sábado, 28 de novembro de 2009

O PT e o Lula que eu não conhecia antes de 2002

O mundo está em constante transformação, assim como as ideias. É normal que o ser humano vá se transformando com o correr do tempo, com as experiências de vida, com as lições aprendidas. É perfeitamente natural que pessoas mudem seu juízo de valor sobre certas coisas da vida. Um exemplo disso foi o que aconteceu com os Partidos Comunistas europeus logo após a queda do Muro de Berlim, em 1989, e o fim da União Soviética e dos regimes comunistas da Europa Oriental. Não havia dúvida: um regime socialista, inspirado nas ideias de Karl Marx e Friedrich Engel, era inviável. O socialismo fracassara. Em vez de justiça social, criaram-se regimes totalitários, com o cerceamento das liberdades individuais e a socialização da pobreza. Chegou-se à conclusão de que uma sociedade sem mercado, sem livre iniciativo, é uma sociedade inerte, morta econômica e socialmente. Os comunistas europeus mudaram, se renovaram e muitos tiraram até a expressão “comunista” dos nomes de suas agremiações. Aqui no Brasil, não foi diferente: o PCB, Partido Comunista Brasileiro, o conhecido “Partidão”, virou PPS, Partido Popular Social. Toda essa mudança de postura é absolutamente normal na nossa sociedade.

No entanto, o que aconteceu com o Partido dos Trabalhadores, o PT, e, especialmente, com o Sr. Luiz Inácio Lula da Silva, um de seus fundadores e seu maior líder, foge a todas as regras do bom senso, do aceitável, do normal, do compreensível no mundo político. Infelizmente, o Lula elogiado no exterior, exótico, tido como grande líder, que participa do G-20. que defende os países pobre, que puxa a orelha dos países ricos, que faz discurso nas Nações Unidas, que é chamado de “o cara” pelo presidente dos Estados Unidos, que é recebido pela rainha da Inglaterra, nada tem a ver com Lula, o Verdadeiro. Lula talvez faça tanto sucesso no exterior pelo simples motivo de quem ninguém, lá, entende as bobagens que ele às vezes diz. Veja o vídeo abaixo.

Nunca fui petista, pois minhas concepções liberais não se alinham com a ideologia esquerdista e estatizante do petismo. No entanto, sempre nutri uma grande admiração por essa agremiação partidária, pela coerência de seu discurso, pela defesa intransigente da ética e da moralidade com as coisas públicas. Admirei ainda mais o PT durante a campanha eleitoral de 2002, ocasião em que o partido parecia ter abandonado seu discurso radical de esquerda e haver se adaptado aos novos tempos, como o fizera boa parte do pessoal do “Partidão”. Tenho grandes amigos petistas, pessoas sérias, honestas e idealistas. Contudo, o que temos visto, depois da posse de Luiz Inácio Lula da Silva ao cargo de presidente da República, nada tem a ver com o que o Partido dos Trabalhadores pregou desde sua fundação, no início dos anos 80. O partido político que, numa demonstração de sintonia de seu discurso em favor da democracia, por ser contra a eleição indireta, chegou a expulsar de suas fileiras uma deputada, Beth Mendes, em 1985, porque ela participou do Colégio Eleitoral que elegeu Tancredo Neves para a presidência da República, após vinte e um anos de ditadura militar. Depois que chegou ao poder, em 2002, o PT parece que se despiu de seus escrúpulos, jogou toda sua história no lixo e, em nome de conveniências políticas e eleitorais, aliou-se ao que há de mais perversamente retrógrado na política nacional. A justificativa disso, o presidente Lula deu, pouco tempo atrás, em uma entrevista ao jornal Folha de S. Paulo, dizendo que até Jesus Cristo, se vivesse hoje no Brasil, faria acordo com Judas Iscariotes. Lula, como é iletrado, ou, para ser mais preciso, semi-analfabeto, não se deu conta de que chamara, sem querer, seus aliados de “Judas”, desqualificando-os. No entanto, seus fiéis asseclas oriundos da “direita”, por sua vez, como não querem se indispor com o “chefe”, nem perder as benesses que desfrutam por estarem do lado do governo, fingiram que não entenderam.

