domingo, 29 de abril de 2012

Grandes mitos midiáticos da história brasileira

PARTE 2

Juscelino Kubitschek

“Cinquenta anos em cinco”

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Juscelino Kubitschek de Oliveira foi o presidente da República do Brasil de 1956 a 1961. Ele iniciou sua trajetória política quando foi nomeado chefe da Casa Civil do governo de Minas Gerais, em 1934, no mandato do governador nomeado (interventor) Benedito Valadares. No mesmo ano, elegeu-se deputado federal. De 1940 a 1945, foi prefeito nomeado de Belo Horizonte, levaodo ao cargo por ato do interventor Benedito Valares. Foi eleito, novamente, deputado federal, pelo PSD (Partido Social Democrático), em 1945, e fez parte da Assembleia Nacional Constituinte que elaborou a Constituição de 1946. Em 1955, ele foi candidato à presidência da República por uma aliança do PSD com o PTB (Partido Trabalhista Brasileiro), tendo sido eleito com 36% dos votos (3.077.411 votos).

Gingle da campnha de Juscelino para presidente, em 1955

Juscelino Kubitschek tomou posse em 1956 com um discurso desenvolvimentista. Usando o lema Cinquenta anos(de progresso)em cinco (de governo). Lançou o Plano Nacional de Desenvolvimento, também conhecido como “Plano de Metas”, que priorizou os setores de produção de energia, transportes, indústria de base, produção de alimentos e educação. Para melhorar a infraestrutura do País, o governo de Juscelino atraiu investimentos externos, o que favoreceu muito a implantação de um polo de indústrias automobilísticas na região do ABC Paulita. Para incentivar o desenvolvimento da região Nordeste, criou a SUDENE (Superintendência de Desenvolvimento do Nordeste). Com essa política desenvolvimentista, Juscelino diversifica e promove um enorme desenvolvimento da economia brasileira.

Imagens da posse de Juscelino, em 1956

Em 1957, Juscelino Kubitschek iniciou sua grande obra: a construção de Brasília, com projeto urbanístico do arquiteto Lúcio Costa e os desenhos dos prédios governamentais de Oscar Niemeyer. A obra atraiu trabalhadores de todo o Brasil, especialmente nordestinos, que se tornaram conhecidos como “candangos”.

Sobre a iniciativa de construir Brasília, há algumas lendas, entre elas a de que teria sido orientado por uma conhecida vidente mineira que ele deveria construir uma nova cidade que seria a nova capital do País no Planalto Central do Brasil. Pura balela. Na verdade, desde a primeira constituição republicana, de 1891, havia um dispositivo que previa a mudança da Capital Federal do Rio de Janeiro para o interior do país, determinando como "pertencente à União, no Planalto Central da República, uma zona de 14 400 quilômetros quadrados, que será oportunamente demarcada, para nela estabelecer-se a futura Capital Federal". O que Juscelino fez foi somente cumprir o que dizia a Constituição de 1946, que também previa a transferência da Capital Federal para o Planalto Central.

Imagens de inauguração de Brasília, em 21/04/1960

É óbvio que Juscelino Kubitschek promoveu um enorme desenvolvimento, mudando a cara do Brasil. O período de seu governo coincidiu com a fase que ficou conhecida como “Anos Dourados”, de grande efervescência cultural e artística, do nascimento da Bossa Nova, do Brasil campeão mundial de futebol em 1958, do lançamento de carros fabricados no Brasil, como o Fusca. Foi um período de otimismo, de esperança no futuro, de um Brasil que começava a ser mais conhecido no exterior. Em 1959, o salário minimo obteve seu maior valor real em todos os tempos.

A era JK, os chamados “Anos Dourados”

Tudo isso dito acima faz parte, obviamente, da história de Juscelino Kubitschek, que demonstra que ele foi, sim, um grande presidente. No entanto, há algumas arestas do mito de Juscelino que têm de ser aparadas.

