sábado, 19 de dezembro de 2015

Natal, o primeiro e o maior golpe de marketing da história da humanidade

De repente, a região da Rua 25 de Março, em São Paulo, um dos maiores centros de comércio popular do mundo, é invadida por mais de um milhão de pessoas, ávidas por comprar presentes e enfeites de todo o tipo. As lojas dos centros das cidades e os shopoings centers começam a ficar cada vez mais movimentados à medida que o final do ano se aproxima. É um dos primeiros sintomas de que o Natal está chegando. É a época em que a gente começa, de novo, como acontece todo ano, a ouvir os acordes da harpa de Luis Bordon.

A propósito, você sabe quem foi Luis Bordon? Lembra daquelas músicas de Natal ao som de harpa que toca todo ano, principalmente ao fundo das propagandas natalinas? Foi esse Luis Bordon, com sua harpa e seu conjunto, que gravou, na década de 60. Ele era um harpista paraguaio, mas vivia no Brasil. Não podemos nos esquecer, também, daquela música do Lenon, com versão em português gravada pela Simone, aquela que, sinceramente, ninguém aguenta mais... “Então é Natal”. Mas, para nosso desespero, continuam tocando essa música quando o Natal se aproxima.

Mas o que é o Natal? Que data mágica é essa, que mexe com praticamente o mundo todo? Pouca gente, no entanto, sabe exatamente o que é o Natal.

Ah, o Natal é a comemoração do aniversário de Jesus Cristo, pois ele nasceu no dia 25 de dezembro, não é isso?”

Não, não é isso. Se você ainda acredita que o Natal é a comemoração do aniversário de nascimento de Jesus Cristo, provavelmente, deve acreditar, também, em cegonha, bicho-papão, fadinha mágica e até em Papai Noel.

Acredite: a festa que nós chamamos hoje de Natal, originariamente, nada tem a ver com o nascimento de Jesus Cristo. Nada, absolutamente nada. Além disso, o Natal foi, na verdade, o primeiro e creio que o maior golpe de marketing religioso, político e comercial da história da humanidade. Acredita? Não? Então, vamos aos fatos, baseado, obviamente, no que diz a História, e não em maras teorias conspiratórias. Não tenha preguiça de ler, porque a história é um pouco longa, mas muito interessante. Vale a pena saber.

Para entender isso melhor, vamos ter de voltar no tempo, há muitos e muitos séculos atrás, pois o Natal é muito mais antigo do que o nascimento de Jesus Cristo. Dizem que a celebração do que a gente conhece hoje como Natal antecede o cristianismo em cerca de 2.000 anos. Isso mesmo. Por isso que eu disse acima que o Natal, originariamente, não tem nada a ver com o nascimento de Cristo.

Dizem tudo começou com um antigo festival mesopotâmico que simbolizava a passagem de um ano para outro, o Zagmuk. Para os mesopotâmios, o Ano Novo representava uma grande crise. Devido à chegada do inverno, eles acreditavam que os monstros do caos enfureciam-se. Marduk, o seu principal deus, precisava, então, derrotar esses monstros para preservar a continuidade da vida na Terra. O festival de Ano Novo, que durava 12 dias, era realizado para ajudar Marduk em sua batalha. A tradição dizia que o rei devia morrer no fim do ano para, ao lado de Marduk, ajudá-lo em sua luta. No entanto, para poupar o rei, um criminoso era vestido com as suas roupas e tratado com todos os privilégios do monarca, sendo, então, morto. Dessa forma, acreditavam que esse criminoso que morria no lugar do rei levava todos os pecados do povo consigo. Assim, a ordem era restabelecida. Como se vê, até naquele tempo os poderosos eram “blindados”.

Um ritual semelhante era realizado pelos persas e babilônios. Chamado de Sacae, a versão também contava com escravos que tomavam o lugar dos seus mestres. Também havia “blindagem”.

A Mesopotâmia, chamada de mãe da civilização, inspirou a cultura de muitos outros povos, como os gregos, que englobaram as raízes do festival, celebrando a luta de Zeus contra o titã Cronos. Mais tarde, através da Grécia, o costume alcançou os romanos, sendo absorvido por um festival da antiga Roma chamado de Saturnália ou Saturnalia (em homenagem a Saturno). Essa festa, que já era, no seu formato, um pouco semelhante ao “nosso” Natal, começava no dia 17 de dezembro e ia até o 1º de Janeiro. Comemorava-se o solstício do inverno. Solstício, para quem não sabe, é a época do ano em que o Sol passa pela sua maior declinação boreal ou austral, e durante a qual afasta-se do equador.

De acordo com cálculos dos romanos, o dia 25 de dezembro era a data em que o Sol se encontrava mais fraco (não podemos nos esquecer de que lá, na Europa, Hemisfério Norte, nessa época, é inverno), porém tudo está pronto para recomeçar a crescer e trazer vida às coisas da Terra. Durante a data, que acabou conhecida como o "Dia do Nascimento do Sol Invicto" ou Natalis Solis Invicti, as escolas eram fechadas, ninguém trabalhava e eram realizadas festas nas ruas, grandes jantares eram oferecidos aos amigos e árvores verdes - ornamentadas com galhos de loureiros e iluminadas por muitas velas - enfeitavam as salas para espantar os maus espíritos da escuridão. Os mesmos objetos eram usados para presentear uns aos outros. Natalis Solis Invicti, daí, provavelmente, o nome da data: Natal (natalis – dia de nascimento).

