quinta-feira, 30 de abril de 2009

Enquanto isso, em Pereira Barreto...

Enquando o mundo se debater entre a crise econômica e a iminente pandemia de gripe suína, , segundo a edição de hoje do jornal DIÁRIO, meu amigo João Thereza deixou de ser o líder do prefeito na Câmara Municipal de Pereira Barreto. Isso é preocupante, porque, como conheço o excelente caráter e a seriedade de João Thereza, sei que ele não abandonaria o barco assim tão facilmente. Ele deve ter percebido que a atual administração municipal pereira-barretense não está assim tão bem como todos nós desejávamos.  Enfim, são problemas político-administrativos que têm de fazer o prefeito Arnaldo Enomoto repensar a postura de sua administração. Ele lancou dias atrás um plano de cem dias, que são propostas prioritárias que devem ser cumpridas até o dia 30 de junho próximo. Vamos aguardar. 

terça-feira, 28 de abril de 2009

A saúde de Pereira Barreto vai mal

Segundo informações do jornal O LIBERAL, da cidade de Araçatuba, uma pesquisa de opinião realizada por um tal IPEP PESQUISA E MARKETING em parceria com o Sistema Regional de Comunicação, do empresário e radialista Nivaldo Franco Bueno, acusou que o principal problema de Pereira Barrto, hoje, é a saúde. Na pesquisa, realizada no começo de abril último, foram ouvidas 260 pessoas, sendo 57% do sexo masculino e 53% do sexo feminino.

Para a maioria dos pereira-barretenses ouvida, o principal problema de nossa cidade é a saúde (25%), seguida pelo asfalto (12%). A administração de Arnaldo Enomoto foi considerada como ótima ou boa boa por 47%  e ruim ou péssiam por 16% das pessoas consultadas. Arnaldo recebeu nota  5,9. Segundo o jornal, ele foi melhor avaliado pelas mulheres, que lhe deram nota 6,1, enquando os homens lhe deram nota 5,6. 

O texto do jornal não é claro, mas me parece que a "saúde" analisada aí é a pública, pois, a certa altura, o redador da matéria, Antônio Crispim, afirma que a saúde "sempre foi um grande desafio das administrações municipais".  

No entanto, convém lembrar que a saúde privada em Pereira Barreto também é um caos. Temos poucos médicos atuando na cidade, alguns são até de fora e vêm semanalmente para atender em nossa cidade. Há pouquíssimos especialistas. Não dispomos de alguns tipos de exames corriqueiros, como endoscopia. Homens que queiram, por exemplo, fazer seu tradicional exame anual preventivo prostático ou mulheres que desejem fazer uma mamografia têm que se locomover até uma cidade vizinha, pois Pereira Barreto não dispõe desses tipos de exames, tão importantes. A situação de nossa Santa Casa, apesar de todos os esforços de minha amiga Nair Haiswa, é de penúria. Ela sobrevive ainda graças à boa vontade e ao heroísmo da administradores, médicos e funcionários. 

Está de parabéns o pessoal que promoveu a campanha em prol do Hospital do Câncer de Barretos, pois muitos pereira-barretenses se tratam lá. É uma instituição que faz um trabalho fantástico e um centro de referância em oncologia no Brasil. A campanha para cadastramento de doadores de melula ósseoa também é um trabalho bastante louvável. Estão de parabéns os responsáveis por essa campanha. Mas eu acho que a gente poderia, também, voltar os olhos para os problemas de saúde daqui de nossa cidade. Precisamos reestruturar a saúde local. melhorar a nossa Santa Casa, contratar mais médicos, enfim, colocar o setor de saúde de Pereira Barreto no século XXI.  

Nós temos bons centros médicos aqui na região, como Andradina, Ilha Solteira, Araçatuba e, evidentemente, São José do Rio Preto, que é centro de referência nacional em praticamente todas as área da medicina. No entanto, muitas vezes podemos até ter perdido vidas por falta de um atendimento de emergência de boa qualidade aqui mesmo, em nossa cidade. Muitas vezes, a evolução de um grave problemas de saúde, como um infarto, um AVC, um acidentado sério, não espera que o paciente chegue à cidade mais próxima.  Não é questão de "compensa" ou "não compensa" ou "é investimento caro". É uma questão de salvar vidas.  Por mais esforços que um heróico médido plantonista faça, muitas vezes é quase impossível salvar uma vida se não houver uma infraestrutura básica disponível.  Aí, o paciente tem de ser removido para um hospital em outra cidade. Mesmo que ele vá de ambulância, com um bom profissional ao seu lado, perde-se um precisíssimo tempo com a viagem. Isso pode custar-lhe a vida. 

Muitos podem pensar que esse não é um problema exclusivo de Pereira Barreto. A maioria das cidades do porte da nossa passam por isso. Mas essa é uma visão comodista. Afinal de contas, Pereira Barreto quer ser uma cidade turística. Precisamos de uma infraestrutura básica para ser uma verdadeira cidade turística. Para isso, tem que haver condições para que a iniciativa privada invista mais na cidade, para que a gente tenha mais hotéis, mais restaurantes, um comércio mais dinâmico e diversificado e um sistema de saúde de boa qualidade. 

Pode parecer bobagem, mas é vergonhoso quando um turista que está passeando em Pereira Barreto precisa de um atendimento médico de urgência, e tem que se dirigir a Ilha Solteira ou Andradina para ser atendido. Isso é vergonhoso. 

Será que a administração pública e a comunidade local pereira-barretense não podem se esforçar para mudar isso? 

segunda-feira, 27 de abril de 2009

Mundo em alerta: gripe suína pode virar pandemia

Começamos a semana sob o risco de uma pandemia de gripo suína. O governo dos Estados Unidos já decretou situação de emergência em saúde pública em razão da disseminação da doença pelo País. Até ontem, domingo, 26/04, confome notícia de primeira página da FOLHA DE S. PAULO  de hoje, foram confirmados 20 casos em cinco Estados. Agentes de saúde disseram esperar achar outros à medida que se investiga a rota do vírus H1N1, causador da doença. No México, houve 22 mortes comprovadamente causadas pela doença. O mundo todo está em aleta máximo.

Os infectologistas recomendam que as pessoas devem evitar viagens para o México e para os Estados Unidos.  Por se tratar de um vírus mutante, nunca antes visto, não existem medidas de prevenção específicas, a não ser as tradicionais orientações dadas nos casos de gripe comum, como evitar lugares de grandes aglomerações, lavar bem as mãos e beber bastante líquido.