Assim que Lula e o PT assumiram o governo, começaram a pipocar os pequenos escândalos. O primeiro envolvia a então ministra Benedita da Silva, que foi acusada de haver ido à Argentina, participar de um evento religioso, à custa de dinheiro público. Depois veio o famoso escândalo protagonizado por Waldomiro Diniz, assessor do então ministro-chefe da Casa Civil, José Dirceu. Waldomiro foi flagrado, em vídeo, achacando um bicheiro, conforme denúncia da revista ÉPOCA. Depois, veio aquilo que a revista VEJA definiu como “a mãe de todas as decepções éticas do PT”: o famigerado “mensalão”. O PT foi acusado de comprar, com dinheiro desviado dos cofres públicos, o apoio de deputados da chamada base aliada do governo. O que aconteceu na época, tudo o mundo se recorda. Lula, de início, alegou que “não sabia de nada”. Depois disse que havia sido traído, mas não disse por quem. Em seguida, disse, cinicamente, que o “PT havia feito o que sempre se fez sistematicamente no Brasil”. Houve CPI e, em decorrência desse escândalo, praticamente todo a cúpula do PT da época foi denunciada à Justiça e chamada de “quadrilha” pelo então procurador da República, que havia sido nomeado pelo próprio Lula. A grande maioria dos “mensaleiros” foi absolvida na Câmara dos Deputados. Mas os envolvidos, cerca de 40 pessoas, foram denunciados por corrupção ativa e passiva, peculato, lavagem de dinheiro, formação de quadrilha, crimes contra o sistema financeiro e evasão de divisas. O processo se encontra, hoje, no Supremo Tribunal Federal. É provável que não dê em nada, graças à benevolência da legislação brasileira, principalmente para com quem tem bons advogados e, especialmente nesse caso, para aquelas que têm o tal do “foro privilegiado”. Outro detalhe importante é a falta de estrutura do STF para analisar um caso tão complexo como esse, que deveria estar na Justiça comum, que é mais aparelhada para tramitação desse tipo de processo. Recentemente, Lula, em uma entrevista na Rede TV, disse que o “mensalão” foi uma grande armação da oposição. Perguntado sobre os detalhes de sua teoria conspiratória, disse que só vai se inteirar de tudo depois que deixar o governo, em 2011.

Vieram as eleições de 2006 e, com boa parte dos eleitores agraciada com o “Bolsa Esmola”, Lula e muitos “mensaleiros” foram reeleitos. Foi-se a ética; ficou o cinismo.

Lula e o PT, antes tão combativos, tão radicais, tão defensores da ética, hoje convivem amigavelmente com tudo aquilo que sempre combateram. Vinte anos atrás, durante a campanha para a primeira eleição direta para a presidência da República após a ditadura militar (1964-1985), em 1989, Collor chegou a exibir, em seu programa eleitoral na TV, Miriam Cordeiro, ex-namorada de Lula, dizendo que o petista lhe havia oferecido dinheiro para abortar. Hoje, Collor é um fiel integrante da base aliada do governo Lula.

José Sarney, a quem Lula e o PT sempre atacaram impiedosamente durante anos a fio, hoje é, também, um fiel aliado do atual governo. Ameaçado, recentemente, de perder o cargo de presidente do Senado, por acusações de inúmeras irregularidades na Casa, Sarney pôde contar com a valiosa solidariedade de Lula e de seus parceiros petistas para manter-se no cargo. Se Sarney fosse destituído da presidência do Senado ou renunciasse, assumiria Marconi Perillo, do PSDB de Goiás, inimigo figadal de Lula. O cinismo venceu mais uma vez.

No próximo ano, teremos eleição para presidente. Dilma Rousseff, atual ministra-chefe da Casa Civil, deve ser a candidata do PT. Burocrata e excessivamente técnica, Dilma tem, em excesso, atributos que um candidato a qualquer cargo eletivo não deve ter: é arrogante e fala burocratês demais. Mas Lula achou por bem lançá-la como candidata à sua sucessão, em 2010. Para isso, iniciou um processo intenso de tentativa de transformar Dilma Rousseff numa pessoa carismática. Muito se tem comentado a respeito. Há uma marchinha carnavalesca, composta por Joka Pavarotti, componente do bloco “Pacotão”, de Brasília, circulando na Internet. Veja o vídeo abaixo.