Como você pode notar, essa festa romana tinha já muito a ver com o Natal que comemoramos hoje em dia, mas não tinha nada a ver, ainda, com o nascimento de Jesus Cristo. Era uma festa pagã. Apenas após a cristianização do Império Romano, é que o dia 25 de dezembro passou a ser considerada data de celebração do nascimento de Cristo. E como foi isso? Será que acharam a certidão de nascimento de Jesus lá na Galileia e descobriram que ele nasceu em 25 de dezembro? Não, nada disso. É aí justamente que vem o grande golpe de marketing do Império Romano, então recém-adepto do cristianismo, e da Igreja Católica.

Conta a Bíblia que um anjo, ao visitar Maria, disse que ela daria à luz o filho de Deus e que seu nome seria Jesus. Quando Maria estava prestes a ter o bebê, ela e seu marido José viajaram de Nazaré, onde viviam, até Belém, a fim de realizar um recenseamento solicitado pelo imperador romano da época (o Império Romano dominava a região da Palestina naquele tempo). Diz a história oficial que esse recenseamento nunca ocorreu. Não há nenhum registro dele nos anais da história romana. Mas isso é outra história. A grande maioria dos historiadores afirma também que Jesus teria nascido, na verdade, em Nazaré, e não em Belém. Mas isso também é outra história. Vamos nos apegar, aqui, ao que contam os evangelistas.

Segundo narram os evangelistas, quando chegaram a Belém, numa noite fria, Jose e Maria não encontraram nenhum lugar com vagas para pernoitar. Eles tiveram de ficar no estábulo de uma estalagem. E ali mesmo, entre bois e cabras, Jesus teria nascido, sendo enrolado com panos e deitado numa manjedoura, que é uma espécie de tabuleiro no qual se coloca comida para os animais. Pois é! Deu para notar que o povo daquela época ainda não se preocupava muito com higiene. Eram outros tempos.

Conta, ainda, a tradição cristã que pastores que estavam com seus rebanhos próximo do local foram avisados por um anjo e visitaram o bebê. Magos do Oriente que viajavam havia dias, seguindo uma estrela-guia, igualmente encontraram o lugar e ofereceram presentes ao menino: ouro, mirra e incenso, voltando depois para seus reinos e espalharam a notícia de que havia nascido o filho de Deus.

No evangelho de Mateus, não há a menção de que os magos vindos do Oriente eram reis e nem que eram três. A versão sobre os três reis magos, que se chamavam Gaspar, Melquior e Baltazar, foi acrescentada à tradição popular cristã provavelmente por autores criativos da Idade Média.

Um outro fato curioso sobre Jesus é que ele nasceu “antes de Cristo”. Pode parecer absurdo mas, segundo os relatos dos evangelhos, Jesus teria nascido no tempo de Herodes, o Grande. Como esse reinado terminou no ano 4 a.C., Jesus não poderia ter nascido depois disso. O Herodes que aparece nos evangelhos na fase adulta de Jesus, quando ele foi julgado e crucificado, era Herodes Antipas, filho de Herodes, o Grande. Toda essa confusão de datas se deva às sucessivas alterações feitas nos calendários ao longo do tempo.

Pois é! Chegamos, então, ao "X" da questão: apesar de toda essa narrativa bíblica, não há nenhum registro de quando Jesus teria nascido.

Na verdade, a data de 25 de dezembro foi instituída pela Igreja Católica Romana, provavelmente no século IV, para desarraigar a tal festa pagã, que era justamente a Saturnália (ou Saturnalia), em homenagem ao "Nascimento do Sol Invicto" ou Natalis Solis Invicti, da qual já falamos acima. Esse foi o objetivo da criação do Natal. Note que eu disse criação. Sim, porque podemos dizer, seguramente, que o Natal foi uma data INVENTADA pela Igreja Católica Romana, a fim de passar a ser uma espécie de aniversário simbólico, isto é, “de mentirinha,”de Jesus, uma vez que não se sabe a data em que ele teria nascido. Os evangelistas não dizem porque, para eles, afirmam os estudiosos da Bíblia, o importante era a mensagem de Cristo, e não o rigor histórico.

Aliás, existem mil teorias sobre a data ou época em que Jesus teria nascido circulando por aí. Muitos livros e artigos já foram publicados, com cálculos de todos os tipos, calendários, dizendo que Jesus teria nascido em tal data, ou naquela outra, por causa disso ou daquilo, etc. Tudo conversa mole para boi dormir. O certo é que ninguém sabe mesmo quando Jesus nasceu, e provavelmente nunca saberá. O importante, para os cristãos, é a mensagem e os ensinamentos que ele deixou, pelo menos é isso que dizem os diversos segmentos cristãos.