Segundo a OMS (Organização Mundial da Saúde), a vacina antigripe tradicional não evita a gripe suína. Como o novo vírus é resultado de uma miscigenação de genes de vírus de gripe de porcos, de aves e de humanos, a imunização só valeria para uma parte dele. Porém, alguns infectologistas avaliam que a vacina pode oferecer "uma certa proteção". Segundo declarou o infectologista Marco Aurélio Sáfadi, da Santa Casa de São Paulo, não se sabe qual a é a expectativa de proteção, mas algum grau deve ter. Sabe-se somente  que os infectados no México não haviam tomado a vacina antigripe.  

O que se sabe é que dois antivirais usados para tratar a gripe -o Tamiflu e o Relenza- são eficazes contra o novo vírus se forem tomados logo após surgirem os primeiros sintomas, afirma o infectologista Artur Timerman, do hospital Albert Einstein (SP).  Segundo ele, o novo vírus é altamente contagioso: dois dias antes de a pessoa manifestar os primeiros sintomas de gripe, ela já pode estar infectando outras. O perigo continua até cinco dias depois, por isso é necessário o doente ficar isolado. "O vírus da gripe suína também tem alta letalidade, de 6% [vírus da gripe comum mata menos de 0,5% dos casos]." Entre as pessoas imunodeprimidas, ou que já têm uma doença de base (como os cardiopatas e asmáticos), a taxa de mortes pode chegar a 20%.

Ontem, durante o Congresso da Sociedade Ibero-Americana de Infectologia, em Campos do Jordão (SP), o representante da Opas (Organização Pan-Americana de Saúde), Ruben Figueroa, reforçou a contraindicação de viagens para os países onde há casos da gripe suína. "Não sabemos a magnitude que essa pandemia pode assumir. Por isso, se puder evitar viagens desnecessárias, evite", diz Timerman, que estava no evento. No congresso, também foi discutida a necessidade de agilizar a fabricação de novas vacinas antigripe. Hoje, após isolada a cepa de um vírus, demora-se seis meses para desenvolver uma nova vacina.

As informações são do jornal FOLHA DE S. PAULO, edição de hoje. 

Agora de manhã, as informações eram de que a Espanha já reisgrava o primeiro caso de gripe suína da Europa, bem como os mortos no México podem chegar a 103.



 



domingo, 26 de abril de 2009

As "bombas" da mídia no final de semana

"Benefícios triplicam ganhos de deputados". Esta é a manchete principal de hoje do jornal FOLHA DE S. PAULO. A soma dos benefícios em dinheiro que ods nossos deputados federais recebem atinge entre R$ 48 mil e R$ 62 mil por mês, que é mais que o triplo de seu salário de R$ 16.512,09. O total não inclui infraestrutura e assistência médica. No caso dos senadores, cujo salário é o mesmo, os benefícios engordam e ficam entre R$ 74,7 mil e R$ 119,7 mil.  Como se vê, ser deputado federal é mesmo um bom negócio. 

As revistas semanais, vez por outra, costumam trazer algumas relevações bombásticas. A "vítima" desta semana é João Carlos Zoghbi, que, por cerca de dez anos, foi diretor de Recursos Humanos do Senado, onde comandava uma folha de pagamentos de 10 mil funcionários, que consome R$ 2,3 bilhões por ano. Segundo a revista ÉPOCA, que está indo às bancas neste final de semana, ele teria acumulado poder, patrimônio, muitos desvios éticos e irregularidades. A revista apresenta várias acusações contra o ex-funcionário do Senado, envolvendo também familiares seus. Claro que tudo tem de ser investigado com seriedade e devidamente provado. A mídia, no Brasil, muitas vezes, expõe, de forma irresponsável, a honra das pessoas. Isso é grave. Cansei de ver sentenças publicadas em revistas, por determinação judicial, em razão de reportagens que atngiram a honra de pessoas. Por isso, é preciso tomar muito cuidado comisso. Acusar publicamente alguém de crimes e, depois, não provar, é algo muito sério. Não se pode brincar com a honra das pessoas. Por essa razão, analiso esses tipos de denúncias, muito comuns em jornais de domingo e revistas semanais, com muita reserva. 

sábado, 25 de abril de 2009

O "toque de recolher" dos menores de 18 anos

A partir do último dia 20 de abril, os menores de 18 anos das cidades de Ilha Solteira e Itapura não podem mais ficar nas ruas e em outros locais públicos, como bares e lanchonetes, a não ser que estejam acompanhados de seus pais ou responsáveis, depois das 23 horas, O objetivo da medida é reduzir os casos de violência envolvendo menores. Os horários são diferentes, fixados de acordo com as idades dos adolescentes. Nas duas cidades, menores de 14 anos só podem permanecer nas ruas até 20h30min. Já os com idade entre 14 e 15 anos têm permissão para permanecer até 22h. Garotos e garotas que têm entre 16 e 17 anos devem ir para casa às 23 horas. 

A decisão foi tomada em uma ação conjunta do Conselho Tutelar e da Vara da Infância e Juventude da Comarca de Ilha Solteira, à qual também pertence o município de Itapura, alegando que, no ano passado, foram registradas 250 ocorrências envolvendo menores em naquelas cidades. 

Na primeira noite de vigência do “toque de recolher”, quatro adolescentes foram detidos. Para o juiz da Infância e da Juventude de Ilha Aolteira, Fernando Antônio Lima, além de reduzir os atos inflacionais de menores, o “toque” visa "proteger o cidadão que está com seu intelecto e moral em desenvolvimento". Para o magistrado, a medida atende a reclamações feitas por órgãos policiais e que a criminalidade juvenil é ligada ao acesso dos menores às ruas, a bebidas alcoólicas e às drogas, o que foi constatado por ele em andanças noturnas pela cidade.

O prefeito de Ilha Solteira, Edson Gomes, teria declarado, na última semana, à Rádio CBN, (rede de emissoras de rádio especializadas em notícias 24 horas), que o toque de recolher em sua cidade, não foi definido por imposição das autoridades. "Isso foi amplamente discutido com a sociedade aqui no município. Nós temos apoio praticamente unânime em relação a isso", garantiu o prefeito.

A adoção do “toque de recolher” na região Noroeste do Estado de São Paulo teve início em Fernandópolis, em 2005, por iniciativa do Juizado da Infância e da Juventude e do Ministério Público local. De acordo declarações que deu à imprensa, o juiz da Infância e da Juventude daquela Comarca, Evandro Pelarin, depois da medida os crimes de furto, roubo e depredação do patrimônio público praticado por menores caíram até 60%. Segundo o juiz, outro avanço pôde ser constatado no rendimento escolar, com a queda de reprovação de alunos acompanhados pelo Juizado e de evasão escolar. Além disso, houve redução nas queixas contra alunos das escolas do município. Segundo o magistrado, o “toque de recolher” conta hoje com apoio maciço da comunidade, que entende que a medida levou à proteção das famílias e atende, também, aos pais que não conseguem conter seus filhos. Segundo Pelarin, no começo das fiscalizações, em 2005 e 2006, eram feitas entre 60 e 70 apreensões de menores. Hoje são recolhidos cerca de 10 garotos em situações de risco.

