sexta-feira, 6 de junho de 2014

E o tal decreto “bolivariano” de Dilma?

E o tal Decreto n.º 8.243/2014 da Presidência da República, publicado no Diário Oficial da União de 26 de maio de 2014, que “institui a Política Nacional de Participação Social - PNPS e o Sistema Nacional de Participação Social – SNPS e dá outras providências”, como diz seu resumo introdutório.

Parece que esse decreto é mais uma tentativa do atual governo do PT e de boa parte da esquerda brasileira de criar mais um ornamento democrático. Parece que se esqueceram de que o Brasil é uma democracia representativa. A cada dois anos, nós, os membros da tal sociedade civil, os cidadãos, somos convocados a escolher nossos representantes, vereadores, deputados estaduais, deputados federais e senadores, assim como somos convocados também eventualmente para, em plebiscito ou referendo, decidirmos sobre assuntos espinhosos demais para nossos representantes. É assim que funciona a democracia representativa.

Não bastassem esses instrumentos institucionais, agora, a atual presidente da República, num acesso repentino de “democracismo”, assina um Decreto criando a tal Política Nacional de Participação Social e o tal de Sistema Nacional de Participação Social, para, por meio de conselhos, comissões, ouvidorias, fóruns, audiências e consultas públicas e toda essa parafernália aparentemente democrática, fazer de conta que toda a sociedade civil brasileira participa ativamente das diretrizes das políticas públicas.

Os partidos de oposição estão se unindo e querem revogar esse decreto, por considerarem que se trata de um golpe “bolivariano”, um atentado contra a democracia. E é mesmo um golpe. O amigo leitor pode até questionar: mas como um atentado contra a democracia, se a presidente está abrindo canais para que a sociedade civil participe e dê sua dose de colaboração na elaboração de políticas públicas.

Inicialmente, devemos lembrar que não podemos, de forma alguma, substituir ou tentar igualar a representatividade universal estabelecida constitucionalmente para a democracia representativa com a representatividade de conselhos, comissões ou fóruns ditos “populares”. Tentar fazer isso é, realmente, um golpe na democracia. Além disso, quem fará parte desses conselhos populares? Com toda certeza, somente militantes de partidos políticos ou dos chamados “movimentos sociais”.

E onde ficamos nós, cidadãos, trabalhadores, pessoas comuns, membros da sociedade civil, nessa história? Diferentemente desse pessoal dos “movimentos sociais”, dos “blogueiros progressistas”, dos “militantes de partidos”, nós, cidadãos, temos que trabalhar, estudar, pagar nossas contas, pagar os impostos, cuidar de nossas famílias, de nossas casas, de nossas vidas, enfim. Nós, cidadãos comuns, trabalhadores, contribuintes, que sustentamos com nossos impostos toda essa enorme e muitas vezes inútil burocracia estatal, não temos tempo, disposição, nem conhecimento técnico para participar de conselhos e audiências públicas. Nós já elegemos nossos representantes lá no Congresso Nacional, nas assembleias legislativas e nas câmaras municipais. Nós, cidadãos, contribuintes, trabalhadores, temos mais o que fazer do que ficar dando palpite sobre coisas das quais não entendemos.

Então, quem vai participar desses conselhos? Provavelmente, gente que tem tempo para ficar o dia todo fazendo manifestação, invadindo propriedades alheias, depredando prédios públicos e privados, que fica o dia todo escrevendo em blogs e fazendo panfletagem nas redes sociais, enfim, desocupados...

Nas próximas eleições, nós, cidadãos, os verdadeiros representantes da sociedade civil, termos de dar um basta nesta baderna em que se transformou este país. Esse é o único caminho verdadeiramente democrático de mudança: o voto, livre e consciente. É por meio dele que nós, o povo, a sociedade civil, vamos eleger nossos representantes, que terão o encargo de definir as diretrizes das políticas públicas. O resto é conversa mole, é teatro, é golpe. Acorda, Brasil!

segunda-feira, 2 de junho de 2014

Os sectários e suas “verdades”.

Você conhece um sectário?