A grande arma eleitoral do governo Lula foi, ironicamente, criada por seu antecessor, Fernando Henrique Cardoso: é o Bolsa Escola, que teve seu nome mudado para Bolsa Família e, sem dúvida, deverá continuar sendo uma das moedas de troca da candidata Dilma, em 2010, Mas, conforme notícias divulgadas recentemente, um novo ingrediente deve ser adicionado à campanha eleitoral da candidata do PT: o bolsa-celular. Isso mesmo que você leu: BOLSA CELULAR, telefone celular. O governo pretende oferecer um telefone celular para cada uma das mais de 11 milhões de famílias que recebem o Bolsa Família. A “ideia brilhante” partiu do ministro das Comunicações, Hélio Costa, provável candidato ao governo de Minas Gerais em 2010. Mas o tal Bolsa Celular deve ser apenas um truque eleitoral, pois a maioria das família beneficiadas com o Bolsa Família já tem telefone celular, graças, evidentemente, à privatização dos serviços de comunicação, em 1998, promovida pelo governo de Fernando Henrique Cardoso, que barateou os serviços de telefonia móvel e fixa no Brasil e acirrou a concorrência no setor. Com isso, as despesas do governo como tal Bolsa Celular vai ser mínima. Um belo teatro eleitoral. Mas as “grandes ideias” não param por aí. O governo quer lançar, também, o Bolsa Cinema. O projeto já tramita em regime de urgência no Senado. Se tudo der certo, o governo pretende lançá-lo no ano que vem. O trabalhador receberá mensalmente um tíquete de cinquenta reais para ir ao cinema. O governo quer as salas de exibição lotadas em 2010. Só que o governo se esquece de que, hoje, a maioria das salas de cinemas estão instalados quase que exclusivamente em centros de compras, em cidades médias e grandes, bem distantes e quase inacessíveis à maioria dos brasileiros mais humildes. Mas todo esse interesse do governo pelo cinema tem uma razão de ser: por uma curiosa coincidência, no ano que vem será lançado o filme “Lula, o Filho do Brasil”, uma espécie de bajulação cinematográfica patrocinada por empreiteiras amigas e dirigida pelo cineasta Fábio Barreto, cujo roteiro se baseia em uma biografia de Lula escrita pela jornalista Denise Paraná.

O governo Lula, hoje, mantém vínculos bem amistosos com o que há de pior na política internacional. Sem falar em sua amizade com o falastrão venezuelano Hugo Chaves e com o ditador cubano Fidel Castro, não podemos nos esquecer da recente visita do presidente iraniano Mahmoud Ahmadinejad, chefe de um governo intolerante, autoritário e acusado de financiar o terrorismo internacional. O ministro da Defesa iraniano, por exemplo, general Ahmad Vahidi, se sair de seu país pode ser preso pela Interpol, pois ele é acusado de ser um dos autores intelectuais do atentado cometido em 1994 contra a associação judaica Amia, em Buenos Aires, que deixou 86 pessoas mortas. Lula chegou a defender o direito do Irã a obter tecnologia nuclear para fins pacíficos. O curioso é que, quatro dias depois da visita de Ahmadinejad ao Brasil, a Agência de Energia Atômica da ONU (AIEA) propôs uma moção de censura contra o Irã, em decorrência de protelações, mentiras e omissões do governo do Irã em relação a seu projeto nuclear. Vinte e cinco dos 35 países com voto na organização aprovaram a proposta da AIEA, inclusive a China e a Rússia, que sempre resistem a pressionar o país persa. O Brasil, sob orientação do governo petista, simplesmente se absteve de votar.

Esse é o PT de hoje. Esse é o Lula de hoje. Os tempos de luta pela democracia, pela ética, pela moralidade, que me faziam admirar e respeitar os líderes petistas, mesmo discordando de suas ideologias, ficaram somente na História, são águas passadas. Lula e seus companheiros trocaram a luta pela democracia, pela ética e pela moralidade pela luta pelo poder, a qualquer custo. Figuras como José Sarney, Paulo Maluf, Fernando Collor, Roseane Sarney, Renan Calheiros e tantos outros, antes tidos como retrógrados, inimigos do povo, representantes do atraso, coronéis, corruptos, viúvos da ditadura, etc., hoje são aliados fiéis do PT e do governo Lula, o que acarretou uma espécie de simbiose perversa: em vez de os ex-inimigos políticos dos petistas se regenerarem, se redimirem de seus erros passados e assimilarem as posturas políticas antes defendidas pelo PT, foi o PT que assimilou as velhas práticas de seus ex-inimigos que tanto combateu no passado.

