terça-feira, 21 de abril de 2009

Lembra-se de Tiradentes?

O que você sabe sobre a data de hoje, dia 21 de abril? Trata-se de uma homenagem ao alferes Joaquim José da Silva Xavier, o Tiradentes, que, em 21 de abril de 1792, foi enforcado no Rio de Janeiro, por ter assumido a liderança do movimento que ficou conhecido como Inconfidência Mineira, ou Conjuração Mineira, 

No final do século XVIII, a Coroa Portuguesa intensificou seu controle fiscal sobre o Brasil. Foram proibidas, então, as atividades fabris e artesanais no Brasil, ou seja, era proibido fabricar praticamente de tudo no Brasil. Tinha de vir tudo de Portugal. Mas os produtos vindos da Metrópole, como se falama naquela época, tinham de pagar taxas altíssimas. O governador da então capitania de Minas Gerais era então Luís da Cunha Meneses. Naquele tempo, as jazidas de ouro de Minas já estavam começando a se esgotar. Mesmo assim, a Coroa Portuguesa determinou que se cobrasse a “Derrama”, que era uma taxação compulsória em que a população deveria completar a cota imposta por lei de 100 arrobas de ouro (1.500kg) anuais, quando isso já não era possível por causa do esgotamento das minas. Tudo isso atingiu a classe mais abastada das Minas Gerais, que era composta por proprietários rurais, intelectuais, clérigos e militares, que, descontentes, começaram a se reunir para conspirar contra a Coroa Portuguesa. Faziam parte desse esquema de conspiração, entre outros, os poetas Cláudio Manuel da Costa e Tomás Antônio Gonzaga, os coronéis Domingos de Abreu Vieira e Francisco Antônio de Oliveira Lopes, os padres José da Silva e Oliveira Rolim e Carlos Corrêa de Toledo, o cônego Luís Vieira da Silva, o sargento-mor Luís Vaz de Toledo Pisa, o minerador Inácio José de Alvarenga Peixoto e o alferes Joaquim José da Silva Xavier, apelidado de "Tiradentes", que era o menos abastado de todos.

A conspiração, a traição de Joaquim Silvério dos Reis, a punição aos revoltosos, o enforcamento de Tiradentes são fatos conhecidos. No entanto, há que se fazer alguns esclarecimentos, detalhes pouco conhecidos de toda essa história. 

Os inconfidentes pretendiam, na verdade, eliminar a dominação portuguesa sobre Minas Gerais e estabelecer ali um país livre. Ou seja, não havia a intenção de libertar todo o Brasil. Segundo a maioria dos historiadores, naquele época não havia uma identidade nacional formada. Por isso, ao contrário do que muita gente pensa, o movimento restringia-se a Minas Gerais, e não ao Brasil todo. 

Outro mito que tem que ser desfeito é sobre a abolição da escravidão. A maioria dos inconfidentes eram proprietários de escravos. Por isso, não havia a intenção de libertar os escravos. O que provavelmente poderia haver era a intenção de libertar somente os escravos nascidos no Brasil. 

O corpo de Tiradentes foi esquartejado, e sua cabeça foi levada para Vila Rica e, lé, pendurada em um poste. Mas na primeira noite em que a cabeça de Tiradentes foi exposta, ela foi furtada, desapareceu. Até os dias de hoje, ninguém sabe de seu paradeiro. 

Diferentemente do que aparece nas gravuras dos livros de história, Tiradentes jamais teve barba e cabelos grandes. Ele era alferes, um cargo militar. O máximo permitido pelo exército português na época seria um discreto bigode. Durante o tempo que passou na prisão, Tiradentes, assim como todos os presos, tinha periodicamente os cabelos e a barba aparados, para evitar a proliferação de piolhos, e, durante a execução ele estava careca e com a barba feita, pois o cabelo e a barba poderiam interferir na ação da corda.

De início, Tiradentes negou sua participação no movimento. Posteriormente, assumiu toda a responsabilidade e inocenta seus companheiros. Presos, todos os inconfidentes aguardaram a decisão por três anos. Ao final do processo, Alguns foram condenados à morte e outros, ao degredo. Algumas horas depois do anúncio da sentença, por carta de clemência de D. Maria I, todas as decisões foram alteradas para degredo, à exceção de Tiradentes, que permaneceu com a pena capital, 

A execução de Tiradentes foi um espetáculo dantesco. Na manhã do dia 21 de abril de 1792, um sábado, Tiradentes percorreu em procissão as ruas do centro do Rio de Janeiro, no trajeto entre a cadeia pública e onde havia sido armado o patíbulo onde seria enforcado. Do cortejo participou toda a tropa local do exército. Esse show macabro, promovido pelo governo geral da época, foi uma demonstração de força da Coroa Portuguesa, A leitura da sentença demorou dezoito horas. Depois disso, ainda houve discursos de aclamação à rainha D. Maria. Enfim, o enforcamento, o “gran finale”.

Mesmo após a Independência do Brasil, por serem D. Pedro I e D. Pedro II, neto e bisneto, respectivamente, de D. Maria I, que prolatara sua sentença de morte, Tiradentes permaneceu como uma figura histórica bastante obscura. Foram os ideólogos da República, mais precisamente do positivismo, que ressuscitaram a figura de Tiradentes. Ele foi transformado na personificação da identidade republicana brasileira, o mártir da Independência. Foi aí que surgiu a figura mítica de Tiradentes, retratado como um homem de cabelos longos, barba, vestindo um camisolão, à semelhança de Jesus Cristo, uma imagem que nada tem a ver com o Tiradentes real, como já vimos acima.

Se os planos dos inconfidentes tivessem dado certo, a então capitania de Minas Gerais teria se transformado em uma república, independente de Portugal e do resto do Brasil, cuja capital seria a cidade de São João Del-Rei. O primeiro presidente seria Tomás Antônio Gozaga, que governaria por três anos, após o que haveria eleições. Nessa república não haveria exército – em vez disso, toda a população deveria usar armas, e formar uma milícia quando necessária. 

E nós, paulistas, cariocas, baianos, pernambucanos e outros continuaríamos sob o jugo da Coroa Portuguesa. Será que daria certo? 

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