Hoje, não se fala muito no assunto, talvez para não macular sua imagem histórica e quase mítica, mas Juscelino Kubitschek sempre foi acusado de corrupção, desde o tempo em que era governador de Minas Gerais. No período em que foi presidente, então, as denúncias se intensificaram, principalmente por conta da construção de Brasília. Oposição e setores da imprensa diziam que havia sérios indícios de superfaturamento das obras e favorecimento a empreiteiros ligados ao grupo político de Juscelino. Outro casa basante polêmico o da empresa aérea Panair do Brasil, pertencente a amigos de Juscelino, que foi acusada de possuir um monopólio do transporte de pessoas e materiais enviados para a construção de Brasília, pois naquele tempo ainda não havia rodovias, como a BR-050. Por isso, grande parte dos materiais e equipamentos utilizados na obra eram transportados por aviões. Apesar de todas as acusações de corrupção contra Juscelino Kubitschek, após sua morte, em 1976, o inventário demonstro que seu patrimônio pessoal era bem modesto.

Mas o desenvolvimentismo e a ousadia de Juscelino Kubitschek custaram caro ao Brasil. Prudência e austeridade não faziam parte de seu vocabulário político-administrativo. Exemplo dessa quase inconsequência administrativa ocorreu no final de 1959, quando o dinheiro para construção de Brasília havia acabado. Juscelino achava que não poderia parar a obra de forma alguma. Ele rompeu com o Fundo Monetário Internacional (FMI), que sugeria uma outra forma de controle da economia, que não estava de acordo com o jeito ousado de seu governo, e, para conseguir dinheiro para concluir Brasília, emitiu títulos da dívida pública e cartas precatórias, que foram negociados na bolsa de valores, para se conseguir capital de curto prazo, e vendeu esses papéis com deságio, ou seja, com um preço abaixo do valor de mercado, que poderia ser recuperado posteriormente em um prazo de 5 anos. Dessa forma, Juscelino conseguiu dinheiro para terminar a construção de Brasília. Mas, com isso, ele comprometeu o caixa dos próximos governos do país, por aumentar a dívida pública federal. Só esses fatos desmancham o mito de Juscelino Kubitschek como grande administrador.

No final do mandado de Juscelino Kubitschek, o Brasil já enfrentava o crescimento da inflação, um aumento considerável na concentração de renda e arrocho salarial. Houve várias manifestações populares, com greves no campo e nas cidades. A inflação e o arrocho salarial foram gerados pela expansão do crédito, pelo aumento na importações para a nascente indústria automobilística e, principalmente, pela constante emissão de moeda para sustentar investimentos do governo e pagar empréstimos externos. Em 1960, a inflação estava em 25% ao ano. As consequências piores vieram depois do governo de Juscelino: em 1961, a inflação subiu para 43%; em 1962, para 55% e chegou a 81% em 1963. Daí em diante, a situação econômica, política e principalmente social do Brasil só se agravou, culminando no golpe de estado de 1964.

Outro mito que existe sobre a figura de Juscelino Kubitschek era a de que ele era um político popular. Os fatos demonstram o contrário. Juscelino foi eleito, em 1955, com apenas 36% dos votos válidos. Ao final de seu agitado governo, mesmo depois de ter construído Brasília, de haver implantado a indústria automobilística no Brasil e de todo o progresso que sua ousada e quase irresponsável administração provocou, ele não conseguiu eleger seu sucessor, que era o marechal Teixeira Lotti.

Em 2006, a Rede Globo exibiu uma minissérie sobre a vida de Juscelino Kubitschek. Misturando realidade e um pouco de ficção, a obra televisiva reforça a imagem mítica de Juscelino.

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quarta-feira, 18 de abril de 2012

Grandes mitos midiáticos da história brasileira

Parte 1

Getúlio Vargas

“O pai dos pobres”

Getúlio Vargas

Antigamente, o povo era um mero expectador do poder. Ele não decidia. Afinal de contas, quem sabia o que era melhor para ele e para o país era o rei, o imperador, o monarca, enfim, o “Grande Pai”, que muitas vezes, como nos mostra a História, era visto até como uma espécie de divindade. Um dia, o povo começou a perceber que quem pagava por aquilo tudo era ele, com seu trabalho, com seus impostos. Se era ele quem pagava a conta, obviamente era ele quem tinha que mandar também. Foi quando começaram a acontecer pelo mundo grandes revoltas que mudaram a história humana, como a Revolução Gloriosa e a Revolução Francesa.