À propósito, com relação ao escândalo que veio a público na última sexta-feira, envolvendo o atual governador do Distrito Federal, José Roberto Arruda (DEM) em um esquema de propinas para deputados da base aliada do governo distrital, li, no último sábado, dia 28 de novembro, na FOLHA ON LINE que a bancada do Partido dos Trabaradores (PT) na Câmara Legislativa brasiliense declarou, em nota, que vai apresentar pedido de abertura de processo por crime de responsabilidade contra o governador do Distrito Federal e prometem, ainda, abrir processo de investigação dos deputados distritais citados no caso por indícios de quebra de decoro parlamentar, assim como apresentar na Câmara Legislativa requerimento de instalação da "CPI da Corrupção" --para apurar os fatos contra o governador.

É. Quando estão na oposição (no caso do Distrito Federal), os petistas se fazem de moralistas, de defensores da ética. No entanto, quando estão na situação, como ocorrem no Congresso Nacional, a conversa muda. Eles correm das CPIs. Esse é o PT que eu não conhecia antes.

domingo, 22 de novembro de 2009

Lula, o Filho do Brasil – realidade e ficção e quem pagou pelo filme

O filme Lula, o Filho do Brasil faz parte de um projeto de bajulação e de endeusamento do atual presidente da República, o que, às vésperas das eleições de 2010, pode ser uma eficiente propaganda política.

"Lula, o Filho do Brasil, a cinebiografia que estreará nos cinemas no começo do próximo ano, é o primeiro filme de ficção sobre a vida do presidente. A LC Barreto, responsável pelo projeto, enviará 500 cópias ao circuito comercial – o maior lançamento da história do cinema brasileiro. As centrais sindicais, como a CUT e a Força Sindical, planejam projetar a fita para espectadores das áreas mais pobres do país. Os trabalhadores sindicalizados poderão comprar ingressos subsidiados a 5 reais. As estimativas mais conservadoras indicam que, somente nas salas comerciais, 5 milhões de pessoas assistirão ao longa. É pouco diante do que se seguirá. O DVD do filme será lançado no dia 1º de maio, feriado do trabalhador. Em seguida, a Rede Globo levará a fita ao ar, editada como uma minissérie. Ao final, se essa ambiciosa estratégia de distribuição funcionar, Luiz Inácio, o homem que fez história, dará um salto rumo a Luiz Inácio, o mito. Esse mito paira acima do bem e do mal, mas estará dizendo o que é certo e o que é errado na campanha eleitoral de 2010. Por fazer parte de um projeto de beatificação do personagem com vista a servir de propaganda eleitoral disfarçada de entretenimento na próxima campanha, Lula, o Filho do Brasil parece coisa de marqueteiro." (revista VEJA – edição de 25/11/2009 – pág. 78).

Verdades e mentiras do filme

Para fazer o filme, o diretor Fábio Barreto, baseou-se nas histórias contidas em uma biografia do presidente Lula, escrita pela jornalista Denise Paraná. Claro que, no filme, o diretor, omitiu episódios da vida de Lula que pudessem apresentá-lo como um fraco, na verdade, como um ser humano comum: e pintou com tintas fortes os momentos em que Lula pode ser apresentado como herói, um ser perfeito. Veja alguns fatos citdos pela revista VEJA, em sua última edição.

No filme - O pai de Lula lhe dá um tapa e, depois, avança para cime de Dona Lindu, mãe de Lula, mas é contido pelo filho, que esbraveja heroicamente com o pai: "Homem não bate em mulher". O pai, envergonhado, abaixa as mãos.

O fato - Na verdade, Lula, quando era criança, presenciou um acesso de fúria de seu Aristides, seu pai, que bateu em Dona Lindu, sua mãe, com uma mangueira. Lula também quase apanhou do pai, mas Dona Lindu impediu a agressão. Portanto, foi Dona Lindu que salvou o filho da surra, e não o inverso, como está no filme.

No filme - Impressionada com o notável desempanho de Lula na escola, sua professora, Dona Terezinha, visita Dona Lindu e se oferece para adotar o menino "de papel passado". Diz a professora: "A senhora não quer que ele seja alguém?". Dona Lindu responde, com aquela altivez que só se vê em filme e novela: "Ele já é alguém. Ele é Luiz Inácio". Que lindo! Tremenda mentira.

