sábado, 22 de setembro de 2012

Para Ferreira Gullar, o capitalismo é “invencível”

Ferreira Gullar - Foto VEJA

Achei bem interessante a entrevista do poeta Ferreira Gullar publicada nas páginas amarelas da revista VEJA que está chegando às bancas neste final de semana.

Aos 82 anos de idade, ex-militante do Partido Comunista Brasileiro, Gullar foi exilado politico no tempo da ditadura militar. Durante esse período, morou na antiga União Soviética, no Chile e na Argentina. Hoje, ele é um desiludido com o socialismo. Afirma que não houve nenhum fato determinado que o fez se desencantar com o pensamento de esquerda. Foi, segundo ele, uma questão de reflexão, de experiência de vida, de as coisas irem acontecendo, não só com ele, mas no contexto internacional. “É fato que as coisas mudaram. O socialismo fracassou. Quando o Muro de Berlim caiu, minha visão já era bastante crítica. A derrocada do socialismo não se deu ao cabo de alguma grande guerra. O fracasso do sistema foi interno. Voltei a Moscou há alguns anos. O túmulo de Lenin está ali na Praça Vermelha, mas pelo resto da cidade só se veem anúncios da Coca-Cola. Não tenho dúvida nenhuma de que o socialismo acabou, só alguns malucos ainda insistem no contrário. Se o socialismo entrou em colapso quando ainda tinha a União Soviética como segunda força econômica e militar do mundo, não vai ser agora que esse sistema vai vencer”, diz Gullar.

Para Gullar, o capitalismo do século XIX era realmente uma coisa abominável, com um nível de exploração inaceitável. “As pessoas com espírito de solidariedade e com sentimento de justiça se revoltaram contra aquilo. O Manifesto Comunista, de Marx, em 1848, e o movimento que se seguiu tiveram um papel importante para mudar a sociedade. A luta dos trabalhadores, o movimento sindical, a tomada de consciência dos direitos, tudo isso fez melhorar a relação capital-trabalho. O que está errado é achar, como Marx diz, que quem produz a riqueza é o trabalhador e o capitalismo só o explora. É bobagem. Sem a empresa, não existe riqueza. Um depende do outro. O empresário é um intelectual que, em vez de escrever poesias, monta empresas. É um criador, um indivíduo que faz coisas novas. A visão de que só um lado que produz riqueza e o outro só explora é radical, sectária, primária. A partir dessa miopia, tudo o mais deu errado para o campo socialista. Mas é um equívoco concluir que a derrocada do socialismo seja a prova de que o capitalismo é inteiramente bom. O capitalismo é a expressão do egoísmo, da voracidade humana, da ganância. O ser humano é isso, com raras exceções. O capitalismo é forte porque é instintivo. O socialismo foi um sonho maravilhoso, uma realidade inventada que tinha como objetivo criar uma sociedade melhor. O capitalismo não é uma teoria. Ele nasceu da necessidade real da sociedade e dos instintos do ser humano. Por isso ele é invencível. A força que torna o capitalismo invencível vem dessa origem natural indiscutível. Agora mesmo, enquanto falamos, há milhões de pessoas inventando maneiras novas de ganhar dinheiro. É óbvio que um governo central com seis burocratas dirigindo um país não vai ter a capacidade de ditar rumos a esse milhões de pessoas. Não tem cabimento”, declarou Gullar.

“EU, DE DIREITA?
ERA SÓ O QUE FALTAVA”

Perguntado se se considerava de direita, Gullar disse: “Eu, de direita? Era só o que faltava”. Para ele, a questão é muito clara. “Quando ser de esquerda dava cadeia, ninguém era. Agora que dá prêmio, tudo o mundo é. Pensar isso a meu respeito não é honesto. Porque o que estou dizendo é que o socialismo acabou, estabeleceu ditaduras, não criou democracia em lugar algum e matgou gente em quantidade. Isso tudo é verdade. Não estou inventando.

CUBA

Sobre Cuba, Ferreira Gullar disse que não pode defender um regime sob o qual ele não gostaria de viver. “Não posso admirar um país do qual eu não posso sair na hora que quiser. Não dá para defender um regime em que não se possa publicar um livro sem pedir permissão ao governo. Apesar disso, há um aporção de intelectuais brasileiros que defendem Cuba, mas, obviamente, não querem viver lá de jeito nenhum. É difícil para as pessoas reconhecer que estavam erradas, que passaram a vida toda pregando uma coisa que nunca deu certo”.

Perguntado sobre como define sua visão política, Ferreira Gullar disse que não acha que o capitalismo seja justo. “O capitalismo é uma fatalidade, não tem saída. Ele produz desigualdade e exploração. A natureza é injusta. A justiça é uma invenção humana. Um nasce inteligente e o outro burro. Um nasce atlético, o outro aleijado. Quem quer corrigir essa injustiça somos nós. A capacidade criativa do capitalismo é fundamental para a sociedade se desenvolver, para a solução da desigualdade, porque é só a produção de riqueza que resolve isso. A função do estado é impedir que o capitalismo leve a exploração ao nível que ele quer levar”, aduziu Gullar.

Apesar de ter sido do Partido Comunista durante a época da ditadura militar, Ferreira Gullar disse que era um “moderado”. Por isso, nunca defendeu a luta armada, que, para ele, só ajudou mesmo a justificar a ação da linha dura da ditadura militar que queria aniquilar seus oponentes. “Quando fui preso, em 1968, fui classificado como prisioneiro de guerra. O argumento dos militares era, e é, irrespondível: quem pega em armas quer matar, então deve estar preparado para morrer”.

No entanto, para ele, quem aderiu à luta armada foram pessoas generosas, íntegras, tanto que algumas sacrificaram sua vida, mas, segundo ele, por um equívoco. “Você tem de ter uma visão crítica das coisas, não pode ficar eternamente se deixando levar por revolta, por ressentimentos. A melhor coisa para o inimigo é o outro perder a cabeça. Lutar contra quem está lúcido é mais difícil do que lutar contra um desvairado”, disse Ferreira Gullar.

Na entrevista, Ferreira Gullar fala também de seu drama familiar. Ele teve dois filhos atingidos pela esquisofrenia, sendo que um deles faleceu. As experiências que teve com o problema dos filhos fê-lo ser um defensor da internação em hospital psiquiátrico dos casos em fase aguda. “Quando a pessoa entra em surto, ela pode se jogar pela janela. Meu filho, o Paulo, se jogou. Hoje ele anda mancando porque sofreu uma lesão na coluna. Ele conversava comigo, via televisão, brincava, lia meus poemas. Em surto, não tinha controle. Queria estrangular a empregada. Nessa hora, a única maneira é internar e medicar. Nesse estado, sem nenhum socorro, o esquisofrênico pode fazer qualquer coisa”.

domingo, 2 de setembro de 2012

Creches para idosos

Conforme matéria do jornal FOLHA DE S. PAULO de 02 de setembro de 2012, domingo, a nova moda agora em São Paulo são as creches para vovôs e vovós. Esse novo tipo de negócio tem crescido em São Paulo (Capital). Alguns já nasceram como creches ou centros-dia -como preferem chamar certos especialistas. Além disso, casas de repouso também estão aproveitando o espaço ocioso que têm para atender a idosos por diárias. Alguns chegam a oferecer serviço de transporte (leva e traz).

"As creches são uma tendência. É bom negócio para as casas de repouso porque aproveitam a estrutura física e de pessoal que já têm. E resolve o dilema das famílias que não querem deixar seu idoso asilado", afirma Eduardo Bonini, consultor na área de gerontologia, ouvido por Cláudia Collucci, da FOLHA.

Essas instituições funcionam assim: os idosos chegam pela manhã, trazidos por familiares. Ali, eles fazem de quatro a seis refeições ao dia e desenvolvem várias atividades monitoradas, como desenho e canto. Também têm sessões de fisioterapia e fonoaudiologia. No final do dia, às vezes já de banho tomado, voltam para suas casas.

"Facilitou minha vida e minha mãe está mais feliz. Não tenho paciência e nem formação para cuidar dela o dia todo", diz a bancária aposentada Marilisa Bradbury.