No Brasil, o povo só começou a ser mais ouvido mesmo a partir de 1930. Com a golpe que acabou com a chamada “República Velha', dominada por oligarquias regionais e pelo chamado “coronelismo”, Getúlio Vargas tornou-se o primeiro grande líder popular. Em vez de usar os mesmos métodos dos antigos detentores do poder, que pouca importância davam às massas populares, pois, devido a eleições feitas a bico de pena, praticamente não dependiam muito da população para se elegerem, Getúlio Vargas viu no povo o grande sustentáculo de sua carreira política. Para isso, logo de início, promoveu uma reforma eleitoral e instituiu o voto secreto e o feminino. Além disso, para se aproximar mais do homem comum, criou o DOP, Departamento Oficial de Propaganda). Naquele tempo, um novo e revolucionário veículo de comunicação surgia, o rádio. Quando Getúlio assumiu o governo, em 1930, as emissoras existentes ainda eram meio experimentais e mantidas por colaboradores. Já no começo de seu governo, elas foram autorizadas a inserir publicidade em suas programações e, dessa forma, se tornarem comerciais e, por conseguinte, financeiramente independentes. Isso marcou o início, no Brasil, da “era de ouro do rádio”, um veículo que Getúlio Vargas soube usar como ninguém para conquistar popularidade e vender uma imagem de homem bom, nacionalista, protetor dos pobres. Para o bem e, também, para o mal, Getúlio usou e abusou da nova mídia para construir a imagem de mito em que se tornou para grande parte dos brasileiros daquela época. Veja o vídeo abaixo.

O rádio na Era Vargas

Getúlio Vargas, ao longo de todo o período em que governou o Brasil, como ditador, de 1930 a 1945, e, como presidente eleito democraticamente, de 1950 a 1954, sempre foi venerado pela grande maioria da população brasileira, graças a seu carisma, sua habilidade em usar a mídia, sua opção por agradar aos segmentos mais carentes da população. Era, para milhões de brasileiro, o “pai dos pobres”. Para criar e manter essa imagem de “bom homem”, Getúlio tinha uma ampla equipe de assessores. Depois que deu o golpe do “Estado Novo”, em 1937, inventando a desculpa de um falso plano de um golpe comunista no Brasil, chamado de “Plano Cohen”, Getúlio endureceu seu governo para “proteger” o País dos “traidores da Pátria”. Em 1939, ele transformou o antigo DOP no DIP, o Departamento de Imprensa e Propaganda. Além de promover a censura aos meios de comunicação da época, o DIP era responsável por criar e divulgar uma imagem quase divina de Vargas, com o “grande líder”, numa espécie de culto à personalidade do ditador. Veja o vídeo abaixo, produzido pela TV Cultura de São Paulo, que mostra bem claramente essa estratégia midiática de Getúlio.

Fonte: TV Cultura de São Paulo

Além do culto à personalidade de Getúlio Vargas, o DIP divulgava, por meio do cinema, das artes e, principalmente, da música popular, a imagem de um “Brasil Grande”, um país onde havia ordem, uma natureza exuberante e um povo feliz.

A Rádio Nacional do Rio de janeiro foi fundada em 1936. Ela pertencia ao grupo que administrava o jornal carioca “A Noite”. No entanto, em 1940, em decorrência de dívidas com a União, a emissora foi incorporada ao patrimônio do governo federal, ou, numa linguagem mais contemporânea, foi estatizada. Ronaldo Conde Aguiar, autor de um almanaque sobre a história da emisora, recentemente, em entrevista à Rádio Câmara, afirmou que nunca houve uma interferência direta de Getúlio Vargas na programação da Rádio Nacional. Além disso, segundo Ronaldo, apesar de pertencer ao patrimônio da União, a emissora nunca recebeu um tostão dos cofres públicos. A Rádio Nacional vivia com recursos próprios, ou seja, dos publicitários que vendia. No entanto, a maioria dos cantores populares do Brasil, na época, caso, por exemplo, de Francisco Alves, um ídolo daquele tempo, que gravou algumas músicas de louvores a Getúlio e ao Estado Novo, era contratada da Rádio Nacional, bem como o chamado projeto de integração nacional de Vargas tinha como grande aliada a produção cultural e artística que a emissora carioca transmitia a todo o Brasil, na época, por meio de suas ondas curtas. Enfim, Getúlio Vargas e Rádio Nacional do Rio de Janeiro, na década de 40, tinham tudo a ver um com o outro.

