domingo, 28 de setembro de 2008

PEREIRA BARRETO - HISTÓRIA DA TELEVISÃO LOCAL

Antes da televisão

No início da noite daquela segunda-feira, 18 de setembro de 1950, os freqüentadores do “Bar do Tata”, que bebiam sua cervejinha e jogavam conversa fora, discutiam animadamente as fofocas da cidade, ou sobre a forte rivalidade dos times de futebol de Pereira Barreto na época, ou, talvez, sobre a derrota do Brasil na Copa do Mundo para o Uruguai, ou, também, sobre as eleições que se aproximavam, com a possibilidade de Getúlio Vargas voltar ao poder, não imaginavam que, naquele exato momento, bem distante dali, na capital do Estado, um novo veículo de comunicação estava nascendo no País, um veículo, aliás, que dali a quinze anos iria mudar a rotina de Pereira Barreto. Naquela noite, inaugurava-se na capital do Estado, a primeira emissora de TV da América do Sul, a PRF3 TV Tupi de São Paulo. Com certeza, pelo menos a maioria daquelas pessoas que bebiam e conversavam no “Bar do Tata” não fazia a menor idéia do que fosse TELEVISÃO.

A vida em Pereira Barreto, antes da chegada da televisão, era bem diferente de hoje. Durante o dia, a rotina era de trabalho. À noite, as pessoas costumavam se reunir para conversar, falar sobre os assuntos do dia-a-dia. Naquele tempo, as notícias do resto do Brasil e do mundo vinham pelo rádio e pelos jornais, que chegavam geralmente depois das 17h na cidade, isso quando chegavam no mesmo dia.

A vida noturna da cidade era, de certa forma, até mais agitada do que hoje. Como não havia televisão, não havia novelas a acompanhar, a não ser as de rádio, as pessoas saíam mais de casa para se divertirem. Naquele tempo não havia também problemas de violência nem tanta criminalidade. Por isso, as pessoas não se preocupavam em sair mais às ruas à noite e nos finais de semana.

Havia o tradicional footing na Praça da Bandeira. o saudoso Cine Itapura, com sessões quase que diárias. As sorveterias e as lanchonetes geralmente ficavam cheias. Aos sábados à noite, além dos filmes do Cine Itapura, das quermesses, dos circos e dos parques de diversão, que eram muito mais freqüentes naquela época, também havia os baile de gala no CAP. Um dos pontos de encontro preferidos da juventude pereira-barretense na década de 60 era o famoso “Tropical Bar”, onde é hoje a galeria New Center. Assim era a vida em Pereira Barreto antes da chegada da televisão.

As primeiras imagens

As primeiras imagens de TV começaram a chegar a Pereira Barreto, de forma irregular e precária, em 1965, quinze anos depois de inaugurada a primeira emissora de TV no Brasil. E era justamente a imagem dessa emissora pioneira que começava a chegar a Pereira Barreto. A implantação de uma retransmissora da TV Tupi de São Paulo na cidade de Araçatuba permitiu que alguns pereira-barretenses mais abonados trouxessem para cá os primeiros aparelhos receptores de TV. Para captar a imagem da TV Tupi, havia necessidade de instalar uma antena externa bem alta Na verdade, quanto mais alta a antena, melhor seria a qualidade da imagem. Depois de conectada a antena ao televisor, bastava ligar o receptor e sintonizá-lo no canal 9 (VHF). Lá estava, vinda diretamente de São Paulo (Capital), acompanhada de alguns "chuviscos" ainda, a imagem da TV Tupi de São Paulo.

Aliás, naqueles primeiros tempos da TV em Pereira Barreto, ainda não havia técnicos especializados nem antenistas. A solução era chamar os amigos e parentes para ajudarem a instalar a tão esperada antena de TV. Era sempre uma festa. Era motivo até para um animado churrasco para os esforçados colaboradores.

Naquele tempo não havia rede de microondas nem satélites, como hoje. Evidentemente, a qualidade da imagem não era das melhores. O sinal vinha de São Paulo via links, ou seja, o sinal passava de uma cidade para a outra até chegar a Pereira Barreto. Como não havia TVs regionais, como existem atualmente (TV Tem, TV I, etc.), a programação era a original, produzida em São Paulo, incluindo os comerciais da praça paulistana.