A mãe dela, Rebecca, 79, com diagnóstico de demência senil, frequenta uma creche, na zona leste de São Paulo, cinco dias por semana.

Em geral, os usuários das creches são idosos fragilizados. Ou seja, têm doenças como Alzheimer ou Parkinson, ou sequelas de derrame. Estima-se que em São Paulo existam ao menos 350 mil idosos com esse perfil.

"Esses idosos não aparecem. São aqueles debruçados nas janelas dos apartamentos ou no fundo dos quintais. São invisíveis para a sociedade", afirma Edelmar Ulrich, 60, presidente da Associação dos Familiares e Amigos dos Idosos (Afai).

Ele e um grupo de familiares de idosos criaram uma creche depois que o local que frequentavam foi fechado. Cada família paga entre R$ 580 e R$ 850 mensais. Hoje, existe fila de espera. Em outras creches, cujas diárias chegam a R$ 130, há vagas.

POLÊMICA

O termo creche é polêmico. Especialistas em envelhecimento dizem que ele é pejorativo, infantiliza o idoso. "É lamentável chamar de creche. Mesmo no caso de pessoas com demência é fundamental manter sua autonomia, respeitar seus desejos. Não é uma criança", diz o médico Alexandre Kalache, presidente do Centro Internacional de Longevidade.

Já os proprietários desses centros até usam o nome como marketing. "Já tentamos centro-dia, centro de vivência, mas o que pegou mesmo é creche ou escolinha", diz Neli Gaeta, sócia do Centro de Vivência Solar Flor de Lis.

Ex-diretor na OMS na área de envelhecimento, Kalache aprova o conceito dos centros-dia. "Eles ajudam o idoso a preservar a dignidade, aumenta a sociabilização e estimula as funções físicas e mentais remanescentes."

Mas ele alerta que a falta de uma regulamentação clara sobre o funcionamento dos serviços pode gerar abusos. "Vira um depósito de idosos."

CRECHE PÚBLICA PARA IDOSOS

Segundo a FOLHA, está tramitando na Câmara de São Paulo um projeto de lei que prevê a criação de creches públicas para idosos, dentro de um programa social voltado para a terceira idade. A população idosa no município da Capital é de 12%.

"É fundamental termos políticas públicas não só para esse idoso que tem família e que pode voltar para casa no final do dia, como para aquele que já foi abandonado pelos familiares", diz Hélio de Oliveira, responsável pela coordenadoria do idoso do município.

Parte desses idosos sem apoio familiar é atendida hoje por um programa de acompanhamento de idosos, da Secretaria Municipal da Saúde. Os acompanhantes levam os idosos ao médico, supervisionam a alimentação e higiene pessoal e ajudam na manutenção da casa. O programa atende hoje a cerca de 2.700 idosos.

As informações são de Cláudia Collucci, do jornal FOLHA DE S. PAULO, edição de domingo, 02/09/2012.

quinta-feira, 26 de julho de 2012

A história do rádio em Pereira Barreto

O rádio nos velhos tempos
radio antigo

O rádio, no Brasil, começou oficialmente em 1923, com a implantação da Rádio Sociedade do Rio de Janeiro, primeira emissora de rádio do País.. Mas ter um receptor de rádio, nas décadas de 30 e 40, principalmente para os moradores desta região, era um privilégio de pouquíssimos.

Na década de 40, um dos poucos a possuír um receptor de rádio em Pereira Barreto era o Sr. Léo Liedtke, proprietário de uma padaria na Avenida Brasil e pai do ex-prefeito pereira-barretense Léo Liedtke Junior. Era lá que algumas pessoas se reuniam naquela época, por exemplo, para saberem notícias da II Guerra Mundial (1939-1945). Os aparelhos, naquele tempo, eram caros.
Eron Dominges
Locutor Heron Domingues apresenta o “Repórter Esso”
Já no final da década de 40 e início dos anos 50, os aparelhos receptores de rádio se tornaram um bem mais acessível e, portanto, mais populares. Pereira Barreto já começava, então, a entrar em contato, em tempo real, com os grande centros pelo som das principais emissoras de alcance nacional, como a então badalada Rádio Nacional do Rio de Janeiro. Muitos moradores já acompanhavam as famosas radionovelas, os programas de auditório, as transmissões esportivas, os noticiários. Assim como hoje, as pessoas têm o hábito de assistir ao Jornal Nacional, na Rede Globo, naquele tempo, havia quem não fosse dormir sem antes ouvir O GRANDE JORNAL FALADO TUPI, que ia ao ar de segunda a sexta-feira, às 22h, pela Rádio Tupi de São Paulo, que informava as últimas notícias do Brasil e do mundo. Faziam sucesso os famosos programas musicais, com a participação ao vivo dos maiores cantores da época. Por causa disso, muita gente não deixava de comprar toda semana a famosa REVISTA DO RÁDIO, que trazia reportagens sobre os artistas e, em especial, as suas fotos. Como naquele tempo não havia TV por aqui ainda, a oportunidade de ver como os artistas eram fisicamente era pelas fotos da REVISTA DO RÁDIO ou então no cinema, por meio dos filmes humorísticos da época, as famosas chanchadas, nos quais os cantores do rádio apareciam interpretando seus sucessos.
Radio Nacional
Programa de auditório da Rádio Nacional do Rio de Janeiro

A primeira emissora de rádio da cidade


Mas chegou a hora de Pereira Barreto se ouvir no rádio. Em 14 de abril de 1955, graças à iniciativa do Dr. Benevides Lopes Siqueira e mais um grupo de cidadãos pereira–barretenses, entrava no a ZYR 87, Rádio Pereira Barreto S.A., cujo transmissor tinha 100 watts de potência. Os estúdios da emissora ficavam instalados na Rua Bernardino de Campos (hoje, Cyro Maia), mais ou menos onde se localiza atualmente o Supermercado Proença. Além do estúdio, discoteca e administração, a emissora contava ainda com um pequeno auditório.

No início de suas atividades, a Rádio Pereira Barreto funcionava das 8h às 12h e das 15h às 22h. A programação era composta basicamente de músicas e radionovelas, que a emissora comprava, já previamente gravadas, de grandes emissoras de São Paulo e do Rio de Janeiro. Com exceção das radionovelas, a programação era quase que toda feita ao vivo. Como a emissora tinha um pequeno auditório, era comum, aos domingos, programas coma apresentação de artistas locais.

Em 1963, a Rádio Pereira Barreto foi vendida para a Rede Alpes, um grupo que tinha emissoras de rádio por todo o Brasil e que era sediado em São Paulo (Capital). A administração local da emissora ficou a cargo do radialista Cláudio Parizzi. Já nessa fase, a Rádio Pereira Barreto entrava no ar às 6h e encerrava suas transmissões às 22h.
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Discoteca da antiga Rádio Pereira Barreto
Em meados da década de 60, a Rádio Pereira Barreto passou para o controle do Sr. Waldomiro Rocha Domingos, de Araçatuba, mas, logo em seguida, foi vendida para o Grupo Gerka, composto pelos radialistas Fauzi Kassin, Normando Lopes e Jercy Barbosa, da cidade de Guararapes (SP), que assumiram a administração da emissora, em 1967. A primeira iniciativa dos novos administradores foi construir um prédio próprio para a emissora. Em 1970, a Rádio Pereira Barreto foi transferida para a Av. Brasil, 1587.
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Saudoso radialista Gercy Barbosa
Em meados da década de 70, o Ministério das Comunicações promoveu uma reforma total nos prefixos e freqüências das emissoras de rádio que operavam em ondas médias. O prefixo da Rádio Pereira Barreto passou de ZYR87 para ZYK625, e sua freqüência foi alterada de 730 khz para 690 Khz. Em seguida, a potencia de seu transmissor foi ampliada para 1000 watts, o que fez com que a Rádio Pereira Barreto aumentasse seu raio de abrangência.

Com o falecimento do radialista Fauzi Kassin, em 1989, e o desinteresse dos proprietários em modernizar a emissora, a Rádio Pereira Barreto foi vendida para o Sistema Regional de Rádio, com sede na cidade de Andradina (SP).

