sábado, 19 de dezembro de 2015

Natal, o primeiro e o maior golpe de marketing da história da humanidade

De repente, a região da Rua 25 de Março, em São Paulo, um dos maiores centros de comércio popular do mundo, é invadida por mais de um milhão de pessoas, ávidas por comprar presentes e enfeites de todo o tipo. As lojas dos centros das cidades e os shopoings centers começam a ficar cada vez mais movimentados à medida que o final do ano se aproxima. É um dos primeiros sintomas de que o Natal está chegando. É a época em que a gente começa, de novo, como acontece todo ano, a ouvir os acordes da harpa de Luis Bordon.

A propósito, você sabe quem foi Luis Bordon? Lembra daquelas músicas de Natal ao som de harpa que toca todo ano, principalmente ao fundo das propagandas natalinas? Foi esse Luis Bordon, com sua harpa e seu conjunto, que gravou, na década de 60. Ele era um harpista paraguaio, mas vivia no Brasil. Não podemos nos esquecer, também, daquela música do Lenon, com versão em português gravada pela Simone, aquela que, sinceramente, ninguém aguenta mais... “Então é Natal”. Mas, para nosso desespero, continuam tocando essa música quando o Natal se aproxima.

Mas o que é o Natal? Que data mágica é essa, que mexe com praticamente o mundo todo? Pouca gente, no entanto, sabe exatamente o que é o Natal.

Ah, o Natal é a comemoração do aniversário de Jesus Cristo, pois ele nasceu no dia 25 de dezembro, não é isso?”

Não, não é isso. Se você ainda acredita que o Natal é a comemoração do aniversário de nascimento de Jesus Cristo, provavelmente, deve acreditar, também, em cegonha, bicho-papão, fadinha mágica e até em Papai Noel.

Acredite: a festa que nós chamamos hoje de Natal, originariamente, nada tem a ver com o nascimento de Jesus Cristo. Nada, absolutamente nada. Além disso, o Natal foi, na verdade, o primeiro e creio que o maior golpe de marketing religioso, político e comercial da história da humanidade. Acredita? Não? Então, vamos aos fatos, baseado, obviamente, no que diz a História, e não em maras teorias conspiratórias. Não tenha preguiça de ler, porque a história é um pouco longa, mas muito interessante. Vale a pena saber.

Para entender isso melhor, vamos ter de voltar no tempo, há muitos e muitos séculos atrás, pois o Natal é muito mais antigo do que o nascimento de Jesus Cristo. Dizem que a celebração do que a gente conhece hoje como Natal antecede o cristianismo em cerca de 2.000 anos. Isso mesmo. Por isso que eu disse acima que o Natal, originariamente, não tem nada a ver com o nascimento de Cristo.

Dizem tudo começou com um antigo festival mesopotâmico que simbolizava a passagem de um ano para outro, o Zagmuk. Para os mesopotâmios, o Ano Novo representava uma grande crise. Devido à chegada do inverno, eles acreditavam que os monstros do caos enfureciam-se. Marduk, o seu principal deus, precisava, então, derrotar esses monstros para preservar a continuidade da vida na Terra. O festival de Ano Novo, que durava 12 dias, era realizado para ajudar Marduk em sua batalha. A tradição dizia que o rei devia morrer no fim do ano para, ao lado de Marduk, ajudá-lo em sua luta. No entanto, para poupar o rei, um criminoso era vestido com as suas roupas e tratado com todos os privilégios do monarca, sendo, então, morto. Dessa forma, acreditavam que esse criminoso que morria no lugar do rei levava todos os pecados do povo consigo. Assim, a ordem era restabelecida. Como se vê, até naquele tempo os poderosos eram “blindados”.

Um ritual semelhante era realizado pelos persas e babilônios. Chamado de Sacae, a versão também contava com escravos que tomavam o lugar dos seus mestres. Também havia “blindagem”.

A Mesopotâmia, chamada de mãe da civilização, inspirou a cultura de muitos outros povos, como os gregos, que englobaram as raízes do festival, celebrando a luta de Zeus contra o titã Cronos. Mais tarde, através da Grécia, o costume alcançou os romanos, sendo absorvido por um festival da antiga Roma chamado de Saturnália ou Saturnalia (em homenagem a Saturno). Essa festa, que já era, no seu formato, um pouco semelhante ao “nosso” Natal, começava no dia 17 de dezembro e ia até o 1º de Janeiro. Comemorava-se o solstício do inverno. Solstício, para quem não sabe, é a época do ano em que o Sol passa pela sua maior declinação boreal ou austral, e durante a qual afasta-se do equador.

