domingo, 22 de agosto de 2010

Verdades incômodas

O que aconteceu ontem, sábado, dia 21/08, no Rio de Janeiro, é mais uma triste amostra de que o Brasil tem um crônico e gravíssimo problema na segurança pública. A invasão do Hotel Intercontinental por traficantes foi assunto até da imprensa internacional É uma vergonha.

A verdade é que o Brasil, apesar de ser hoje uma democracia e uma das dez maiores economia do mundo, é um país de muitas mazelas, de contrates e de muitos problemas sociais. Hoje, o que mais preocupa a população é a violência, gerada principalmente pelo tráfico de drogas e pelo crime organizado, que dominam, hoje, inúmeros bolsões de miséria existentes nas periferias da maioria das cidades brasileiras, grandes, médias e até pequenas. Como nessas áreas o Estado praticamente inexiste, o poder paralelo se instala e impõe suas “leis”.

Para entender por que o Brasil, mesmo sendo uma das dez maiores economias do mundo, convive com tantos problemas sociais e com tanta violência, é preciso reconhecer algumas verdades incômodas.

Primeiramente, é público e notório que uma parcela significativa dos políticos brasileiros ascende a cargos eletivos somente para atender a uma vaidade pessoal ou a interesses, próprios e/ou de um determinado grupo ao qual pertence. Esses políticos não estão nada preocupados com os interesses da população, com o progresso do seu município, do seu Estado ou do País. Esse pessoal quer mais é “se arrumar”, fazer da política um meio de vida e até profissão, ou fazer do cargo público para o qual foi eleito uma forma de conseguir benefícios. Deputados, no Brasil, por exemplo, têm foro privilegiado, imunidade parlamentar e outras benesses indisponíveis para o cidadão comum. Tudo isso não são exclusividades da classe política brasileira, mas, aqui, essa situação assume proporções extremamente nocivas à sociedade. Para homens públicos desse tipo, quanto mais problemas sociais, quanto mais miséria, melhor. Assim, é mais fácil para “comprar” votos. Por isso, essa gente não tem o menor interesse em acabar com as injustiças sociais em nosso país, em defender os reais interesses da população. Só os seus e de seus apadrinhados.

Outra realidade triste: há uma máxima que diz que o crime não compensa. Infelizmente, no Brasil, para muita gente, o crime compensa, sim. Aqui, para os portadores de deficiência moral, o crime é um bom negócio. Ser desonesto no Brasil vale a pena para aqueles que não se importam com os escrúpulos de consciência. Afinal de contas, aqui pouca gente é realmente punida. E, quando isso acontece, a punição quase sempre é branda. Graças a uma legislação extremamente generosa, a Justiça, no Brasil, é muito “boazinha”. O Estado brasileiro é muito condescendente com os criminosos em geral, principalmente com os de “colarinho branco” Não bastasse isso, o sistema carcerário no Brasil é um caos total. Os milhares de detentos vivem amontoados em celas pequenas, em condições subumanas, degradantes, o que faz com que esses apenados saiam da prisão mais violentos, mais revoltados com a sociedade e com o Estado. Além disso, os presídios no Brasil são verdadeiras escolas do crime. Em vez de recuperar os criminosos, torna-os verdadeiros “doutores” do crime. Em tese, quando mais um criminoso vai preso, quando mais penas ele cumpre, mais ele “se aperfeiçoa” no crime, graças a um sistema carcerário totalmente decadente, caótico e extremamente vulnerável, o que permite que muitos chefes do crime organizado continuem a comandar seus “negócios” de dentro dos presídios.

Essas são realidades que fazem com que o Brasil, mesmo estando entre as dez maiores economias do planete, conviva com problemas típicos de países miseráveis.

