domingo, 19 de dezembro de 2010

Meu Natal de ontem e meu Natal de hoje

Hoje, Natal, para mim, é uma data meio “deprê”. Mas houve um tempo em que eu, ainda criança, acreditava em Natal. Eu já ficava ansioso só de saber que o mês de dezembro estava se aproximando. Minha imaginação infantil não tinha limites. Eu incomodava minha mãe, para ela armar a árvore de Natal. Minha avó materna vinha passar uns dias com a gente nos finais de ano e havia toda aquele clima de reunião familiar. Tudo para mim era festa. Um mundo de ilusão e de fantasias se formava em minha volta. O que será que o Papai Noel iria me trazer de presente? Quando eu acordava, na manhã de 25 de dezembro, lá estava um presentinho sobre meus sapatos, que eu, cuidadosamente, na noite anterior, colocara na janela para facilitar o trabalho do bom velhinho. Eu vivia em outros tempos, quando não havia Internet nem globalização. Uma gaitinha, que eu não sabia tocar, ou um daqueles revólveres de espoleta ou de rolha já me deixavam bem feliz. Todo aquele clima de Natal, de Missa do Galo, à qual eu nunca fui, de “noite feliz”, do nascimento do Menino Jesus, de reunião de parentes e amigos me fascinava. Como era bonito meu Natal Eram outros tempos. Era um outro mundo.

Hoje, já sei que o nascimento de Cristo, que ninguém, na verdade, sabe quando aconteceu, foi apenas um pretexto para desarraigar uma festa pagã de Roma dos primeiros séculos de nossa era, na primeira grande jogada de marketing religioso da História. Hoje também sei que o Papai Noel nunca esteve em minha casa para deixar meus presentinhos. Aliás, ele nunca entregou presentinhos para ninguém, Agora, sei que os presentinhos que sempre estavam sobre os meus sapatos na janela, nas manhãs do dia 25 de dezembro, vinham do parco orçamento de meu velho e querido pai. Na verdade, aquele velhinho de roupas vermelhas e jeitão simpático veio ao mundo mesmo para ajudar a vender Coca-Cola e acabou pegando carona no Natal.

Esse contraste entre o mundo ideal e o mundo real às vezes nos assusta, nos deprime. Aí, desejamos, a todo custo, voltar para o mundo ideal, aquele de nossa infância, no qual tudo é possível. Mas como voltar atrás, se minha avó já não vem mais nos visitar nos finais de ano. Meus pais também já não estão mais aqui para colocarem meu presente sobre meus sapatinhos enquanto eu durmo e dizerem que foi Papai Noel que o trouxe; nem os fartos almoços de família no Natal existem mais, pois a maioria dos comensais já não está mais aqui. Eles se foram. E eu fiquei aqui, sozinho, ouvindo, ainda, ao longe, as músicas natalinas de Luís Bordon anunciando mais alguma promoção de Natal.

Feliz Natal e um excelente 2011, com muita saúde e paz.

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