Por ocasião da comemoração, hoje, dia 11 de agosto de 2010, do octogésimo segundo aniversário de Pereira Barreto, apresento aqui um mesmo ponto de nossa cidade em épocas bem diferentes. Entre a primeira e a segunda foto, há uma distância de tempo de sessenta anos.
19502010
As fotos acima mostram o cruzamento da Avenida Brasil com a Rua Conselheiro Rui Barbosa em momentos bem diferentes. A primeira, em preto é branco, foi tirada numa tarde de 1950. A segunda foi tirada alguns dias atrás, mais ou menos do mesmo ângulo no qual foi tirada a primeira foto.
A foto em preto e branco, um flagrante de sessenta anos atrás, que me foi enviada pelo amigo Dr. Álvaro Conegunes, nos mostra uma Pereira Barreto com 22 anos de fundação, bem diferente da Pereira Barreto de hoje. As ruas da cidade não eram pavimentada. Podemos observar que, no meio da avenida, havia postes de iluminação e árvores. No lado direito da foto, vemos uma Farmácia Santa Terezinha. No entanto, ela nada tem a ver com a Farmácia Santa Terezinha de hoje, que fica no calçadão, na esquina da Avenida Brasil com a Cyro Maia. Essa Farmácia Santa Terezinha, que ficava onde hoje está uma loja de móveis, pertencia ao Sr. Kitayama, antigo morador de Pereira Barreto.
Veem-se, ainda, poucos veículos motorizados na rua. Naquele tempo, possuir um carro não era para qualquer um. Note que o comércio da cidade está em plena atividade e a rua está movimentada. Esse ponto da cidade, na época, era bem mais agitado, porque ali perto ficava a Cooperativa Agrícola Tietê, que era uma espécie de Supermercado Proença da época. Além disso, havia a Fiação de Seda Bratac e o Fórum da Comarca ali próximo. O juiz da época era, ainda, o Dr. Antônio Gabriel Marão, primeiro magistrado da Comarca. A foto nos mostra, também, duas meninas vestidas de preto atravessando a rua. Elas eram duas irmãs, tias do Dr.Álvaro Conegunes. Vestiam preto porque estavam guardando luto pelo falecimento da mãe delas, que era avó do Dr.Álvaro. Esse detalhe nos faz lembrar das mudanças de costumes. Hoje em dia, ninguém mais guarda luta, pelo menos dessa forma, usando vestes prestas. Aliás, usar roupa preta hoje em dia é Fashion.
Aos oitenta e dois anos, Pereira Barreto passou por muitas transformações ao logo de sua história. No final da década de 60, com a construção da Usina Hidrelétrica de Ilha Solteira, nossa cidade passou por uma completa mudança. Foi um período de crescimento da cidade, novos bairros surgiram, muita gente que veio para trabalhar nas obras de Ilha Solteira preferiu residir em Pereira Barreto. Isso fez com que a população da cidade aumentasse significativamente. Dessa forma, a pequena e provinciana Pereira Barreto, dominada por meia dúzia de famílias, foi praticamente invadida por uma nova leva de moradores, vindos de várias partes do Brasil. Desses forasteiros que vieram para cá trabalhar nas obras de Ilha Solteira, uma parte foi embora, em busca de trabalho em outros pontos do País; mas muita gente ficou e criou raiz aqui. Em virtude disso, creio que mais de 70% da população de Pereira Barreto, hoje, é composto por pessoas que vieram para Pereira Barreto nessa época e por seus descendentes.
Ao contrário do que se pensa, Pereira Barreto foi bastante beneficiada com a construção de Ilha Solteira. O comércio pereira-barretense viveu uma época de ouro. Muita gente que morava em Ilha Solteira vinha fazer compras em Pereira Barreto. Além disso, muita gente que trabalhava em Ilha Solteira preferia morar em Pereira Barreto por um motivo que, hoje, muita gente desconhece: Ilha Solteira, naquela época, era um local ruim de se morar. Era uma cidade “esquisita”. Como foi uma cidade planejada, as casas, construídas pelas empreiteiras da CESP, eram padronizadas, diferenciadas apenas pelos níveis de seus ocupantes, dependendo do nível profissional de seu morador. Trabalhadores mais graduados, como engenheiros, médicos, etc. Recebiam as melhores casas, as mais confortáveis. Já os trabalhadores braçais recebiam as casas inferiores, com confortes mínimos. Além disso, havia toda uma disciplina, horário em que não se podia fazer barulho, uma espécie de toque de recolher e coisas desse tipo. Por isso, muita gente preferia morar em Pereira Barreto, por ser, então, uma cidade “normal”, em comparação com Ilha Solteira daquela época.
Infelizmente, as gerações posteriores de políticos e empresários pereira-barretenses não souberam tirar proveito desse período de prosperidade. Por isso, já no final da década de 70, Pereira Barreto começou seu caminha à decadência social, econômico e cultural. Enquanto cidades da região prosperavam, Pereira Barreto, principalmente graças à incompetência de seus administradores começava a afundar na estagnação. O golpe fatal ocorreu na década de 90, quando do final da construção da Usina de Três Irmãos, do canal de Pereira Barreto e a formação do lago. Muita gente embarcou na ilusão de que Pereira Barreto se tornaria uma cidade turística. Houve, de início, uma considerável especulação imobiliária. O tempo passou, e Pereira Barreto se tornou uma cidade turística só no papel. A cidade está longe de ser uma um ponto de atração turística de relevância, mesmo porque não possui sequer uma estrutura mínima par isso, bem como é carente de uma rede hoteleira digna e restaurantes condizentes com uma cidade turística. Alguém sabe onde se pode comer um aboa peixada em Pereira Barreto hoje? Então. Enfim, o sonho de Pereira Barreto se transformar em uma cidade turística só foi mais um sonho.

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