Isso permitiu a vários pereira-barretenses assistirem pela primeira vez, em 1966, pela TV, a uma Copa do Mundo de Futebol, que foi realizada na Inglaterra naquele ano. Os jogos internacionais, naquela época, ainda não eram transmitidos ao vivo. As partidas eram gravadas em videotapes, que eram trazidos para o Brasil de avião e exibidos cerca de dois dias depois do jogo.

Acostumados às transmissões de futebol pelo rádio, os pereira-barretenses de então estranhavam o estilo dos narradores de TV, que não descreviam as jogadas como os narradores de radiofônicos. Outro fato curioso, esse para os telespectadores de hoje, é que na década de 60 ainda não havia o recurso do replay. Quando os videotapes dos jogos do Brasil eram exibidos e havia um gol ou uma jogada polêmica, a exibição era interrompida, voltava-se a fita em alguns segundos e exibia-se novamente o gol ou a jogada.

Ainda em 1966, além da TV Tupi, começou também a chegar o sinal da TV Excelsior de São Paulo, mas com qualidade de imagem bem inferior à da TV Tupi. No entanto, em 1967 o sinal da TV Excelsior foi substituído pelo da TV Record, a emissora de TV mais badalada da época. Por causa disso, muitos pereira-barretenses puderam ver programas como “Família Trapo”, “Praça da Alegria”, “Hebe”, além, é claro, dos famosos festivais de MPB da Record.

Em 1969, os pereira-barretenses que já tinham seu receptor de TV puderam assistir a momentos históricos, como a chegada do homem à Lua, em julho, a participação de Pereira Barreto no programa “Cidade contra Cidade”, no dia 08 de agosto de 1969, apresentado por Sílvio Santos na TV Tupi de São Paulo, fato que vamos abordar oportunamente, com mais detalhes. Naquele ano, também, muitos pereira-barretenses puderam ver, na noite de 19 de novembro de 1969, ao milésimo gol de Pelé. Narrado por Walter Abrão, em transmissão ao vivo pela TV Tupi de São Paulo..

Canal 8 - a primeira retransmissora local

Na noite do dia 11 de julho de 1969, menos de um mês antes da participação de Pereira Barreto no programa “Cidade contra a Cidade”, de Sílvio Santos, entrou em operação a primeira repetidora de TV de Pereira Barreto, que retransmitia o sinal da TV Tupi de São Paulo, no canal 8, em VHF. O curioso dessa repetidora de TV é que ela foi instalada inicialmente no alto da caixad’água do Serviço de Abastecimento de Água da Cidade. Posteriormente foi transferida para um local nas proximidades da Santa Casa local.

Rede Globo em Pereira Barreto;

Por volta de 1972, a TV Globo já podia ser sintonizada em Pereira Barreto por imagens captadas de repetidoras de cidades vizinhas. Mas a repetidora local da emissora entrou em funcionamento em julho de 1973. A Rede Globo chegava aqui por meio de sua única afiliada na região naquela época, a TV Bauru, e era retransmitida no canal 10, em VHF. E, ao contrário do que dizem absurdamente algumas lendas que já circularam na cidade recentemente, o programa "Fantástico", naquele tempo, era visto pelos pereira-barretenses aos domingos mesmo, ao vivo, como é até hoje, e não dois dias depois, como alguns desinformados andaram dizendo por aí. Naquele tempo a Rede Globo já transmitia em rede nacional.

No final dos anos 70, a própria Rede Globo começou a instalar retransmissoras prórias na região. Quando entrou em operação, em 1980, a retransmissora da Rede Globo em Andradina, no canal 9, em VHF, a retransmissora local da Globo, que pertencia a um link paralelo, acabou sendo desativada. Por muitos anos, os pereira-barretenses assistiram à programação da Rede Globo de Televisão por meio de repetidora da cidade de Andradina. Só em 2004 é que a cidade voltou a contar com uma retransmissora local da TV Tem, de São José do Rio Preto, afiliada da Rede Globo, que pode ser sintonizada no canal 7, em VHF.

Os primeiros TV em cores

A TV em cores começou a funcionar oficialmente no Brasil em 31 de março de 1972. Mas os primeiros receptores só começaram a chegar aqui em 1973. A primeira loja a vender um receptor de TV em cores em Pereira Barreto, da marca "Colorado", foi a extinta Loja Eletro-Rádio, que pertencia ao grupo Calil, com sede na cidade de Birugüi (SP). No entanto a TV em cores só foi se popularizar em Pereira Barreto no início da década de 80.