O grande problema é que a falta de consciência política da maioria dos brasileiros impede que ele exerça plenamente sua cidadania. Com isso, boa parte do eleitorado brasileiros usa seu voto como moeda de troca, para conseguir alguns benefícios imediatos justamente daqueles candidatos dos quais falamos acima, aqueles que querem ocupar um um cargo eletivo (vereador, deputado, senador, prefeito, governador, presidente da República) somente para obter vantagens pessoais. Enquanto este estado de coisas permanecer assim, vão continuar as falcatruas e todo tipo de picaretagem no serviço público e nas casas legislativas por este país afora, como, por exemplo, os “mensalões” da vida.

A propósito, eu considero as eleições para as assembleias legislativas e Distrital e para o Congresso Nacional muito mais importante do que as para governador e presidente da República. É a oportunidade que temos de eleger deputados mais comprometidos com os verdadeiros interesses da população. Um legislativo bem diversificado, composto por parlamentares mais voltados para os reais problemas do povo, representa mais segurança jurídica, com a criação de leis mais justas e embasada na realidde do Brasil e de acordo com a realidade de cada região. Escolha com muito cuidado e critério seus candidatos a deputado estadual, a deputado federal e a senador. Não deixe de votar. Não anule o voto nem vote em branco. Se não achar o melhor, vote no que julgar menos ruim. Esse é o primeiro passo para a gente começar a mudar o Brasil e transformá-lo num país mais justo para todos os brasileiros.

sábado, 21 de agosto de 2010

Quem “rouba” mais?

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva chamou de roubo os pedágios das estradas estaduais paulistas. "Isso não é pedágio, isso é roubo do povo brasileiro", disse o presidente, em comício da candidata petista à Presidência, Dilma Rouseff, na noite de ontem, sexta-feira, dia 20/08, em Osasco (SP).

Claro que a crítica do presidente não passa de demagogia, de discurso eleitoreiro. Mas, realmente, os pedágios em São Paulo são absurdamente caros. Tudo bem que as estradas administradas pelas concessionárias têm boa condição de tráfego e tudo, mas os valores são abusivos.

No entanto, os impostos cobrados pelo governo federal também não ficam atrás. Hoje, o Brasil é um dos países mais tributados do mundo. Além disso, os impostos pagos pelos contribuintes brasileiros não voltam na mesma proporção em benefícios. O brasileiro paga impostos de países ricos. Aqui, não somos tributados. Somos roubados mesmo.

Então, eu pergunto: quem “rouba” mais?

Essa gente “de esquerda” me assusta

Fundado em São Paulo, em 1990, pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva e pelo então ditador cubano Fidel Castro, o Foro de São Paulo, também conhecido por FSP, é um encontro de partidos e líderes de esquerda da América Latina e Caribe, O principal objetivo do grupo, então, era se tornar uma frente de contestação à onda neoliberal instaurada naquela época. Atualmente mais de 100 partidos e organizações políticas de 11 países participam dos encontros.

Foi durante o último desses encontros, o 16.º, que terminou ontem, dia 20 de agosto, em Buenos Aires, na Argentina, que os participantes do Foro de São Paulo comemoraram as iniciativas de governos da região que tentam aumentar o controle do Estado no setor de comunicação social. Segundo a resolução aprovada pelo grupo, a lei de mídia aprovada na Argentina em 2009, que atualmente se encontra suspensa pela Justiça daquele país, deve ser uma "referência imprescindível" para os demais países. Segundo os participantes do Foro de São Paulo, além de dividir as concessões de forma igualitária entre o Estado, movimentos sociais e o setor privado, a lei argentina obriga o Grupo Clarín, o maior do setor de jornalismo da Argentina, a se desfazer de licenças de transmissão de TV e rádio. Para eles, a lei argentina contribui para a "pluralidade e diversidade de vozes e demonstra que o Estado deve ter um papel de protagonista na política do setor e precisa "colocar limites na concentração dos meios".

Como besteira pouca é bobagem, o Foro de São Paulo também reiterou seu total apoio à ditadura cubana, a qual chamam de “revolução”, e denunciou uma “feroz campanha da mídia” contra o país caribenho, alegando que se trata de uma tentativa de desacreditar o ditador Raul Castro e seus capangas.

