quarta-feira, 30 de abril de 2014

Cuidado com a guerra de informações que vem por aí

Na medida do possível, tenho tentado acompanhar o que acontece na v ida política do Brasil e do mundo. Não é fácil, hoje em dia, absorver tanta informação que a gente recebe diariamente, p0ela TV, pelos jornais, revistas e, principalmente, pela Internet. Na, dentro do possível, a gente vai se informando e acompanhando os fatos e tentando fazer um juízo de valor sobre eles.

Estamos em ano de eleições para deputados estaduais e federais, senadores, governadores e presidente da República. O ambiente político está em ebulição. Quem se limita a acompanhar os acontecimentos somente pela TV, como faz a maioria das pessoas, não percebe muito o clima tenso em que o País está entrando. Mas quem acompanha os fatos pela Internet, principalmente, pelas chamadas redes sociais, percebe que está havendo uma grande radicalização político-ideológica nos debares políticos, que há muito não se via no Brasil.

Aos poucos, radicais de esquerda e de direita começam a expor suas ideias na rede. A medida que as eleições se aproximam, os debates nas redes sociais e, principalmente, a radicalização desses debates, têm se tornando mais intensos. A impressão que se tem é que teremos ao longo deste ano uma intensa guerra de informações, desinformações, contrainformações, muitos boatos, a grande maioria, obviamente, falsos. O sectarismo e o radicalismo, num clima desse, é perigoso. Não se iluda o amigo leitor: os dois lados são “golpistas”. A briga não é só pelo poder, mas também pela hegemonia cultural. Todo o mundo quer impor suas “verdades absolutas”.

Portanto, há que se tomar muito cuidado com o que se lê o que se houve na mídia e, principalmente, nas redes sociais durante esse período pré-eleitoral e eleitoral. O importante é estar atento, saber filtrar as informações. Embora a maioria dos segmentos radicais de esquerda e de direita tentem desqualificar as informações da mídia tradicional, ela, apesar de todos os pesares, de todas as suas conhecidas mazelas, de seus interesses, etc., ainda é a fonte de informação mais segura e confiável, porque, como instituição legalmente constituída, ela tem um certo compromisso com a informação e, obviamente, precisam tentar manter sua credibilidade. Mesmo assim, nunca confie somente em uma fonte mesma fonte. Ao tomar conhecimento de uma informação por meio de um determinado canal de mídia (TV, jornais, portais, etc.), procure ver se a mesma informação está disponível em outro canal. Se não estiver, desconfie.

domingo, 27 de abril de 2014

Voltando a postar aqui

Depois de um longo e rigoroso inverno, com dirieto a muita neve e noite polar, eis-me aqui novamente, postando em meu espaço preferido.

Fazia tempo que não postava nada neste meu blog. Pretendo, doravante, postar artigos, matérias e minhas opiniões sobre os mais diversos assuntos.

Acho que aqui me sinto muito mais à vontade para expor minhas ideias do que, por exemplo, no Facebook ou no Twitter. Aqui é meu espaço, minha casa virtual na Internet.

Claro que, para divulgar meus textos aqui, vou postar os links de meus artigos no Facebook e no Twitter.

E agora, me deem um pouco de tempo para eu decidir sobre o que escrever. Até mais!

sábado, 9 de novembro de 2013

A ERA DO REBELDE CHAPA-BRANCDA

Gostei do texto que o cantor, compositor, músico e escritor Lobão publicou em seu artigo de estreia na revista VEJA, que está indo às bancas neste final de semana. Ele vem transcrito logo abaixo. Vale a pena ler.

Lobão

A ERA DO REBELDE CHAPA-BRANCA

Vivemos um momento histórico de uma vulgaridade, obscurantismo e insipidez sem precedentes que, por várias razões entrelaçadas, propicia a eclosão de um personagem patético, insólito, abundante e que ficará marcado como a expressão máxima deste triste período: o rebelde chapa-branca.

Sim! É ele o protagonista em todas as rodinhas, redes sociais, botequins, universidades e passeatas. Revela-se por duas características inseparáveis: é revoltado contra o sistema e, ao mesmo tempo, chancelado por ele.

Vamos a alguns exemplos. O MST é subvencionado pelo governo, tem o respaldo do governo e, no entanto, não para de reclamar, invadir e destruir terras produtivas. No rap, há um sem-número de rebeldes chapa-branca, mas seu ícone são os Racionais. Fazem campanha para o governo, sobem nos palanques, têm o beneplácito da mídia oficial bancada pelo governo e, mesmo assim, são revoltadíssimos contra o sistema! No seu último videoclipe, Mariguella, eles aparecem prontos para assaltar a Rádio Nacional, numa reconstituição de época, exibindo inúmeros trabucos de grosso calibre e conclamando à luta armada, incorporando aquela mímica marrenta, um tanto canastrona que lhes é peculiar.

O detalhe é que eles estão no poder. Eles são o poder. Eles são a situação.