O fim da TV Tupi

A TV Tupi de São Paulo não foi só a primeira emissora de TV da América do Sul. Ela foi , também, a primeira emissora de TV a chegar ao interior do Estado de São Paulo. Suas imagens chegaram mais longe ainda. A Tupi cobria o sul de Minas Gerais, o norte do Paraná e várias cidades do Mato Grosso do Sul.

Em razão de problemas de gestão, a situação financeira da TV Tupi, já em meados da década de 70 era bastante difícil. A situação só piorou e, em 17 de julho de 1980, a concessão da emissora foi cassada pelo então presidente da República, o último da ditadura militar, general Joáo Figueiredo. Mas, bem antes disso, o sinal da TV Tupi em Pereira Barreto, que era sintonizada no canal 8, em VHF, já havia sido cortado. Os pereira-barretenses não viram o triste fim da TV Tupi, no dia 18 de julho de 1980. A Rede Globo, já naquela época, era a campeã de audiência, não só em Pereira Barreto, mas em todo o Brasil.

Retransmissão via satélite;

Em meados da década de 80, um forte temporal pôs abaixo a retransmissora TV de Pereira Barreto, deixando a cidade sem o sinal das TVs Cultura e Record. Uma nova retransmissora então foi instalada, em local mais adequado, usando, a partir de então, a retransmissão de imagens recebidas diretamente do recém-lançado satélite Brasilsat I, em vez da retransmissão por link terrestre, como era antes. Passamos a receber então, em 1986, os sinais da TV Bandeirantes e da extinta TV Manchete, diretamente de suas geradores, via satélite. Posteriormente, a TV Manchete foi substituída pelo SBT. Por essa razão, uma nova retransmissora da TV Manchete foi implantada posteriormente.

Antenas parabólicas e as TVs por assinatura

No início da década de 90, as antenas parabólicas começaram a se tornar bastante populares em nossa cidade. Alguns telespectadores locais, descontentes com as limitações da retransmissora local, que oferecia apenas 5 canais, decidiram instalar em suas residências antenas parabólicas, que lhes permitiam captar, do satélite, diretamente das geradoras, com boa qualidade de recepção, vários canais de TV que não podiam ser sintonizados nas bandas de VHF e UHF locais, tais como MTV Brasil, CNT, Record (já em sua nova fase pós Igreja Universal), Rede Globo e muitas outras.

Outro avanço tecnológico, bem popular em nossa cidade, no final da década de 80, era o videocassete, que, além de reproduzir filmes e programas gravados em VHS, oferecia o recurso de os telespectadores poderem gravar seus programas preferidos na TV. Posteriormente, o videocassete foi superado pelo DVD, uma mídia que oferece qualidades de gravação e de imagem muito melhores.

Em meados da década de 90 também começaram a surgir as TVs por assinatura, via satélite (TV A, Directv, Sky, etc.).

Inicialmente, apareceu a TV A, do Grupo Abril, que oferecia um sinal digital de algumas emissoras a cabo, mas ele utilizava, para recepção do sinal, a antenas parabólicas convencionais. Posteriormente, ela foi substituída pela Directv, do mesmo grupo Abril, só que a recepção era por meio de antenas menores, pois utilizava satélites diferentes e as transmissões em banda KU. Além desssas, também surgiram a SKY, ligada às Organizações Globo, e a Tecsat, pertencente à tradicional fabricante de antenas parabólicas.

A TV por assinatura da Tecsat deixou de existir há já alguns anos. A Directv foi incorporada pela SKY, A operadora de telefonia TELEFONICA também entrou na briga das TVs por assinatura via satélite e criou a TELEFONICA TV DIGITAL. Outro que entrou na disputa do mercado foi o empresário e líder religioso R.R. Soares, que criou recentemente a NOSSA TV. Já no início do ano que vem, deve entrar em operação também a TV por assinatura via satélite da EMBRATEL.