Ainda durante o encontro, o secretário-executivo do Foro e dirigente do PT, Valter Pomar, leu uma carta que teria sido enviada pelo presidente Lula aos participantes do evento, que, obviamente não foi escrita por ele (Lula é semianalfabeto e não sabe redigir sequer um bilhete), na qual o presidente brasileiro comemora os avanços da esquerda na América Latina e critica a chamada "direita” que, segundo ele, ou quem realmente escreveu a carta, “foi apeada do poder pela vontade popular".

Na declaração final do encontro, o Foro registrou que "demonstra satisfação" por ver a candidata do PT à Presidência, Dilma Rousseff liderando as pesquisas de intenção de voto.

Controle da mídia, apoio à ditadores. Essa gente dita “de esquerda” me assusta bastante.

sexta-feira, 20 de agosto de 2010

Erro crasso de estratégia eleitoral

No segundo dia de programa eleitoral dos presidenciáveis no rádio e na TV, o PSDB usou uma estratégia no mínimo estranha de fazer campanha a favofr de seu candidato José Serra à Presidência da República: mostrou José Serra como principal opção ao presidente Lula. Com imagens de Serra junto a Lula, o programa pretendeu enfatizar a experiência de Serra, em uma tentativa de colar a imagem do candidato tucano a Lula. “Lula e Serra, dois homens de histórias”, disse o locutor ao abrir o horário eleitoral. O PT pretende questionar na Justiça a iniciativa do tucano.

Eu nunca vi uma estratégia tão estranha. A iniciativa dos marketeiros de Serra me parece um tanto ousada. Usar a imagem de Lula na propaganda eleitoral de Serra me parece um tremendo contrassenso, um erro de estratégia política crasso, já que Serra tem que se apresentar ao eleitorado como um contraponto ao que está aí, ao governo do PT e, a Lula. Querer se aproveitar da popularidade de Lula para angariar votos é um despropósito. Poderiam os tucanos justificar a atitude afirmando que o que querem demostrar é que o objetivo é demonstrar a inexperiência política e administrativa de Dilma Rousseff, compará-la a Lula e Serra, que são dois administradores experientes. Mas o argumento não convence. A iniciativa dos responsáveis pela Campanha de Serra foi infeliz. Pegou mal.

terça-feira, 17 de agosto de 2010

Dilma dispara nas pesquisas

As pesquisas de intenção de voto divulgadas amplamente ontem pela mídia são categóricas: Dilma disparou na frente de Serra e pode até vencer a eleição no primeiro turno.

Os analistas dizem que isso pode mudar, mas não é comum que isso ocorra. Hoje, terça-feira, dia 17 de agosto, começa a propaganda gratuita no Rádio e na TV. O jornal FOLHA DE S. PAULO informa, em sua edição de hoje, que Dilma Rousseff , em seu primeiro programa na TV, narrará, durante dez minutos, sua biografia e tratará de um tema espinhoso: sua prisão, por ter feito parte de um grupo que atuou na luta armada na época da ditadura militar. Segundo o jornal, Dilma contará como ingressou no movimento estudantil, na escola secundária, em Belo Horizonte, em 1964. Além disso, procurará falar em tom leve sobre sua prisão, na década de 70.

O fato é que o vínculo de Dilma Rousseff com a luta armada no tempo da ditadura preocupa boa parte do eleitorado mais bem informado sobre sua biografia. Há um temor de que seu radicalismo possa renascer quando ela assumir o cargo de presidente, se eleita.

O jornal FOLHA DE S. PAULO também informa que o comando da campanha de José Serra (PSDB) produziu uma pesada artilharia contra Dilma. Segundo o jornal, o comitê de Serra tem prontos um jingle de rádio e um comercial de TV, para ataque contra a candidata petista. Dirigido ao eleitor nordestino, o jingle cita o ex-ministro José Dirceu. Em ritmo de forró, diz que o governo Lula vai acabar, e Dilma trará de volta o ex-ministro da Casa Civil e os "radicais". A FOLHA informa, ainda, que o comercial de TV dos tucanos lança dúvidas sobre a capacidade administrativa de Dilma. Numa das peças que vão ao ar, uma apresentadora lista medidas encampadas por Serra, como os genéricos e a luta contra a Aids. Ao mostrar o rosto de Dilma, pergunta se o eleitor lembra algo que ela tenha feito de benéfico. E conclui dizendo algo como "Serra é certeza. Dilma é dúvida".

