Voltemos, então, ao mundo real
Terminou, finalmente, o “período FIAP” em Pereira Barreto. Se foi bom ou ruim, não sei. Não compareci àquele templo da mediocridade cultural.
Festas agropecuárias são eventos importantes no interior do Brasil. Cidades como São José do Rio Preto, Araçatuba, Ribeirão Preto, Barretos e muitos outros centros localizadas em áreas de grande movimentação do agronegócio, não só no Estado de São Paulo, mas também em outros estados do País, promovem suas exposições em grande estilo, com shows, rodeios, feiras de amostras, leilões de gado, etc., o que atrai muitas empresas de vários ramos da economia, não se restringindo, pois, somente à agroindústria. A famosa Festa do Peão, de Barretos, por exemplo, é considerado, hoje, um evento de nível internacional. Esses grandes eventos são geralmente promovidos pela iniciativa. privada
Em cidades pequenas e de economia irrelevante, como é o caso de Pereira Barreto, festas desse tipo têm mais o objetivo de, de certa forma, perpetuar a velha política do panis et circus (pão e circo). Panis et circus foi uma política adotada pelos governantes de Roma Antiga, que previa o provimento de comida e diversão ao povo, com o intuito de diminuir a insatisfação popular contra os governantes. Em função disso, espetáculos sangrentos, como os combates entre gladiadores, eram promovidos nos estádios romanos para divertir o povo, que, entretido com os jogos, esquecia-se dos problemas sociais e políticos. Havia, então, nos estádios, a distribuição de pão, gratuitamente, para alimentar o público. Esse tipo de política de panis et circus continua atá hoje, na forma de festividades públicas para agradar o povo, como é o caso da nossa FIAP.
Não sou contra a FIAP. Mas, desde de sua primeira edição, em 1975, Pereira Barreto passou por uma enorme transformação geofísica, econômica e social. A pecuária, em Pereira barreto, hoje já não tem o mesmo vigor de 30 ou 40 anos atrás. As poucas terras agricultáveis que sobraram, depois da formação do lago da Usina de Três Irmãos e do Canal de Pereira Barreto, estão se transformando em imensos canaviais. Em decorrência disso, o calendário de festejos pereira-barretenses deveria se adaptar à atual realidade local, com a criação de eventos ligados, por exemplo, à pesca esportiva. A FIAP, hoje, não tem mais nenhuma utilidade para o município, aléé de divertir o povo, como ocorria nos jogos romanos. Além de divertir, esse tipo de festa precisar gerar recursos. Ela não pode ser um evento economicamente “inútil”, como tem sido nos últimos anos.
Falta, também, por parte do poder público, a criação de uma infraestrutura básica e de incentivos para que Pereira Barreto se transforme numa verdadeira cidade turística.
Atualmente só somos “estância turística” no papel e no discurso. Não temos uma cultura de turismo em Pereira Barreto. Com exceção da praia municipal e de algumas pousadas, a cidade não conta com uma rede de hotéis e restaurantes à altura de receber turistas de outras partes do Estado e do País. Há, sem dúvida, iniciativa e boa vontade de muitos donos de hotéis e restaurantes em Pereira Barreto, mas, sem uma política de turismo consistente e incentivos ao setor por parte da administração pública, esses empresários se sentem desmotivados e inseguros em investir nos seus negócios. Muitos não se arriscam a melhorar e ampliar seus hotéis ou restaurantes; outros até encerraram suas atividades atividades, decepcionados.
Pereira Barreto recebeu uma boa injeção de ânimo com a implantação, aqui, da Usina Santa Adélia. Trouxe, sem dúvida, uma nova vida para a cidade. No entanto, isso é pouco para a economia pereira-barretense, que ficou estagnada por muitos anos. A transformação de Pereira Barreto em uma verdadeira cidade turística tem que sair dos discursos, das boas intenções, do ufanismo, da retórica oficial e se transformar em um projeto exequível e real.

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