No aniversário da morte de nosso Che Guevara tupiniquim, a Comissão da Verdade comemorou a data com solenidade e deferência. Mariguella pode ter arrancado a perna de uns, matado outros e lutado para implementar uma ditadura sanguinolenta no Brasil, mas os rebeldes chapa-branca chancelam a festa, impõem a farsa com mão de ferro e ai de quem piar.

Na semana passada, o tal Procure Saber implodiu com a defecção do rei, deixando desnorteados Caetano Veloso, Gilberto Gil e Chico Buarque – rebeldes chapa-branca de longa data. O Gil acabou no comando do Ministério da Cultura, onde foi aninhado sua cria, o Fora do Eixo, que tem como ponta de lança Pablo Capilé, um rapaz que afirma ser contra o direito autoral, contra o autor, contra o livro e é pupilo de Zé Dirceu. Tira dos artistas para entregar de mão beijada aos magnatas das redes sociais como o Google, o YouTube e o Facebook. Isso porque não estamos ainda perguntando para onde foi toda a grana que ele recebeu através das leis de incentivo à cultura. É um típicvo rebelde chapa-branca. Mas o Caetano acha “moderno” esse retrocesso estúpido e desonesto. O Chico, lá da França, assina carta de apoio ao Genoíno. São os nossos coronéis chapa-branca solando de cavaquinho.

Temos de ressaltar também a performance fulminante da presidente do Procure Saber, esta sim uma rottweiler de incontestável pedigree, Paula Lavigne. Descontrolada, vem cometendo lambança atrás de lambança, incluindo um ataque covarde à colunista da Folha de S. Paulo Mônica Bergamo. E o que dizer de sua performance no Saia Justa com a Bárbara Gancia? Há um mês, ela invadiu o meu Twitter, acompanhada por uma centena de integranbtes da seita black bloc, me chamando de nazista, ex-músico, ex-Lobão, amante da ditadura, decadente (tem gente me chamando de decadente há uns trinta anos). Depois de algumas trocas de gentilezas, fui obrigado a bloqueá-la.

Uma das características dos rebeldes chapa-branca é o uso da técnica do espantalho: criam uma figura caricatural, colocam frases fora do contexto (quando não inventadas) em sua boca e tentam fazer acreditar que essa figura patética é você! Um vodu de psicopata.

Uma jornalista chapa-branca de uma revista bancada pelo governo declarou, nu momento de búdica inspiração, que é a favor de fuzilamento para determinados casos (quais seriam?). É o tipo de comportamento visto com simpatia e condescendênci8a pelo rebelde chapa-branca, pois a visão assimétrica do mundo, com um peso para duas medidas, é outra marca registrada dele.

Estou inaugurando com muito orgulho e entusiasmo minha coluna em VEJA. Não é fortuito o nosso encontro, assim como não é por acaso que se percebe a sociedade civil começando a se organizar para repensar a nossa condição atual. Tentarei tratar dessa miséria que nos assola como se tivesse praticando um novo esporte: épater la gauche. Essa turma está imprimindo o ridículo em sua própria história. E desse vexame não escapará.

LOBÃO, músico, cantor, compositor e escritor
Revista VEJA, edição n.º 2347 – 13/11/2013.

domingo, 20 de outubro de 2013

A intenção foi nobre, mas o ato, insano

Após invadirem um laboratório de pesquisas em macacos, um grupo de ativistas encontra chimpanzés presos em gaiolas diante de telas que exibem continuamente cenas de extrema violência. Ignorando os avisos de um cientista que trabalha no local de que os macacos estariam infectados, os ativistas decidem libertá-los. Assim que são soltos, os macacos atacam a todos que estão à sua volta. Esse é o início de uma enorme epidemia que, me menos de um mês, se espalha por toda Inglaterra. Essas são as cenas inicias de EXTERMÍNIO, de 2003, filme britânico, dirigido por Danny Boily e estrelado por Cillian Murphy, Naomie Harris e Christopher Eccleston.

A sandice que os ativistas do filme cometeram, ignorando os avisos do cientista de plantão, foi exatamente a mesma que um bando de gente ignorante em assuntos científicos e ingênuas fez ao invadir, na madrugada da última sexta-feira, dia 18 de outubro, a sede do laboratório do Instituto Royal, em São Roque (SP), que realiza pesquisas nos setores farmacêutico e veterinário. Os manifestantes, entre eles integrantes do Black Bloc, acusam a empresa de maus-tratos em cães da raça beagle, que são utilizados em pesquisas desse tipo. Após convocarem mais pessoas para irem até a empresa, localizada a 60 quilômetros da capital paulista, os ativistas derrubaram um portão e entraram no complexo do laboratório para, segundo eles, "resgatar" os cães. Cerca de 300 deles teriam sido levados pelos ativistas.