Como se pode ver, a briga entre os dois principais candidatos à Presidência da República vai ser acirrada. O JORNAL DO BRASIL de hoje fala na disputa entre a “Mãe dos Pobres” contra o “Pai dos Genéricos”.

Por fora, com chances quase nulas de vencer, segundo as pesquisas, corre a candidata do PV (Partido Verde), Marina Silva.

Já é hora de começar a pensar em quem votar no dia 03 de outubro.

Mas, para mim, mais importante que o voto para presidente é o voto para deputado federal, deputado estadual e senador. É importante que a gente saiba a escolher bem nossos parlamentares.

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segunda-feira, 16 de agosto de 2010

Terminou em Pereira Barreto mais um “período FIAP”.

Voltemos, então, ao mundo real

Terminou, finalmente, o “período FIAP” em Pereira Barreto. Se foi bom ou ruim, não sei. Não compareci àquele templo da mediocridade cultural.

Festas agropecuárias são eventos importantes no interior do Brasil. Cidades como São José do Rio Preto, Araçatuba, Ribeirão Preto, Barretos e muitos outros centros localizadas em áreas de grande movimentação do agronegócio, não só no Estado de São Paulo, mas também em outros estados do País, promovem suas exposições em grande estilo, com shows, rodeios, feiras de amostras, leilões de gado, etc., o que atrai muitas empresas de vários ramos da economia, não se restringindo, pois, somente à agroindústria. A famosa Festa do Peão, de Barretos, por exemplo, é considerado, hoje, um evento de nível internacional. Esses grandes eventos são geralmente promovidos pela iniciativa. privada

Em cidades pequenas e de economia irrelevante, como é o caso de Pereira Barreto, festas desse tipo têm mais o objetivo de, de certa forma, perpetuar a velha política do panis et circus (pão e circo). Panis et circus foi uma política adotada pelos governantes de Roma Antiga, que previa o provimento de comida e diversão ao povo, com o intuito de diminuir a insatisfação popular contra os governantes. Em função disso, espetáculos sangrentos, como os combates entre gladiadores, eram promovidos nos estádios romanos para divertir o povo, que, entretido com os jogos, esquecia-se dos problemas sociais e políticos. Havia, então, nos estádios, a distribuição de pão, gratuitamente, para alimentar o público. Esse tipo de política de panis et circus continua atá hoje, na forma de festividades públicas para agradar o povo, como é o caso da nossa FIAP.

Não sou contra a FIAP. Mas, desde de sua primeira edição, em 1975, Pereira Barreto passou por uma enorme transformação geofísica, econômica e social. A pecuária, em Pereira barreto, hoje já não tem o mesmo vigor de 30 ou 40 anos atrás. As poucas terras agricultáveis que sobraram, depois da formação do lago da Usina de Três Irmãos e do Canal de Pereira Barreto, estão se transformando em imensos canaviais. Em decorrência disso, o calendário de festejos pereira-barretenses deveria se adaptar à atual realidade local, com a criação de eventos ligados, por exemplo, à pesca esportiva. A FIAP, hoje, não tem mais nenhuma utilidade para o município, aléé de divertir o povo, como ocorria nos jogos romanos. Além de divertir, esse  tipo de festa precisar gerar recursos. Ela não pode ser um evento economicamente “inútil”, como tem sido nos últimos anos.

Falta, também, por parte do poder público, a criação de uma infraestrutura básica e de incentivos para que Pereira Barreto se transforme numa verdadeira cidade turística.

