Na última quarta-feira, dia 31 de março, o Jornal da Globo veiculou uma matéria interessante, segundo a qual modelos de carros vendidos no Brasil podem ser encontrados no México e na Argentina por preços bem mais baixos que no Brasil. Um modelo, por exemplo, que no Brasil custa R$ 32 mil, é vendido na Argentina pelo equivalente a R$ 22 mil e sai ainda mais barato no México: R$ 18 mil. Se não bastasse isso, muitos carros fabricados aqui mesmo, no Brasil, custam menos lá fora. O mesmo Hatch 1.6, por exemplo, é vendido por R$ 29.500 no Brasil, R$ 24 mil na Argentina e R$ 17 mil no México. O modelo utilitário 2.0 sai por R$ 59 mil no Brasil, por R$ 35 mil na Argentina e R$ 33 mil no México. Por que isso acontece?
Segundo a reportagem do Jornal da Globo, isso se deve, em parte, aos impostos. Na Argentina, a carga tributaria em um automóvel varia de 15% a 20%. No México, 20%. Já no Brasil, fica entre 27% e 40%.
Segundo Letícia do Amaral, diretora do Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário – IBPT, "A carga tributária geral do Brasil é uma das maiores do mundo, ela está ali entre as cinco maiores cargas mundiais".
Mas, par o consultor do marcado automotivo, Marcelo Cioffi, esse não é a única explicação para essa difeenciação nos preços de veículos no Brasil. Mesmo o carro custando bem mais no Brasil, as montadores têm batido recordes de produção e vendas. Isso, segundo Marcelo, ocorre porque as montadoras aproveitam o bom desempenho da economia brasileira para aumentar a margem de seus lucros. "O que influencia o preço é quantos consumidores estão dispostos a comprar. Se você mantém o mesmo preço em outro país que não tem um custo de vida, um poder de compra equivalente ao Brasil, você acaba não vendendo", afirma Marcelo. E ele acrescenta: “Um dos principais fatores que impactam a demanda são o preço do automóvel, renda do consumidor, confiança do consumidor na economia, taxa de financiamento e prazo de financiamento. Porque o que realmente importa é a parcela no final do mês, se a parcela cabe no bolso do consumidor, esse consumidor que deseja ter um automóvel, ele vai continuar comprando".
Segundo informa a matéria do Jornal da Globo, de cada dez carros vendidos no Brasil, pelo menos seis são financiados. A facilidade na compra é decisiva para levar o carro para casa.
Portanto, temos, de um lado, um Estado desonesto, que rouba o cidadão e as empresas, com impostos usuários, mal empregados, cuja maior parte se perde no buraco sem fundo da corrução e do empreguismo; e, de outro lado, um povo consumista e inconsequente, que quer sentir o sabor de dirigir um carro novo, mesmo que tenha que ficar praticamente a vida toda pagando prestações intermináveis.
Este é o Brasil.

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