Após invadirem um laboratório de pesquisas em macacos, um grupo de ativistas encontra chimpanzés presos em gaiolas diante de telas que exibem continuamente cenas de extrema violência. Ignorando os avisos de um cientista que trabalha no local de que os macacos estariam infectados, os ativistas decidem libertá-los. Assim que são soltos, os macacos atacam a todos que estão à sua volta. Esse é o início de uma enorme epidemia que, me menos de um mês, se espalha por toda Inglaterra. Essas são as cenas inicias de EXTERMÍNIO, de 2003, filme britânico, dirigido por Danny Boily e estrelado por Cillian Murphy, Naomie Harris e Christopher Eccleston.
A sandice que os ativistas do filme cometeram, ignorando os avisos do cientista de plantão, foi exatamente a mesma que um bando de gente ignorante em assuntos científicos e ingênuas fez ao invadir, na madrugada da última sexta-feira, dia 18 de outubro, a sede do laboratório do Instituto Royal, em São Roque (SP), que realiza pesquisas nos setores farmacêutico e veterinário. Os manifestantes, entre eles integrantes do Black Bloc, acusam a empresa de maus-tratos em cães da raça beagle, que são utilizados em pesquisas desse tipo. Após convocarem mais pessoas para irem até a empresa, localizada a 60 quilômetros da capital paulista, os ativistas derrubaram um portão e entraram no complexo do laboratório para, segundo eles, "resgatar" os cães. Cerca de 300 deles teriam sido levados pelos ativistas.
Os protestos contra o Instituto Royal começaram ainda no ano passado. Ativistas que dizem defender os direitos dos animais alegam que o Instituto Royal pratica irregularidades e atos criminosos contra os animais usados em experiências. Eem sua luta, os manifestantes já pediram até apoio ao prefeito de São Roque, Daniel de Oliveira Costa (PMDB), e exigiram, também, uma atuação do Ministério Público no caso.
O Instituto Royal, por sua vez, defende suas pesquisas em seu site e diz que respeita todas as normas nacionais e internacionais no trato com os cães em laboratório. A empresa é uma Oscip (Organização da Sociedade Civil de Interesse Público) e tem entre suas fontes de financiamento dinheiro público, graças ao apoio de agências de fomento à pesquisa científica. Os defensores dos animais afirmam que a empresa não possui licenças e alvarás para as atividades que realiza.
A intenção dos ativistas é nobre. Esse tipo de movimento contra uso de animais em experimentos científicos existe no mundo todo. Há que se ter controle sobre isso. Há questões éticas em jogo que têm que ser levadas em conta. Por isso, a exemplo do que ocorre na maioria dos países, o Brasil tem uma legislação específica sobre o assunto que exige que os institutos e laboratórios de pesquisa tenham que submeter os projetos desse tipo de pesquisa a um conselho de ética, que avaliará a necessidade do uso de animais, bem como alternativas à sua utilização e formas de minimizar o sofrimento dos bichos.
No entanto, o que essas pessoas fizeram, ao invadir o Instituto Royal foi mais que um crime: foi uma insanidade. Os cães da raça beagle que lá estavam e que foram “resgatados” pelo ativistas não são bichinhos de companha, como o cãozinho que a gente tem em casa, mas sim animais de laboratório, Nasceram ali para para serem utilizados em experimentos científicos. Fora dos laboratórios onde viviam, esses bichos correm o risco de serem infectados pelo ambiente externo, que é inóspito para eles, pois provavelmente não possuem as mesmas defesas imunológicas dos animais domésticos. Além disso, corre-se o risco de algum desses animais ter sido, a título de experiência científica, inoculado por algum tipo de vírus ou bactéria que poderia ser transmitido a outros animais ou até pessoas, causando até uma epidemia, como no caso dos macacos do filme EXTERMÍNIO.
Todo o mundo que fica doente ou que tem um filho ou um parente doente em casa quer, obviamente, que haja medicamentos disponíveis para o tratamento de seu ente querido, não é mesmo? Pois é! Não há outra forma de fazer com que medicamentos cheguem com segurança ao mercado sem o uso de testes usando animais. Os primeiros testes são feitos, geralmente, com roedores, animais pequenos. Posteriormente, são feitos testes em animais como cachorros ou macacos. Finalmente, são realizados testes com seres humanos. Não há outra forma de se colocar remédios à disposição dos consumidores nas farmácias e drogarias. Não há programas de simulação de testes para isso. Somente o experimento em seres vivos pode garantir se o medicamento em teste é seguro ou não para uso em seres humanos ou animais. Tanto é assim que nenhum país do mundo proíbe testes com animais. O que tem que haver é o controle, a adoção de critérios éticos.

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