Atualmente só somos “estância turística” no papel e no discurso. Não temos uma cultura de turismo em Pereira Barreto. Com exceção da praia municipal e de algumas pousadas, a cidade não conta com uma rede de hotéis e restaurantes à altura de receber turistas de outras partes do Estado e do País. Há, sem dúvida, iniciativa e boa vontade de muitos donos de hotéis e restaurantes em Pereira Barreto, mas, sem uma política de turismo consistente e incentivos ao setor por parte da administração pública, esses empresários se sentem desmotivados e inseguros em investir nos seus negócios. Muitos não se arriscam a melhorar e ampliar seus hotéis ou restaurantes; outros até encerraram suas atividades atividades, decepcionados.

Pereira Barreto recebeu uma boa injeção de ânimo com a implantação, aqui, da Usina Santa Adélia. Trouxe, sem dúvida, uma nova vida para a cidade. No entanto, isso é pouco para a economia pereira-barretense, que ficou estagnada por muitos anos. A transformação de Pereira Barreto em uma verdadeira cidade turística tem que sair dos discursos, das boas intenções, do ufanismo, da retórica oficial e se transformar em um projeto exequível e real.

sexta-feira, 13 de agosto de 2010

Maioria dos telespectadores ignorou o debate da BAND

Quem assistiu aos noticiários de TV, leu os jornais de hoje ou viu os portais de notícia na Internet tem a impressão de que o debate que foi realizado ontem à noite, entre os candidatos ao governo do Estado de São Paulo, praticamente parou o Estado. Nada disso. Pelos números da audiência das emissoras de TV, divulgadas em tempo real pela Internet (“Real Time”), a maioria absoluta dos telespectadores praticamente ignorou o debate da Band.

Na semana passada, foi realizado debate entre os principais candidatos à Presidência da República na Band. A audiência foi pífia. No entanto, muitos apontaram a pouca repercussão desse debate à transmissão da semifinal da Copa Libertadores da América, entre São Paulo F.C. e Internacional de Porto Alegre. No entanto, ontem, não houve nenhum evento que pudesse tomar a audiência do debate, e, mesmo assim, pouca gente se interessou em ver a contenda dos principais candidatos aos governos estaduais, especialmente os de São Paulo. Mais uma vez, a Rede Globo, com sua programação normal, liderou a audiência, com média de 33 pontos. A Band registou média de 3 pontos, perdendo, novamente, como ocorreu na quinta-feira passada, para o Record e o SBT.

Por que a Globo sempre lidera?

A pouca audiência dos debates entre os candidatos às próximas eleições não é causada somente pelo desinteresse dos telespectadores. Existe um fator a mais: a audiência da Globo “por inércia”. Pode parecer estranho, mas é um fato já comprovado. Como a Rede Globo praticamente dominou a TV brasileira por muitos anos, desde o início da década de 70, sem concorrentes à sua altura, boa parte dos telespectadores brasileiros praticamente “se acostumou” com ela. Para esses telespectadores, a grade de programação da Rede Globo, com suas novelas, noticiários, séries, shows e transmissões esportivas, de uma certa forma passou a fazer parte do seu cotidiano. Assim, ele se acostumou a assistir à Globo e, eventualmente, outro canal. Esse é um fenômenos cultural preocupante que dificilmente vai mudar nos próximos anos.

Mas é óbvio que essa liderança “por inércia” da Rede Globo não explica de todo a pouca audiência do debate da Band, Nas noites dos dias 05 e 12 de agosto, a Rede Bandeirantes se manteve em quarto lugar em audiência, perdendo não só para a Rede Globo, mas tam´bem para a Record e o SBT.

Vamos aguardar os debates nas demais emissoras, especialmente na Rede Globo, para ver o comportamento dos telespectadores.

quinta-feira, 12 de agosto de 2010

Clima de Finados em Pereira Barreto en 11 de agosto de 2010

Mais um aniversário de Pereira Barreto. São oitenta e dois anos de fundação. No entanto, foram-se os tempos em que se comemorava a data máxima do Município com gala. Eram desfile cívico, alvorada às seis da manhã e muita festa e inaugurações pela cidade. Agora, só a mediocridade de uma FIAP. O clima, ontem, em Pereira Barreto me lembrava um dia de finados ou uma tétrica Sexta-Feira da Paixão.