Apesar de todos os seus benefícios e de estar sendo adotada, pelo menos por enquanto, em algumas comarcas do noroeste do Estado de São Paulo, o chamado “toque de recolher” está causando polêmica pelo Brasil afora. Muitos profissionais da área do Direito se posicionam contra a medida, por julgá-la inconstitucional, ou seja, alegam que o “toque de recolher” cerceia a liberdade individual de ir e vir. 

Não tenho formação jurídica, mas entendo, pelos meus parcos conhecimentos de Direito, que o tal “toque de recolher” não atinge pessoas adultas, em pleno gozo de seus direitos políticos e individuais, e sim menores de dezoito anos, que ainda estão sob a tutela de seus pais ou responsáveis legais e do Estado. Portanto, mesmo sendo um leigo, não vejo, salvo melhor juízo, nada de inconstitucional no tal “toque de recolher”. Não se trata, pelo menos em tese, de medida repressiva, e sim fiscalizadora e preventiva.

Os altos índices de violência e criminalidade no Brasil, hoje, são assustadores. Delitos violentos, que até algum tempo atrás, ocorriam quase que somente em grandes centros urbanos, já são corriqueiros até em cidades pequenas, como Ilha Solteira, Itapura, Pereira Barreto, Andradina, Fernandópolis. E o grave de tudo isso é que o envolvimento de menores em crimes violentos é cada vez maior. A sociedade exige uma ação mais enérgica do Poder Público. A situação é grave e exige medidas urgentes, de caráter prático. O “toque de recolher” é uma iniciativa prática. E é disso que precisamos. Estamos fartos de teses acadêmicas, discursos, teorias sociológicas. A sociedade quer ação efetiva das autoridades. Eu entendo que o “toque de recolher” é uma ação efetiva, eficiente e, na minha humilde opinião de leigo, totalmente amparada na lei. 

quinta-feira, 23 de abril de 2009

Bate-boca no STF

Durante uma discussão na sessão de ontem do Supremo Tribunal Federal (STF), o ministro Joaquim Barbosa fez críticas ao presidente da Casa, ministro Gilmar Mendes, responsabilizando-o por supostamente contribuir para uma imagem negativa do Poder Judiciário perante a população. 

A discussão começou quando o ministro Gilmar Mendes reagiu à discordância do ministro Joaquim Barbosa com o encaminhamento dado a uma matéria. Os ministros analisavam recursos contra duas leis julgadas inconstitucionais pelo STF. Uma, tratava da criação de um sistema de seguridade do estado do Paraná, e outra, da permanência de processos de autoridades no tribunal, ainda que os réus perdessem cargos políticos. O ministro Ayres Britto tentou colocar panos quentes na discussão, ao lembrar que já havia pedido vista da matéria. Mas não conseguiu. Após novas trocas de acusações, o Ministro Marco Aurélio sugeriu que a sessão fosse encerrada e foi atendido por Mendes. Em seguida, o presidente do STF e alguns ministros iniciaram uma reunião fechada em seu gabinete. 

Após a reunião, os ministros divulgaram nota em que reiteram seu apoio ao presidente da Corte, Gilmar Mendes. A nota, assinada pelos ministros Celso de Mello, Marco Aurélio Mello, Cezar Peluso, Carlos Ayres Britto, Eros Grau, Ricardo Lewandowski, Carmen Lúcia e Carlos Alberto Menezes Direito, também lamenta a discussão entre Mendes e Barbosa. 

Veja o vídeo da discussão.


O fato foi assunto de todos os telejornais e na Internet. O vídeo mostrando o bate-boca foi logo postado na Internet e, no final da noite de ontem, já era um dos mais vistos no Youtube. 

quarta-feira, 22 de abril de 2009

E a vida no Brasil continua...

E a vida no Brasil continua, nesta quarta-feira, após mais um feriado prolongado. 

Segundo o jornal FOLHA DE S. PAULO de hoje, o presidente da Câmara dos Deputados, Michel Temer (PMDB-SP), decidiu se reunir ontem à noite com líderes partidários e alguns integrantes da Mesa Diretora da Casa. O objetivo seria discutir medidas para debelar a crise ética que se abateu sobre o Legislativo e vender a ideia de que um "pacote moralizador" estaria sendo adotado. 

Eu achei estranho a expressão "vender a ideia". O fato é que, nessa reunião, ficou acertado que será anunciado hoje um aumento na transparência dos gastos dos deputados. O plano, segundo a FOLHA,  é colocar na internet todas as despesas com passagens aéreas, correio e telefone, como já acontece atualmente com a verba indenizatória. Também será anunciada uma reforma administrativa, para tentar reduzir os gastos da Casa.  

O site CONGRESSO EM FOCO anunciou hoje que 1.887 voos internacionais foram  pagos com a cota de passagens aéreas dos deputados, no período de janeiro de 2007 a outubro de 2008. O levantamento teria sido feito pela equipe do site, com base em registros fornecidos pelas companhias aéreas.  O dato mais surpreendente, segundo o site, é o número de parlamentares que utilizaram sua cota para pagar voos ao exterior. No período citado, 261 deputados – ou seja, 51% do total de 513 – fizeram isso, boa parte deles viajando em companhia de cônjuges ou familiares. 

Vamos aguardar as tais  medidas moralizadoras. 

terça-feira, 21 de abril de 2009

Lembra-se de Tiradentes?

O que você sabe sobre a data de hoje, dia 21 de abril? Trata-se de uma homenagem ao alferes Joaquim José da Silva Xavier, o Tiradentes, que, em 21 de abril de 1792, foi enforcado no Rio de Janeiro, por ter assumido a liderança do movimento que ficou conhecido como Inconfidência Mineira, ou Conjuração Mineira, 

No final do século XVIII, a Coroa Portuguesa intensificou seu controle fiscal sobre o Brasil. Foram proibidas, então, as atividades fabris e artesanais no Brasil, ou seja, era proibido fabricar praticamente de tudo no Brasil. Tinha de vir tudo de Portugal. Mas os produtos vindos da Metrópole, como se falama naquela época, tinham de pagar taxas altíssimas. O governador da então capitania de Minas Gerais era então Luís da Cunha Meneses. Naquele tempo, as jazidas de ouro de Minas já estavam começando a se esgotar. Mesmo assim, a Coroa Portuguesa determinou que se cobrasse a “Derrama”, que era uma taxação compulsória em que a população deveria completar a cota imposta por lei de 100 arrobas de ouro (1.500kg) anuais, quando isso já não era possível por causa do esgotamento das minas. Tudo isso atingiu a classe mais abastada das Minas Gerais, que era composta por proprietários rurais, intelectuais, clérigos e militares, que, descontentes, começaram a se reunir para conspirar contra a Coroa Portuguesa. Faziam parte desse esquema de conspiração, entre outros, os poetas Cláudio Manuel da Costa e Tomás Antônio Gonzaga, os coronéis Domingos de Abreu Vieira e Francisco Antônio de Oliveira Lopes, os padres José da Silva e Oliveira Rolim e Carlos Corrêa de Toledo, o cônego Luís Vieira da Silva, o sargento-mor Luís Vaz de Toledo Pisa, o minerador Inácio José de Alvarenga Peixoto e o alferes Joaquim José da Silva Xavier, apelidado de "Tiradentes", que era o menos abastado de todos.