Os protestos contra o Instituto Royal começaram ainda no ano passado. Ativistas que dizem defender os direitos dos animais alegam que o Instituto Royal pratica irregularidades e atos criminosos contra os animais usados em experiências. Eem sua luta, os manifestantes já pediram até apoio ao prefeito de São Roque, Daniel de Oliveira Costa (PMDB), e exigiram, também, uma atuação do Ministério Público no caso.

O Instituto Royal, por sua vez, defende suas pesquisas em seu site e diz que respeita todas as normas nacionais e internacionais no trato com os cães em laboratório. A empresa é uma Oscip (Organização da Sociedade Civil de Interesse Público) e tem entre suas fontes de financiamento dinheiro público, graças ao apoio de agências de fomento à pesquisa científica. Os defensores dos animais afirmam que a empresa não possui licenças e alvarás para as atividades que realiza.

A intenção dos ativistas é nobre. Esse tipo de movimento contra uso de animais em experimentos científicos existe no mundo todo. Há que se ter controle sobre isso. Há questões éticas em jogo que têm que ser levadas em conta. Por isso, a exemplo do que ocorre na maioria dos países, o Brasil tem uma legislação específica sobre o assunto que exige que os institutos e laboratórios de pesquisa tenham que submeter os projetos desse tipo de pesquisa a um conselho de ética, que avaliará a necessidade do uso de animais, bem como alternativas à sua utilização e formas de minimizar o sofrimento dos bichos.

No entanto, o que essas pessoas fizeram, ao invadir o Instituto Royal foi mais que um crime: foi uma insanidade. Os cães da raça beagle que lá estavam e que foram “resgatados” pelo ativistas não são bichinhos de companha, como o cãozinho que a gente tem em casa, mas sim animais de laboratório, Nasceram ali para para serem utilizados em experimentos científicos. Fora dos laboratórios onde viviam, esses bichos correm o risco de serem infectados pelo ambiente externo, que é inóspito para eles, pois provavelmente não possuem as mesmas defesas imunológicas dos animais domésticos. Além disso, corre-se o risco de algum desses animais ter sido, a título de experiência científica, inoculado por algum tipo de vírus ou bactéria que poderia ser transmitido a outros animais ou até pessoas, causando até uma epidemia, como no caso dos macacos do filme EXTERMÍNIO.

Todo o mundo que fica doente ou que tem um filho ou um parente doente em casa quer, obviamente, que haja medicamentos disponíveis para o tratamento de seu ente querido, não é mesmo? Pois é! Não há outra forma de fazer com que medicamentos cheguem com segurança ao mercado sem o uso de testes usando animais. Os primeiros testes são feitos, geralmente, com roedores, animais pequenos. Posteriormente, são feitos testes em animais como cachorros ou macacos. Finalmente, são realizados testes com seres humanos. Não há outra forma de se colocar remédios à disposição dos consumidores nas farmácias e drogarias. Não há programas de simulação de testes para isso. Somente o experimento em seres vivos pode garantir se o medicamento em teste é seguro ou não para uso em seres humanos ou animais. Tanto é assim que nenhum país do mundo proíbe testes com animais. O que tem que haver é o controle, a adoção de critérios éticos.

segunda-feira, 9 de setembro de 2013

ESSA MEDICINA MATA

Matéria publicada na revista VEJA de 11/09/20123

Berçário em Hospital de Havana

Do remédio feito com o veneno do escorpião-azul, que serve para todo tipo de câncer mas não cura nenhum, aos abortos em série, a saúde pública em Cuba é uma tragédia.

O escorpião-azul (em espanhol, alacrón) é um animal peçonhento só encontrado em Cuba. Desde 1995, cientistas da ilha estudam o seu veneno e garantem que é eficaz em vários tipos de câncer. A partir dele, fabricam e comercializam os remédios Escozul e Vidatox. Outra espécie endêmica na ilha é a medicina avessa às evidências. Submeter os estudos a uma publicação científica é considerado traição à pátria comunista, submissão ao imperialismo americano. Não há nenhuma comprovação de que o veneno funciona. No Pubmed, a maior base de dados científicos sobre saúde no mundo, não há um registro sequer sobre o tal remédio. Sua suporta eficácia é um dos muitos mitos sobre a medicina cubana criados e perpetuados pelos irmãos ditadores Fidel e Raul Castro para enganar governos incautos como o do Brasil, que pretende contratar 4000 médicos cubanos até o fim do ano (os primeiros 400 já chegaram há duas semanas).

