segunda-feira, 2 de junho de 2014

Os sectários e suas “verdades”.

Você conhece um sectário?

Mas o que é um sectário? Em rigor, sectário é um seguidor de uma seita. No entanto, a palavra, hoje, adquiriu um sentido mais amplo, mais abrangente. Sectário pode ser definido, nos tempos de hoje, como aquele indivíduo que tem um apego exacerbado por um determinado ponto de vista, com uma visão, muitas vezes, estreita da realidade, quase sempre apresentando uma postura intransigente, intolerante, repelindo de forma abrupta tudo aquilo que contrarie seus conceitos, seus dogmas, seu entendimento de mundo. Acham-se “iluminados”, intelectualmente superiores à grande maioria das pessoas, mas, na verdade, não passam, muitas vezes, de idiotas úteis, que, por causa de seu fanatismo, já perderam o senso crítico.

Há sectários de todos os tipos. Mas, os dois mais conhecidos são os sectários político-ideológicos e os sectários religiosos.

Vamos analisar inicialmente os sectários político-ideológicos, que podem ser divididos em sectários de direita e de esquerda.

Os sectários de direita são mais raros, mas, quando aparecem, não são menos fanáticos e apaixonados que seus congêneres de esquerda. Geralmente são moralistas ao extremo, apegados à tradição, à família. São autoritários, intolerantes, intransigentes e preconceituosos. Felizmente, com as mudanças dos costumes, os sectários de direita são uma espécie quase em extinção, mas há muitos exemplares deles ainda espalhados por aí lutando em favor da moral e dos bons costumes.

Já os sectários de esquerda são aqueles que se dizem socialistas e sonham com um ittópico mundo igualitário. Mesmo depois de passados mais de 24 anos do fim da União Soviética, da quea do Muro de Berlim, do encerramento da “Guerra Fria” e da derrocada de todos os regimes socialistas da Europa Oriental, eles continuam falando como se ainda estivessem na década de 60, imputando aos Estados Unidos e ao capitalismo “selvagem” a culpa por todas as mazelas do mundo. O sectário de esquerda geralmente vê o mundo de forma maniqueísta. Para ele, baseado no que escreveram Karl Marx e Friedrich Engels, há 166 anos, num contexto socioeconômico totalmente diferente do atual, o mundo se divide em proletários, isto é, a classe trabalhadora, e a burguesia. Muitos deles não bebem Coca-Cola, por sem um produto-símbolo do que eles chamam de “imperialismo yankee”, mas, incoerentemente, usam telefone fixo e celular (todos invenções dos imperialistas), luz elétrica (invenção dos imperialistas), computadores (invenção dos imperialistas) e Internet (invenção dos imperialistas justamente para ser uma arma de guerra durante a “Guerra Fria”). A grande maioria deles é doutrinada, isto é, condicionada a pensar dessa forma, principalmente em universidades, sindicatos ou em grupos ou organizações chamadas de “movimentos sociais”. Eles se dizem “de esquerda”, “progressistas”, e consideram todo aquele que pensa diferente deles “de direita”, “conservador”, “reacionário” “fascista”, muito embora a grande maioria deles nem saiba o que realmente significam essas palavras.

Tão fanático quanto o sectário político-ideológico de direita e de esquerda é o sectário religioso. Esse é aquele que, quando adere a uma religião ou seita, acha que descobriu finalmente a “verdade” e, por isso, acha-se no direito de “salvar a humanidade”, de conquistar neófitos para que também sejam “salvos”.

Todo sectário, seja político-ideológico ou religioso, acha-se um privilegiado intelectualmente e enxerga todo aquele que não comunga de suas ideias como ignorantes, alienados, pecadores, ímpios, infiéis, etc. Na verdade, ele mesmo não passa de um idiota útil, um manipulado, alguém que intelectualmente come pela mão dos seus “mestres”, seus doutrinadores, sem se aperceber disso.

Quando deparo com um desses sectários, “donos da verdade”, me lembro dos versos de Fernando Pessoa, quando ele diz em um trecho de seu poema Lisbon Revisited, “Não me venham com conclusões!/A única conclusão é morrer”. Mais adiante, ele é mais direto: “Se têm a verdade, guardem-na!

O sectarismo, em graus mais suaves, só incomoda. Mas em graus mais elevados, como a História demonstra, pode perseguir, torturar e matar milhões de pessoas.

No evangelho de João, 18: 38, num improvável diálogo entre Jesus (que falava aramaico) e Pilatos (que falava latim), o então prefeito da Judeia pergunta ao jovem réu galileu: Quid est veritas? (O que é a verdade?). Jesus não respondeu. Ou ele não sabia a resposta ou sabia que seria impossível tentar explicar a Pilatus o que é a verdade.

Poer isso, se você tem a “verdade”, por favor, guarde-a.

2 comentários:

  1. Cara parabens otima postagem,adorei cada linha e compartilho dessas ideias em quase 100% quem dera mais pessoas no mundo tivese essa mente aberta como a sua acabou de ganhar um fã, detalhe um fã ateu ainda kkkk
    abraços e sucesso,

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  2. Cara parabens otima postagem,adorei cada linha e compartilho dessas ideias em quase 100% quem dera mais pessoas no mundo tivese essa mente aberta como a sua acabou de ganhar um fã, detalhe um fã ateu ainda kkkk
    abraços e sucesso,

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