Em verdade, parece que nem os próprios autores dos evangelhos sabiam exatamente quando, como e onde Jesus teria nascido. Toda essa história de manjedoura, pastores, estrela-guia, magos, etc. foi extraída por eles da tradição oral da época, por falta de informações históricas seguras. É quase certo, portanto, que tudo tenha sido bem diferente daquilo que está narrado na Bíblia sobre o nascimento de Jesus. Não podemos nos esquecer de que os evangelistas não estavam preocupados com o rigor histórico, e sim em transmitir a mensagem e os ensinamentos de Jesus.

Por isso eu concluo que o Natal foi, sim, a primeira grande jogada de marketing da história da humanidade. O que a Igreja Católica queria realmente não era simplesmente inventar uma data para comemorar o aniversário de Jesus, e sim desarraigar uma festa pagã romana da época, muito popular, cuja data principal era justamente o dia 25 de dezembro, e, dessa forma, combater o paganismo. E deu certo. Deu tão certo que provavelmente até você acreditava que o dia 25 de dezembro era realmente a data do aniversário de Jesus Cristo, não é mesmo?

A maior parte dos historiadores afirma que o primeiro Natal, como conhecemos hoje, foi celebrado no ano 336 d.C.. A troca de presentes, que já havia na Saturnália, passou a simbolizar, para os cristãos, as ofertas feitas pelos magos do Oriente ao menino Jesus - de que fala o evangelho de Mateus, assim como outros rituais também foram adaptados. Como eu disse, foi a primeira grande jogada de marketing da História da humanidade.


A origem do Papai Noel


A figura do Papai Noel, que os portugueses chamam de Pai-Natal; os franceses, de Père Noël; os alemães, de Weihnachtsmann; os italianos de Babbo Natale e os norte-americanos de Santa Claus, tem origem na história de São Nicolau, um santo especialmente querido pelos cristãos ortodoxos e, em particular, pelos russos.

Conta-se que São Nicolau, quando jovem, viajava muito e por isso, conheceu a Palestina e o Egito. Por onde passava, ficava na memória das pessoas do lugar, devido à sua bondade e o costume de dar presentes às crianças necessitadas. Conta-se, ainda, que o primeiro presente que Papai Noel deu foram moedas de ouro, entregues a três meninas pobres. Quando voltou a sua cidade natal, Patara, na província de Lícia, Ásia Menor, São Nicolau foi declarado bispo da cidade de Mira.

Com o tempo, como sempre acontece, o santo foi ganhando fama de fazedor de milagres, sendo esse um dos temas favoritos dos artistas medievais. Nessa época, a devoção por São Nicolau estendeu-se para todas as regiões da Europa, tornando-o o padroeiro da Rússia e da Grécia, das associações de caridade, das crianças, marinheiros, moças solteiras, comerciantes e também de algumas cidades, como Friburgo e Moscou. Milhares de igrejas europeias foram-lhe dedicadas, uma delas ainda no séc. VI, construída pelo imperador romano Justiniano I, em Constantinopla (hoje, Istambul).

A Reforma Protestante fez com que o culto a São Nicolau desaparecesse da Europa, com exceção da Holanda, onde sua figura persistiu como Sinterklaas, adaptação do nome São Nicolau. Colonizadores holandeses levaram a tradição consigo até New Amsterdan (a atual cidade de Nova Iorque) nas colônias norte-americanas do séc. XVII. Sinterklaas foi adaptado pelo povo americano, falante do Inglês, que passou a chamá-lo de Santa Claus - em português, Papai Noel, para os brasileiros, e Pai-Natal, para os portugueses.

Aqui, chegamos ao arremate do que chamo de maior jogada de marketing da História: o surgimento da imagem de Papai Noel como conhecemos hoje, com aquela roupa vermelha, cinto de cowboy, gorro na cabeça, barba branca. Ela foi criada, em 1931, por um sueco beberrão, chamado Haddon Sundblon, numa tentativa extremamente bem-sucedida da Coca-Cola em conquistar o público infantil. Pensavam agarrar rapidamente a próxima geração de consumidores, assim a Companhia investiu na publicidade dirigida a menores de 12 anos, mesmo havendo um grande tabu quanto a isso na época. Esse aspecto acabou por reformular a cultura popular americana. O Papai Noel de Sundblon era o homem da Coca-Cola perfeito - eternamente alegre, alto, vermelho vivo, metido em situações engraçadas, envolvendo um conhecido refrigerante como recompensa por uma dura noite de trabalho entregando brinquedos. Antes das ilustrações de Sundblon, o santo do Natal foi variadamente vestido de azul, amarelo, verde ou vermelho. Na arte europeia, ele era em geral alto e magro, ao passo que Clement Moore o descreveu como um elfo (gênio que simboliza os fenômenos atmosféricos, na mitologia nórdica) em The Night Before. Christmas.

O golpe de marketing de aproveitar o crescimento do cristianismo em Roma para adotá-lo como religião oficial do Império Romano, graças à conversão de Constantino, que era, na verdade, tão cristão quanto eu sou palmeirense e petista, e de transformar a Saturnália e o “Natalis Solis Invicti” em uma falsa comemoração do aniversário "de mentirinha" de Jesus deu tão certo, que o Natal está aí, enchendo os shoppings centers e a Rua 25 de Março de gente ávida por consumir, ao som de Luis Bordon. FELIZ NATAL!

quinta-feira, 10 de dezembro de 2015

Ideologia para quê?