Mas o que é um sectário? Em rigor, sectário é um seguidor de uma seita. No entanto, a palavra, hoje, adquiriu um sentido mais amplo, mais abrangente. Sectário pode ser definido, nos tempos de hoje, como aquele indivíduo que tem um apego exacerbado por um determinado ponto de vista, com uma visão, muitas vezes, estreita da realidade, quase sempre apresentando uma postura intransigente, intolerante, repelindo de forma abrupta tudo aquilo que contrarie seus conceitos, seus dogmas, seu entendimento de mundo. Acham-se “iluminados”, intelectualmente superiores à grande maioria das pessoas, mas, na verdade, não passam, muitas vezes, de idiotas úteis, que, por causa de seu fanatismo, já perderam o senso crítico.

Há sectários de todos os tipos. Mas, os dois mais conhecidos são os sectários político-ideológicos e os sectários religiosos.

Vamos analisar inicialmente os sectários político-ideológicos, que podem ser divididos em sectários de direita e de esquerda.

Os sectários de direita são mais raros, mas, quando aparecem, não são menos fanáticos e apaixonados que seus congêneres de esquerda. Geralmente são moralistas ao extremo, apegados à tradição, à família. São autoritários, intolerantes, intransigentes e preconceituosos. Felizmente, com as mudanças dos costumes, os sectários de direita são uma espécie quase em extinção, mas há muitos exemplares deles ainda espalhados por aí lutando em favor da moral e dos bons costumes.

Já os sectários de esquerda são aqueles que se dizem socialistas e sonham com um ittópico mundo igualitário. Mesmo depois de passados mais de 24 anos do fim da União Soviética, da quea do Muro de Berlim, do encerramento da “Guerra Fria” e da derrocada de todos os regimes socialistas da Europa Oriental, eles continuam falando como se ainda estivessem na década de 60, imputando aos Estados Unidos e ao capitalismo “selvagem” a culpa por todas as mazelas do mundo. O sectário de esquerda geralmente vê o mundo de forma maniqueísta. Para ele, baseado no que escreveram Karl Marx e Friedrich Engels, há 166 anos, num contexto socioeconômico totalmente diferente do atual, o mundo se divide em proletários, isto é, a classe trabalhadora, e a burguesia. Muitos deles não bebem Coca-Cola, por sem um produto-símbolo do que eles chamam de “imperialismo yankee”, mas, incoerentemente, usam telefone fixo e celular (todos invenções dos imperialistas), luz elétrica (invenção dos imperialistas), computadores (invenção dos imperialistas) e Internet (invenção dos imperialistas justamente para ser uma arma de guerra durante a “Guerra Fria”). A grande maioria deles é doutrinada, isto é, condicionada a pensar dessa forma, principalmente em universidades, sindicatos ou em grupos ou organizações chamadas de “movimentos sociais”. Eles se dizem “de esquerda”, “progressistas”, e consideram todo aquele que pensa diferente deles “de direita”, “conservador”, “reacionário” “fascista”, muito embora a grande maioria deles nem saiba o que realmente significam essas palavras.

Tão fanático quanto o sectário político-ideológico de direita e de esquerda é o sectário religioso. Esse é aquele que, quando adere a uma religião ou seita, acha que descobriu finalmente a “verdade” e, por isso, acha-se no direito de “salvar a humanidade”, de conquistar neófitos para que também sejam “salvos”.

Todo sectário, seja político-ideológico ou religioso, acha-se um privilegiado intelectualmente e enxerga todo aquele que não comunga de suas ideias como ignorantes, alienados, pecadores, ímpios, infiéis, etc. Na verdade, ele mesmo não passa de um idiota útil, um manipulado, alguém que intelectualmente come pela mão dos seus “mestres”, seus doutrinadores, sem se aperceber disso.

Quando deparo com um desses sectários, “donos da verdade”, me lembro dos versos de Fernando Pessoa, quando ele diz em um trecho de seu poema Lisbon Revisited, “Não me venham com conclusões!/A única conclusão é morrer”. Mais adiante, ele é mais direto: “Se têm a verdade, guardem-na!

O sectarismo, em graus mais suaves, só incomoda. Mas em graus mais elevados, como a História demonstra, pode perseguir, torturar e matar milhões de pessoas.

No evangelho de João, 18: 38, num improvável diálogo entre Jesus (que falava aramaico) e Pilatos (que falava latim), o então prefeito da Judeia pergunta ao jovem réu galileu: Quid est veritas? (O que é a verdade?). Jesus não respondeu. Ou ele não sabia a resposta ou sabia que seria impossível tentar explicar a Pilatus o que é a verdade.

Poer isso, se você tem a “verdade”, por favor, guarde-a.