempo em que não havia forno de microondas, telefone celular, antena parabólica, TV por assinatura, computador, Internet? Acredito que não. Ou viveria?
No cinema, 1968 marca o início da 3.ª fase do chamado “Cinema Novo”, cujo marco principal foi o filme Macunaíma, de Joaquim Pedro de Andrade. No entanto, a repressão política foi particularmente cruel com o cinema naquele período. Mas alguns ficaram na história, como O Bandido da Luz Vermelha, O Homem Nu, As Amorosas, Panca de Valente, Lance Maior e outros.
Na Medicina, o Brasil dava um importante passo. Em 1968, foi realizado o primeiro transplante de coração no Brasil, Em 26 de maio daquele ano, no Hospital das Clínicas de São Paulo. O Dr. Euryclides de Jesus Zerbini, ganharia notoriedade ao colocar o coração de um jovem morto em um acidente no peito de João Ferreira da Cunha, um agricultor conhecido como “João Boiadeiro”. Apesar de a cirurgia ter se tornado um marco histórico, João Ferreira Cunha sobreviveu por apenas 18 dias depois do transplante. Naquela época, ainda não se sabia contornar o grande entrave dos transplantes de órgãos, a rejeição.
Como seria viver em 1968?
Se fosse possível e você decidisse viajar no tempo para viver em 1968, certamente estranharia muito o modo de vida daquela época. Para um típico cidadão do início do século XXI, não seria nada fácil viver em 1968. Uma coisa é a gente ler sobre uma determinada época, saber sobre ela, ver um filme ou uma novela que se passa naquela época; outra coisa é viver nessa época.
Em 1968, o mundo, obviamente, era bem diferente de hoje, ou seja, muito mais atrasado. Não havia telefonia celular, que só chegou no Brasil no início da década de 90. Fazer uma ligação telefônica interurbana era um exercício de perseverança e paciência naquela época. Muitas cidades ainda tinham sistema de telefonia manual e precário. Não havia DDD. Havia necessidade de pedir a ligação para uma telefonista e, às vezes, esperar por horas. Outro meio de comunicação muito usado na época era o telegrama. A televisão ainda era em preto-e-branco e tinha, naquele tempo, pouca abrangência, pois não havia satélites domésticos disponíveis e nem um sistema de retransmissão via microondas. Muitas regiões brasileiras só foram receber os primeiros sinais de TV em meados da década de 70. Em 68, o rádio ainda era o grande meio de comunicação de massa do Brasil. A TV em cores só surgiu no Brasil em 1972.
A informática ainda estava engatinhando. Não havia computadores pessoais. Para se ter uma idéia do atraso daquele ano, esse computador que você está utilizando agora para ler este texto, seja ele qual for, é milhões e milhões de vezes mais poderoso do que o mais avançado e robusto computador do Departamento de Defesa dos Estados Unidos em 1968. A Internet era só um embrião nos Estados Unidos, de uso exclusivamente militar, e se chamava, na época, Arpanet. Era um sistema tão rudimentar, que nada tem a ver com a Internet de hoje.
Os carros mais usados em 1968 eram o Aero Willis, o DKV, o Galaxie, o Itamaraty, o Karmann Ghia, o Fusca e o lançamento do ano, o Opala. Em comparação com as modernas máquinas de hoje, esses carros eram verdadeiras “carroças motorizadas”.
Por mais que 1968 faça a gente sentir uma forte vontade de reviver aqueles tempos loucos e rebeldes, dos festivais, da contracultura, dos Beatles, você gostaria de viver num tempo em que não havia forno de microondas, telefone celular, antena parabólica, TV por assinatura, computador, Internet? Acredito que não. Ou viveria?

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