De acordo com cálculos dos romanos, o dia 25 de dezembro era a data em que o Sol se encontrava mais fraco (não podemos nos esquecer de que lá, na Europa, Hemisfério Norte, nessa época, é inverno), porém tudo está pronto para recomeçar a crescer e trazer vida às coisas da Terra. Durante a data, que acabou conhecida como o "Dia do Nascimento do Sol Invicto" ou Natalis Solis Invicti, as escolas eram fechadas, ninguém trabalhava e eram realizadas festas nas ruas, grandes jantares eram oferecidos aos amigos e árvores verdes - ornamentadas com galhos de loureiros e iluminadas por muitas velas - enfeitavam as salas para espantar os maus espíritos da escuridão. Os mesmos objetos eram usados para presentear uns aos outros. Natalis Solis Invicti, daí, provavelmente, o nome da data: Natal (natalis – dia de nascimento).

Como você pode notar, essa festa romana tinha já muito a ver com o Natal que comemoramos hoje em dia, mas não tinha nada a ver, ainda, com o nascimento de Jesus Cristo. Era uma festa pagã. Apenas após a cristianização do Império Romano, é que o dia 25 de dezembro passou a ser considerada data de celebração do nascimento de Cristo. E como foi isso? Será que acharam a certidão de nascimento de Jesus lá na Galileia e descobriram que ele nasceu em 25 de dezembro? Não, nada disso. É aí justamente que vem o grande golpe de marketing do Império Romano, então recém-adepto do cristianismo, e da Igreja Católica.

Conta a Bíblia que um anjo, ao visitar Maria, disse que ela daria à luz o filho de Deus e que seu nome seria Jesus. Quando Maria estava prestes a ter o bebê, ela e seu marido José viajaram de Nazaré, onde viviam, até Belém, a fim de realizar um recenseamento solicitado pelo imperador romano da época (o Império Romano dominava a região da Palestina naquele tempo). Diz a história oficial que esse recenseamento nunca ocorreu. Não há nenhum registro dele nos anais da história romana. Mas isso é outra história. A grande maioria dos historiadores afirma também que Jesus teria nascido, na verdade, em Nazaré, e não em Belém. Mas isso também é outra história. Vamos nos apegar, aqui, ao que contam os evangelistas.

Segundo narram os evangelistas, quando chegaram a Belém, numa noite fria, Jose e Maria não encontraram nenhum lugar com vagas para pernoitar. Eles tiveram de ficar no estábulo de uma estalagem. E ali mesmo, entre bois e cabras, Jesus teria nascido, sendo enrolado com panos e deitado numa manjedoura, que é uma espécie de tabuleiro no qual se coloca comida para os animais. Pois é! Deu para notar que o povo daquela época ainda não se preocupava muito com higiene. Eram outros tempos.

Conta, ainda, a tradição cristã que pastores que estavam com seus rebanhos próximo do local foram avisados por um anjo e visitaram o bebê. Magos do Oriente que viajavam havia dias, seguindo uma estrela-guia, igualmente encontraram o lugar e ofereceram presentes ao menino: ouro, mirra e incenso, voltando depois para seus reinos e espalharam a notícia de que havia nascido o filho de Deus.

No evangelho de Mateus, não há a menção de que os magos vindos do Oriente eram reis e nem que eram três. A versão sobre os três reis magos, que se chamavam Gaspar, Melquior e Baltazar, foi acrescentada à tradição popular cristã provavelmente por autores criativos da Idade Média.

Um outro fato curioso sobre Jesus é que ele nasceu “antes de Cristo”. Pode parecer absurdo mas, segundo os relatos dos evangelhos, Jesus teria nascido no tempo de Herodes, o Grande. Como esse reinado terminou no ano 4 a.C., Jesus não poderia ter nascido depois disso. O Herodes que aparece nos evangelhos na fase adulta de Jesus, quando ele foi julgado e crucificado, era Herodes Antipas, filho de Herodes, o Grande. Toda essa confusão de datas se deva às sucessivas alterações feitas nos calendários ao longo do tempo.

Pois é! Chegamos, então, ao "X" da questão: apesar de toda essa narrativa bíblica, não há nenhum registro de quando Jesus teria nascido.