A partir de então, a emissora passou por um processo de profundas mudanças. Seu nome foi alterado para Rádio Cidade Noiva do Tietê. Foram adquiridos novos equipamentos e foi construído um novo prédio.

A Rádio Cidade, hoje, nada tem a ver com a antiga Rádio Pereira Barreto. Na verdade, pode-se dizer que se trata de uma nova emissora. No entanto, em 2005, a Rádio Cidade comemorou com festa os cinqüenta anos da emissora, uma forma de dizer que a Rádio Cidade é a continuação da Rádio Pereira Barreto, uma atitude de respeito aos baluartes da radiofonia pereira-barretense, como o Dr. Benevides Lopes Siqueira, Claudio Parizzi, Fauzi Kassin, Gercy Barbosa e muitos outros, que fizeram a história do rádio local.

O rádio pereira-barretense hoje

Pereira Barreto possui hoje três (3) emissora de rádio: Rádio Cidade AM, Rádio Clube FM e Rádio 104 FM.
RadioCidadeAM
A Rádio Cidade AM, a única que opera em ondas médias na cidade, é a sucessora da antiga Rádio Pereira Barreto. Tanto é assim, que um de seus programas, Ronda Policial, que é apresentado de segunda a sábado, às 11h30min, pela locutora Marisa Santos, com notícias policiais da cidade e da região, ainda é chamado hoje por muitas pessoas de “Rotativa”, que, na verdade, era um programa de notícias gerais (inclusive policiais), chamado “Rotativa no Ar”, apresentado pelo saudoso Gercy Barbosa, na antiga Rádio Pereira Barreto. No entanto, o programa “Ronda Policial” de hoje, da Rádio Cidade, nada tem a ver com o polêmico e saudoso radiojornal de Gercy Barbosa, no qual, além de notícias gerais, eram apresentados entrevistas e debates sobre temas de interesse da população local. A única coincidência entre os dois programas é somente o horário.
Aliás, é bom esclarecer que o radialista Gercy Barbosa chegou a apresentar, durante algum tempo, um programa também chamado de “Ronda Policial”, que ia ao ar de segunda a sexta-feira, às 11h. Na abertura do programa Gercy também usava a música tema do seriado policial S.W.A.T.T, que, naquele tempo, fazia muito sucesso na TV. Hoje esse também é a música de abertiura do programa “Ronda Policial” da Rádio Cidade.
CluybeFM
A Rádio Clube FM entrou no ar no final de 1988, ainda com o nome de Rádio Veneza Paulista. Ela pertencia a um grupo de empreendedores de Pereira Barreto (Dermival Franceschi Junior, João de Altayr Domingues e Cândido Arruy). A emissora, a primeira a transmitir em freqüência modulada (FM) na cidade, foi depois vendida ao Sistema Regional de Rádio, que alterou seu nome para Rádio Clube. Hoje, a emissora pertence ao ex-deputado federal Jorginho Maluly. 
FM971
A Rádio 104 FM entrou no ar em 2007. Trata-se de uma emissora de rádio comunitária e pertence à Associação Beneficente Cultural Comunitária de Pereira Barreto (ABECC), uma feliz iniciativa de um grupo de pessoas abnegadas da cidade.

Rádios pereira-barretenses falando para o mundo

Hoje, as três emissoras de rádio de Pereira Barreto transmitem suas programações para o mundo todo via Internet.

A Rádio Cidade AM, está disponível no endereço www.radiocidadeam690.com.br, O site, pelo menos por ora, não tem conteúdo. Ele destina-se exclusivamente a transmitir a programação da emissora pela Internet.  

No site da Rádio 104 FM, além da programação ao vivo, inclusive com webcam mostrando os estúdios da emissora, você pode encontrar um farto material informativo, com textos e imagens. O endereço é  www.pereirabarretofm.com.br.
A Rádio Clube FM, que pertencia ao Sisema Regional de Comunicação, do radialista andradinense Nivaldo Franco, mas agora é de propriedade do ex-deputado Jorginho Laluly, lançou também seu website, com programação veiculada ao vivo, no endereço www.clubefm971.com.br.

Muito do que contei aqui sobre a história do rádio em Pereira Barreto me foi passado pelo amigo radialista APARECIDO CESAR DOS SANTOS, antigo funcionário da Rádio Pereira Barreto, que hoje milita na RÁDIO 104 FM. Agradeço a ele, de público, pelas valiosas informações históricas, que enriqueceram este texto.
Infelizmente, parece que os sons veículados pela antiga Rádio Pereira Barreto se perderam no tempo. Pelo que sei, não sobrou nenhum registro sonoro do tempo em que a emissora ficou no ar, de 1955 a 1989, tais como noticiáiros, jingles, spots, eventos transmitidos pela emissora, entrevistas, etc.
Em 1989, com Fauzi Kassin já doente, Gercy Barbosa desmotivado, a emissora estava em total decadência, com equipamentos totalmente defasados, dívidas, prédio em péssiasm condições de conservação. Quando Nivaldo Franco Bueno assumiu seu controle, naquele mesmo ano, após o falecimento de Fauzi Kassin, teve de fazer uma verdadeira faxina na emissora, jogando muita coisa no lixo, que estava entupetando as dependências da rádio. Fauzi Kassin, apesar de suas muitas qualidades, como pessoa humana e profissional, não era  lá muito  organizado. Contou-me, certa vez, o antigo radialista José Leonildo Moretti, o popular “Italiano”, que, quando  Nivaldo Franco Bueno fazia a tal faxina nas instalações da Rádio Pereira Barreto, encontrou uma carta que ele mesmo, Nivaldo, havia enviado a Fauzi Kassin em 1968. Detalhe: a carta ainda estava fechada dentro do envelope, isso 21 anos depois. É provável que nessa faxina feita por Nivaldo alguns tesouros históricos da antiga Rádio Pereira Barreto também tenham ido para o lixo. Lamentável. Dizem que isso também aconteceu com a antiga TV Tupi. Muito do acervo da antiga emissora foi literalmente para o lixo.

domingo, 15 de julho de 2012

Redes sociais

O próximo texto sobre os grandes mitos midiáticos será sobre JÂNIO QUADROS. Estamos preparando. Enquando isso, acompanhe-me no Facebook e no Twitter.

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domingo, 29 de abril de 2012

Grandes mitos midiáticos da história brasileira

PARTE 2

Juscelino Kubitschek

“Cinquenta anos em cinco”

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Juscelino Kubitschek de Oliveira foi o presidente da República do Brasil de 1956 a 1961. Ele iniciou sua trajetória política quando foi nomeado chefe da Casa Civil do governo de Minas Gerais, em 1934, no mandato do governador nomeado (interventor) Benedito Valadares. No mesmo ano, elegeu-se deputado federal. De 1940 a 1945, foi prefeito nomeado de Belo Horizonte, levaodo ao cargo por ato do interventor Benedito Valares. Foi eleito, novamente, deputado federal, pelo PSD (Partido Social Democrático), em 1945, e fez parte da Assembleia Nacional Constituinte que elaborou a Constituição de 1946. Em 1955, ele foi candidato à presidência da República por uma aliança do PSD com o PTB (Partido Trabalhista Brasileiro), tendo sido eleito com 36% dos votos (3.077.411 votos).

Gingle da campnha de Juscelino para presidente, em 1955

Juscelino Kubitschek tomou posse em 1956 com um discurso desenvolvimentista. Usando o lema Cinquenta anos(de progresso)em cinco (de governo). Lançou o Plano Nacional de Desenvolvimento, também conhecido como “Plano de Metas”, que priorizou os setores de produção de energia, transportes, indústria de base, produção de alimentos e educação. Para melhorar a infraestrutura do País, o governo de Juscelino atraiu investimentos externos, o que favoreceu muito a implantação de um polo de indústrias automobilísticas na região do ABC Paulita. Para incentivar o desenvolvimento da região Nordeste, criou a SUDENE (Superintendência de Desenvolvimento do Nordeste). Com essa política desenvolvimentista, Juscelino diversifica e promove um enorme desenvolvimento da economia brasileira.