A mentira – e não apenas na medicina – é a principal política de estado na ilha dos irmãos Castro. A atual epidemia de cólera, por exemplo, que as autoridades não conseguem mais esconder, é controlada com um remédio homeopático. “Dar cinco gotas via oral de uma droga homeopática sem eficácia comprovada em um país onde não há tratamento adequado de água e onde a falta de higiene é regra parece uma piada de mau gosto”, diz o médico cubano Eloy González, exilado nos Estados Unidos. Para se ter uma ideia de como Cuba está atrasada, a cólera foi erradicada no século XIX em vários países com o saneamento básico. Propagandear a obsoleta medicina cubana como avançada e pioneira é indispensável para a ditadura, que depende da exportação de mão de obra do setor de saúde para se sustentar. Os missionários de jaleco são atualmente a principal fonte de divisas do regime. Em dezesseis escolas de medicina, Cuba formou neste ano mais de 10000 doutores e outros 20000 profissionais de outras carreiras de saúde, como enfermagem e nutrição. Seria uma notícia boa em 1959, quando a Faculdade de Medicina de Havana era uma das dez melhores do mundo. Hoje o curso é uma vergonha e está em 68.º lugar no ranking de qualidade da América Latina. Com as missões no exterior, pouquíssimos médicos ficam na ilha, o que levou ao fechamento de 54 hospitais nos últimos três anos. “Antes era preciso levar lençóis, comida e seringas para o hospital para ser atendido. Daqui a pouco será preciso levar também o médico e a enfermeira”, diz por telefone um morador de Havana que preferiu não ser identificado. Não é incomum ser atendido por um jamaicano ou um estudante chinês, que falam o espanhol com dificuldade.

O regime cubano esconde a decadência de seu sistema de saúde por trás de um únido indicador: a baixa taxa de natalidade infantil. Trata-se, sem dúvida, do produto do esforço governamental – alcançado por meios antéticos, para não dizer criminosos. Cuba pune os médicos que dão atestado de óbito a bebês com menos de um ano de vida. “Testemunhei certa vez um patologista recusando-se a alterar a idade de dois bebês mortos, o que faria com que eles não entrassem na taxa de mortalidade infantil. Ele foi recriminado pelo diretor do hospital, que sofria forte pressão do Partido Comunista para manter a estatística em níveis baixos”, diz González. Ao menor sinal de anormalidade do feto, as mulheres são submetidas a um aborto. O grande número desse tipo de operação reflete-se na elevada taxa de mortalidade materna, que também é uma consequência da falta de condições nos partos. Até oito semanas de gestação, o aborto é feito numa simples consulta médica, sem anestesia, com aspirador. “O procedimento é traumático e feitos sem os devidos cuidados”, diz o clínico geral Pedro Riera.

Para evitarem as filas nos hospitais, é comum os pacientes darem uma caixinha ao médico. Vinte dólares é um bom agrado, mas um filme em DVD também é bem-vindo. Os doutores não ganham mais que 40 dólares por mês e muitos estão abandonando a profissão. Na falta de remédios, receitam placebos feitos por eles próprios, na esperança de que os pacientes melhores apenas pelo fator psicológico de acreditar que foram medicados. “Não há diagnósticos precisos nem medicamentos adequados, só dipirona, diz a advogada Lariza Diversent, de Havana. Ela levou seu filho de 14 anos ao hospital da cidade depois que ele cortou o pé depois de uma partida de futebol. Voltou para casa sem a sutura necessária. “Não havia material para dar pontos, e ele ficou meses com o corte aberto e sangrando”, diz Lariza.

Como tudo se reutiliza e as condições de esterilização estão longe das ideais, muitos pacientes pegam doenças de outros, como hepatite C, aids e sífilis. Em Cuba, câncer e aids ainda são tratados como tabu. A palavra câncer, aliás, não é utilizada. Na cartilha da medicina comunista, os tumores são chamados de “inflamação” ou “aumento” de certo órgão, para não assutar os pacientes. No passado, os soropositivos eram mentidos em prisões, isolados do resto da sociedade, O enclausuramento só foi abolido, por falta de recursos financeiros, nos anos 90, quando o país ficou sem ajuda da União Soviética Ainda hoje, algumas doenças psiquiátricas são atribuídas à falta de ideologia comunista. A medicina de Cuba é cheia de exemplos a não ser seguidos – muito menos importados.

Cuba

Matéria de NATHALIA WATKINS, com reportagem de TAMARA FISCH.

Revista VEJA – edição n.º 2338 – 11/09/2013, páginas 72 e 73.

sábado, 31 de agosto de 2013

Da caneta de bico de pena aos processos digitais

Quem militou no serviço público, no nosso caso, mais especificamente, no Poder Judiciário, no período compreendido entre as décadas de 1950 a 1980, utilizou, durante praticamente toda a sua vida funcional, as mesmas ferramentas básicas de trabalho: papel, lápis, caneta, carbono, máquina de escrever e carimbos, muitos carimbos. No decorrer desse período, ocorreram inúmeras mudanças no Brasil e no mundo, principalmente na política, na economia, na cultura, na tecnologia, na sociedade e nos costumes. No entanto, nesse mesmo intervalo de tempo, poucas coisas mudaram nos ambientes áridos dos cartórios e das repartições públicas. Quem começou sua vida funcional, em 1950, usando máquina de escrever, carbono e carimbos, com certeza, aposentou-se, na década de 80, usando, ainda, basicamente, máquina de escrever, carbono e carimbos.