À espera da TV digital

No dia 02 de dezembro de 2007, foi implantada oficialmente na capital paulista a TV digital, que possibilita a transmissão de programas de TV com imagens em alta definição. Paulatinamente, a TV digital está chegando a outras localidade do País, mas só deverá chegar ao interior paulista a partir do ano que vem. Em razão disso, não se sabe exatamente quando a TV digital vai chegar a Pereira Barreto. No entanto, como ela ainda não despertou muito o interesse do telespectador brasileiro em geral, principalmente pelo fato de, não só os receptores de TV digital, mas também os tais conversores, estarem ainda com um preço inviável para a popularização do sistema. Mas isso é natural. A TV digital deve, em breve, começar a substituir a velha TV analógica. Se tudo der certo, em 2016, as transmissões de TV no sistema analógico serão desativadas.

terça-feira, 26 de agosto de 2008

Pereira Barreto - história da Comunicação - A TELEFONIA

O início


Não há registro de quando foram instalados os primeiros telefones em Pereira Barreto. Isso deve ter ocorrido no final da década de 40 ou início da década de 50. O sistema era manual. Mesmo as ligações locais tinham de ser feitas por telefonista.

Naquele tempo, obviamente não existiam ainda redes de micro-ondas nem satélites. Cada cidade ou região tinha sua empresa própria de telefonia. As conexões entre uma localidade e outra eram feitas via cabos de fios de cobre. Era comum ver às margens de rodovias postes pelos quais passavam os cabos telefônicos que ligavam uma cidade a outra. Foi esse sistema rudimentar que funcionou em nossa cidade até o início da década de 70 do século passado.

Como a cidade era bem menor, não havia muitos assinantes, pois ter telefone naqueles tempos idos era um luxo acessível a poucas pessoas. Só mesmo os moradores mais abastados, escritórios, repartições públicas a alguns estabelecimentos comerciais é que tinham o privilégio de ter uma linha telefônica.

Para se fazer uma ligação, bastava tirar o telefone do gancho. A telefonista (geralmente era mulher) atendia. Bastava dizer a ela o número do telefone desejado e esperar que o interlocutor atendesse do outro lado da linha. Como a cidade era pequena e quase todo o mundo se conhecia, era comum somente dizer o nome da pessoa ou o local (empresa, repartição, etc.) para onde pretendia ligar, que a telefonista se encarregava de completar a ligação.

Uma ligação interurbana, no entanto, exigia do usuário um pouco mais de paciência e boa garganta. Paciência porque, como, naquele tempo, cada cidade ou região tinha sua própria empresa telefônica e as conexões eram feitas por enormes malhas de cabos de fios de cobre entre uma cidade e outra, tinha que haver toda uma negociação entre uma empresa e outra, por meio das telefonistas, para que uma ligação se completasse, o que podia demorar horas. Boa garganta, porque, como o sistema era precário, o usuário tinha que berrar ao telefone para poder ser ouvido do outro lado da linha.

O telefone automático

Em 1972, com a criação da TELEBRRAS e a estatização do sistema de telecomunicações no Brasil, promovido pela ditadura militar, as coisas começaram a mudar um pouco. Nesse mesmo ano, chegou a Pereira Barreto, por intermédio da então recém-criada COTESP (depois, TELESP), o tão sonhado telefone automático, uma sofisticação que já existia nas cidades médias e grandes. Com isso, muita gente se cadastrou e adquiriu uma linha telefônica, os números foram todos alterados, passando de três para quatro algarismos, e os velhos telefones pretos, pesados, foram substituídos por modernos aparelhos com disco, mais leves e, em sua maioria, com cores claras (branco, cinza, azul-claro, etc.).

As ligações locais, a partir de então, não necessitavam mais do auxílio das prestativas telefonistas. Bastava o usuário tirar o telefone do gancho, aguardar por alguns segundos o sinal de discar, discar o número desejado e, pronto, a ligação era completada. No entanto, para se fazer uma chamada interurbana, o usuário tinha que discar 101 e pedir a ligação. Depois disso, haja paciência e força na garganta. Uma ligação podia levar horas para ser completada. E, depois de completada, o usuário tinha que ter garganta resistente para poder ser ouvido pelo seu interlocutor do outro lado da linha.

O advento do DDD

Em meados da década de 70 do século passado, por volta de 1976 ou 1977, Pereira Barreto passou a integrar o sistema de Discagem Direta à Distância (DDD), que já era operado por meio de conexões por torres de micro-ondas. Com isso já era possível fazer uma ligação interurbana sem a necessidade de auxílio da telefonista. No entanto, como no início nem toda cidade estava integrada ao sistema, para essas cidades a ligação tinha de ser efetuada por meio de telefonista.