A conspiração, a traição de Joaquim Silvério dos Reis, a punição aos revoltosos, o enforcamento de Tiradentes são fatos conhecidos. No entanto, há que se fazer alguns esclarecimentos, detalhes pouco conhecidos de toda essa história. 

Os inconfidentes pretendiam, na verdade, eliminar a dominação portuguesa sobre Minas Gerais e estabelecer ali um país livre. Ou seja, não havia a intenção de libertar todo o Brasil. Segundo a maioria dos historiadores, naquele época não havia uma identidade nacional formada. Por isso, ao contrário do que muita gente pensa, o movimento restringia-se a Minas Gerais, e não ao Brasil todo. 

Outro mito que tem que ser desfeito é sobre a abolição da escravidão. A maioria dos inconfidentes eram proprietários de escravos. Por isso, não havia a intenção de libertar os escravos. O que provavelmente poderia haver era a intenção de libertar somente os escravos nascidos no Brasil. 

O corpo de Tiradentes foi esquartejado, e sua cabeça foi levada para Vila Rica e, lé, pendurada em um poste. Mas na primeira noite em que a cabeça de Tiradentes foi exposta, ela foi furtada, desapareceu. Até os dias de hoje, ninguém sabe de seu paradeiro. 

Diferentemente do que aparece nas gravuras dos livros de história, Tiradentes jamais teve barba e cabelos grandes. Ele era alferes, um cargo militar. O máximo permitido pelo exército português na época seria um discreto bigode. Durante o tempo que passou na prisão, Tiradentes, assim como todos os presos, tinha periodicamente os cabelos e a barba aparados, para evitar a proliferação de piolhos, e, durante a execução ele estava careca e com a barba feita, pois o cabelo e a barba poderiam interferir na ação da corda.

De início, Tiradentes negou sua participação no movimento. Posteriormente, assumiu toda a responsabilidade e inocenta seus companheiros. Presos, todos os inconfidentes aguardaram a decisão por três anos. Ao final do processo, Alguns foram condenados à morte e outros, ao degredo. Algumas horas depois do anúncio da sentença, por carta de clemência de D. Maria I, todas as decisões foram alteradas para degredo, à exceção de Tiradentes, que permaneceu com a pena capital, 

A execução de Tiradentes foi um espetáculo dantesco. Na manhã do dia 21 de abril de 1792, um sábado, Tiradentes percorreu em procissão as ruas do centro do Rio de Janeiro, no trajeto entre a cadeia pública e onde havia sido armado o patíbulo onde seria enforcado. Do cortejo participou toda a tropa local do exército. Esse show macabro, promovido pelo governo geral da época, foi uma demonstração de força da Coroa Portuguesa, A leitura da sentença demorou dezoito horas. Depois disso, ainda houve discursos de aclamação à rainha D. Maria. Enfim, o enforcamento, o “gran finale”.

Mesmo após a Independência do Brasil, por serem D. Pedro I e D. Pedro II, neto e bisneto, respectivamente, de D. Maria I, que prolatara sua sentença de morte, Tiradentes permaneceu como uma figura histórica bastante obscura. Foram os ideólogos da República, mais precisamente do positivismo, que ressuscitaram a figura de Tiradentes. Ele foi transformado na personificação da identidade republicana brasileira, o mártir da Independência. Foi aí que surgiu a figura mítica de Tiradentes, retratado como um homem de cabelos longos, barba, vestindo um camisolão, à semelhança de Jesus Cristo, uma imagem que nada tem a ver com o Tiradentes real, como já vimos acima.

Se os planos dos inconfidentes tivessem dado certo, a então capitania de Minas Gerais teria se transformado em uma república, independente de Portugal e do resto do Brasil, cuja capital seria a cidade de São João Del-Rei. O primeiro presidente seria Tomás Antônio Gozaga, que governaria por três anos, após o que haveria eleições. Nessa república não haveria exército – em vez disso, toda a população deveria usar armas, e formar uma milícia quando necessária. 

E nós, paulistas, cariocas, baianos, pernambucanos e outros continuaríamos sob o jugo da Coroa Portuguesa. Será que daria certo? 

sábado, 18 de abril de 2009

A volta dos dekasseguis

Pereira Barreto foi fundada, em 1928, por imigrantes japoneses, que para cá vieram, no início do século passado, em busca de uma vida melhor. Os objetivos desses imigrantes nipônicos eram vir, trabalhar, ganhar dinheiro e, depois, voltar para o seu país, a fim de usufruírem o resultado de alguns anos de trabalho aqui, em terras brasilis. Contudo, o tempo foi passando, e a maioria das famílias de imigrantes japoneses foi ficando por aqui. Depois vieram os filhos, e os filhos dos filhos. Poucos voltaram para o Japão. 

No final da década de 80 e início da de 90, no entanto, muitos descendentes de japoneses, já ocidentalizados, com pouca ou nenhuma intimidade com a cultura nipônica contemporânea, resolveram, pelos mesmos motivos que levaram seus antepassados a virem para o Brasil, fazer o caminho inverso, ou seja, ir para o Japão em busca de uma condição financeira melhor. No entanto, diferentemente do que ocorreu com seus ancestrais, uma boa parte desse enorme contingente de dekasseguis, como são chamados os descendentes de japoneses que foram trabalhar no Japão, está sendo forçada a retornar ao Brasil, em razão da crise econômica mundial, que levou o Japão a uma grave recessão e consequente desemprego. A situação é tão séria, que o governo japonês chegou a oferecer dinheiro para que brasileiros retornem ao Brasil, tendo como uma das condições não voltar ao Japão, pelo menos por um determinado espaço de tempo. 

Uma interessante matéria sobre este assunto está disponível no portal G1, que é ligada ao departamento de jornalismo da Rede Globo de Televisão. Clique AQUI e leia a matéria na íntegra.
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sexta-feira, 17 de abril de 2009

Lá fora o mundo parece evoluir; aqui, no entanto...