Imagens da posse de Juscelino, em 1956

Em 1957, Juscelino Kubitschek iniciou sua grande obra: a construção de Brasília, com projeto urbanístico do arquiteto Lúcio Costa e os desenhos dos prédios governamentais de Oscar Niemeyer. A obra atraiu trabalhadores de todo o Brasil, especialmente nordestinos, que se tornaram conhecidos como “candangos”.

Sobre a iniciativa de construir Brasília, há algumas lendas, entre elas a de que teria sido orientado por uma conhecida vidente mineira que ele deveria construir uma nova cidade que seria a nova capital do País no Planalto Central do Brasil. Pura balela. Na verdade, desde a primeira constituição republicana, de 1891, havia um dispositivo que previa a mudança da Capital Federal do Rio de Janeiro para o interior do país, determinando como "pertencente à União, no Planalto Central da República, uma zona de 14 400 quilômetros quadrados, que será oportunamente demarcada, para nela estabelecer-se a futura Capital Federal". O que Juscelino fez foi somente cumprir o que dizia a Constituição de 1946, que também previa a transferência da Capital Federal para o Planalto Central.

Imagens de inauguração de Brasília, em 21/04/1960

É óbvio que Juscelino Kubitschek promoveu um enorme desenvolvimento, mudando a cara do Brasil. O período de seu governo coincidiu com a fase que ficou conhecida como “Anos Dourados”, de grande efervescência cultural e artística, do nascimento da Bossa Nova, do Brasil campeão mundial de futebol em 1958, do lançamento de carros fabricados no Brasil, como o Fusca. Foi um período de otimismo, de esperança no futuro, de um Brasil que começava a ser mais conhecido no exterior. Em 1959, o salário minimo obteve seu maior valor real em todos os tempos.

A era JK, os chamados “Anos Dourados”

Tudo isso dito acima faz parte, obviamente, da história de Juscelino Kubitschek, que demonstra que ele foi, sim, um grande presidente. No entanto, há algumas arestas do mito de Juscelino que têm de ser aparadas.

Hoje, não se fala muito no assunto, talvez para não macular sua imagem histórica e quase mítica, mas Juscelino Kubitschek sempre foi acusado de corrupção, desde o tempo em que era governador de Minas Gerais. No período em que foi presidente, então, as denúncias se intensificaram, principalmente por conta da construção de Brasília. Oposição e setores da imprensa diziam que havia sérios indícios de superfaturamento das obras e favorecimento a empreiteiros ligados ao grupo político de Juscelino. Outro casa basante polêmico o da empresa aérea Panair do Brasil, pertencente a amigos de Juscelino, que foi acusada de possuir um monopólio do transporte de pessoas e materiais enviados para a construção de Brasília, pois naquele tempo ainda não havia rodovias, como a BR-050. Por isso, grande parte dos materiais e equipamentos utilizados na obra eram transportados por aviões. Apesar de todas as acusações de corrupção contra Juscelino Kubitschek, após sua morte, em 1976, o inventário demonstro que seu patrimônio pessoal era bem modesto.

Mas o desenvolvimentismo e a ousadia de Juscelino Kubitschek custaram caro ao Brasil. Prudência e austeridade não faziam parte de seu vocabulário político-administrativo. Exemplo dessa quase inconsequência administrativa ocorreu no final de 1959, quando o dinheiro para construção de Brasília havia acabado. Juscelino achava que não poderia parar a obra de forma alguma. Ele rompeu com o Fundo Monetário Internacional (FMI), que sugeria uma outra forma de controle da economia, que não estava de acordo com o jeito ousado de seu governo, e, para conseguir dinheiro para concluir Brasília, emitiu títulos da dívida pública e cartas precatórias, que foram negociados na bolsa de valores, para se conseguir capital de curto prazo, e vendeu esses papéis com deságio, ou seja, com um preço abaixo do valor de mercado, que poderia ser recuperado posteriormente em um prazo de 5 anos. Dessa forma, Juscelino conseguiu dinheiro para terminar a construção de Brasília. Mas, com isso, ele comprometeu o caixa dos próximos governos do país, por aumentar a dívida pública federal. Só esses fatos desmancham o mito de Juscelino Kubitschek como grande administrador.

No final do mandado de Juscelino Kubitschek, o Brasil já enfrentava o crescimento da inflação, um aumento considerável na concentração de renda e arrocho salarial. Houve várias manifestações populares, com greves no campo e nas cidades. A inflação e o arrocho salarial foram gerados pela expansão do crédito, pelo aumento na importações para a nascente indústria automobilística e, principalmente, pela constante emissão de moeda para sustentar investimentos do governo e pagar empréstimos externos. Em 1960, a inflação estava em 25% ao ano. As consequências piores vieram depois do governo de Juscelino: em 1961, a inflação subiu para 43%; em 1962, para 55% e chegou a 81% em 1963. Daí em diante, a situação econômica, política e principalmente social do Brasil só se agravou, culminando no golpe de estado de 1964.

Outro mito que existe sobre a figura de Juscelino Kubitschek era a de que ele era um político popular. Os fatos demonstram o contrário. Juscelino foi eleito, em 1955, com apenas 36% dos votos válidos. Ao final de seu agitado governo, mesmo depois de ter construído Brasília, de haver implantado a indústria automobilística no Brasil e de todo o progresso que sua ousada e quase irresponsável administração provocou, ele não conseguiu eleger seu sucessor, que era o marechal Teixeira Lotti.

Em 2006, a Rede Globo exibiu uma minissérie sobre a vida de Juscelino Kubitschek. Misturando realidade e um pouco de ficção, a obra televisiva reforça a imagem mítica de Juscelino.

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Próximo personagem:
Jânio Quadros

quarta-feira, 18 de abril de 2012

Grandes mitos midiáticos da história brasileira

Parte 1

Getúlio Vargas

“O pai dos pobres”

Getúlio Vargas

Antigamente, o povo era um mero expectador do poder. Ele não decidia. Afinal de contas, quem sabia o que era melhor para ele e para o país era o rei, o imperador, o monarca, enfim, o “Grande Pai”, que muitas vezes, como nos mostra a História, era visto até como uma espécie de divindade. Um dia, o povo começou a perceber que quem pagava por aquilo tudo era ele, com seu trabalho, com seus impostos. Se era ele quem pagava a conta, obviamente era ele quem tinha que mandar também. Foi quando começaram a acontecer pelo mundo grandes revoltas que mudaram a história humana, como a Revolução Gloriosa e a Revolução Francesa.

No Brasil, o povo só começou a ser mais ouvido mesmo a partir de 1930. Com a golpe que acabou com a chamada “República Velha', dominada por oligarquias regionais e pelo chamado “coronelismo”, Getúlio Vargas tornou-se o primeiro grande líder popular. Em vez de usar os mesmos métodos dos antigos detentores do poder, que pouca importância davam às massas populares, pois, devido a eleições feitas a bico de pena, praticamente não dependiam muito da população para se elegerem, Getúlio Vargas viu no povo o grande sustentáculo de sua carreira política. Para isso, logo de início, promoveu uma reforma eleitoral e instituiu o voto secreto e o feminino. Além disso, para se aproximar mais do homem comum, criou o DOP, Departamento Oficial de Propaganda). Naquele tempo, um novo e revolucionário veículo de comunicação surgia, o rádio. Quando Getúlio assumiu o governo, em 1930, as emissoras existentes ainda eram meio experimentais e mantidas por colaboradores. Já no começo de seu governo, elas foram autorizadas a inserir publicidade em suas programações e, dessa forma, se tornarem comerciais e, por conseguinte, financeiramente independentes. Isso marcou o início, no Brasil, da “era de ouro do rádio”, um veículo que Getúlio Vargas soube usar como ninguém para conquistar popularidade e vender uma imagem de homem bom, nacionalista, protetor dos pobres. Para o bem e, também, para o mal, Getúlio usou e abusou da nova mídia para construir a imagem de mito em que se tornou para grande parte dos brasileiros daquela época. Veja o vídeo abaixo.