Ainda nos anos de 1950 e 1960, não era somente a distância espacial que separava as pequenas cidades do interior dos grandes centros urbanos, mas também a distância temporal. Naquela época, os únicos meios de comunicação instantâneos eram as lacônicas mensagens telegráficas e a precariedade das conversações telefônicas interurbanas, cujas chamadas podiam levar horas para serem completadas. Dependia-se quase que exclusivamente dos serviços dos correios, que nem sempre eram rápidos e eficientes. Para que se tenha uma noção de como eram as coisas naquela idos tempos, um exemplar do Diário Oficial demorava de um a dois dias para chegar, isso quando não atrasavam ou simplesmente não chegavam. O quase isolamento das pequenas cidades em relação aos grandes centros fazia com que o Judiciário local se tornasse tão vagaroso quanto o próprio ritmo de vida dessas pequenas localidades.

A partir do início da década de 1990, o avanço tecnológico começou a andar bem mais rapidamente. Em empresas, no comércio, em escolas e até em outros segmentos do serviço público, canetas, papéis, carbonos, máquinas de escrever e calcular começaram a ser substituídos por computadores e impressoras. O Judiciário, no entanto, conservador e formal, resistiu enquanto pôde a mudanças tão radicais. Mas, ao começarem a utilizar computadores como uma espécie de máquina de escrever avançada, juízes, servidores e operadores do Direito de modo geral começaram a perceber que aquela moderna engenhoca tinha inúmeros recursos que facilitariam bastante a criação e edição de textos de sentenças, despachos, ofícios, requerimentos, etc. Esse foi o sinal verde para que as novas tecnologias da informação começassem a chegar aos fóruns e aos tribunais brasileiros.

O Judiciário brasileiro sempre foi uma instituição conhecida pelo excesso de formalidades burocráticas, fruto de códigos processuais detalhistas e anacrônicos. Na Justiça brasileira tudo sempre teve de ser certificado, atestado, carimbado, visado, autenticado, homologado, registrado, constado em ata, devidamente assinada e com firma reconhecida. O excesso de formalismos no Judiciário está tão entranhado, tão arraigado, que já me cansei de ver, por exemplo, a quase cômica situação de um juiz enviar ofícios para ele mesmo, porque a vara pela qual respondia acumulava, em uma mesma seção do respectivo cartório, a área criminal e da infância e da juventude. Num ambiente assim, não foi é nada fácil vencer a resistência à implantação de novas tecnologias e novos métodos de trabalho. Muita gente, ainda, se recusa a trocar os velhos fichários pelos bancos de dados virtuais, a máquina de escrever pelos processadores eletrônicos de textos, o velho aparelho de fac-símile pelo e-mail e scanner. O tal “medo do novo” e a “burocratomania” talvez sejam as causas de tanta resistência a mudanças.

Pouco a pouco, no entanto, o Poder Judiciário, tão formal e circunspecto, começa a se render aos novos tempos, às novas tecnologias. A implantação do SAJ, Sistema de Automação do Judiciário, é um passo importante dessa caminhada rumo à total digitalização dos processos judiciais, que pode representar o fim dos enormes volumes de papel que entopem os escaninhos dos cartórios. O lamentável, no entanto, é que, apesar de toda tecnologia que vem sendo agregada aos serviços forenses, os trâmites processuais continuam complexos, trabalhosos e repletos de formalidades desnecessárias, que já poderiam ter sido eliminadas. Por causa disso, o SAJ se tornou um sistema também complexo, de difícil assimilação pelos seus operadores, além de ser extremamente pesado e ainda gerar uma quantidade muito grande de papéis.

O excesso de formalismos e o siso afastam as pessoas do Poder Judiciário. Mas somente a informatização não vai fazer com que a Justiça no Brasil se torne mais rápida, mais ágil, mais eficiente, mais transparente e, dessa forma, bem mais confiável, como é o desejo de toda sociedade brasileira. Uma profunda reforma nos códigos processuais se faz necessária. Mas esse, obviamente, é um trabalho que tem que ser executado por nossos legisladores, a quem cabe fazer as reformas necessárias. Mas não podemos nos esquecer de que nosso Legislativo também é moroso e extremamente burocratizado e nossos legisladores são extremamente detalhistas quando fazem leis. Uma demonstração disso é o projeto de novo Código de Processo Civil, que, embora tenha como objetivo principal acelerar a tramitação de processos e promova alguns avanços significativos, está longe do ideal, por ser ainda bastante longo, detalhista e não eliminar suficientemente o excesso de formalismos.

Em suma, o que a sociedade quer de nós, servidores e magistrados, é um Judiciário mais ágil, eficiente, menos complicado, acessível a todos e, sobretudo, mais rápido. A tecnologia pode contribuir muito para que esses objetivos sejam alcançados. No entanto, está mais que claro que somente tecnologia não é suficiente. A solução começa por códigos processuais e estatutos normativos mais “enxutos”, passa pelo combate ostensivo à “burocratomania” e se conclui na adaptação dos funcionários às novas ferramentas de trabalho, fazendo com que elas agilizem suas atividades diárias.

domingo, 30 de junho de 2013

Para que plebiscito?

