No último dia 31 de janeiro, a presidente Dilma Rousseff afirmou, durante entrevista em Havana (Cuba), onde fazia uma visita oficial, que a política de direitos humanos não pode ser transformada em "arma" de combate ideológico. Segundo Dilma, seria preciso discutir o assunto a partir do que ocorre em todos os países. "Não é possível fazer da política de direitos humanos uma arma de combate político-ideológico”. Segundo Dilma, o mundo precisa se convencer de que direitos humanos é algo com que todos os países do mundo têm de se responsabilizar, inclusive o Brasil. “Nós vamos falar de direitos humanos em todo o mundo. Vamos ter de falar de direitos humanos no Brasil, nos EUA, a respeito de uma base aqui que se chama ‘Guantánamo’", declarou a presidente brasileira.
Ocorre, Sr.ª Presidenta (dizem que ela gosta de ser chamada assim), que os Estados Unidos da América são uma democracia, com um parlamento bicameral (Congresso e Senado) livremente eleito pelo seu povo, diferente de Cuba, que é uma ditadura, um regime fechado, com um parlamento “de mentirinha”, só para dizer “Sí, señor” aos mandos e desmandos dos irmáos Castros na Ilha. .
O presidente Obama até prometeu, durante sua campanmha, que iria fazer de tudo para acabar com a prisão de Guantánamo, mas o Congresso norte-americano não aprovou. Os Estados Unidos da América, presidenta, são um país muito atrasado. Lá eles não têm esses “modernos” recursos de diálogo do Executivo com o Legislativo, como nós temos aqui. Imagine só! Lá eles não têm acordos na calada da noite, não têm “mensalão”, não têm loteamento de estatais. Se lá também houvesse essa capacidade ilimitada de dialogar e de fazer certos acordos com alguns parlamentares, talvez fosse possível ao presidente Barak Obama aprovar, no Congresso norte-americano, não só a proposta de extinção da base militar de Guantánamo, como também o fim do embargo econômico a Cuba.
Pois é, presidente, digo, presidentA, realmente, lá nos Estados Unidos também há desrespeito aos diretos humanos. Só que lá, diferentemente daqui e de Cuba, as pessoas denunciadas por desrespeito aos direitos humanos são punidas. Veja só que povo cruel: lá eles punem, não só por desrespeito aos direitos humanos, mas também, e principalmente, por corrupção. É um povo tão atrasado, presidenta, que, lá, quando um presidente é considerado coniventes com eventuais crimes praticados por seus subordinados, ele tem que renunciar ao cargo, sob pena de ser tirado dele pelo Congresso. Aqui, o presidente diz que “não sabia de nada”, a gente acredita nele e ainda o reelege por mais um mandato. Veja como nós somos bonzinhos. Afinal de contas, nada como um bom “bolsa-esmola” para amolecer os corações, não é mesmo?