O rádio na Era Vargas

Getúlio Vargas, ao longo de todo o período em que governou o Brasil, como ditador, de 1930 a 1945, e, como presidente eleito democraticamente, de 1950 a 1954, sempre foi venerado pela grande maioria da população brasileira, graças a seu carisma, sua habilidade em usar a mídia, sua opção por agradar aos segmentos mais carentes da população. Era, para milhões de brasileiro, o “pai dos pobres”. Para criar e manter essa imagem de “bom homem”, Getúlio tinha uma ampla equipe de assessores. Depois que deu o golpe do “Estado Novo”, em 1937, inventando a desculpa de um falso plano de um golpe comunista no Brasil, chamado de “Plano Cohen”, Getúlio endureceu seu governo para “proteger” o País dos “traidores da Pátria”. Em 1939, ele transformou o antigo DOP no DIP, o Departamento de Imprensa e Propaganda. Além de promover a censura aos meios de comunicação da época, o DIP era responsável por criar e divulgar uma imagem quase divina de Vargas, com o “grande líder”, numa espécie de culto à personalidade do ditador. Veja o vídeo abaixo, produzido pela TV Cultura de São Paulo, que mostra bem claramente essa estratégia midiática de Getúlio.

Fonte: TV Cultura de São Paulo

Além do culto à personalidade de Getúlio Vargas, o DIP divulgava, por meio do cinema, das artes e, principalmente, da música popular, a imagem de um “Brasil Grande”, um país onde havia ordem, uma natureza exuberante e um povo feliz.

A Rádio Nacional do Rio de janeiro foi fundada em 1936. Ela pertencia ao grupo que administrava o jornal carioca “A Noite”. No entanto, em 1940, em decorrência de dívidas com a União, a emissora foi incorporada ao patrimônio do governo federal, ou, numa linguagem mais contemporânea, foi estatizada. Ronaldo Conde Aguiar, autor de um almanaque sobre a história da emisora, recentemente, em entrevista à Rádio Câmara, afirmou que nunca houve uma interferência direta de Getúlio Vargas na programação da Rádio Nacional. Além disso, segundo Ronaldo, apesar de pertencer ao patrimônio da União, a emissora nunca recebeu um tostão dos cofres públicos. A Rádio Nacional vivia com recursos próprios, ou seja, dos publicitários que vendia. No entanto, a maioria dos cantores populares do Brasil, na época, caso, por exemplo, de Francisco Alves, um ídolo daquele tempo, que gravou algumas músicas de louvores a Getúlio e ao Estado Novo, era contratada da Rádio Nacional, bem como o chamado projeto de integração nacional de Vargas tinha como grande aliada a produção cultural e artística que a emissora carioca transmitia a todo o Brasil, na época, por meio de suas ondas curtas. Enfim, Getúlio Vargas e Rádio Nacional do Rio de Janeiro, na década de 40, tinham tudo a ver um com o outro.

Brasil – Francisco Alves e Dalva de Oliveira (música ufanista)
Franciso Alves – Canta Brasil - 1941 (música ufanista)

Cyro Monteiro – Bonde São Januário – 1940 (campanha contra a malandragem)

Usando a mídia da época, em especial a emissora de rádio mais potente e popular do Brasil naquele tempo, Getúlio Vargas conseguiu se transformar em um mito tão forte, que sua imagem resistiu ao tempo e às inúmeras denúncias dos abusos cometidos durante seu governo ditatorial. É óbvio que Getúlio teve seus méritos, e não foram poucos, pois, diferentemente do que faziam os arrogantes e elitistas políticos paulistas e mineiros que se revezavam no comando do País na famosa época da política do “café com leite”, Vargas deu voz ao povo, ao criar a Justiça Eleitoral, ao permitir que as mulheres também votassem e fossem votadas. De uma forma ou de outra, ele colocou o Brasil no século XX, praticamente acabou com o “coronelismo” e riscou do mapa a arrogante elite paulista e seus “Barões do Café”, modernizando a sociedade brasileira, criando uma legislação trabalhista que acabou com o quase escravismo que ainda havia no Brasil, criou o salário mínimo, instituiu a licença-maternidade para trabalhadoras gestantes, implantou uma indústria de base num país que era, até então, agrícola e praticamente só plantava e exportava café. Mas, independentemente disso, ele foi um ditador, que era chefe de um governo que mentiu ao povo para se manter no poder, censurou, perseguiu, prendeu, torturou, matou. Esse seu lado tirânico, obviamente, não aparecia nas músicas, nos filmes e nas cartilhas produzidas pelo DIP.

Para não ser deposto pelos militares, em 1945, Getúlio Vargas renunciou. Acabou então a ditadura do Estado Novo. São realizadas as primeiras eleições gerais verdadeiramente democráticas da história do Brasil, com voto direto, secreto e feminino. O País respira liberdade, mas o “pai dos pobres” não saiu da cabeça da maioria dos brasileiros. Depois de cinco anos afastado da vida pública, Getúlio tenta novamente assumir o governo do Brasil, dessa vez disputando votos em uma eleição realmente democrática, com ampla participação popular, diferente daquela eleição de bico de pena da qual ele participara em 1930 contra Júlio Prestes. Enfim, Getúlio chegou novamente à Presidência da República, em 1950, sem, também, precisar pegar em armas. Em síntese, depois de ter sido ditador por 15 longos anos, ele voltava ao poder nos braços do povo. Ele foi, sem dúvida, o primeiro grande mito popular brasileiro construído pela mídia. Quando ele se suicidou, em 1954. milhões de brasileiros saíram às ruas para chorar sua morte. Como disse na carta que deixou escrita antes de se matar, que ficou conhecida como “carta-testamento” pelos seus admiradores, Getúlio Vargas saiu da vida para entrar na História.

Getúlio Vargas - Discurso do Dia do Trabalho de 1951

A morte de Getúlio Vargas

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domingo, 8 de abril de 2012

“O presidente Demóstenes em Nova York”

O jornalista Élio Gaspari publicou hoje em suas colunas no jornais FOLHA DE S. PAULO e O GLOBO um texto ficcional muito interessante, que esta fazendo o maior sucesso na Internet. Trata-se de uma uma possível eleição de Demóstenes Torres à presidência da República em 2014, que, segundo ele, poderia ocorrer, não fosse a Operação Monte Carlo. Leia.

Setembro de 2015: eleito presidente da República, em novembro do ano passado, Demóstenes Torres chegou ontem a Nova York para abrir a Assembleia Geral das Nações Unidas. Reuniu-se com o presidente Barack Obama, de quem cobrou uma política mais agressiva contra os governos da Bolívia, Equador e Venezuela, "controlados por aparelhos partidários que sonham em transformar a América Latina numa nova Cuba". Antes de embarcar, Demóstenes abriu uma crise diplomática com o Paraguai, anunciando sua intenção de rever o tratado da hidrelétrica de Itaipu.

O presidente brasileiro assumiu prometendo fazer "a faxina ética que o país precisa". Para isso, criou um ministério com superpoderes, entregue ao ex-presidente do Supremo Tribunal Federal Gilmar Mendes. Numa reviravolta em relação a suas posições anteriores, o presidente apoiou um projeto que legaliza o jogo no país. Ele reestruturou o programa Bolsa Família, reduzindo-lhe as verbas e criando obstáculos para o acesso aos seus benefícios. Patrocinou projetos reduzindo a maioridade penal para 16 anos, e autorizando a internação compulsória de drogados. Determinou que uma comissão especial expurgue o catálogo de livros didáticos distribuídos pelo Ministério da Educação. Atualmente, percorre o país pedindo a convocação de uma Assembleia Constituinte. A oposição do Partido dos Trabalhadores denuncia a existência de uma aliança entre o presidente e quase todos os grandes meios de comunicação do país.

Ao desembarcar no aeroporto Kennedy, Demóstenes ironizou as críticas à presença de uma jovem assessora na sua sua comitiva: "Lamentavelmente, ela não é minha amante, porque é linda". À noite o presidente compareceu a um jantar no restaurante Four Seasons, organizado pelo empresário Claudio Abreu, que até março de 2012 dirigia um escritório regional de relações corporativas da empreiteira Delta. Abreu é o atual secretário-executivo da Comissão de Revisão dos Contratos de Grande Obras, presidida pelo ex-procurador geral Roberto Gurgel. Chamou a atenção na comitiva do presidente o fato de alguns integrantes carregarem celulares habilitados numa loja da rua 46. Eles são chamados de "Clube do Nextel".