Será que estamos realmente passando por uma grande transformação no mundo? Faço essa pergunta porque deparei hoje com a seguinte manchete na primeira página do jornal O ESTADO DE S. PAULO: "Cuba aceita discutir 'tudo' com Obama". Tudo? Pelo menos é o que diz o jornal, segundo o qual Raul Castro estaria até disposto a tratar de direitos e presos políticos. 

Pode parecer surpreendente, mas, conforme informa o "ESTADÃO" de hoje, "na véspera da abertura da 5ª Cúpula das Américas, o presidente cubano, Raúl Castro, declarou ontem, na Venezuela, estar disposto a discutir 'todas as coisas' com os EUA, segundo a agência de notícias Associated Press". Segundo ainda afirma o jornal, a declaração seria uma resposta ao presidente dos EUA, Barack Obama, que horas antes, numa entrevista à TV CNN em espanhol, cobrou uma contrapartida do regime cubano à iniciativa americana de eliminar restrições a remessas de divisas e a viagens a Cuba. Parece que as coisas estão começando a mudar. Isso é bom, muito bom. 

Congresso oficializa a "farra" das passagens aéreas

Isso mesmo. Em vez de tomar medidas moralizadoras, a cúpula do Congresso Nacional, conforme informa o ESTADO hoje, baixou ontem normas que oficializam a utilização de bilhetes aéreos por qualquer pessoa indicada por senadores e deputados. As novas regras, segundo informa o jornal, "sacramentam, ainda, a prática de 'poupar' - possibilidade de o parlamentar acumular créditos para usar em viagens para onde e quando quiser. Na prática, legalizou-se a farra do uso das passagens", diz a reportagem. No Senado, a Mesa Diretora da Casa passou a  permite aos parlamentares a distribuição dos bilhetes aéreos para seus cônjuges, dependentes ou pessoas por eles indicadas. Além disso, agora é permitido o uso da verba para fretar jatinhos por conta do Senado, ou seja, por nossa conta.  Na Câmara, além do deputado, do cônjuge e dos dependentes, a cota poderá ser usada em atividade parlamentar, o que inclui viagens de assessores e terceiros. 

O que você leu acima não é piada, brincadeira ou coisa desse tipo, não. É verdade. Está nas páginas do jornal O ESTADO DE S. PAULO de hoje, dia 17 de março de 2009. Não há nem o que comentar a respeito. 

Pois é! Com a possibilidade de reaproximação de Cuba e Estados Unidos, chegamos à conclusão de que, lá fora, as coisas estão evoluindo. No entanto, aqui dentro as coisas, em vez de progredirem, parece que retrocedem. 

quinta-feira, 16 de abril de 2009

Usuários de trem tratados a chicotadas no Rio de Janeiro

O Páis todo ficou indignado com as cenas exibidas ontem à noite pelo Jornal Nacional, da Rede Globo de Televisão, gravadas pelo repórter cinematográfico da emissora Eduardo Torres.

No início da manhã de ontem, dia 15/04, na estação ferroviaria de Madureira,  no subúrbio carioca, que estava superlotada, centenas de usuários, que haviam comprado suas passagens para ir da zona norte ao centro da cidade do Rio de Janeiro, tentavam entrar nos vagões, entre empurrões e disputa por espaços, muitos deles foram agradidos, com socos e chicotadas, por agentes de controles, contratados somente para orientar o embarque das pessoas que utilizam aquele meio de transporte. As agressões, observadas por PMs, só terminam quando a porta se fecha e o trem parte. Segundo a SuperVia, que administra o transporte ferroviário no Rio de Janeiro, quatro agentes de uma prestadora de serviço foram demitidos. Eles "se excederam", diz a empresa. A SuperVia diz que os agentes trabalham sem armas e recorreram às cordas dos apitos - que usam pendurados ao pescoço - como se fossem chicotes.

Veja a matéria e o vídeo no site do JORNAL NACIONAL.

terça-feira, 14 de abril de 2009

Governo bonzinho

Em reunião realizada ontem, segunda-feira, dia 13/04,  com o conselho político, que é formado pelos catorze partidos da base aliada do governo, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciou a liberação de até R$ 1 bilhão em crédito suplementar para repor as perdas das prefeituras com o famoso Fundo de Participação dos Municípios (FPM).  Esse gesto de boa vontade tem a ver, é claro, com as próximas eleições. É imporante conquistar o apoio dos prefeitos nas próximas eleições presidenciais, no ano que vem. Por isso, o presidente deu ordens expressas à sua equipe econômica para atender aos prefeitos. "Próximas eleições" continuam sendo o grande combustível da administração pública brasileira em todos os níveis, como se tem visto. Parece que já faz parte da nossa cultura política. 

SERÁ O FIM DO EMBARGO?

O governo dos Estados Unidos anunciou ontem o fim das restrições para que cubanos que vivem nos EUA possam viajar a Cuba e enviar a seus familiares que moram em Cuba dinheiro ou artigos como produtos de higiene, roupas e outros produtos. Além disso, empresas norte-americanas de telecomunicações também foram autorizadas a realizar licenciamentos em Cuba para implementar serviços de telefonia fixa e celular, transmissão de TV via satélite e internet. Isso não significa, ainda, o fim do embargo dos EUA a Cuba, que dura 47 anos,  mas as medidas anunciadas abrem a possibilidade de voos comerciais regulares serem restabelecidos com a ilha. Hoje, só há voos fretados. Existem cerca de 1,5 milhão cubanos e descendentes de cubamos vivendo hoje nos Estados Unidos e que ainda têm parentes na Ilha.

No entanto, para não dar o braço a torcer, num artigo publicado no site oficial Cubadebate, horas depois do anúncio do presidente Barack Obamaem. o ditador cubano, que oficialmente está fora do poder, ou seja, que finge não ser mais o governante da Ilha, disse que "Cuba resistiu e continuará resistindo" e "não estenderá jamais suas mãos pedindo esmola". E Fidel complementou: "Nem uma palavra foi dita sobre o embargo, que é a mais cruel de todas as ações". 

Mas o fim do embargo não depende só de Barak Obama, mas também de aprovação do Congresso norte-americano e, conforme posição oficlal do governo dos Estados Unidos, só ocorrerá quando Cuba tiver eleições libres em todos os níveis e for uma verdadeira democracia, coisa que Cuba está longe de ser, pelo menos por enquanto. 

Estes são os assuntos que eu queria abordar hoje. 

segunda-feira, 13 de abril de 2009

Para felicidade da imprensa, a crise continua...