“Só os canalhas precisam de uma ideologia que os absolva e justifique”, escreveu certa vez Nelson Rodrigues.

Eu, definitivamente, cansei das ideologias. Cheguei à conclusão de que elas não servem para absolutamente nada. Só servem aos canalhas mesmo, para conduzirem seus exércitos de "idiotas úteis".

O Brasil, que poderia ser hoje uma potência mundial, exemplo para o mundo, vive travado por uma direita patrimonialista, egoísta, preconceituosa, retrógrada, protecionista, e por uma esquerda populista, demagógica, mentirosa, também preconceituosa e retrógrada.

O que se tem visto ultimamente em Brasília tem me enchido de de vergonha e nojo. Hoje, nem Dilma, nem Cunha, nem Renan têm condições morais para ocupam os cargos que ora ocupam, assim como tenho dúvidas, também, com relação às altas cortes da Justiça, se também não estão politizadas e ideologizadas. Pobre Brasil. Pobre de nós, cidadãos e contribuintes, que, compulsoriamente, pagamos por tudo isso. 

sábado, 5 de dezembro de 2015

Novo blog

Acabei dando uma reformada em meu blog. A partir de agora, ele se chama “ATAS DO COTIDIANO”. O título é uma homenagem ao Brasil, o paraíso das formalidades burocráticas. O Brasil, como todos estão cansados de saber, é um típico país cartorial. Aqui, o que predomina são as certidões, os atestados, os editais, as declarações, as atas, os relatórios, tudo lavrado conforme a lei vigente, com firma reconhecida e cópias devidamente autenticadas.

Neste blog, preservei os textos já publicados por mim, desde 2008, quando criei o blog. Meu objetivo, doravante,, é escrever com mais frequência. Mas, obviamente, como não vivo de blog, ou seja, não sou um blogueiro “profissional”, como existem muito por aí. Sou apenas um blogueiro “amador”, que escreve durante suas horas vagas, quando uma ideia aparece. Mas vou me esforçar para postar conteúdos aqui com mais frequência e divulgando o link em minhas contas no Twitter e no Facebook.

segunda-feira, 30 de novembro de 2015

OS PERIGOS DA DOUTRINAÇÃO IDEOLÓGICA E/OU RELIGIOSA

Melita Maschmann

Algum tempo atrás, lendo “GUIA POLITICAMENTE INCORRETO DA HISTÓRIA DO MUNDO*, um interessante livro do jornalista e escritor Leandro Narloch, deparei com a curiosa história de Melita Maschmann (1918-2010), que, na década de 30 do século passado, era uma jovem alemã, com todo um futuro pela frente e uma vida tranquila e confortável com seus pais. No entanto, encantada com o discurso de Adolf Hitler e com as ideias nazistas, decidiu engajar-se na Juventude Hitlerista. Em sua biografia, escrita em 1965, ela afirma que queria fugir da “vidinha pequena e infantil” que levava com seus pais e se engajar em alguma coisa “grande e fundamental”. Como muitos jovens alemães de sua época, Melita decidiu colar uma suástica em seu braço e integrar o movimento político que prometia recuperar o orgulho do povo alemão. Inicialmente, o interesse de Melita eram os esportes, as caminhadas e os acampamentos promovidos pela Juventude Hitlerista, atividades aparentemente inocentes. Porém, não tardou muito para que ela começasse a se interessar também por questões políticas. Acabou se tornando líder da Liga das Moças Alemãs, que era a ala feminina da Juventude Hitlerista. Melita estava, enfim, doutrinada. O Nazismo acabara de cooptar mais um componente para seu exército jovem e idealista, que defenderia o chamado “Terceiro Reich”.

Melita escreveu em suas memórias: “Minha família tinha planos conservadores para mim. Na boca de meus pais, as palavras ‘social’ e ‘socialismo’ tinham sempre um tom de desprezo. Mas eu acreditava nos nazistas quando eles propunham acabar com o desemprego e tirar 6 milhões de pessoas da pobreza. Eu acreditava neles quando diziam que iriam unificar a nação alemã, então dividida em mais de 40 partidos e superar as consequências ditadas no Tratado de Versalhes”.

Mesmo contra a vontade de seus pais “conservadores”, a jovem Melita Maschmann passou a se dedicar integralmente aos ideais nazistas. Em 1942, viajou para a Polônia, então ocupada pelo exército alemão, para fazer um trabalho voluntário. Com apenas vinte e três anos de vida, era a mais velha de um grupo de doze colegas. A vida na Polônia não era nada fácil, sem regalias e sem confortos, mas isso parecia só aumentar o espírito de aventura da empreitada. O trabalho de Melita não era dos mais “limpos”. Os nazistas expulsavam os judeus e eslavos de suas casas nos povoados poloneses, para encaminhá-los aos campos de extermínios. Em seus lugares, isto é, nas casas antes ocupadas pelos judeus e eslavos, colocavam descendentes de alemães. A função de Melita e de suas colegas era entrar nas casas desocupadas dos judeus e eslavos, limpá-las, rearranjar os móveis, queimar fotografias e objetos pessoais sem valor. Quando os novos moradores chegavam, Melita e suas colegas organizavam aulas de alemão e de teoria racial para os novos assentados. Até o fim da guerra, Melita Maschmann trabalhou incansavelmente em seu projeto de “mundo melhor”. Mesmo depois do suicídio de Hitler, da rendição alemã, do Tribunal de Nuremberg, Melita Maschmann demorou cerca de doze anos para se “desintoxicar” das ideias nazistas.