Em 2012 a carreira do atual presidente foi ameaçada por uma investigação que o associava ao empresário Carlos Augusto Ramos, também conhecido como "Carlinhos Cachoeira", marido da ex-mulher do atual senador Wilder Pedro de Morais, que era suplente de Demóstenes. O trabalho da Polícia Federal foi desqualificado pela Justiça. O assunto foi esquecido quando surgiram as denúncias do BolaGate contra o governo da presidente Dilma Rousseff envolvendo contratos de serviços e engenharia de estádios para a Copa do Mundo, cancelada em 2013. A eleição de campeões da moralidade é um fenômeno comum no Brasil. Em 1959 Jânio Quadros elegeu-se montando uma vassoura. Em 1989, triunfou Fernando Collor de Mello. O primeiro renunciou numa tentativa de golpe de Estado e terminou seus dias apoquentado por pressões familiares para que revelasse os números de suas contas bancárias no exterior. O segundo deixou o poder acusado de corrupção e viveu por algum tempo em Miami, elegeu-se senador e apoiou a candidatura de Demóstenes. O tesoureiro de sua campanha foi assassinado.

Presente ao jantar do Four Seasons, o empresário Carlos Augusto Ramos não quis falar à imprensa. Ele hoje lidera o setor da industria farmacêutica brasileira beneficiado pelos incentivos concedidos no governo anterior. Ramos chegou acompanhado pelo ministro dos Transportes, Marconi Perillo, que governou o Estado do presidente e foi o principal articulador do apoio do PSDB à sua candidatura. Uma dissidência do PT, liderada pelo deputado Rubens Otoni, também apoiou a candidatura de Demóstenes. O presidente anunciou que a BingoBrás será presidida por um ex-petista.

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Abril de 2012: quem conhece o tamanho do conto do vigário moralista de Fernando Collor e Jânio Quadros sabe que tudo o que está escrito aí em cima poderia ter acontecido.
_________________
Fonte: FOLHA DE S. PAULO, edição de 08 de abril de 2012 – Seção “Poder”, disponível na Internet, somente para assinantes da FOLHA e do portal UOL, no endereço http://www1.folha.uol.com.br/fsp/poder/35910-o-presidente-demostenes-em-nova-york.shtml

domingo, 25 de março de 2012

Os oito mitos relacionados à saúde

A revista VEJA desta semana trouxe uma matéria muito interessante e extremamente útil. Como a revista não tem uma edição online em HTML (suas edições semanais são digitalizadas e disponibilizadas na Internet, para todos os internautas, somente uma semana depois que as edições impressas vão às bancas, e as edições digitais, exclusivas para tablets, são disponibilizadas somente para assinantes), achie que seria  interessante reproduzir aqui a matéria.

Esclareço que não é falta de assunto de minha parte ou comodismo em ficar copiando o que os grandes veículos de informação divulgam. Acho somente que o que é importante e, principalmente, útil para a maioria das pessoas tem de ser divulgado. A VEJA publicou uma matéria últil, informativa e esclarecedora. Por que não ajudar a divulgar essas informações publicando aqui, com os devidos créditos, obviamente? Então, logo a seguir, a matéira de VEJA.

A sabedoria popular está repleta de mitos relacionados à saúde. Associar, por exemplo, resfriado a “friagem|”. Quem nunca teve receio de cair na piscina após o almoço?

Recomendações repetidas geração após geração deixam de ser questionadas, ainda que os médicos não as endossem. O problema se agrava quando a história vai além de restringir hábitos e passa a prejudicar a saúde. O caso mais recente é o que atribui efeitos colaterais graves à vacinação. Apolêmica começou no fim da década de 90, quando a conceituada revista científica The Lancet publicou um estudo associando a vacina tríp0lice viral à ocorrência de autismo. Logo depois, o estudo revelou-se uma fraude, o que resultou na cessação do registro médico de Andrew Wakefield, autor do trabalho. Apesar da retratação da revista, há dois anos, a farsa ainda afeta a decisão de pais que, equivocadamente, deixam de vacinar seus filhos. Veja o que dizem os médicos sobre oito mitos relacionados à saúde.

Mito: FRIAGEM CAUSA RESFRIADO
O que dizem os médicos: NÃO
Gripes e resfriados são causados por vírus, não pelo frio. A tal friagem também é incapaz de afetar o sistema imunológico – apenas a má alimentação, a falta de sono e o excesso de exercícios físicos podem prejudicar as defesas do organismo de uma pessoa saudável. Outro vilão associado aos resfriados é o ar-condicionado. Nesse caso, a relação está correta, mas o problema não é a temperatura, e sim a baixa umidade do ar. “O ar seco proveniente dos equipamentos resseca a mucosa das vias respiratórias, o que facilita a entrada de vírus e favorece as infecções”, explica o infectologista Artur Timerman. Manter-se hidratado minimiza o problema. .

Mito: VACINA PODE PREJUDICAR A SAÚDE DA CRIANÇA
O que dizem os médicos: NÃO
“Os possíveis efeitos adversos das vacinas são conhecidos e esperados: em alguns casos, elas podem provocare dor local, mal-estar ou febre”, diz o pedriatra Renato Kfouri, presidente da Associação Brasileira de Imunizações (SBIm). Além da proteção individual – em mais de 90% dos casos a vacina é eficaz -, a imunização coletiva reduz o risco de epidemia. Os benefícios da vacinação são, portanto, infinitamente superiores aos efeitos colaterais. Os quais, vale repetir, de modo nenhum incluem transtornos como o autismo.

Mito: ALGUMAS PESSOAS FICAM GRIPADAS DEPOIS DE TOMAR A VACINA DA GRIPE
O que dizem os médicos: NÃO
“A vacina da gripe não provoca a doença, pois é desenvolvida a partir do vírus morto e fracionado”, explica o presidente da SBIn, Renato Kfouri. O que acontece é que entre 15% e 20% da população apresenta reações adversas , como mal-estar e febre – daí a confusão. “Nesses casos, não há sinais de coriza e tosse, sintomas característicos da doença. Portanto, não se trata de gripe”, diz o infectologista Artur Timerman.

Mito: VER TELEVISÃO NO ESCURO OU MUITO PERTO DA TELA PREJUDICA OS OLHOS
O que dizem os médicos: NÃO
Não há comprovação científica de que esses hábitos causem danos aos olhos. Tampouco ler em ambiente com pouca luminosidade provoca problemas de refração, como miopia, astigmatismo e hipermetropia, que são de origem genética. “A luz traz conforto à leitura, mas o esforço exigido pela iluminação fraca não oferece risco”, diz o oftalmologista Claudio Lottemberg, presidente do Hospital Albert Einstein, em São Paulo. Atenção: ver TV próximo demais do aparelho pode ser, isso sim, sinal de uma miopia não corrigida, e nunca a causa do problema.

Mito: ESTALAR OS DEDOS ENGROSSA AS JUNTAS
O que dizem os médicos: DEPENDE

Articulações engrossam em decorrência de artrose, doença degenerativa resultante de uma combinação de fatores como predisposição genética e inflamação local. Embora não provoque a doença, o hábito de estalar os dedos não é recomendado, principalmente a pessoas com maior flexibilidade nas articulações (que conseguem, por exemplo, dobrar a mão até encostar o polegar no braço). “O risco de lesionar as estruturas articulares é maior com os exercícios de impacto, mas os estalos também podem causar lesões que favorecem o desencadeamento da doença”, diz José Goldenberg, reumatologista do Hospital São Luiz, em São Paulo.

Mito: ENTRAR NA PISCINA OU TOMAR VANHO LOGO APÓS A REFEIÇÃO FAZ MAL
O que dizem os médicos: DEPENDE
O contato com a água não oferece risco – é o exercício físico que o faz. “Como a atividade física exige maior circulação de sangue na musculatura, há uma redução de fluxo sanguíneo no sistema digestivo e no cérebro”, explica Alfredo Salim, clínico geral do Hospital Sírio-Libanês. Isso pode ocasionar náusea, vômito, tontura, fraqueza e até desmaio. Portanto, embora seja arriscado nadar, um banho ou um mergulho para refrescar depois do almoço não oferecem perigo.