Brasil – Francisco Alves e Dalva de Oliveira (música ufanista)
Franciso Alves – Canta Brasil - 1941 (música ufanista)

Cyro Monteiro – Bonde São Januário – 1940 (campanha contra a malandragem)

Usando a mídia da época, em especial a emissora de rádio mais potente e popular do Brasil naquele tempo, Getúlio Vargas conseguiu se transformar em um mito tão forte, que sua imagem resistiu ao tempo e às inúmeras denúncias dos abusos cometidos durante seu governo ditatorial. É óbvio que Getúlio teve seus méritos, e não foram poucos, pois, diferentemente do que faziam os arrogantes e elitistas políticos paulistas e mineiros que se revezavam no comando do País na famosa época da política do “café com leite”, Vargas deu voz ao povo, ao criar a Justiça Eleitoral, ao permitir que as mulheres também votassem e fossem votadas. De uma forma ou de outra, ele colocou o Brasil no século XX, praticamente acabou com o “coronelismo” e riscou do mapa a arrogante elite paulista e seus “Barões do Café”, modernizando a sociedade brasileira, criando uma legislação trabalhista que acabou com o quase escravismo que ainda havia no Brasil, criou o salário mínimo, instituiu a licença-maternidade para trabalhadoras gestantes, implantou uma indústria de base num país que era, até então, agrícola e praticamente só plantava e exportava café. Mas, independentemente disso, ele foi um ditador, que era chefe de um governo que mentiu ao povo para se manter no poder, censurou, perseguiu, prendeu, torturou, matou. Esse seu lado tirânico, obviamente, não aparecia nas músicas, nos filmes e nas cartilhas produzidas pelo DIP.

Para não ser deposto pelos militares, em 1945, Getúlio Vargas renunciou. Acabou então a ditadura do Estado Novo. São realizadas as primeiras eleições gerais verdadeiramente democráticas da história do Brasil, com voto direto, secreto e feminino. O País respira liberdade, mas o “pai dos pobres” não saiu da cabeça da maioria dos brasileiros. Depois de cinco anos afastado da vida pública, Getúlio tenta novamente assumir o governo do Brasil, dessa vez disputando votos em uma eleição realmente democrática, com ampla participação popular, diferente daquela eleição de bico de pena da qual ele participara em 1930 contra Júlio Prestes. Enfim, Getúlio chegou novamente à Presidência da República, em 1950, sem, também, precisar pegar em armas. Em síntese, depois de ter sido ditador por 15 longos anos, ele voltava ao poder nos braços do povo. Ele foi, sem dúvida, o primeiro grande mito popular brasileiro construído pela mídia. Quando ele se suicidou, em 1954. milhões de brasileiros saíram às ruas para chorar sua morte. Como disse na carta que deixou escrita antes de se matar, que ficou conhecida como “carta-testamento” pelos seus admiradores, Getúlio Vargas saiu da vida para entrar na História.

Getúlio Vargas - Discurso do Dia do Trabalho de 1951

A morte de Getúlio Vargas

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domingo, 8 de abril de 2012

“O presidente Demóstenes em Nova York”

O jornalista Élio Gaspari publicou hoje em suas colunas no jornais FOLHA DE S. PAULO e O GLOBO um texto ficcional muito interessante, que esta fazendo o maior sucesso na Internet. Trata-se de uma uma possível eleição de Demóstenes Torres à presidência da República em 2014, que, segundo ele, poderia ocorrer, não fosse a Operação Monte Carlo. Leia.

Setembro de 2015: eleito presidente da República, em novembro do ano passado, Demóstenes Torres chegou ontem a Nova York para abrir a Assembleia Geral das Nações Unidas. Reuniu-se com o presidente Barack Obama, de quem cobrou uma política mais agressiva contra os governos da Bolívia, Equador e Venezuela, "controlados por aparelhos partidários que sonham em transformar a América Latina numa nova Cuba". Antes de embarcar, Demóstenes abriu uma crise diplomática com o Paraguai, anunciando sua intenção de rever o tratado da hidrelétrica de Itaipu.