Apesar de todo avanço tecnológico, a arma mais poderosa usada pelo homem para dominar e manipular seus semelhantes continua sendo a palavra, ou seja, a doutrinação, ou, usando uma expressão mais popular, a “lavagem cerebral”. Muitas vezes, mesmo pessoas aparentemente inteligentes, bem formadas e informadas, estão sujeitas a serem doutrinadas e manipuladas por alguma corrente ideológica ou religiosa, sem que elas mesmo se apercebam disso.

As pessoas, muitas vezes encantadas e até inebriadas com o discurso de algum líder político, religioso ou filosófico, acabam sendo envolvidas por sua eloquência, por sua pregação, por seu palavreado bonito, envolvente, pela promessa de um mundo melhor ou coisas desse tipo. Geralmente, qualquer nova corrente religiosa, filosófica ou política tem por estratégia prometer um “mundo melhor” aos seus neófitos. A caminhada, a luta, a empreitada pode até envolver sacrifícios, mas o objetivo final sempre compensa: um mundo melhor, aqui ou no paraíso. Por mais altruísta que seja, todo ser humano pensa em si, na recompensa que virá, na Terra ou em “outro mundo”.

A doutrinação político-ideológica e/ou religiosa é um vírus que infesta o mundo há muitos séculos e tem ajudado a formar verdadeiros exércitos de “idiotas úteis”, de milhões de pessoas manipuladas, para as mais variadas finalidades, que, na maioria das vezes, não são nenhum pouco nobres. Como ocorreu no caso de Melita Maschmann, o Nazismo se apresentou a ela como algo bom, positivo, que resolveria os problemas da Alemanha, acabando com as injustiças sociais, com o desemprego, oferecendo a todos um “mundo melhor”. Atualmente, por exemplo, a mesma estratégia é muito utilizada por grupos de radicais islâmicos, que têm cooptado milhares de jovens europeus de famílias muçulmanas. O mais conhecido desses grupos é o terrível e sanguinário Estado Islâmico.

No Brasil, especificamente, o que mais preocupa são a doutrinação religiosa cristã e a doutrinação ideológica de “esquerda”, de orientação marxista-leninista. No entanto, tem crescido, também, nos últimos tempos, movimentos mais conservadores, rotulados de “direita”. Mas são movimentos muito fragmentados, de diversas nuances ideológicas, muitos deles ligados a correntes religiosas mais conservadoras.

A doutrinação religiosa cristã no Brasil tem como principal alvo as pessoas mais humildes, com formação escolar precária, por serem, obviamente, muito mais fáceis de serem doutrinadas e manipuladas. O instrumento utilizado pelos doutrinadores religiosos é a Bíblia, o livro sagrado do Cristianismo, que, com seus textos complexos, que dão margem a múltiplas interpretações, fornece todos os elementos necessários para a doutrinação de milhões de pessoas, que, obviamente, por terem pouca ou nenhuma formação escolar e intelectual, dificilmente questionarão os argumentos e os “ensinamentos” de seus doutrinadores.

Apesar de sua banalização entre as pessoas religiosas, o conteúdo das escrituras sagradas do Cristianismo não é para qualquer um, por ser de difícil entendimento e interpretação. É preciso saber que a Bíblia é uma coletânea de vários textos antigos, escritos por vários autores hebreus, anônimos, de diferentes gerações, ao longo de cerca mil e quinhentos anos, em hebraico, aramaico e grego koinê. Como foram escritos há muitos séculos, em idiomas antigos, por vários autores, de um povo que tinha uma cultura e uma visão de mundo totalmente diferente da nossa, isto é, de hoje em dia, os textos bíblicos têm que ser contextualizados com muito cuidado e, principalmente, à luz de conhecimento histórico e geográfico da época e dos lugares em que se passaram os fatos narrados. Além disso, segundo alguns especialistas, as traduções dos textos bíblicos para as línguas contemporâneas os empobrece um pouco, em comparação com suas versões nos idiomas originais, já que as línguas antigas tinham uma estrutura sintática e semântica diferente da grande maioria dos idiomas falados e escritos atualmente, com muitas variantes, que dificultam bastante a conversão de textos para os idiomas contemporâneos. Portanto, para tentar estudar e conhecer bem os textos bíblicos, é recomendável – mas não essencial - que o interessado conheça os idiomas em que eles foram escritos originalmente. Além disso, é preciso entender que os autores bíblicos estavam mais preocupados em transmitir ensinamentos de crença e fé do que em fidelidade histórica. Muitos dos casos narrados nos textos bíblicos não foram testemunhados pelos autores bíblicos, mas chegaram até eles por meio de seus ascendentes, através da literatura oral da época. Como os hebreus eram um povo que preservava as tradições de seus antepassados, as histórias eram transmitidas oralmente, de pai para filho, isto é, de uma geração para outra. Naquele tempo, ler e escrever era uma arte acessível a pouquíssimos, isto é, restrita quase que exclusivamente aos escribas (escrivães). Na maioria das vezes, nem os reis e a aristocracia sabiam ler e escrever. Era uma arte, na época, como acontecia, por exemplo,  com os computadores nos anos 60 e 70, que só podiam ser utilizados por pessoas iniciadas. Portanto, a maioria absoluta das pessoas daquele tempo não sabia ler nem escrever. Como essas histórias eram contadas e recontadas oralmente por gerações, é possível que elas tenham chegado aos autores bíblicos já distorcidas, com acréscimos, decréscimos, omissões e adições. No entanto, os cristãos acreditam que a Bíblia teria sido escrita “sob a inspiração divina” e, por isso, seria a “Palavra de Deus” aos homens. Mas essa é uma questão de fé, que tem que ser respeitada, mas que, dentro do contexto histórico e científico deste texto, não vamos aqui analisar.