Na verdade, a data de 25 de dezembro foi instituída pela Igreja Católica Romana, provavelmente no século IV, para desarraigar a tal festa pagã, que era justamente a Saturnália (ou Saturnalia), em homenagem ao "Nascimento do Sol Invicto" ou Natalis Solis Invicti, da qual já falamos acima. Esse foi o objetivo da criação do Natal. Note que eu disse criação. Sim, porque podemos dizer, seguramente, que o Natal foi uma data INVENTADA pela Igreja Católica Romana, a fim de passar a ser uma espécie de aniversário simbólico, isto é, “de mentirinha,”de Jesus, uma vez que não se sabe a data em que ele teria nascido. Os evangelistas não dizem porque, para eles, afirmam os estudiosos da Bíblia, o importante era a mensagem de Cristo, e não o rigor histórico.

Aliás, existem mil teorias sobre a data ou época em que Jesus teria nascido circulando por aí. Muitos livros e artigos já foram publicados, com cálculos de todos os tipos, calendários, dizendo que Jesus teria nascido em tal data, ou naquela outra, por causa disso ou daquilo, etc. Tudo conversa mole para boi dormir. O certo é que ninguém sabe mesmo quando Jesus nasceu, e provavelmente nunca saberá. O importante, para os cristãos, é a mensagem e os ensinamentos que ele deixou, pelo menos é isso que dizem os diversos segmentos cristãos.

Em verdade, parece que nem os próprios autores dos evangelhos sabiam exatamente quando, como e onde Jesus teria nascido. Toda essa história de manjedoura, pastores, estrela-guia, magos, etc. foi extraída por eles da tradição oral da época, por falta de informações históricas seguras. É quase certo, portanto, que tudo tenha sido bem diferente daquilo que está narrado na Bíblia sobre o nascimento de Jesus. Não podemos nos esquecer de que os evangelistas não estavam preocupados com o rigor histórico, e sim em transmitir a mensagem e os ensinamentos de Jesus.

Por isso eu concluo que o Natal foi, sim, a primeira grande jogada de marketing da história da humanidade. O que a Igreja Católica queria realmente não era simplesmente inventar uma data para comemorar o aniversário de Jesus, e sim desarraigar uma festa pagã romana da época, muito popular, cuja data principal era justamente o dia 25 de dezembro, e, dessa forma, combater o paganismo. E deu certo. Deu tão certo que provavelmente até você acreditava que o dia 25 de dezembro era realmente a data do aniversário de Jesus Cristo, não é mesmo?

A maior parte dos historiadores afirma que o primeiro Natal, como conhecemos hoje, foi celebrado no ano 336 d.C.. A troca de presentes, que já havia na Saturnália, passou a simbolizar, para os cristãos, as ofertas feitas pelos magos do Oriente ao menino Jesus - de que fala o evangelho de Mateus, assim como outros rituais também foram adaptados. Como eu disse, foi a primeira grande jogada de marketing da História da humanidade.


A origem do Papai Noel


A figura do Papai Noel, que os portugueses chamam de Pai-Natal; os franceses, de Père Noël; os alemães, de Weihnachtsmann; os italianos de Babbo Natale e os norte-americanos de Santa Claus, tem origem na história de São Nicolau, um santo especialmente querido pelos cristãos ortodoxos e, em particular, pelos russos.

Conta-se que São Nicolau, quando jovem, viajava muito e por isso, conheceu a Palestina e o Egito. Por onde passava, ficava na memória das pessoas do lugar, devido à sua bondade e o costume de dar presentes às crianças necessitadas. Conta-se, ainda, que o primeiro presente que Papai Noel deu foram moedas de ouro, entregues a três meninas pobres. Quando voltou a sua cidade natal, Patara, na província de Lícia, Ásia Menor, São Nicolau foi declarado bispo da cidade de Mira.

Com o tempo, como sempre acontece, o santo foi ganhando fama de fazedor de milagres, sendo esse um dos temas favoritos dos artistas medievais. Nessa época, a devoção por São Nicolau estendeu-se para todas as regiões da Europa, tornando-o o padroeiro da Rússia e da Grécia, das associações de caridade, das crianças, marinheiros, moças solteiras, comerciantes e também de algumas cidades, como Friburgo e Moscou. Milhares de igrejas europeias foram-lhe dedicadas, uma delas ainda no séc. VI, construída pelo imperador romano Justiniano I, em Constantinopla (hoje, Istambul).

