O que aconteceu ontem, sábado, dia 21/08, no Rio de Janeiro, é mais uma triste amostra de que o Brasil tem um crônico e gravíssimo problema na segurança pública. A invasão do Hotel Intercontinental por traficantes foi assunto até da imprensa internacional É uma vergonha.
A verdade é que o Brasil, apesar de ser hoje uma democracia e uma das dez maiores economia do mundo, é um país de muitas mazelas, de contrates e de muitos problemas sociais. Hoje, o que mais preocupa a população é a violência, gerada principalmente pelo tráfico de drogas e pelo crime organizado, que dominam, hoje, inúmeros bolsões de miséria existentes nas periferias da maioria das cidades brasileiras, grandes, médias e até pequenas. Como nessas áreas o Estado praticamente inexiste, o poder paralelo se instala e impõe suas “leis”.
Para entender por que o Brasil, mesmo sendo uma das dez maiores economias do mundo, convive com tantos problemas sociais e com tanta violência, é preciso reconhecer algumas verdades incômodas.
Primeiramente, é público e notório que uma parcela significativa dos políticos brasileiros ascende a cargos eletivos somente para atender a uma vaidade pessoal ou a interesses, próprios e/ou de um determinado grupo ao qual pertence. Esses políticos não estão nada preocupados com os interesses da população, com o progresso do seu município, do seu Estado ou do País. Esse pessoal quer mais é “se arrumar”, fazer da política um meio de vida e até profissão, ou fazer do cargo público para o qual foi eleito uma forma de conseguir benefícios. Deputados, no Brasil, por exemplo, têm foro privilegiado, imunidade parlamentar e outras benesses indisponíveis para o cidadão comum. Tudo isso não são exclusividades da classe política brasileira, mas, aqui, essa situação assume proporções extremamente nocivas à sociedade. Para homens públicos desse tipo, quanto mais problemas sociais, quanto mais miséria, melhor. Assim, é mais fácil para “comprar” votos. Por isso, essa gente não tem o menor interesse em acabar com as injustiças sociais em nosso país, em defender os reais interesses da população. Só os seus e de seus apadrinhados.
Outra realidade triste: há uma máxima que diz que o crime não compensa. Infelizmente, no Brasil, para muita gente, o crime compensa, sim. Aqui, para os portadores de deficiência moral, o crime é um bom negócio. Ser desonesto no Brasil vale a pena para aqueles que não se importam com os escrúpulos de consciência. Afinal de contas, aqui pouca gente é realmente punida. E, quando isso acontece, a punição quase sempre é branda. Graças a uma legislação extremamente generosa, a Justiça, no Brasil, é muito “boazinha”. O Estado brasileiro é muito condescendente com os criminosos em geral, principalmente com os de “colarinho branco” Não bastasse isso, o sistema carcerário no Brasil é um caos total. Os milhares de detentos vivem amontoados em celas pequenas, em condições subumanas, degradantes, o que faz com que esses apenados saiam da prisão mais violentos, mais revoltados com a sociedade e com o Estado. Além disso, os presídios no Brasil são verdadeiras escolas do crime. Em vez de recuperar os criminosos, torna-os verdadeiros “doutores” do crime. Em tese, quando mais um criminoso vai preso, quando mais penas ele cumpre, mais ele “se aperfeiçoa” no crime, graças a um sistema carcerário totalmente decadente, caótico e extremamente vulnerável, o que permite que muitos chefes do crime organizado continuem a comandar seus “negócios” de dentro dos presídios.
Essas são realidades que fazem com que o Brasil, mesmo estando entre as dez maiores economias do planete, conviva com problemas típicos de países miseráveis.
O grande problema é que a falta de consciência política da maioria dos brasileiros impede que ele exerça plenamente sua cidadania. Com isso, boa parte do eleitorado brasileiros usa seu voto como moeda de troca, para conseguir alguns benefícios imediatos justamente daqueles candidatos dos quais falamos acima, aqueles que querem ocupar um um cargo eletivo (vereador, deputado, senador, prefeito, governador, presidente da República) somente para obter vantagens pessoais. Enquanto este estado de coisas permanecer assim, vão continuar as falcatruas e todo tipo de picaretagem no serviço público e nas casas legislativas por este país afora, como, por exemplo, os “mensalões” da vida.
A propósito, eu considero as eleições para as assembleias legislativas e Distrital e para o Congresso Nacional muito mais importante do que as para governador e presidente da República. É a oportunidade que temos de eleger deputados mais comprometidos com os verdadeiros interesses da população. Um legislativo bem diversificado, composto por parlamentares mais voltados para os reais problemas do povo, representa mais segurança jurídica, com a criação de leis mais justas e embasada na realidde do Brasil e de acordo com a realidade de cada região. Escolha com muito cuidado e critério seus candidatos a deputado estadual, a deputado federal e a senador. Não deixe de votar. Não anule o voto nem vote em branco. Se não achar o melhor, vote no que julgar menos ruim. Esse é o primeiro passo para a gente começar a mudar o Brasil e transformá-lo num país mais justo para todos os brasileiros.