Em suma, diante de tanta complexidade, podemos concluir que os textos bíblicos oferecem os ingredientes perfeitos para serem usados como instrumentos de doutrinação e manipulação.

Claro que a doutrinação religiosa, por si só, não constitui nenhum perigo para o indivíduo nem para a sociedade. Quando o objetivo é somente a divulgação da fé, ela pode até ser saudável. O grande perigo está nas intenções que estão por trás de um processo de doutrinação religiosa. Muitas vezes, o objetivo é garantir um poder de manipulação de um grande número de pessoas, que, doutrinadas, tornam-se perfeitos “idiotas úteis” para um líder religioso ou para uma instituição com objetivos não muito nobres.

A doutrinação ideológica, hoje em dia, em plena era da informação, talvez não tenha tanta chance de ser abrangente e bem-sucedida como ocorreu com o nazifascismo, na Europa, nos anos 20 e 30 do século passado, mas ela, obviamente, não deixou de existir. No Brasil, por exemplo, ela está presente, principalmente em escolas, universidades, movimentos sociais, sindicatos e entidades congêneres. Seu grau de periculosidade é relativo, dependendo, obviamente, do conteúdo e dos objetivos do processo de doutrinação. No Brasil e em toda a América Latina, a predominância é da doutrinação ideológica de esquerda (marxista-leninista). Curioso é que, com a queda do Muro de Berlim, em 1989, o fim da União Soviética e a derrocada do comunismo, no início dos anos 90, a chamada “esquerda” sofreu um baque, o que fez muita gente pensar que seria o fim da chamada utopia socialista/comunista. Não foi. Muitos partidos de esquerda se renovaram diante da nova ordem mundial que surgia, como, por exemplo, o Partido Comunista Brasileiro (PCB), o velho “partidão”, que abandonou velhos conceitos de esquerda, adotou uma nova concepção de socialismo, mais voltado para a social-democracia, mudando até de nome da agremiação, passando a se chamar Partido Popular Socialista, PPS. Contudo, outros segmentos da esquerda, apesar da nova realidade geopolítica mundial, mantiveram-se fiéis ao sonho de construir uma sociedade moldada rigorosamente no receituário marxista-leninista, alegando que o “verdadeiro socialismo” ainda não aconteceu e que as experiências vividas até o início dos anos 90, na União Soviética, na Europa Oriental, na China, Coreia do Norte, no Vietnan, Camboja, Albânia e Cuba, que se transformaram em regimes autoritários, estavam longe de ser o verdadeiro socialismo/comunismo.

A ditadura militar (1964-1985), com truculência, perseguições, torturas, mortes e censura, e a forte influência da “esquerda” na mídia e nos movimentos culturais nas últimas décadas enfraqueceram bastante os discursos da chamada “direita” no Brasil. O vínculo que se criou, um tanto errôneo e arbitrário, entre “ditadura militar” e a palavra “direita” fez com que se estabelecesse aqui uma impropriedade semântica: ser “de direita” no Brasil passou a ser um pecado, um crime. No entanto, com o tempo, isso foi mudando, e os movimentos mais conservadores, rotulados de “direita”, estão crescendo novamente no Brasil, principalmente, e surpreendentemente, entre os jovens. Aliás, a sociedade brasileira, em sua grande maioria, sempre foi e continua sendo bastante conservadora. Em razão disso, mesmo esses segmentos “de direita” não possuindo muito espaço na chamada “grande mídia”, eles exercem grande influência no modo de pensar da grande maioria do povo brasileiro. Uma das razões disso é que boa parte desses segmentos recebe forte influência religiosa, principalmente dos setores mais conservadores da Igreja Católica e de igrejas evangélicas. Não podemos nos esquecer de que nunca antes na história deste país tanta gente frequentou igrejas como agora. Os templos, principalmente os de denominações evangélicas, vivem lotados de fiéis. Esse aumento espantoso de religiosidade na população brasileira nos últimos anos fez com que houvesse, obviamente, um processo de reconservadorização da maior parte da sociedade brasileira. Curiosamente, há aí um processo de doutrinação religiosa que pode resvalar para a doutrinação também ideológica.