A Reforma Protestante fez com que o culto a São Nicolau desaparecesse da Europa, com exceção da Holanda, onde sua figura persistiu como Sinterklaas, adaptação do nome São Nicolau. Colonizadores holandeses levaram a tradição consigo até New Amsterdan (a atual cidade de Nova Iorque) nas colônias norte-americanas do séc. XVII. Sinterklaas foi adaptado pelo povo americano, falante do Inglês, que passou a chamá-lo de Santa Claus - em português, Papai Noel, para os brasileiros, e Pai-Natal, para os portugueses.

Aqui, chegamos ao arremate do que chamo de maior jogada de marketing da História: o surgimento da imagem de Papai Noel como conhecemos hoje, com aquela roupa vermelha, cinto de cowboy, gorro na cabeça, barba branca. Ela foi criada, em 1931, por um sueco beberrão, chamado Haddon Sundblon, numa tentativa extremamente bem-sucedida da Coca-Cola em conquistar o público infantil. Pensavam agarrar rapidamente a próxima geração de consumidores, assim a Companhia investiu na publicidade dirigida a menores de 12 anos, mesmo havendo um grande tabu quanto a isso na época. Esse aspecto acabou por reformular a cultura popular americana. O Papai Noel de Sundblon era o homem da Coca-Cola perfeito - eternamente alegre, alto, vermelho vivo, metido em situações engraçadas, envolvendo um conhecido refrigerante como recompensa por uma dura noite de trabalho entregando brinquedos. Antes das ilustrações de Sundblon, o santo do Natal foi variadamente vestido de azul, amarelo, verde ou vermelho. Na arte europeia, ele era em geral alto e magro, ao passo que Clement Moore o descreveu como um elfo (gênio que simboliza os fenômenos atmosféricos, na mitologia nórdica) em The Night Before. Christmas.

O golpe de marketing de aproveitar o crescimento do cristianismo em Roma para adotá-lo como religião oficial do Império Romano, graças à conversão de Constantino, que era, na verdade, tão cristão quanto eu sou palmeirense e petista, e de transformar a Saturnália e o “Natalis Solis Invicti” em uma falsa comemoração do aniversário "de mentirinha" de Jesus deu tão certo, que o Natal está aí, enchendo os shoppings centers e a Rua 25 de Março de gente ávida por consumir, ao som de Luis Bordon. FELIZ NATAL!

quinta-feira, 10 de dezembro de 2015

Ideologia para quê?

“Só os canalhas precisam de uma ideologia que os absolva e justifique”, escreveu certa vez Nelson Rodrigues.

Eu, definitivamente, cansei das ideologias. Cheguei à conclusão de que elas não servem para absolutamente nada. Só servem aos canalhas mesmo, para conduzirem seus exércitos de "idiotas úteis".

O Brasil, que poderia ser hoje uma potência mundial, exemplo para o mundo, vive travado por uma direita patrimonialista, egoísta, preconceituosa, retrógrada, protecionista, e por uma esquerda populista, demagógica, mentirosa, também preconceituosa e retrógrada.

O que se tem visto ultimamente em Brasília tem me enchido de de vergonha e nojo. Hoje, nem Dilma, nem Cunha, nem Renan têm condições morais para ocupam os cargos que ora ocupam, assim como tenho dúvidas, também, com relação às altas cortes da Justiça, se também não estão politizadas e ideologizadas. Pobre Brasil. Pobre de nós, cidadãos e contribuintes, que, compulsoriamente, pagamos por tudo isso. 

sábado, 5 de dezembro de 2015

Novo blog

Acabei dando uma reformada em meu blog. A partir de agora, ele se chama “ATAS DO COTIDIANO”. O título é uma homenagem ao Brasil, o paraíso das formalidades burocráticas. O Brasil, como todos estão cansados de saber, é um típico país cartorial. Aqui, o que predomina são as certidões, os atestados, os editais, as declarações, as atas, os relatórios, tudo lavrado conforme a lei vigente, com firma reconhecida e cópias devidamente autenticadas.

Neste blog, preservei os textos já publicados por mim, desde 2008, quando criei o blog. Meu objetivo, doravante,, é escrever com mais frequência. Mas, obviamente, como não vivo de blog, ou seja, não sou um blogueiro “profissional”, como existem muito por aí. Sou apenas um blogueiro “amador”, que escreve durante suas horas vagas, quando uma ideia aparece. Mas vou me esforçar para postar conteúdos aqui com mais frequência e divulgando o link em minhas contas no Twitter e no Facebook.