Esse sistema de Discagem Direta à Distância trouxe, não só a facilidade para efetuar a ligação, mas também melhor qualidade no serviço. O usuário não precisava mais gritar ao telefone. Muita gente, no início, se espantava, quando era atendida por alguém de uma localidade distante, com a qualidade da ligação. Muitos diziam, admirados: “Parece que estou falando com alguém aqui da cidade mesmo”.

O telefone celular

Em 1995, Pereira Barreto entra na era da telefonia celular. A Telesp Celular, antiga subsidiária da Telesp, que era responsável pela telefonia celular no Estado de São Paulo, implantou aqui, naquele ano, o serviço de telefonia móvel, ainda no sistema analógico. Com a privatização dos serviços de telefonia, em 1998, Pereira Barreto passou a ser atendido pela VIVO, um holding de várias empresas de telefonia celular de vários estados.

Como o sistema analógico de telefonia celular era precário e limitado, a população da cidade começou a reivindicar à VIVO a implantação do sistema digital. Mas a empresa relutou muito em fazer tal investimento em Pereira Barreto. Só com a chegada em Pereira Barreto, em 2003, da TESS (atual CLARO), que já começou disponibilizando seus serviços na cidade totalmente digitalizados, é que a VIVO, sentindo-se ameaçada, decidiu, às pressas, digitalizar os seus serviços na nossa cidade. Em meados de 2005, instalou-se também na cidade a empresa de telefonia móvel TIM, pertencente à Telecom Itália, também com seus serviços totalmente digitalizados. A previsão é de que, até o final de 2009, se instale aqui também a OI, antiga Telemar.

Nova era – privatização;

Até 1998, ter um telefone fixo em casa ou na empresa não era nada fácil. Não havia disponibilidade de linhas. Quem tivesse pressa em adquirir uma linha telefônica tinha que comprar de terceiros, por um valor igual a de um veículo popular zero quilômetro. Quem não quisesse pagar um preço tão alto, tinha de aguardar os chamados “planos de expansão” que as estatais de telefonia ofereciam de vez em quando. O interessado se cadastrava, pagava pela linha e, só depois de dois ou três anos, se tivesse sorte, tinha a sua linha instalada em casa.

Com o fim da TELEBRÁS e a privatização dos serviços telefônicos no País, essa realidade começou a mudar a partir de 1998. Hoje, como linha telefônica não é mais bem, mas apenas um serviço oferecido pelas operadoras, ter telefone em casa é bem mais fácil e rápido. Na verdade, a privatização do sistema, não só de telefonia fixa, mas também do serviço móvel, acarretou a democratização da telefonia no Brasil. Hoje em dia, a maioria das pessoas pode ter uma linha telefônica, seja móvel ou fixa.

O que, vinte ou trinta anos atrás era um luxo, que só os mais abonados tinham, hoje é um serviço acessível à maioria da população. E Pereira Barreto não ficou fora disso.

Por mais críticas que um romântico “esquerdista” possa fazer às privatizações promovidas pelo governo de Fernando Henrique Cardoso, no final da década de 90, ninguém pode negar que a privatização dos serviços telefônicos promoveu o acesso de parcela significativa da população a esse serviço hoje essencial.

Telefone via Internet

A evolução cada vez mais rápida da tecnologia vem provocando mudanças inimagináveis alguns anos atrás. A chamada convergência tecnológica está dando seus primeiros passos. Apesar de ainda não estar funcionando de forma totalmente satisfatória, pois a qualidade das ligações ainda deixam um pouco a desejar, muita gente já começa, principalmente por razões econômicas, a fazer uso do tal do voIP, isto é, do telefone pela Internet. Em Pereira Barreto, algumas empresas já fazem uso do sistema. O sistema ainda está dando seus primeiros passos, mas quem aderiu já começa a sentir no bolso a vantagem dessa nova tecnologia.