O fato - Quando Lula ainda morava em Santos e cursava a 2.ª série primária, sua mão, Dona Lindu, como todo brasileiro típico, que não sossega o facho em lugar nenhum, quis mudar-se para São Paulo. Dona Terezinha, a professora de Lula, apenas insinuou que adotaria o menino para que ele pudesse continuar os estudos em Santos. Dona Lindu não topou.

No filme - Ao ver um linchamento de um diretor da fábrica, Lula diz ao irmão sindicalista: "Ele também é um trabalhador".

O fato - Durante uma greve, um diretor da fábrica atirou em um operário. Os grevistas, revoltados, o jogaram da janela e o espancaram com selvageria. Lula, que viu a cena,  apenas comentou: "Eu achava que o pessoal estava fazendo justiça".

No filme - Lula, ao tomar conhecimento da existência de corrupção no Sindicato dos Metalúrgicos, fica indignado e cobre, veementemente, o afastamento do presidente da entidade.

O fato - Não há nenhuma referência disso na biografia de Lula. A cena provavelmente foi inventada por Fábio Barreto, para valorizar o protagonista.

QUEM PAGOU PELO FILME?

Vamos, agora, ao lado prático da coisa. Quem pagou por tudo isso? Segundo a revista VEJA, o filme foi patrocinado e apoiado por um grupo de empresas, a maioria delas com negócios com o governo, que doou 10,8 milhões de reais. Veja a relação abaixo.

AmBev – Em 2005, o BNDES destinou 319 milhões de reais para a empresa de bebidas.

Camargo Corrêa – A construtora participa das obras do Programa de Aceleração do Crescimento, o PAC, tendo recebido, em 2008, 102,7 milhões de reais.

CPFL Energia – O controle da distribuidora de energia está dividido entre a Camargo Corrêa, o BNDES e fundos de pensão de estatais.

EBX – Os empréstimos feitos pelo BNDES às empresas de Eike Batista ultrapassam 3 bilhões de reais só neste ano.

GDF Suez – A empresa faz parte do consórcio responsável pelas obras da hidrelétrica de Jirau e recebeu do BNDES empréstimo de 7,2 bilhões de reais.

Grendene – O BNDES aprovou, em 2008, financiamento de 314 milhões de reais para a aquisição total do controle acionário da Calçados Azaléia pela Vulcabrás dos mesmos controladores da Grendene.

Hyundai – Em 2007, o governo federal deu uma mãozinha para a implantação da fábrica da montadora em Goiás.

Neoenergia – O Banco do Brasil e a Previ (fundo de pensão dos funcionários do BB) detêm, juntos, 61% da companhia. Em 2008, o BNDES aprovou crédito superior a 600 milhões de reais para a construção de usinas pelo grupo.

OAS – Foi uma das financiadoras da campanha de reeleição de Lula. Participa das obras do PAC, tendo recebido, em 2007, 107 milhões de reais.

Odebrecht – Venceu em 2007, em parceria com a estatal Furnas, a licitação para a construção da usina de Santo Antônio, no Rio Madeira. O valor do investimento foi definido em 9,5 bilhões de reais, com 75% do total financiado pelo BNDES.

Oi – O BNDES aprovou, na semana passada, financiamento de 4,4 bilhões de reais, o maior valor já concedido para uma empresa de telecomunicações. Desde a aquisição da Brasil Telecom (BrT), bancos públicos já aprovaram empréstimos de mais de 11 bilhões de reais ao grupo Oi. O BNDES e a Previ têm participação no bloco de controle da companhia de telefonia.

Volkswagen – Tem contrato com o governo para o programa Caminho da Escola para a renovação da frota de ônibus escolares. Em agosto, entregou o primeiro lote de 1 100 veículos, pelo qual recebeu 223 milhões de reais.
__________________
As informações contidas neste post foram retiradas da reivsta VEJA – edição n.º 2.140 – de 25/11/2009 – páginas 76/83).

domingo, 1 de novembro de 2009

Passando a limpo

Cá estamos nós, novamente, passando a limpo um pouco das notícias que têm sido divulgadas nos últimos dias.