Se a crise está afetando a vida de todos os brasileiros, ainda não sei. Mas, sem dúvida, está fazendo a alegria da mídia, principalmente dos jornais. A manchete principal da FOLHA DE S. PAULO de hoje diz: "Crise reduz exportação e investimento da indústria". Parece que eles nocitiam isso com um prazer mórbido. A explicação, como sempre, vem com uma avalanche de números. Nem vou ficar reproduzindo, aqui, a notícia. Só a manchete é o suficiente, pelo menos para uma segunda-feira. 

Outra notícia que me chama a atenção na FOLHA de hoje é a de que o uso frequente de enxaguantes bucais aumenta o risco de câncer. É isso mesmo. Segundo o cirurgião-dentista Marco Antônio Manfredini, pesquisador da Faculdade de Saúde Pública da USP (Universidade de São Paulo), há que se ter cuidado no uso desse tipo de produto. pois, ao contrário do creme dental, da escova e do fio dental, o colutório, como é chamado tecnicamente esse tipo de produto, não tem indicação universal.  Seu uso só deve ser indicado para casos específicos. Além de não ser essencial à saúde bucal, o uso frequente de enxaguatórios com álcool aumenta os riscos de câncer de boca e da faringe. Uma revisão científica publicada no fim de 2008 na revista da Academia Dental Australiana compilou estudos do mundo todo que encontraram essa relação. De acordo com os pesquisadores, há evidências suficientes para aceitar a ideia de que enxaguatórios bucais com álcool contribuem para aumentar a taxa de câncer oral. Grande parte dos produtos comercializados no Brasil contém álcool. Um estudo brasileiro realizado com 309 pacientes e publicado no ano passado na "Revista de Saúde Pública" também encontrou a mesma associação.

Depois dessa, melhor encerrar por hoje.  Uma ótima segunda a todos.

domingo, 12 de abril de 2009

Destaques deste domingo de Páscoa

Domingo é o dia em que os jornais trazem grandes destaques, reportagens importantes. Vamos ver, então, o que trazem os dois principais jornais paulistas. 

A edição da FOLHA DE S. PAULO de hoje traz a seguinte manchete: “Gasto com pessoal também cresce em Estados e capitais". Segundo destaca o jornal, governadores e prefeitos que hoje fazem lobby por um pacote de socorro federal aos estados e municípios ampliaram nos últimos dois anos os gastos com o funcionalismo público a taxas superiores à da inflação. De 2006 a 2008, os gastos cresceram 25,2% nos Estados e 26% nas prefeituras das capitais, para uma inflação de 10,6%. Conforme informa a FOLHA, essa tendência de aumento de despesas com pessoal é suprapartidária, isto é, é um hábito de administradores de todos os partidos políticos, inclusive do DEM e do PSDB, que, na política nacional, atacam a expansão da folha de pagamentos no governo Luiz Inácio Lula da Silva. 

ÍNDIOS PODERÃO SER PUNIDOS

A manchete principal do jornal O ESTADO DE S. PAULO de hoje é: “Lei vai permitir punição a índios que cometem crimes”. Segundo o jornal, uma mudança na legislação bancada pelo governo permitirá que a Justiça puna os índios que cometem crimes com o mesmo rigor com que são julgados os demais brasileiros. O texto do novo estatuto dos povos indígenas, que substituirá a legislação de 1973, será fechado no fim deste mês e define que os índios não são inimputáveis e têm plena capacidade para compreender o significado de seus atos. No entanto, como sempre acontece, há um PORÉM: para condená-los, a Justiça precisará avaliar se o ato praticado está de acordo com os usos e costumes da comunidade indígena a que pertence e se o índio tinha consciência de que cometia uma ilegalidade. 

Esses são os principais assuntos de hoje dos dois principais jornais que circulam em nosso Estado. O jeito é aproveitar o domingo para comemorar a Páscoa com a família e ler um bom jornal.

Uma feliz Páscoa a todos. 
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sábado, 11 de abril de 2009

Terceirazação e picaretagem

O Brasil é um país rico em fatos esdrúxulos. Uma amostra dessa esdruxularia emque vive nosso país está estampada na edição de hoje do jornal FOLHA DE S. PAULO. Segundo o jornal, existe, hoje, no Brasil, um mercado lucrativo da terceirização de mão-de-obra para o governo federal. Oferecendo serviços a preços muito abaixo da realidade, empresas muitas vezes de fachada vencem concorrências para prestarem serviços ao governo. Depois que firma o contrato, cumprem apenas parte do acordo e, depois, quebram ou simplesmente desaparecem, deixando para a União a fatura das dívidas trabalhistas. A conseqüência dessa picaretagem é que o governo federal é hoje réu em cerca de 10 mil ações de cobrança dessas dívidas, movidas por trabalhadores, sindicatos e pelo Ministério Público do Trabalho, segundo dados da Procuradoria Geral da União. 

Eu sempre digo que o brasileiro, quando quer ser malandro, tem uma criatividade ilimitada. 

quinta-feira, 9 de abril de 2009

Enomoto pode ser cassado

Quando escrevi o texto “Só o apoio do povo pode salvar Enomoto”, eu não sabia que seria protocolado na Câmara Municipal de Pereira Barreto uma denúncia contra o atual prefeito, com pedido de cassação, com base na Lei Orgânica do Município e, em decorrência disso, criada uma comissão processante. 

O jornal DIÁRIO, de Pereira Barreto, em sua edição de hoje, traz uma matéria sobre o assunto, com o título “Prefeito dá uma de 'Imperador' e pode ter mandato cassado”. O texto afirma que, segundo a maioria dos vereadores, a situação política do atual prefeito não é nada confortável. Enomoto, segundo o jornal, vem mantendo distância dos vereadores e de seus companheiros de campanha e, desde que assumiu o cargo, mantém-se enclausurado em seu gabinete. 

Não conheço a intimidade da administração municipal, mas não há dúvida de que Arnaldo Enomoto não está correspondendo às expectativas de seus mais de oito mil eleitores. Ele vem fazendo uma administração tímida, apagada. Além disso, mantém-se distante da população, distante dos vereadores, que, independentemente de qualquer crítica que se lhes possa ser feita, são vereadores, eleitos legitimamente, têm suas prerrogativas, têm soberania e amplos poderes constitucionais para fiscalizar a administração pública municipal e, se julgarem necessário, tirar Arnaldo Enomoto de sua confortável cadeira na prefeitura e colocar em seu lugar a vice-prefeita. 