Afinal de contas, o que há por trás desse plebiscito que o governo do PT agora quer realizar para para implementar a tão sonhada reforma política?

Depois de desistir da infeliz ideia de pedir ao Congresso Nacional que fosse convocada uma eleição para formação e instalação de uma Assembleia Nacional Constituinte exclusiva para a reforma política, o governo quer jogar esse abacaxi nas mãos do eleitorado nacional. O Congresso Nacional irá, por meio da Justiça Eleitoral, convocar os mais de 140 milhões de eleitores brasileiros a dizerem, nas urnas, que tipo de reforma política querem.

A revista VEJA, que vive publicando denúncias contra o governo petista, afirma, em sua edição que está indo às bancas neste final de semana, que o plebiscito proposto pelo governo é um “golpismo”, por várias razões, entre elas, tirar o foco das reais reivindicações das manifestações públicas e usar a consulta popular para tentar implantar na reforma política o financiamento público de campanha e o voto em lista, antigos sonhos do PT. Além disso, diz a revista que “não se faz plebiscito para jogar nos ombros das pessoas o peso de decisões sobre o funcionamento de coisas complexas". O portal de notícias BRASIL 247, comandado pelo jornalista Leonardo Attuch, ironiza a posição de VEJA, dizendo que “o povo é bom para protestar (especialmente contra o PT), mas não para decidir”

Independentemente das reais e talvez ocultas intenções do governo, o fato é que, a meu ver, a convocação de um plebiscito para perguntar aos milhões de eleitores brasileiros de todo o País que tipo de reforma política eles desejam me parece um despropósito.

A posição de VEJA, quando diz, entre outras coisas, que não se deve jogar nos ombros das pessoas, isto é, dos eleitores, o peso de decisões sobre o funcionamento de coisas complexas, como é o caso de uma reforma política, está mais embasada em sua postura já historicamente antipetista do que numa opinião isenta da revista. No entanto, apesar da ironia, nada imparcial e um tanto demagógica do portal BRASIL 247, a revista da Editora Abril não deixa de ter certa razão nesse aspecto.

Primeiro é preciso não confundir os quase 2 milhões de pessoas que foram às ruas protestar com os mais de 140 milhões de eleitores que deverão se manifestar no no futuro plebiscito.

Os quase 2 milhões de pessoas que saíram às ruas, em várias cidades brasileiras, são, em sua maioria, de classe média, razoavelmente bem informadas, que, se não leem jornais diariamente, pelo menos devem assistir com certa frequência, aos noticiários da TV.

Os mais de 140 milhões de eleitores brasileiros, no entanto, que deverão ir às urnas para se manifestar no plebiscito, é um enorme universo de pessoas espalhadas por todo o País, composto, em sua maioria, basicamente por habitantes das periferias das grandes cidades e do interior do Brasil. Como fui, por vários anos, mesário em pleitos eleitorais, acho que conheço um pouco do perfil dos eleitores brasileiros. Em sua grande maioria, são pessoas simples, trabalhadoras, que têm pouca ou quase nenhuma formação escolar, geralmente não leem jornais, poucas têm acesso à Internet e seu único meio de informação é a TV e, mesmo assim, poucos entendem perfeitamente o que os locutores dos telejornais dizem. Envolvidos em suas rotinas de trabalho e luta pela sobrevivência, assuntos como financiamento público ou privado de campanha, voto distrital ou em lista, fidelidade partidária são por demais abstratos para eles, pois estão muito distantes de suas realidades. Em suma, as preocupações da grande maioria desses mais de 140 milhões estão muito longe de questões tão complexas. Afinal de contas, é para resolver esses tipos de problemas mais complicados é que eles elegem seus representantes nas câmaras municipais, nas assembleias legislativas e no Congresso Nacional.

Mesmo em uma democracia representativa como a nossa, os plebiscitos e referendos são instrumentos legítimos de consulta popular, utilizados em todas as democracias modernas. Nos Estados Unidos, nunca houve um plebiscito ou referendo em nível nacional, mas eles são muito utilizados em estados, cidades e condados. Contudo, são realizados geralmente juntos com as eleições ordinárias, por uma razão muito simples: evitar gastos desnecessários. Na Suíça consultas populares também são frequentes, mas geralmente são realizados em determinadas regiões ou cidades. Além disso, a Suíça é um país pequeno, rico, e extremamente organizado, o que facilita bastante a realização de consultas populares.

Estima-se que os gastos mínimos para a realização do futuro plebiscito para definir as linhas gerais da reforma política devem ficar em torno de R$500 milhões, uma despesa que poderia ser evitada se houvesse um pouco mais de bom senso por parte do atual governo. Afinal de contas, no próximo ano, teremos eleições gerais, o que deve gerar mais gastos para os cofres públicos. Além disso, um plebiscito desse não é uma brincadeira de criança. A Justiça Eleitoral tem mobilizar gente por todo o Brasil, organizar seções votação, convocar e treinar funcionários e mesários, dar suporte aos cartórios, desenvolver programas de votação e apuração para as urnas eletrônicas. O Brasil é um país enorme. Imagine o trabalho de infraestrutura que isso requer.