No meu post anterior, expus minha visão da falsa ideia de que Pereira Barreto, hoje, já é uma cidade turística. No papel, recebemos o status de “Estância Turística”. No entanto, Pereira Barreto carece de uma infraestrutura básica para uma cidade que quer ser turística. Hoje, nem temos a dignidade de comemorar o aniversário de nossa cidade como ela realmente merece.

Acho que, diante disso, talvez o clima que senti ontem em Pereira Barreto talvez seja coerente, se levarmos em conta o que a cidade conseguiu até hoje, em termos de benefícios, de progresso. Quem analisar o histórico demográfico de Pereira Barreto vai deparar com um dado curioso: a população não aumenta há décadas. Somos a eterna cidade de 25 mil habitantes. Claro que não cabe aqui aquela velha piada de que a população se estabilizou porque, a cada criança que nasce, foge um pai. A causa real dessa estabilidade, que não é um caso típico de Pereira barreto, mas sim de várias cidades do interior do Brasil, é a estagnação econômica. Como não há atividade econômica significativa na cidade, muita gente se muda de Pereira Barreto. O segmento que mais abandona Pereira Barreto, obviamente, é o dos jovens, que não encontram aqui opções de formação educacional e profissional, nem mercado de trabalho. A instalação em nosso município da Usina Santa Adélia foi a única novidade nos últimos anos.

Diante disso, acho que o clima de Finados ou Sexta-Feira da Paixão reinante ontem em Pereira Barreto se justifica. Não temos nada a comemorar.

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quarta-feira, 11 de agosto de 2010

Pereira Barreto aos 22 e aos 82 anos

Por ocasião da comemoração, hoje, dia 11 de agosto de 2010, do octogésimo segundo aniversário de Pereira Barreto, apresento aqui um mesmo ponto de nossa cidade em épocas bem diferentes. Entre a primeira e a segunda foto, há uma distância de tempo de sessenta anos.


1950
Pereira Barreto2010

Pereira Barreto2010a

As fotos acima mostram o cruzamento da Avenida Brasil com a Rua Conselheiro Rui Barbosa em momentos bem diferentes. A primeira, em preto é branco, foi tirada numa tarde de 1950. A segunda foi tirada alguns dias atrás, mais ou menos do mesmo ângulo no qual foi tirada a primeira foto.

A foto em preto e branco, um flagrante de sessenta anos atrás, que me foi enviada pelo amigo Dr. Álvaro Conegunes, nos mostra uma Pereira Barreto com 22 anos de fundação, bem diferente da Pereira Barreto de hoje. As ruas da cidade não eram pavimentada. Podemos observar que, no meio da avenida, havia postes de iluminação e árvores. No lado direito da foto, vemos uma Farmácia Santa Terezinha. No entanto, ela nada tem a ver com a Farmácia Santa Terezinha de hoje, que fica no calçadão, na esquina da Avenida Brasil com a Cyro Maia. Essa Farmácia Santa Terezinha, que ficava onde hoje está uma loja de móveis, pertencia ao Sr. Kitayama, antigo morador de Pereira Barreto.

Veem-se, ainda, poucos veículos motorizados na rua. Naquele tempo, possuir um carro não era para qualquer um. Note que o comércio da cidade está em plena atividade e a rua está movimentada. Esse ponto da cidade, na época, era bem mais agitado, porque ali perto ficava a Cooperativa Agrícola Tietê, que era uma espécie de Supermercado Proença da época. Além disso, havia a Fiação de Seda Bratac e o Fórum da Comarca ali próximo. O juiz da época era, ainda, o Dr. Antônio Gabriel Marão, primeiro magistrado da Comarca. A foto nos mostra, também, duas meninas vestidas de preto atravessando a rua. Elas eram duas irmãs, tias do Dr.Álvaro Conegunes. Vestiam preto porque estavam guardando luto pelo falecimento da mãe delas, que era avó do Dr.Álvaro. Esse detalhe nos faz lembrar das mudanças de costumes. Hoje em dia, ninguém mais guarda luta, pelo menos dessa forma, usando vestes prestas. Aliás, usar roupa preta hoje em dia é Fashion.

