sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

Viajando pelo tempo

No exato momento em que estou escrevendo este texto, estou em frente à TV vendo a minissérie sobre a vida de Dalva de Oliveira e Herivelto Martins. Não é que a vida desses dois nomes da música brasileira me interesse tanto. O que ma atrai nesse tipo de programa é a reconstituição histórica. A história da minissérie DALVA E  HERIVELTO, UMA CANÇÃO DE AMOR se passa nos anos 30, 40, 50, 60 e início dos anos 70. Tem gente que adora viajar por vários lugares. Isso é bom, mas viajar pelo tempo também é fascinante. O que chama a atenção não são necessariamente os fatos históricos relevantes, mas  o dia a dia de uma época, a vida cotidiana, as coisas comezinhas.

Nessa minisséria, temos um pouco de contato com o Brasil, mais especificamente o Rio de Janeiro, dos anos 30, 40, 50 e 60. A históra nos apresenta a vida de um casal de artistas daqueles tempos dourados, a era de ouro do rádio, quando não havia televião. Naquel tempo o rádio era o grande meio de comunicação. A Rádio Nacional do Rio de Janeiro representava para os brasileiros o que a Rede Globo é hoje.

Um fato bem interessante contado na minissérie DAVAL E HERIVELTO é quando, em 1946. o presidente Eurito Gaspar Dutra toma posse e, logo em seguida, promulga uma lei proibindo os cassinos no Brasil. Isso, obviamente, acabou com o famoso Cassino da Urca, do Rio de Janeeiro, onde a maiores dos grandes artistas brasileirsos se apresentavam. Na verdade, os dois grandes empregadores de artistas no Rio de Janeiro naquela época eram a Rádio Nacional e o Cassino da Urca. Isso obrigou, como é bem retratado na minissérie, os cantores e humoristas a começarem a viajar pelo Brasil e pelo exterior, em busca de novas oportunidades de trabalho.

Claro que, ao assistir a um trabalho desse, a uma minisséria que se propõe a contar a vida de uma personagem histórica, há que se ter um certo cuidado em buscar informáções em outras fontes sobre os fatos narrados por essas séries. Os autores costumam teperar o enredo com um pouco de ficção. Além disso, mesmo que involuntariamente ou até inconscientemente, uma postura um pouco tendenciosa da narração. No caso da minissérie DALVA E HERIVELTO, o compositor Herivelto Martins ven sendo tratado, pelo menos até o capítulo de ontem, dia 07/01, como uma espécie de vilão da história; enquanto isso, a cantora Dalva de Oliveira é apresentada como o mais puro dos seres humanos. Pode ser que isso mude? Talvez.

Como eu disse, meu interesse pela miniss[erie prende-se mais à reconstituição histórica e do cotidiano de uma outra época, de outros tempos. No entanto, podemos falar um pouco dos personagens principais da minissérie, a título de curiosidade.

Herivelto Martins era cantor, mas ele se destacou mesmo como compositor. Já Dalva de Olveira, cujo nome verdadeiro era Vicentina, era somente cantora, e das boas. Ela tinha uma voz bem afinada. Na minha opinião, ele e Elis Regina foram as duas melhores cantoras da música popular brasileira de todos os tempos. O grande problema da maioria das músicas gravadas por Dalva é que elas, se regravadas hoje, dificilmente fariam sucesso. Eram sambas-canções e boleros melosos, recheadas de palavras que  hoje já não se usam mais, de tristeza pelo amor fracassado e de dor de cotovelo. Pode até ser que, na voz de Bruno e Marrone, uma ou outra música originalmente gravada por ela consiga se destacar se regravada hoje.

Para quem quiser conhecer mais sobre Dalva de Oliveira e Herivelto Martins, a Internet está repleta de informa’~oes sobre os dois. No You Tube, há vários vídeos com imagens de Dalva de Oliveira, que morreu em 1972, e de Herivelto Martins, que faleceu em 1992.
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