Mito: O STRESS PROVOCA GASTRITE NERVOSA
O que dizem os médicos: DEPENDE
A gastrite é a inflamação da mucosa que reveste o estômago. Entre suas principais causas estão as infecções bacterianas e o uso de medicamentos que agridem o revestimento gástrico, como anti-inflamatórios não hormonais e ácido acetilsalicílico. “A ansiedade e o stress não causam o problema, apenas acentuam os sintomas”, diz o gastroenterologista Ricardo Barbuti, do Hospital das Clínicas de São Paulo. Além disso, nas pessoas que apresentam dispepsia funcional – distúrbio sem causa orgânica em que a digestão gera desconforto abdominal – as situações de tensão pode aumentar a sensibilidade à dor e, consequentemente, o incômodo.

Mito: SUPLEMENTOS DE VITAMINA C PREVINEM A GRIPE
O que dizem os médicos: DEPENDE
É verdade que o poder antioxidante da vitamina C evita que radicais livre ataquem as células de defesa do organismo. Mas uma dieta diversificada, com porções variadas de frutas e verduras, é o bastante para proporcionar a quantidade necessária de vitamina C, ou seja, 100 miligramas por dia. “O excesso da vitamina proveniente do suplemento será eliminado pela urina”, explica o clínico geral Alfredo Salim.
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Fonte: revista VEJA – ediçAao n.º 2.262 – Ano 45 – n.º 13 – 28/03/2012, páginas 138 e 139.

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sábado, 17 de março de 2012

Estou no Twitter e no Facebook

Confesso que tenho postado pouca coisa aqui neste blog ultimamente. Muita gente pode achar que ando mais preguiçoso do que o cara que desenhou a bandeira do Japão. Nada disso. Só posto alguma coisa aqui quando sou tomado pelo espírito da prolixidade. Quem quiser me acompanhar mais amiúde pode me seguir no Twitter e/ou no Facebook.

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Isso não significa que vou abandonar esgte blog. De jeito nenhum. Quando o espírito da prolixidade se apossar de mim novamente, prometo que posto alguma coisa aqui. Enquando isso não acontece, acaompanhem-me no Twitter ou no Facebook.

Claro que, para você me acompanhar nessa redes sociais, tem que estar cadastrado nelas.

domingo, 11 de março de 2012

“VAMOS QUEIMAR OS DICIONÁRIOS”

Transcrevo abaixo artigo da escritora Lia Luft, publicado na edição da revista VEJA que está indo às bancas e a seus assinantes neste final de semana. No seu texto, Lia Luift comenta a esdrúxula ação civil pública que o Ministério Público Federal de Minas Gerais ajuizou contra a Editora Objetiva e o Instituto Antônio Houaiss para a imediata retirada de circulação, suspensão de tiragem, venda e distribuição das edições do Dicionário Houaiss, sob a alegação de que os significados atribuídos pelo Dicionário à palavra “cigano” são preconceituosos, o que, inclusive, pode vir a caracterizar crime de acordo com a Constituição Federal. De acordo com o procurador Cléber Eustáquio Neves, que ajuizou a ação, o dicionário usa de termos pejorativos para definir a palavra. Antes de ler a o artigo de Lia Luft, veja como o Dicionário Houaiss define a palava CIGANO.

adjetivo
1    relativo ao ou próprio do povo cigano; zíngaro
Ex.: <música c.> <vida c.> <esperteza c.>adjetivo e substantivo masculino
2    relativo a ou indivíduo dos ciganos, povo itinerante que emigrou do Norte da Índia para o oeste (antiga Pérsia, Egito), de onde se espalhou pelos países do Ocidente; calom, zíngaro
3    Derivação: por extensão de sentido.
que ou aquele que tem vida incerta e errante; boêmio
Ex.: <meus parentes c. não pensam no dia de amanhã> <viver como c.>
4    Derivação: por analogia.
vendedor ambulante de quinquilharias; mascate
5    (1899) Uso: pejorativo.
que ou aquele que trapaceia; velhaco, burlador
6    Uso: pejorativo.
que ou aquele que faz barganha, que é apegado ao dinheiro; agiota, sovina
7    que ou o que serve de guia ao rebanho (diz-se de carneiro)
8    Rubrica: lingüística.
m.q. romani
Coletivos: bando, cabilda, ciganada, ciganagem, ciganaria, gitanaria, maloca, pandilha
Homônimos: cigano(fl.ciganar)
Etmologia: fr. cigain (sXV, atual tsigane ou tzigane, estas por infl. do al. Zigeuner), do gr.biz. athígganos 'intocável', nome dado a certo grupo de heréticos da Ásia Menor, que evitava o contato com estranhos, a que os ciganos foram comparados quando de sua irrupção na Europa central; cp. tur. cigian, romn. zigan, húng. cigány, it. zingano (a1470, atual zingaro); f.hist. 1521 cigano, 1540 çigano, 1708 sigano

Agora, vamos ao primosoro texto de Lia Luft.

Quando a gente pensa que já viu de tudo, não viu. Faz algum tempo, dentro do horroroso politicamente correto que me parece tão incorreto, resolveram castrar, limpar, arrumar livros de Monteiro Lobato, acusando-o de preconceito racial, pois criou entre outras a deliciosa personagem da cozinheira Tia Nastácia, que, junto com Emília e outros do Sítio do Picapau (sic – a grafia correta é pica-pau) Amarelo, encheu de alegria minha infância. Se formos atrás disso, boa parte da literatura mundial deve ser deletada ou “arrumada”. Primeiro, vamos deletar a palavra “negro” quando se refere a raça e pessoas, embora tenhamos uma banda Raça Negra, grupos de Teatro Negro e incontáveis oficinas, açougues, borracharias “do Negrão”, como “do Alemão”, “do Portuga” ou “do Turco”. Vamos deletar as palavras. Quem sabe, vamos ficar mudos, porque ao mal-humorado essencial, e de alma pequena, qualquer uma pode ser motivo de escândalo. Depende da disposição com que acordou, ou do lado de onde sopram os ventos do seu próprio preconceito.

Embora meus antepassados tivessem vindo ao Brasil em 1825, portanto sendo eu de muitas gerações de brasileiros tão brasileiros quanto os de todas as demais origens, na escola havia também a turminha que nos achacava com refrão como “Alemão batata come queijo com barata”. Nem por isso nos odiamos, nos desprezamos. Eram coisas infantis, sem consistência. O que vemos hoje quer mudar a cara do país, ou da cultura do país, e não tem nada de inocente.

Um dos negros que mais estimei (no passado, porque morreu), ligado a mim por laços de família, era culto, bom interessante, nossos encontros eram uma alegria. Com ele muito aprendi, sua cultura era vasta. A cor de sua pela nunca me incomodou, como, imagino, não o aborreciam meus olhos azuis. Havia coisas bem mais positivas e importantes entre nós e nossas famílias. Não vou desfilar casos com amigos negros, japoneses, árabes, judeus, seja o que for. Mas vou insistir no meu escândalo e repúdio a qualquer movimento que seja discriminatório, que incite o ódio de classes ou o ódio racial, não importa em que terreno for.

Agora, de novo para meu incorrigível assombro, em um lugar deste vasto, belo, contraditório país que a gente tanto ama, desejam sustar a circulação do Dicionário Houais, porque no verbete “cigano”consta também o uso pejorativo – que, diga-se de passagem, não foi inventado por Houaiss, mas era ou é uso de alguns falantes brasileiros, que o autor meramente, como de sua obrigação, registrou. Ora, para tentar um empreendimento desse vulto, como suspender um dicionário de tal peso e envergadura, seria preciso um profundo e preciso conhecimento de linguística, de lexicografia, uma formação sólida sobre oque é dicionário são dicionários e como são feitos.