É lamentável que isso esteja ocorrendo mais uma vez em nossa cidade, já tão sofrida com trocas de prefeitos. Arnaldo Enomoto recebeu uma votação expressiva da população, recebeu a confiança de eleitores que apostaram todas as suas esperanças nele. No entanto, inexperiente em administração pública e mal assessorado, ele se enclausura, se fecha, portando-se como se a Prefeitura fosse apenas uma de suas empresas.
Mesmo que não queira, ele tem de dar, sim, satisfação aos vereadores, mesmo que não simpatize com eles, mesmo que sejam todos da oposição. Eles são os vereadores, representantes legais do povo para legislar e fiscalizar o prefeito. Assim rezam a Constituição Federal e, abaixo dela, as leis ordinárias.

Ainda dá tempo de mudar e se salvar de uma possível cassação. 
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terça-feira, 7 de abril de 2009

Mais uma tragédia

A Itália foi vítima, ontem, do pior terremoto em três décadas. Ao menos 150 pessoas morreram, 1.500 ficram feridas e 50 mil ficaram desabrigadas, na região de Abruzzo, a cerca de 100 km a leste de Roma, a capital do País. Segundo informa hoje o jornal FOLHA DE S. PAULO, o tremor, de 5,8 na escala Richter, pela medição italiana, ou de 6,3, segundo o Serviço Geológico dos EUA, ocorreu por volta das 3h30 (hora local) - 22h30 da noite de domingo, aqui no Brasil -  e foi sentido em 26 cidades, principalmente na capital regional, Áquila. É mais uma dasquelas tragédias que  demonstram a nossa fragilidade diante da força avassaladora da natureza. O detalhe a ser destacado é que ela ocorreu no primeiro mundo, num país desenvolvido, e não em uma dessas  inúmeras regiões miseráveis do planeta. Ninguém está a salvo da ira da natureza. A diferença é que, quando isso ocorre numa região pobre, a tragédia é bem maior, em razão da própria carência local, do despreparo e descado das autoridades e, principalmente, por causa da pobreza. Mas, mesmo sendo em uma das regiões "privilegiadas" do mundo, o terremoto  ocorrido ontem foi uma tragédia, um acontecimento triste e lamentável. 

FIM DO VESTIBULAR

Pode estar vindo aí o novo vestibular unificado das universidades federais proposto pelo Ministério da Educação.  Se esse novo sistema vier a vigorar, isso dpermitirá que os candidatos escolham até cinco opções de curso que podem ser oferecidos por até cinco instituições. No ato da inscrição, o aluno teria que ordenar as suas preferências. Quem colocou um curso como primeira opção teria prioridade, mesmo que a sua nota tenha sido menor, sobre outro candidato que escolheu o mesmo curso como segunda opção e não foi selecionado para a sua primeira escolha, conforme informa, em sua edição de hoje, o jornal FOLHA DE S. PAULO.  A vantagem disso é que acabaria com aquela maratona dos jovens que têm que viajar para vários lugares diferentes para prestarem vestibular em várias universidades, a fim de tentar garantir vaga em pelo menos uma delas.  É algo que tem que ser estudado com carinho pelas autoridades. Mas o mais importante é facilitar o acesso dos jovens de todos os segmentos sociais à universidade sem que isso acarrete queda na qualidade do ensino. É um desafio e tanto. 

domingo, 5 de abril de 2009

Só o apoio do povo pode ajudar Enomoto

Hoje vou falar um pouco da política local, de minha cidade, Pereira Barreto. 

É fato conhecido que o atual prefeito, Arnaldo Enomoto, foi eleito com uma larga votação. É fato conhecido, também, que, numa daquelas demonstrações de incoerência do eleitor, a maioria absoluta dos vereadores eleitos pertence à oposição. O próprio partido de Arnaldo (PSDB) não elegeu sequer um vereador. É fato, igualemnte conhecido, que o atual prefeito e sua equipe não tiveram habilidade política suficiente para atrair para o seu lado alguns dos vereadores eleitos.

Arnaldo tem feito uma administração bastante discreta, o que não significa uma administração ruim, mas apagada politicamente. Isso o torna mais vulnerável ainda ao eventual desejo da maioria do Legislativo local de cortar-lhe a cabeça. Isso é normal. Faz parte do jogo político. Por essa razão, se o nosso prefeito não mudar um pouco sua postura, se não abrir mais as portas do seu gabinete, se não buscar o apoio e a simpatia dos seus mais de oito mil eleitores, corre um sério risco de ter, de fato, sua cabeça cortada por uma câmera de vereadores que, em sua maioria, não lhe é nada amistosa politicamente, que é o papel da oposição num regime democrático.

É assim que funciona a política, em todos os níveis, dentro de uma democracia. Se o chefe do Executivo não tem maioria no parlamento, ele tem de tentar obter essa maioria com diálogo e entendimento politicamente saudáveis ou, então, buscar sustentação no povo que o elegeu. O apoio popular, que tem de ser conseguido com atos administrativos que atendam aos anseios da população, e não com demagogia, clientelismo nem populismo barato, não irá blindá-lo totalmente de um parlamento hostil, mas pode fazer com que as coisas se tornem mais fáceis. 

A História brasileira recente tem alguns exemplos de presidentes da República que, por não manterem um diálogo mais afável com o Legislativo, não conseguiram terminar seus mandatos. Jânio Quadro, eleito em 1960, com, até então, a maior votação de todos os tempos para um presidente da República, mais de 6 milhões de votos, é, a meu ver, o exemplo mais clássico. Com seu jeito excêntrico de governar, Jânio enfrentou um Congresso Nacional, eleito em 1958, que não lhe dava apoio. Renunciou ao mandato de forma teatral, afirmando que "forças terríveis" conspiravam contra seu governo. Achou que voltaria ao poder "nos braços do povo". Enganou-se. O mesmo povo que o elegeu maciçamente alguns meses antes virou-lhe as costas depois. 

Há que se esclarecer, finalmente, que o caso de Arnaldo Enomoto não pode ser comparado com o de Jorge Tanaka. Enomoto teve uma ampla e histórica votação, o que não ocorreu com Tanaka. É esse o grande trunfo que o atual prefeito tem nas mãos. Ainda dá tempo de usá-lo a seu favor. Repito: ainda. 

quinta-feira, 2 de abril de 2009

Povão ignora o G20 e muitos decasséguis podem voltar para o Brasil - são os destaques de hoje

Embora a maioria da população, ou seja, das pessoas comuns, praticamente ignore o assunto, o destaque da imprensa hoje é para a tal reunião do chamado G20, em Londres. A principal manchete do jornal O ESTADO DE S. PAULO de hoje é “G-20 vai lançar pacote de US$ 1 trilhão contra a crise. A manchete da FOLHA DE S. PAULO é semelhante: “G20 deve liberar US$ 1 tri contra crise”. As manchetes dos dois principais jornais paulistas referem-se ao fato de que, na reunião do G20, deve ser fechado um acordo para injetar US$ 1 trilhão em instituições multilaterais como o Fundo Monetário Internacional para combater a atual crise econômica mundial. 

