quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

PT, “quem te viu, qem te vê”

Eu me lembro que, quando era oposição, até 2002, o PT (Partido dos Trabalhadores) dizia defender intransigentemente a ética na política. Apesar de ser liberal, eu admirava e respeitava os petistas pela sua postura, pela defesa que diziam fazer do respeitco à coisa pública. Mesmo não me alinhando com a visão ideológica de esquerda, em 2002, votei PT de cabo a rabo.

Em poucos meses de governo petista, descobri que o PT é igual, ou até pior, que os demias partidos que existem por no Brasil. O PT tinha um discurso quando era oposição, mas adotou outro depois que chegou ao poder. Hoje, percebo que o PT não é apenas um partido político com um projeto de governo, e sim uma organização político-ideológica com projeto de poder. Tanto é assim, que, para ganhar as eleições e se manter no governo, aliou-se ao que há de pior na política brasileira. Junto com os petistas hoje, governando o Brasil, estão políticos cujos nomes, que não preciso mencionar, já deveriam estar na lata de lixo da História.

Com relação às inúmeras denúncias de corrupção contra o governo do PT e de seus aliados, que, inclusive, já resultaram na queda de vários ministros, os petistas falam em “ditadura midiática”, dizendo que a “grande mídia” quer desestabilizar o governo. O principal órgão de imprensa que é alvo de acusações dos petistas e de seus aliados é o jornal FOLHA DE S. PAULO. Quando eram oposição, os petistas viviam com um exemplar da FOLHA debaixo do braço, mostrando as denúncias que o jornal fazia contra os governantes de plantão na época. Hoje, a FOLHA, para eles, faz parte da “imprensa golpista”. Ué! Será que a FOLHA mudou e virou um jornal “golpista” e mentiroso de 01/01/2003 para cá? Eu acho que não. Eu acho que a FOLHA continua a mesma, mas o PT e seus aliados…

Para finalizar, transcrevo abaixo um artigo da jornalista Eliane Cantanhêde, publicado na edição da FOLHA DE S. PAULO do dia 07/02/2012, muito interessante.

Quem te viu, quem te vê

BRASÍLIA - Na Bahia, o governador Jaques Wagner (PT) partiu para o confronto com policiais em greve, chamou o Exército e bateu o pé mesmo diante dos cadáveres que se amontoam por falta de segurança.

Em Brasília, o governo federal comemora alegremente o sucesso dos leilões de privatização dos aeroportos da própria capital, de Guarulhos e de Campinas, com resultado de R$ 24,5 bilhões, bem acima das expectativas.

Indaga-se: por que o PT condenou tão acidamente a repressão do governo do PFL-DEM a um movimento semelhante na Bahia em 2001? E por que não só criticou ferrenhamente as privatizações do governo FHC como as usou contra os adversários nas campanhas de 2002, 2006 e 2010?

Ou as greves dos policiais na era DEM eram legítimas e na era PT passaram a ser ilegítimas, ou o PT tem um discurso na oposição e uma prática na situação. Ou... o PT mudou.

Ou as privatizações eram ruins e agora são boas para o país, ou o PT de Lula e agora de Dilma aderiu ao vale-tudo eleitoral e mentiu, ironizou e foi sarcástico contra uma política que não apenas aprovava como agora aplica, feliz da vida.

Durante três campanhas seguidas, o partido recorreu ao mesmo discurso, atribuindo aos adversários tucanos a intenção até de privatizar o BB, a CEF, a Petrobras e a mãe de todos os eleitores. Era o PT antiprivatização versus o PSDB privatizante, o PT patriótico versus o PSDB impatriótico.

E agora, qual o discurso? Dilma e Lula deveriam pedir desculpas: ou mentiram aos eleitores ou estavam errados e agora reconhecem que greve de policiais era e é inadmissível e que a política de privatizações do governo adversário era e é correta. Suspeita-se que não vão fazer nem uma coisa nem outra. Vão deixar pra lá, como se nada tivesse acontecido.

Moral da história: greve no governo dos outros é bom, mas no nosso não pode; privatização no governo dos outros é impatriótica, mas no nosso é um sucesso do patriotismo.

Eliana Castanhêde - elianec@uol.com.br
FOLHA DE S. PAULO edição de 07/02/2012.

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