Para concluirmos nossas conjecturas, vamos tentar saber, então, quais seriam, afinal, os efeitos danosos da douinação ideológica e/ou religiosa. Isso depende de uma série de fatores relacionados à pessoa doutrinada, entre os quais sua formação cultural e religiosa, sua personalidade, suas condições emocionais, seus conceitos de vida, etc. Mas os efeitos podem variar da limitação do horizonte intelectual e cultural do doutrinado, passando pelo comprometimento de sua vida social, podendo chegar ao risco de transformá-lo em um completo fanático.

Uma pessoa com o horizonte intelectual limitado, decorrente de um processo de doutrinação intensa, a famosa “lavagem cerebral”, é aquela popularmente conhecida como “bitolada”, que tem uma compreensão ou uma visão do mundo, das coisas e da vida muito limitada. Parece que seu cérebro foi “reformatado”. Seu universo parece estar restrito àquilo que foi colocado em sua mente pelos seus doutrinadores. O que sair fora desses limites, a pessoa refuta, repele, desconsidera. No entanto, independentemente disso, ela pode até ter uma vida normal, possuir amigos e até uma vida social intensa. Há, no entanto, casos em que a pessoa passa a ter dificuldades de se relacionar com parentes e amigos. Ela se torna a “chata” ou o “chato” da turma, que todos começam a evitar, por não suportar mais suas ideias fixas de religião, ou de ideologia, ou de política. Como a pessoa julga-se descobridora da “Verdade”, achando que encontrou a “luz”, convence-se de que tem a obrigação de “salvar a humanidade”, de disseminar suas ideias “revolucionárias” ou “salvadoras”. Esse ou essa já está a um passo do fanatismo.

Somente uma formação intelectual e cultural sólida não é o bastante para proteger alguém de um processo de doutrinação. É preciso que a pessoa tenha, acima de tudo, um senso crítico apurado. Foi dito sempre aos fiéis das religiões do mundo: não questione. Creia. Eu, porém, lhes digo que não devem somente crer, mas questionar também. Pergunte, pesquise, duvide. Só a dúvida leva ao conhecimento. Não aceite uma ideia de pronto somente porque ela lhe parece bonita, bem-intencionada. Eu não diria que ninguém é dono da verdade. Mas, com certeza, ninguém, até hoje, conseguiu provar ser o dono da verdade. Então, não se deixe levar por oradores eloquentes, por discursos bonitos. Cuidado quando sentir aquela impressão de que “ele ou ela está dizendo justamente aquilo que eu precisava ouvir”. É justamente aí que pode estar a armadilha. Não se deixe enganar pelos falsos heróis, pelos falsos defensores dos pobres e oprimidos. Como diz a sabedoria popular, o inferno está repleto de bem-intencionados.

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* NARLOCH, Leandro, Guia Politicamente Incorreto da História do Mundo, São Paulo, Leya, 2013, pgs. 199 e 202.

sábado, 14 de novembro de 2015

Terrorismo islâmicos? O que fazer com eles?

O que aconteceu na última sexta-feira, dia 13 de novembro de 2015, em Paris, aquela tragédia terrível, aquele banho de sangue, só tem uma explicação lógica: se você cria monstros, acaba tendo que conviver com eles.

Ao longo das últimas décadas, especialmente durante a chamada “Guerra Fria”, as grandes potências, como Estados Unidos e seus aliados, assim como a União Soviética e seus satélites comunistas, financiaram grupos de guerrilha muçulmanos para lutarem a seu favor nos vários conflitos regionais que patrocinaram, componentes sujos da disputa ideológica e econômica que travavam entre si naquela época.


Os Estados Unidos, por exemplo, financiaram, nos anos 80, guerrilheiros islâmicos para lutarem contra a União Soviética, que havia invadido o Afeganistão. Com isso, criaram Bin Laden e a Al Qaeda. A união Soviética e seu herdeiro natural, o governo russo nacionalista de hoje, submeteram e submetem até hoje vários povos muçulmanos ao seu jugo.


O que esperar disso? A “Guerra Fria” acabou há um bom tempo, mas os mesmos erros continuam sendo cometidos, por parte dos Estados Unidos, que têm um presidente, hoje, curiosamente, de centro-esqurda, e de seus aliados ocidentais, e por parte da Rússia, que tem um presidente, hoje, curiosamente, também, populista, nacionalista e de direita.


E os monstros criados por eles estão aí, cometendo atrocidades, como as que aconteceram na última sexta à noite em Paris. O que fazer com eles?  

quarta-feira, 11 de novembro de 2015

Não me esqueci deste espaço...