Mas no Brasil, a irresponsabilidade administrativa dos agentes públicos já se tornou um hábito contumaz. Afinal, como o dinheiro não vai sair do bolso dos idealizadores do tal plebiscito mesmo, e sim do pobre do contribuinte, vamos gastar, vamos fazer, então, a “festa da democracia”. É o povo que vai pagar mesmo. Ele que inventou as manifestações, que foi às ruas fazer protestos. Agora, esse mesmo povo que resolva que tipo de reforma política quer e que pague a conta disso.

Um plebiscito desse, além de gerar um enorme gasto para os cofres públicos, exige, como já dito acima, a mobilização de milhões de pessoas, entre funcionários, juízes, voluntários, eleitores, causando um enorme transtorno, atrapalhando a vida e a rotina de muita gente. Por isso, acho que a Justiça Eleitoral, hoje, só deveria ser mobilizada para realização de eleições. Com a tecnologia que temos hoje, consultas públicas (plebiscitos, referendos, etc.) poderiam ser realizados de forma menos formal, sem obrigatoriedade de voto, sem necessidade de mobilizar e atrapalhar a rotina das pessoas pelo País afora, com muito menos custos para o erário. Os resultados das consultas, feitas por meios eletrônicos, poderiam ser conhecidos em poucas horas ou até em minutos, ficando sob a responsabilidade do Poder Legislativo referendá-los ou não, ou, se for o caso, utilizá-los como base para a elaboração de leis.

No mundo de hoje, globalizado e interligado, as coisas acontecem muito rapidamente. Por isso, temos que ir eliminando, pouco a pouco, de nossa cultura, na medida do possível, os excessos de formalismos burocráticos. No entanto, o burocratismo, o formalismo, o papelismo, o carimbismo estão, ainda,, impregnados na cabeça da maioria dos funcionários e agentes públicos. Para muita gente, ainda, tudo tem que ser firmado, carimbado, atestado, certificado, registrado e lavrado em ata, que deve ser devidamente rubricada e assinada.

quarta-feira, 19 de junho de 2013

A maioria silenciosa

Não adianta. A grande maioria dos políticos brasileiros não deve estar nem aí com o povo nas ruas. O que os 0,01% dos brasileiros que estão indo às ruas precisam fazer é mudar a cabeça dos outros 99,99% da população, a grande maioria silenciosa que realmente manda neste país e pode mudar seus destinos. Mas vai ser difícil fazer isso com meia dúzia de imbecis promovendo arruaças e vandalismos. Se continuar assim, o máximo que os 0,01% que estão indo às ruas vão vão conquistar é a antipatia e o desprezo da grande maioria silenciosa. E aí, tudo terá sido em vão.

BOM DIA, PESSOAL! UMA ÓTIMA QUARTA-FEIRA A TODOS!

segunda-feira, 17 de junho de 2013

Vamos acordar, garotada!

 

A juventude está indo às ruas protestar. Isso é bom. É um exercício de cidadania. Acho profundamente saudável que jovens comecem a se preocupar com o País, com a justiça social, com as reais necessidade do povo brasileiro. Hoje de manhã, deparei com suas hashtag interessantes nos TTs do Twitter:  #AbaixoRedeGloboPovoNaoébobo e #MenosCopaDoMundoeMais (a completar por casa twitteiro). Na primeira, as críticas são contra a Rede Globo e a mídia em geral, acreditam esses jovens internautas, manipula as informações. Na segunda hashtag, os jovens consideram que há outras prioridades no Brasil, além da realização da Copa do Mundo.

Eu me alegro com esse despertar dos jovens. No entanto, isso também me preocupa. Eu noto no dia a dia e também pelas redes sociais, em especial o Twitter, que os jovens brasileiros, principalmente em decorrência da péssima qualidade de nosso ensino, oficial e privado também, são, em sua maioria, bastante ignorantes sobre determinados assuntos. A maioria dos jovens hoje desconhece história, leem pouco ou nenhum conhecimento sobre teorias políticas, sociológicas, etc. Enfim, uma juventude carente de senso crítico e, dessa forma, facilmente manipulada, não só pela mídia, mas também por determinados segmentos ideológicos, religiosos e políticos, de diversas matizes, que podem variar do conservadorismo ao utopismo.