O presidente brasileiro assumiu prometendo fazer "a faxina ética que o país precisa". Para isso, criou um ministério com superpoderes, entregue ao ex-presidente do Supremo Tribunal Federal Gilmar Mendes. Numa reviravolta em relação a suas posições anteriores, o presidente apoiou um projeto que legaliza o jogo no país. Ele reestruturou o programa Bolsa Família, reduzindo-lhe as verbas e criando obstáculos para o acesso aos seus benefícios. Patrocinou projetos reduzindo a maioridade penal para 16 anos, e autorizando a internação compulsória de drogados. Determinou que uma comissão especial expurgue o catálogo de livros didáticos distribuídos pelo Ministério da Educação. Atualmente, percorre o país pedindo a convocação de uma Assembleia Constituinte. A oposição do Partido dos Trabalhadores denuncia a existência de uma aliança entre o presidente e quase todos os grandes meios de comunicação do país.

Ao desembarcar no aeroporto Kennedy, Demóstenes ironizou as críticas à presença de uma jovem assessora na sua sua comitiva: "Lamentavelmente, ela não é minha amante, porque é linda". À noite o presidente compareceu a um jantar no restaurante Four Seasons, organizado pelo empresário Claudio Abreu, que até março de 2012 dirigia um escritório regional de relações corporativas da empreiteira Delta. Abreu é o atual secretário-executivo da Comissão de Revisão dos Contratos de Grande Obras, presidida pelo ex-procurador geral Roberto Gurgel. Chamou a atenção na comitiva do presidente o fato de alguns integrantes carregarem celulares habilitados numa loja da rua 46. Eles são chamados de "Clube do Nextel".

Em 2012 a carreira do atual presidente foi ameaçada por uma investigação que o associava ao empresário Carlos Augusto Ramos, também conhecido como "Carlinhos Cachoeira", marido da ex-mulher do atual senador Wilder Pedro de Morais, que era suplente de Demóstenes. O trabalho da Polícia Federal foi desqualificado pela Justiça. O assunto foi esquecido quando surgiram as denúncias do BolaGate contra o governo da presidente Dilma Rousseff envolvendo contratos de serviços e engenharia de estádios para a Copa do Mundo, cancelada em 2013. A eleição de campeões da moralidade é um fenômeno comum no Brasil. Em 1959 Jânio Quadros elegeu-se montando uma vassoura. Em 1989, triunfou Fernando Collor de Mello. O primeiro renunciou numa tentativa de golpe de Estado e terminou seus dias apoquentado por pressões familiares para que revelasse os números de suas contas bancárias no exterior. O segundo deixou o poder acusado de corrupção e viveu por algum tempo em Miami, elegeu-se senador e apoiou a candidatura de Demóstenes. O tesoureiro de sua campanha foi assassinado.

Presente ao jantar do Four Seasons, o empresário Carlos Augusto Ramos não quis falar à imprensa. Ele hoje lidera o setor da industria farmacêutica brasileira beneficiado pelos incentivos concedidos no governo anterior. Ramos chegou acompanhado pelo ministro dos Transportes, Marconi Perillo, que governou o Estado do presidente e foi o principal articulador do apoio do PSDB à sua candidatura. Uma dissidência do PT, liderada pelo deputado Rubens Otoni, também apoiou a candidatura de Demóstenes. O presidente anunciou que a BingoBrás será presidida por um ex-petista.

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Abril de 2012: quem conhece o tamanho do conto do vigário moralista de Fernando Collor e Jânio Quadros sabe que tudo o que está escrito aí em cima poderia ter acontecido.
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Fonte: FOLHA DE S. PAULO, edição de 08 de abril de 2012 – Seção “Poder”, disponível na Internet, somente para assinantes da FOLHA e do portal UOL, no endereço http://www1.folha.uol.com.br/fsp/poder/35910-o-presidente-demostenes-em-nova-york.shtml