LINCHAMENTO MORAL

Foi o que aconteceu com aquela moça no ABC paulista, em uma universidade. Ela, aluna do primeiro ano de turismo, foi assistir às aulas usando minissaia e com um generoso decote. No entanto, não se sabe por quê, seus colegas da escola, demonstrando um preconceito inadmissível em pleno século XXI, a hostilizaram e a humilharam de forma grotesca. Uma atitude dessas, partindo de jovens, realmente é preocupante.

CULPA DE QUEM ESTÁ MORTO

Quem está morto não pode se defender. O laudo final da Aeronáutica sobre o acidente com o Airbus A-320 da TAM, que varou a pista do Aeroporto de Congonhas em 2007, matando 199 pessoas, afirma que a caixa-preta mostra que os pilotos erraram na operação dos manetes, alavancas que controlam as turbinas, causando o acidente. A falha foi, portanto, dos pilotos. A Polícia Federal, que efetuou uma investigação paralela, também concluiu que o acidente não teria ocorrido se não tivessem os manetes sido operados de forma incorreta.

FLAGRADA NO ANTIDOPING

Num teste antidoping a que se submeteu a ginasta Daiane dos Santos, de 26 anos, em julho deste ano, foi detectada o uso de furosemida, um diurético proibido por auxiliar na perda de peso, além de ter o poder de mascarar a utilização de outras substâncias não aceitas. Daiane tem até o dia 13 de novembro para apresentar suas justificativas. Se for condenada, poderá ficar fora do esporte por até dois anos, o que praticamente encerraria sua carreira.

A mídia, futriqueira e cruel, fez a festa com esse caso de Daiane. Mas o Pinheiros, clube de Daiane dos Santos, distribuiu um comunicado na tarde de sexta-feira, alegando que a ginasta estava inelegível para a realização de exames antidoping desde 23 de outubro de 2008, data em que a atleta foi excluída da seleção brasileira permanente de ginástica. Segundo o clube, cabia à Confederação Brasileira de Ginástica (CBG) notificar a FIG que Daiane se encontra em recuperação clínica, o que evitaria a abertura de um procedimento investigatório. O advogado da ginasta, Cristian do Carmo Rios, também afirmou acreditar que ela tenha sido selecionada irregularmente para o teste.

FHC SOLTA O VERBO

Conforme o portal FOLHA ON LINE, em um artigo que foi publicado hoje em vários jornais do país, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso diz que o Brasil caminha para o autoritarismo no governo de Luís Inácio Lula da Silva. O texto de FHC, segundo a FOLHA ON LINE, conteria as mais duras críticas feitas por ele desde que passou a faixa presidencial a Lula.

FHC abre o artigo com uma pergunta: "Para onde vamos?". Nos sete parágrafos que se seguem ele responde: país caminha para o autoritarismo. O antecessor de Lula enxerga "por trás do que podem parecer gestos isolados e nem tão graves assim, o DNA do autoritarismo popular".

Um autoritarismo que, segundo ele, "vai minando o espírito da democracia constitucional", que "supõe regras, informação, participação, representação e deliberação consciente". "Na contramão disso tudo", FHC escreveu, "vamos regressando a formas políticas do tempo do autoritarismo militar".

FHC ainda diz que "tudo o que cerca" Lula "possui um DNA" que "pode levar o país [...] a moldar-se a um estilo de política e a uma forma de relacionamento entre Estado, economia e sociedade, que pouco têm a ver com nossos ideais democráticos".

A FOLHA ON LINE informa que a assessoria de imprensa do Palácio do Planalto, contataca, não se posicionou sobre o artigo de FHC.

Eu, particularmente, acho que estamos muito longe de nos tornarmos uma Venezuela, mas temos de ficar atentos. A sociedade civil, bem como a imprensa, a OAB e o Congresso Nacional têm de ficar atentos. Ventos autoritários vêm soprando de alguns de nossos vizinhos latino-americanos.

POR HOJE É SÓ

Por hoje é só. Não vou falar sobre o possível acordo envolvendo os “golpistas” de Honduras e o “democrata” Manuel Zelaya, porque quero esperar as coisas aconteceram. Nesta semana as coisas podem se definir. Vamos aguardar.

Sobre Pereira Barreto, basta ver as notícias da cidade nas páginas do jornal local, o DIÁRIO, de meu amigo Anedino, para vermos que não há nada a comentar.

Boa semana a todos.

.