quarta-feira, 13 de agosto de 2008

Pereira Barreto - história dos meios de comunicação

Vamos fazer uma viagem no tempo?
Viver em Pereira Barreto nos anos 30, 40, 50 e até 60 não seria nada fácil para nenhum de nós, que estamos acostumados a estar permanentemente em contato com a civilização, com os grandes centros, por meio de telefone celular, Internet, TV via satélite e toda tecnologia que nos liga ao resto do mundo. Naqueles tempos difíceis, telefone era privilégio de poucos e, mesmo assim, seu funcionamento era muito precário. Para conseguir uma ligação interurbana era um transtorno. Depois de conseguir a ligação, a pessoa tinha de falar com seu interlocutor que estava do outro lado da linha aos berros para poder ser ouvida. O rádio só veio a se popularizar por aqui na década de 50. Antes, só os muito privilegiados tinham um receptor. A TV só veio aparecer aqui em 1965, e, mesmo assim, de forma muito precária e irregular. A Internet, bem mais recente, começou a ser usada aqui praticamente na mesma época em que ela surgia no resto do País, em 1995, por meio de conexões via ligações interurbanas com provedores de São Paulo (Capital), São José do Rio Preto e Araçatuba. No entanto, o primeiro provedor local só começou a operar em julho de 1998.

Nos próximos dias, vamos fazer uma viagem no tempo e resgatar um pouco da história da comunicações em Pereira Barreto. Vamos ver como funcionavam os telefones, quando foi inaugurada a primeira emissora de rádio da cidade, como foi a chegada da televisão em nossa cidade e, também, da Internet.

Vamos ter um capítulo especial sobre a participação de Pereira Barreto no programa Cidade x Cidade, de Sílvio Santos, na TV Tupi de São Paulo, em 08 de agosto de 1969.

Aguarde e visite sempre este nosso blog.

segunda-feira, 11 de agosto de 2008

Pereira Barreto - curiosidades históricas

  • Pereira Barreto chegou a ser o maior município do Estado de São Paulo, pois chegou a incorporar em seu território os atuais municípios de Itapura, Aparcida D’Oeste, Marinópolis, Suzanápolis, Sud Menucci e Ilha Solteira.
  • Em 1983, em uma festa, tive oportunidade de ter contato com o Sr. Arlindo Custódio Leite, que foi prefeito nomeado de Pereira Barreto durante a ditadura do Estado Novo, no início da década de 40 do século passado. Arlindo Curtódio Leite era muito ligado ao ditador Getúlio Vargas e ao interventor (governador nomeado) de São Paulo na época. Ele disse que Pereira Barreto foi transformada em sede de comarca em 1945 sem atender a nenhum (eu disse NENHUM) dos requisitos técnicos exigidos na época para obter tal benefício. Eram outros tempos e, com certeza, naqueles anos idos eram outras as lideranças políticas locais.
  • A propósito, com a recente alteração na classificação das comarcas no Estado de São Paulo, Pereira Barreto, que era comarca de SEGUNDA ENTRÂNCIA, passou a ser uma comarca de ENTRÂNCIA INICIAL. Ou seja, fomos REBAIXADOS. Como eu disse acima, em 1945, eram outras as lideranças políticas de Pereira Barreto, bem diferentes das de hoje, se é que me entendem...
  • O primeiro jornal local de Pereira Barreto foi da década de 40 e chamava-se A CIDADE. Era de propriedade do então prefeito nomeado pala ditadura do Estado Novo, Arlindo Custódio Leite. Com certeza, ele não fazia críticas ao prefeito.
  • A primeira emissora de rádio de nossa cidade foi implantada e entrou no ar em 1955. Seu fundador, ou um de seus fundadores, pelo que sei, foi o saudoso Dr. Benevides Lopes Siqueira. Na inauguração teve show no Cine Itapura (lembram dele?). Era a Rádio Pereira Barreto, ZYR87, que operava em ondas médias,na freqüência de 730 khz. Oportunamente, vamos falar mais sobre sua história.
  • As primeiras imagens de TV começaram a chegar a Pereira Barreto no final de 1965. O precário sinal da TV Tupi de São Paulo era captado aqui por altas antenas externas da retransmissora da TV localizada na cidade de Araçatuba (em VHF, no canal 9). Pela primeira vez, os pereira-barretenses puderam assistir pela TV a uma Copa do Mundo de futebol, que foi a de 1966, na Inglaterra, ainda em videotape e em preto-e-branco (naquele tempo ainda não havia transmissões internacionais ao vivo e nem TV em cores). Só no dia 11 de julho de 1969 é que entrava no ar a primeira estação retransmissora de TV local em Pereira Barreto, que retransmitia o sinal da TV Tupi de São Paulo, em VHF, no canal 8. A torre de retransmissão foi instalada inicialmente na caixa d´água do Serviço de Abastecimento de Água da cidade.
  • No dia 08 de agosto de 1969, quase um mês após inaugurar sua primeira retransmissora de TV, Pereira Barreto participou do program CIDADE X CIDADE, que era levado ao ar às sexta-feiras à noite, pela TV Tupi de São Paulo, apresentado por Sílvio Santos. A disputa foi com a cidade de Itapeva, que venceu a competição. Oportunamente, vamos falar mais detalhadamente sobre essa participação de Pereira Barreto em um programa de TV, que foi transmitido para todo o interior de São Paulo, sul de Minas Gerais, norte do Paraná e sul do Mato Grosso (hoje, Mato Grosso do Sul), onde, naquela época chegava o sinal da TV Tupi de São Paulo.