MUITA GENTE PODE VOLTAR DO JAPÃO

O governo japonês começou a oferecer dinheiro para que descendentes, entre eles, obviamente, brasileiros, deixem aquele país. Com a crise e o desemprego, cada decasségui desempregado no Japão poderá receberá 300 mil ienes (cerca de R$ 6.700) para a passagem aérea, além de 200 mil ienes (R$ 4.500) por dependente para deixar o País. Mas há exigências: quem aceitar a oferta não poderá retornar ao Japão com o visto de trabalho. Ocorre que, devido às duras leis de imigração do Japão, a maioria dessas pessoas não conseguirá um novo emprego no Japão caso decidam retornar para lá. 

Os brasileiros formam a maior comunidade de decasséguis, com 310 mil representantes, seguidos pelos peruanos, com 60 mil. Levando em conta os não descendentes de japoneses, chineses e sul-coreanos são o maior número de estrangeiros. A maior parte desse pessoal foi atraída no início da década passada, quando o governo facilitou a entrada dos decasséguis para fornecer mão de obra para as fábricas locais, já que a população japonesa, envelhecida, não conseguia suprir a demanda. Mas, agora, no entanto, a coisa mudou. A taxa de desemprego chegou a 4,4% em fevereiro (a expectativa é que supere os 5% até o fim do ano), a produção industrial vem caindo em ritmo recorde -devido à queda nas demandas interna e externa- e, mesmo com os pacotes do governo, não há expectativa de recuperação da economia no curto prazo. No quarto trimestre do ano passado, o PIB do Japão, a segunda maior economia mundial, retraiu-se em 12,1% na taxa anualizada, a maior queda em 34 anos. Boa parte dos trabalhadores estrangeiros tem empregos temporários, especialmente em montadoras e fábricas de produtos eletrônicos, que tiveram forte queda na produção devido à queda nas exportações. Segundo o Ministério do Trabalho japonês, cerca de 9.300 imigrantes se inscreveram nos centros de auxílio aos desempregados entre novembro do ano passado e janeiro, 11 vezes mais do que no mesmo período de 2007 a 2008. As informaçoes são do jornal FOLHA DE S. PAULO. 


"Mentirômetro" de Lula

Com tanta coisa para se fazer na Câmara dos Deputados, em Brasília, tantos projetos para serem analisados e votados, a bancada do PSDB, para celebrar o Dia da Mentira, comemorado ontem, inaugurou o “Mentirômetro do Lula”, um painel colocado no gabinete da liderança do partido no qual os parlamentares colaram placas com as declarações feitas pelo presidente nos últimos anos e que eles consideram mentirosas. O líder do PSDB, José Aníbal (SP), apresentou 18 frases de autoria do presidente entre 2003 e 2009 e as colocou painel, dividido entre as categorias mentirinha, mentira piedosa, mentira de bar, mentira graduada, marolinha, mentira deslavada, e mentira do século.  

“Nós queremos começar, inaugurar, o primeiro trecho, mais ou menos em junho de 2006”, diz uma das frases do presidente Lula selecionada pelo PSDB, a respeito da Transposição do Rio São Francisco, que até hoje não foi concluída. Outra declaração do presidente diz “o PAC [Programa de Aceleração do Crescimento] é um investimento de R$ 504 bilhões”. Sobre isso, o PSDB ressalta que até março deste ano, o governo pagou apenas R$ 4,7 bilhões em obras do PAC.  

"O governo inaugura pedra fundamental, vistoria a obra diversas vezes e não inaugura nenhuma", criticou o presidente do PSDB, senador Sérgio Guerra (PE). "Acho que o PSDB cumpre o seu papel de fiscalizar o governo, investigar", disse.  

De acordo com o deputado José Aníbal, no final do ano, a bancada levará ao Palácio do Planalto o “Troféu Mentira do Século”, que é uma miniatura do personagem Pinóquio, famoso por ter o nariz aumentado a cada mentira que conta. "Vamos fazer uma consulta entre os deputados, os servidores e a imprensa para escolher a frase", explicou. 
As informações são do portal ÚLTIMO SEGUNDO

Em vez de fazer uma oposição mais acirrada, mais séria, a liderança do PSDB na Câmara perde temnpo com isso. Eles se esquecem de que o presidente Lula continua com um alto índice de popularidade, o que pode favorecer a virtual candidata do PT à presidência da República no ano que vem, Dilma Rousseff. Serra ainda está na frente nas pesquisas, mas se o PSDB e seus aliados não se mexerem, o quadro pode mudar até o ano que vem. A oposição que o PSDB faz ao governo é pífia, tímida. Não é só com um "mentirômetros" que se ganha uma eleição. 

O mundo gira, e as coisas acontecem...

DISCURSO ANTIGO

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva fez, nesta semana, um duro ataque às economias desenvolvidas, alegando que elas são as responsáveis não apenas pela atual crise econômica, mas também pela degradação ambiental, pelos desequilíbrios nos comércios e até mesmo pela insegurança coletiva. Enfim, Lula, que participou de uma reunião entre países árabes, em Doha, capital do Qatar, e, hoje, deverá estar em Londres, para a reunião do G20, culpa os países ricos por praticamente todos os problemas da humanidade. 

Sou avesse a esse tipo de discurso. Essa postura de coitadinhos, de autocomiseração, de “eu sou pobre porque eles são ricos” ou “eles são ricos porque nós somos pobres”. é tão antiga, tão demodê, que já encheu as medidas. 

Não estou defendendo os países ricos. Não os estou isentando de culpa. Muito pelo contrário. Mas está na hora de a gente assumir o discurso de que eles são culpados, sim, mas nós também temos a nosso quinhão de culpa por isso. Temos de reconhecer que somos, também, responsáveis por nossas mazelas. 

PRISÃO ESPECIAL PODE ACABAR

Uma novidade bem interessente é que o plenário do Senado aprovou ontem um projeto que acaba com a prisão especial para quem tem curso superior. Agora, o projeto segue para votações na Câmara dos Deputados. Se aprovado, vai para sanção do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. 

De acordo com informações do portal G1, pelo projeto, o benefício de prisão especial seria retirado tanto de quem tem curso superior como de algumas autoridades, como ministros de Estado, governadores, deputados, prefeitos e vereadores. Seriam mantidas somente prisão especial para o presidente da República, juízes e membros do Ministério Público da União. Uma novidade do projeto é que os juízes poderão autorizar também prisão especial em casos que envolvam risco de vida ou ameaça à integridade física de quem cometeu crimes.

Interessante essa decisão. Agora, só falta acabar, também, com o tal de foro privilegiado para deputados e certas autoridades.