Em 1938, uma música, composta por Assis Valente, que foi sucesso na voz de Carmem Miranda, já dizia:
Anunciaram e garantiram que o mundo ia se acabar
Por causa disso a minha gente lá de casa começou a rezar
E até disseram que o sol ia nascer antes da madrugada
Por causa disso nessa noite lá no morro não se fêz batucada
Acreditei nessa conversa mole
Pensei que o mundo ia se acabar
E fui tratando de me despedir
E sem demora fui tratando de aproveitar
Beijei na boca de quem não devia
Peguei na mão de quem não conhecia
Dancei um samba em traje de maiô
...e o tal do mundo não se acabou
Chamei um gajo com quem não me dava
E perdoei a sua ingratidão
E festejando o acontecimento
gastei com êle mais de quinhentão
Agora eu soube que o gajo anda
dizendo coisa que não se passou
Ih! vai ter barulho e vai ter confusão.
... porque o mundo não se acabou
Anunciaram e garantiram que o mundo ia se acabar
Por causa disso a minha gente lá de casa começou a rezar
E até disseram que o sol ia nascer antes da madrugada
Por causa disso nessa noite lá no morro não se fêz batucada
Acreditei nessa conversa mole
Pensei que o mundo ia se acabar
E fui tratando de me despedir
E sem demora fui tratando de aproveitar
Beijei na boca de quem não devia
Peguei na mão de quem não conhecia
Dancei um samba em traje de maiô
...e o tal do mundo não se acabou
Chamei um gajo com quem não me dava
E perdoei a sua ingratidão
E festejando o acontecimento
gastei com êle mais de quinhentão
Agora eu soube que o gajo anda
dizendo coisa que não se passou
Ih! vai ter barulho e vai ter confusão.
... porque o mundo não se acabou
(Clique aqui e ouça a música)
Mitos sobre o fim do mundo fazem parte não só do imaginário popular, mas também da crença de muitas religiões. No Cristianismo, a principal fonte da crença em fim de mundo e Juízo Final vem do livro Apocalipse ('revelação' em grego), o último livro da Bíblia, e o mais complexo para ser interpretado, pois a maior parte dele está em linguagem simbólica, o que dá margem a muitas interpretações. Não se sabe ao certo nem quem foi seu autor, se João, o mesmo autor de um dos quatro evangelhos, ou um outro João. O livro, então, se tornou o gerador, entre os diversos segmentos cristãos, de crenças em ressurreição dos mortos, dia do Juízo Final, céu, inferno, castigo eternos, etc. Isso fez com que surgissem ao longo dos séculos inúmeros movimentos messiânicos, pregando o arrependimento dos pecados, o Juízo Final e o fim do mundo. Quando se aproximava, por exemplo, o ano 1000 d.C., havia muita gente que acreditava que o mundo acabaria justamente nesse ano. Não acabou. No final do século XX, vivemos uma situação semelhante, por causa de uma previsão de Nostradamus, de que o mundo acabaria em 1999. O mundo, mais uma vez, não acabou.
Pois saiba você que a data para o fim do mundo foi remarcada: 21 de dezembro de 2012. Isso mesmo, daqui a quatro anos. É que, nessa data, se encerraria um ciclo do calendário dos antigos maias, povos indígenas que ainda habitam o México e a América Central. Ocorre que os maias, no auge de sua civilização, cerca de mil anos atrás, acreditavam que o mundo já havia passado por vários ciclos e que cada um tinha a duração de 5.126 anos. Pelos cálculos de alguns pesquisadores, a era atual teria começado no ano de 3.114 a.C. e se encerraria exatamento no dia 21 de dezembro de 2012.
Juntando toda esse cálculo numerológico do calendário maia e toda mística cristã em torno da crença do fim do mundo, do Juízo Final, temos um prato cheio para os esotéricos de plantão e também para quem quer ganhar dinheiro com isso. Muitos livros e filmes já circulam por aí sobre o assunto. Mas o que há de verdade nessa história?
Tudo começou, na verdade, com um sujeito norte-americano chamado José Argüelles, que, em 1987, publicou um livro chamado O Fator maia, em que ele faz as suas próprias interpretações das supostas profecias maias. Como todo besteirol do estilo Paulo Coelho, o livro se tornou rapidamente um best seller. Em razão do sucesso de seu livro, José Argüelles organinou vários encontro de milhares de pessoas, que acreditaram no que ele escreveu. Nesses encontros, que receberam o nome de “Convergência Harmônica”, Argüella falava sobre suas ideias e a vinda de uma nova era. Ele, criou, também, uma versão “pop” do calendário maia, que ele chamou de “Dreamspell”. Não satisfeito com isso, inventou também uma espécie de horoscopo maia. Por aí, podemos notar a consistências das ideias de José Argüelles.
A revista VEJA, fez uma recente matéria sobre o assunto e ouviu alguns estudiosos. Entre eles, o historiador Robert Sitler, da Universidade Stetson, na Flórida, especialista em culturas latino-americanas, que afirma: “Os maias não falavam em fim do mundo. As referências ao ano de 2012 encontradas em suas escrituras falam de um período gradual de transformações". Já o professor Eduardo Natalino dos Santos, do Centro de Estudos Mesoamericanos e Andinos da Universidade de São Paulo, afirma: "Muita gente tende a idealizar as civilizações antigas. Os maias viviam em guerra. Essa interpretação idílica de sua sociedade foi criada por grupos místicos que não têm compromisso com a história".
A propósito, assisti no último domingo ao filme “2012: O ANO DA PROFECIA”. O filme é tosco. Não recomendo.

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