Por isso, recomendo aos jovens que procurem estudar mais, se informar, estude mais história, mais sociologia, mais filosofia, leia mais jornais, revistas, livros, mas procure não se direcionar para um só segmento, procure diversificar suas fontes de informação. Não seja uma pessoa de "um livro só". Isso é muito perigoso. Não tenha preconceito ao ler. Não se deixe influenciar por pessoas, por determinados "guias", "líderes", "iluminados". Aprimore seu senso crítico. Saiba que os considerados heróis, gênios, líderes, guias são seres humanos iguais a você, iguais a todos nós e estão sujeitos a erros e acertos e, como todos nós, têm vícios e virtudes. Por isso, evite idolatrar quem quer que seja. Cuidado com os "donos da verdade". Um detalhe importante: quem gosta de ser louvado, honrado e glorificado são os idiotas, os imbecis, os tiranos, os grande canalhas. Os mais sábios, os mais virtuosos refutam esse tipo de coisa. Então, cuidado!

Uma ótima semana a todos!

sábado, 20 de abril de 2013

Brasileiro bonzinho?

Transcrevo abaixo artigo da escritora Lia Luft, publicado na edição da revista VEJA que está indo às bancas neste final de semana. Vale a pena ler e refletir sobre o assunto.

Tempos atrás, num programa cômico de televisão, uma jovem americana radicada no Brasil, a cada comentário de violência ou malandragem neste país, pronunciava com muita graça: “Brasileiro bonzinho!”. E a gente se divertia. Hoje nos sentiríamos insultados, pois não somos bonzinhos nem sequer civilizados. O crime se tornou banal, a vida vale quase nada. Poucos de meus conhecidos não foram assaltados ou não conhecem alguém assaltado: ser assaltado é quase natural – não só em bairros ditos perigosos ou nas grandes cidades, mas também no interior se perdeu a velha noção de bucolismo e segurança.

Em São Paulo, só para dar um exemplo, os arrastões são tão comuns que em alguns restaurantes o cliente é recebido por dois ou quatro seguranças fortemente armados, com colete à prova de bala, que o acompanham olhando para os lados – atentos como em séries criminais americanas. Quem, nessas condições, ainda se arrisca a esta coisa tão normal e divertida, comer fora? Pessoas inocentes são chacinadas: vemos protestos, manifestações, choro e imprensa no cemitério, mas nada compensará o desespero das famílias ou pessoas destroçadas, cujo número não para de crescer. Em nossas ruas não se vê um só policial, daqueles que poucos anos atrás andavam em nossas calçadas. A gente até os cumprimentava com certo alívio. Não sei onde foram parar, em que trabalho os colocaram, nem por que desapareceram. Mas sumiram. Morar em casa é considerado loucura, a não ser em alguns condomínios, e mesmo nesses o crime controla o porteiro, entra, rouba, maltrata, mata. Recomenda-se que moremos em edifícios: “mais seguros”, seria a ideia. Mas, mesmo nos edifícios, nem pensar, a não ser com boa portaria, ou será alto risco, diz a própria polícia, aconselhando ainda porteiros preparados e instruídos para proteger dentro do possível nossos lares agora precários.

Somos uma geração assustada, desamparada, confinada, gradeada – parece sonho que há não tanto tempo fosse natural morar em casa, a casa não ter cerca, a meninada brincar na calçada; e não morávamos em ilhas longínquas de continentes remotos, mas aqui mesmo, em bairros de cidades normais. Éramos gente “normal”. Hoje, a população, apavorada, está nas mãos de criminosos, frequentemente impunes. Na desorganização geral, presídios superlotados onde não se criariam porcos também abrigam pessoas inocentes ou que nunca foram julgadas. A impunidade é tema de conversas cotidianas, leis atrasadas ou não cumpridas nos regem, e continua valendo a inacreditável lei de responsabilidade criminal só depois dos 18 anos.

Jovens monstros, assassinos frios, sem remorso, drogados ou simplesmente psicopatas saem para matar e depois vão beber no bar, jogar na lan house, curtir o Facebook, com caras de bons meninos. Num artifício semântico insensato e cruel, se apanhados, não os devemos chamar de assassinos: são infratores, mesmo que tenham violentado, torturado, matado. Não são presos, mas detidos em chamados centro socioeducativos. E assim se quer disfarçar nosso incrível atraso em relação a países civilizados. No Canadá, Holanda e outros, a idade limite é de 12 anos; na Alemanha e outros, 14 anos. No Brasil, consideramos incapazes assassinos de 17 anos, onze meses e 29 dias.

Recentemente, um criminoso de 15 anos confessou tranquilamente ter matado doze pessoas. “Me deu vontade”, explicou, sem problema, e sorria. “Hoje a gente saiu a fim de matar”, comentou outro adolescentezinho, depois de assaltar, violentar e matar um jovem casal junto com outro comparsa. Esses e muitos outros, casos estejam em uma dessas instituições em que se pretende educar e socializar indiscriminadamente psicopatas e infratores eventuais, logo estarão entre nós, continuando a matança. Quem assume a responsabilidade? Ninguém, pois estamos em uma guerra civil que autoridades não conseguem resolver, uma vez que nem a lei ajuda. Estamos indefesos e apavorados, nas mãos do acaso. Até quando?

LIA LUFT (escritora)
Revista VEJA – edição n.º 2.318 (24/04/2013)