O dicionário não inventa, não acusa nem elogia, deve ser imparcial – porque é apenas alguém que registra os fatos da língua, normalmente da língua-padrão, embora haja dicionários de dialetos, de gírias, de termos técnicos etc. Então, se no verbete “cigano”Houaiss colocou também os modos pejorativos como a palavra é ou foi empregada, criticá-lo por isso é uma tolice sem tamanho, que, se não cuidarmos, atingirá outros termos em outros dicionários, com esse olhar rancoroso. Vamos nos informar, antes de falar. Vamos estudar, antes de criticar. Vamos ver em que terreno estamos pisando, antes de atacar obras literárias e científicas com o azedume de nossos preconceitos e da nossa pequenez ou implicâncias infundadas. Há coisas muito mais importantes a fazer neste país, como estimular o cuidado com a educação, melhorar o atendimento à saúde, promover e preservar a dignidade de todos nós.

Ou, numa mistura maligna de arrogância e ignorância – talvez simplesmente porque não temos nada melhor a fazer , vamos deletar as palavras que nos incomodam, os costumes que nos irritam, as pessoas que nos atrapalham e, quem sabe, iniciar uma campanha de queima de livros. De autores, seria um segundo passo. E assim caminhará para trás, velozmente, o que temos de hum,anidade.

Lia Luft, escritora,

Revista VEJA, edição de 15/03/2012, pagina 22.

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quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

PT, “quem te viu, qem te vê”

Eu me lembro que, quando era oposição, até 2002, o PT (Partido dos Trabalhadores) dizia defender intransigentemente a ética na política. Apesar de ser liberal, eu admirava e respeitava os petistas pela sua postura, pela defesa que diziam fazer do respeitco à coisa pública. Mesmo não me alinhando com a visão ideológica de esquerda, em 2002, votei PT de cabo a rabo.

Em poucos meses de governo petista, descobri que o PT é igual, ou até pior, que os demias partidos que existem por no Brasil. O PT tinha um discurso quando era oposição, mas adotou outro depois que chegou ao poder. Hoje, percebo que o PT não é apenas um partido político com um projeto de governo, e sim uma organização político-ideológica com projeto de poder. Tanto é assim, que, para ganhar as eleições e se manter no governo, aliou-se ao que há de pior na política brasileira. Junto com os petistas hoje, governando o Brasil, estão políticos cujos nomes, que não preciso mencionar, já deveriam estar na lata de lixo da História.

Com relação às inúmeras denúncias de corrupção contra o governo do PT e de seus aliados, que, inclusive, já resultaram na queda de vários ministros, os petistas falam em “ditadura midiática”, dizendo que a “grande mídia” quer desestabilizar o governo. O principal órgão de imprensa que é alvo de acusações dos petistas e de seus aliados é o jornal FOLHA DE S. PAULO. Quando eram oposição, os petistas viviam com um exemplar da FOLHA debaixo do braço, mostrando as denúncias que o jornal fazia contra os governantes de plantão na época. Hoje, a FOLHA, para eles, faz parte da “imprensa golpista”. Ué! Será que a FOLHA mudou e virou um jornal “golpista” e mentiroso de 01/01/2003 para cá? Eu acho que não. Eu acho que a FOLHA continua a mesma, mas o PT e seus aliados…

Para finalizar, transcrevo abaixo um artigo da jornalista Eliane Cantanhêde, publicado na edição da FOLHA DE S. PAULO do dia 07/02/2012, muito interessante.

Quem te viu, quem te vê

BRASÍLIA - Na Bahia, o governador Jaques Wagner (PT) partiu para o confronto com policiais em greve, chamou o Exército e bateu o pé mesmo diante dos cadáveres que se amontoam por falta de segurança.

Em Brasília, o governo federal comemora alegremente o sucesso dos leilões de privatização dos aeroportos da própria capital, de Guarulhos e de Campinas, com resultado de R$ 24,5 bilhões, bem acima das expectativas.

Indaga-se: por que o PT condenou tão acidamente a repressão do governo do PFL-DEM a um movimento semelhante na Bahia em 2001? E por que não só criticou ferrenhamente as privatizações do governo FHC como as usou contra os adversários nas campanhas de 2002, 2006 e 2010?

Ou as greves dos policiais na era DEM eram legítimas e na era PT passaram a ser ilegítimas, ou o PT tem um discurso na oposição e uma prática na situação. Ou... o PT mudou.

Ou as privatizações eram ruins e agora são boas para o país, ou o PT de Lula e agora de Dilma aderiu ao vale-tudo eleitoral e mentiu, ironizou e foi sarcástico contra uma política que não apenas aprovava como agora aplica, feliz da vida.

Durante três campanhas seguidas, o partido recorreu ao mesmo discurso, atribuindo aos adversários tucanos a intenção até de privatizar o BB, a CEF, a Petrobras e a mãe de todos os eleitores. Era o PT antiprivatização versus o PSDB privatizante, o PT patriótico versus o PSDB impatriótico.

E agora, qual o discurso? Dilma e Lula deveriam pedir desculpas: ou mentiram aos eleitores ou estavam errados e agora reconhecem que greve de policiais era e é inadmissível e que a política de privatizações do governo adversário era e é correta. Suspeita-se que não vão fazer nem uma coisa nem outra. Vão deixar pra lá, como se nada tivesse acontecido.

Moral da história: greve no governo dos outros é bom, mas no nosso não pode; privatização no governo dos outros é impatriótica, mas no nosso é um sucesso do patriotismo.

Eliana Castanhêde - elianec@uol.com.br
FOLHA DE S. PAULO edição de 07/02/2012.

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terça-feira, 31 de janeiro de 2012

Viva “la democracia" en Cuba!

Foto FOLHA ON LINE

No último dia 31 de janeiro, a presidente Dilma Rousseff afirmou, durante entrevista em Havana (Cuba), onde fazia uma visita oficial, que a política de direitos humanos não pode ser transformada em "arma" de combate ideológico. Segundo Dilma, seria preciso discutir o assunto a partir do que ocorre em todos os países. "Não é possível fazer da política de direitos humanos uma arma de combate político-ideológico”. Segundo Dilma, o mundo precisa se convencer de que direitos humanos é algo com que todos os países do mundo têm de se responsabilizar, inclusive o Brasil. “Nós vamos falar de direitos humanos em todo o mundo. Vamos ter de falar de direitos humanos no Brasil, nos EUA, a respeito de uma base aqui que se chama ‘Guantánamo’", declarou a presidente brasileira.

Ocorre, Sr.ª Presidenta (dizem que ela gosta de ser chamada assim), que os Estados Unidos da América são uma democracia, com um parlamento bicameral (Congresso e Senado) livremente eleito pelo seu povo, diferente de Cuba, que é uma ditadura, um regime fechado, com um parlamento “de mentirinha”, só para dizer “Sí, señor” aos mandos e desmandos dos irmáos Castros na Ilha. .

O presidente Obama até prometeu, durante sua campanmha, que iria fazer de tudo para acabar com a prisão de Guantánamo, mas o Congresso norte-americano não aprovou. Os Estados Unidos da América, presidenta, são um país muito atrasado. Lá eles não têm esses “modernos” recursos de diálogo do Executivo com o Legislativo, como nós temos aqui. Imagine só! Lá eles não têm acordos na calada da noite, não têm “mensalão”, não têm loteamento de estatais. Se lá também houvesse essa capacidade ilimitada de dialogar e de fazer certos acordos com alguns parlamentares, talvez fosse possível ao presidente Barak Obama aprovar, no Congresso norte-americano, não só a proposta de extinção da base militar de Guantánamo, como também o fim do embargo econômico a Cuba.

Pois é, presidente, digo, presidentA, realmente, lá nos Estados Unidos também há desrespeito aos diretos humanos. Só que lá, diferentemente daqui e de Cuba, as pessoas denunciadas por desrespeito aos direitos humanos são punidas. Veja só que povo cruel: lá eles punem, não só por desrespeito aos direitos humanos, mas também, e principalmente, por corrupção. É um povo tão atrasado, presidenta, que, lá, quando um presidente é considerado coniventes com eventuais crimes praticados por seus subordinados, ele tem que renunciar ao cargo, sob pena de ser tirado dele pelo Congresso. Aqui, o presidente diz que “não sabia de nada”, a gente acredita nele e ainda o reelege por mais um mandato. Veja como nós somos bonzinhos. Afinal de contas, nada como um bom “bolsa-esmola” para amolecer os corações, não é mesmo?