sábado, 9 de agosto de 2008

Por que Pereira Barreto?

Neste dia 11 de agosto de 2008, Pereira Barreto comemora 80 anos de fundação.

Pereira Barreto foi fundada oficialmente, com o nome de Novo Oriente, em 11 de agosto de 1928, quando a Sociedade Colonizadora do Brasil Ltda.. adquiriu parte das terras do povoado de Itapura, a fim de receber imigrantes japoneses que para cá vieram trabalhar na lavoura.

Em 1938, foi elevado à categoria de município, pelo Decreto Estadual n.o 9.775, de 30 de novembro de 1938, aí sim com o nome de Pereira Barreto, em homenagem ao médico e político Luís Pereira Barreto.

Mas por que a homenagem a Luís Pereira Barreto? Por acaso ele morou aqui? Ele fez alguma coisa por nossa cidade?

Na verdade, apesar do que muita gente pensa, o Dr. Luís Pereira Barreto não tem nenhum vinculo histórico com nossa cidade. Ele nunca sequer esteve nesta região, mesmo porque ele faleceu em 1923, e Pereira Barreto foi fundada em 1928. Foi uma dessas homenagens políticas, uma espécie de bajulação muito comum na época. O Decreto Estadual que transformou o distrito de Novo Oriente (hoje, Pereira Barreto) em município também transformou vários outros distritos dos Estado de São Paulo em municípios. Portanto, a decisão sobre os nomes que esses então novos municípios deveriam ter partiu da cúpula do governo estadual da época. Não podemos nos esquecer de que estávamos em plena ditadura do Estado Novo, e o governador de São Paulo era um interventor, nomeado por Getúlio Vargas.

Nascido em Resende, no Estado do Rio de Janeiro, em 11/01/1840, Luís Pereira Barreto era filho de Fabiano Pereira Barreto e de.Francisca Salles Pereira Barreto. Ele era médico, formado pela Faculdade de Medicina da Universidade de Bruxelas, na Bélgica, doutorado em Ciências Naturais, medicina cirúrgica e partos. Em sua época, foi considerado um dos melhores médicos e cirurgiões do Brasil. Ele foi fundador e presidente da Sociedade de Medicina e Cirurgia de São Paulo.

Além da medicina, dedicou-se também aos estudos filosóficos e, particularmente, à filosofia positivista, e envolveu-se também em política, elegendo-se senador da República pelo Estado de São Paulo (não temos a informação de quando ele foi senador). Foi, ainda, presidente da Assembléia Constituinte de São Paulo e deputado à Assembléia Constituinte Republicana.

Luiz Pereira Barreto foi colaborador do jornal "A Província de São Paulo" ("O Estado de São Paulo" de hoje) durante 36 anos. Seus artigos tinham como objetivo divulgar suas experiências e idéias.

Ele teve diversas obras publicadas, entre as principais: "Teoria das Gastralgias e das Nevroses em Geral"; "As Três Filosofias"; "Filosofia Metafísica"; "Positivismo e Teologia"; "Soluções Positivas da Política Brasileira"; "La viticulture à Saint Paul"; "A Vinha e a Civilização"; "O Século XX sob o ponto de vista Brasileiro" e "Il Processo Longaretti e la difesa del Dr. L. P. Barreto".

Luiz Pereira Barreto faleceu em São Paulo, no dia 11 de janeiro de 1923, portanto cinco anos antes da fundação de Pereira Barreto.