Quem, porventura, abre este blog, tem se decepcionado, pois faz um bom empo que não psoto nada aqui. Mas eu não abandonei este espaço. Em breve devo voltar a postar aqui minhas ideias, minhas opiniões, enfim, aquilo que eu penso e acho que devo deixar registrado publicamente. Já tenho um texto quase pronto para publicar aqui, mas ele é um tanto delicado e polêmico. Por isso, estou tendo um certo cuidado em redigi-lo. 

Por isso, dentro de alguns dias, deve ter algo novo por aqui. 

quarta-feira, 5 de agosto de 2015

O PT precisa admitir seus erros e rever seus conceitos

Eu já votei no PT algumas vezes, mesmo não sendo de esquerda. Tenho muitos amigos petistas em minha cidade, pessoas muita queridas, amigas, honestas, íntegras, dignas. Mas acho que o partido está pagando por um erro que começou a cometer logo que saíram as primeiras denúncias de envolvimentos de petistas em denúncias de corrupção logo no começo do governo Lula. 

O PT deveria, já de início, ter sido mais firme com esses acusados, exigir deles uma explicação, uma prestação de contas ao partido e, em caso de sentença condenatória transitada em julgado, expulsado o membro participante de malfeito.

No entanto, o PT adotou uma postura diferente: em vez de ser intransigente com relação à conduta ética de seus membros, passou a mão em suas cabeças, defendeu-os, protegeu-os, adulou-os, tratou alguns até como heróis. Adotando aquele comportamento daquele pai protetor, que mima o filho problemático, dizendo aquela velha frase: "Meu filho não faz essas coisas".

Isso fez com aquele partido político, que nasceu do movimento sindical do final dos anos 70, no ABC paulista, que dizia carregar a bandeira da ética e da dignidade política, fosse se desgastando, perdendo credibilidade e se transformasse, hoje, em alvo de chacotas na mídia e nas redes sociais.  Não bastasse isso, aquela velha desculpa de que o PT é vítima de perseguição das “elites”, da “mídia golpista”, do Ministério Público, do STF, da Secretaria Geral  da ONU, dos Illuminati,  da Santíssima Trindade, ou seja lá de quem for, não convence mais ninguém. Só os militantes apaixonados é que ainda caem nessa desculpa esfarrapada. Também não podemos aceitar a outra desculpa esfarrapada, principalmente para quem acompanhou a história do partido, desde suas origens, de que a corrupção não é exclusividade do PT, de que outros partidos também teriam errado. Isso não isenta, de forma nenhuma, o PT de sua postura totalmente inadequado na condução dos escândalos em que membros seus estiveram e estão envolvidos.

O PT cometeu erros e está pagando por eles. O partido, estigmatizado e com sua imagem desgastada, precisa mudar sua postura, desfazer-se da influência populista e demagógica da pseudoesquerda de alguns países latino-americanos, e voltar a ser o PT velho de guerra, defensor da ética, da boa conduta política, do verdadeiro trabalhador, e não de "parasitas do Estado". Foi nesse PT que eu votei um dia, ou pensei ter votado. 

Enfim, o partido tem que rever seus conceitos e repensar sua postura diante da sociedade brasileira, que cada vez o rejeita mais. Se o PT não se renovar, não se livrar de velhos discursos populistas  e da velha esquerda retrógrada, estará condenado ao aniquilamento. 

sábado, 18 de julho de 2015

Velhos discursos em pleno século XXI

Já faz quase um ano que não posto nada neste blog. Nesse período em que fiquei ausente, muita coisa aconteceu, mas felizmente estamos aqui. Vamos então ao que nos interessa agora.

Ultimamente, na mídia e, principalmente, nas chamadas “redes sociais”, em pleno século XXI, no ano 2015, tenho a impressão de que estamos vivendo ainda nos anos ou dias que antecederam o golpe civil-militar de 1964 no Brasil. Mesmo em um mundo globalizado, interligado pela comunicação rápida, com o mapa da Europa redesenhado, após a queda do Muro de Berlim, velhos discursos ressurgem, como se tivessem sido retirados de gavetas e armários, onde permaneceram por mais de cinquenta anos. Ouvimos de novo o discursos do “comunista criminoso” contra o “burguês explorador”; do “defensor da justiça social, da natureza e da diversidade” contra o “defensor da ordem, da moral, dos bons costumes e da propriedade”. São velhos discursos, embasados em ideologias ou conceitos que já deveriam estar na lata de lixo da história.

As únicas novidades inseridas nesses discursos são a as questões da sexualidade e ambientais, que entraram na ordem do dia das “boas intenções” da chamada “esquerda”, para , assim, se dizerem "progressistas".. Na chamada “direita” não houve tanto “avanço”, a não ser a substituição das “ligas das senhoras católicas” por pastores e padres mais comunicativos e eloquentes. No mais, parece que, passadas décadas, esses discursos ideológicos são os mesmos, tão utópicos quanto hipócritas. Nunca levaram a nada. Não é agora, no terceiro milênio, que eles vão resolver alguma coisa. O mundo, hoje, não tem mais espaço para filósofos em tempo integral nem para intelecualoides de boteco. Precisamos de novas ideias, que sejam reais, exequíveis, em conformidade com a realidade que vivemos, que temos,  e não com a realidade que a gente gostaria de ter.