Aos oitenta e dois anos, Pereira Barreto passou por muitas transformações ao logo de sua história. No final da década de 60, com a construção da Usina Hidrelétrica de Ilha Solteira, nossa cidade passou por uma completa mudança. Foi um período de crescimento da cidade, novos bairros surgiram, muita gente que veio para trabalhar nas obras de Ilha Solteira preferiu residir em Pereira Barreto. Isso fez com que a população da cidade aumentasse significativamente. Dessa forma, a pequena e provinciana Pereira Barreto, dominada por meia dúzia de famílias, foi praticamente invadida por uma nova leva de moradores, vindos de várias partes do Brasil. Desses forasteiros que vieram para cá trabalhar nas obras de Ilha Solteira, uma parte foi embora, em busca de trabalho em outros pontos do País; mas muita gente ficou e criou raiz aqui. Em virtude disso, creio que mais de 70% da população de Pereira Barreto, hoje, é composto por pessoas que vieram para Pereira Barreto nessa época e por seus descendentes.

Ao contrário do que se pensa, Pereira Barreto foi bastante beneficiada com a construção de Ilha Solteira. O comércio pereira-barretense viveu uma época de ouro. Muita gente que morava em Ilha Solteira vinha fazer compras em Pereira Barreto. Além disso, muita gente que trabalhava em Ilha Solteira preferia morar em Pereira Barreto por um motivo que, hoje, muita gente desconhece: Ilha Solteira, naquela época, era um local ruim de se morar. Era uma cidade “esquisita”. Como foi uma cidade planejada, as casas, construídas pelas empreiteiras da CESP, eram padronizadas, diferenciadas apenas pelos níveis de seus ocupantes, dependendo do nível profissional de seu morador. Trabalhadores mais graduados, como engenheiros, médicos, etc. Recebiam as melhores casas, as mais confortáveis. Já os trabalhadores braçais recebiam as casas inferiores, com confortes mínimos. Além disso, havia toda uma disciplina, horário em que não se podia fazer barulho, uma espécie de toque de recolher e coisas desse tipo. Por isso, muita gente preferia morar em Pereira Barreto, por ser, então, uma cidade “normal”, em comparação com Ilha Solteira daquela época.

Infelizmente, as gerações posteriores de políticos e empresários pereira-barretenses não souberam tirar proveito desse período de prosperidade. Por isso, já no final da década de 70, Pereira Barreto começou seu caminha à decadência social, econômico e cultural. Enquanto cidades da região prosperavam, Pereira Barreto, principalmente graças à incompetência de seus administradores começava a afundar na estagnação. O golpe fatal ocorreu na década de 90, quando do final da construção da Usina de Três Irmãos, do canal de Pereira Barreto e a formação do lago. Muita gente embarcou na ilusão de que Pereira Barreto se tornaria uma cidade turística. Houve, de início, uma considerável especulação imobiliária. O tempo passou, e Pereira Barreto se tornou uma cidade turística só no papel. A cidade está longe de ser uma um ponto de atração turística de relevância, mesmo porque não possui sequer uma estrutura mínima par isso, bem como é carente de uma rede hoteleira digna e restaurantes condizentes com uma cidade turística. Alguém sabe onde se pode comer um aboa peixada em Pereira Barreto hoje? Então. Enfim, o sonho de Pereira Barreto se transformar em uma cidade turística só foi mais um sonho.

segunda-feira, 9 de agosto de 2010

Campanha eleitoral ainda insossa

Fazia um bom tempo que não postava nada aqui. Um acidente em meu local de trabalho, além de ter me feito passar por um período de transtornos, ainda me deixou uma limitação no braço direito que não vai atrapalhar muito minha rotina, meu estilo de vida, mas vai sempre me lembrar de que fui vítima da falta de informação e do descaso. Mas isso é uma outra história, da qual vou tratar em outra oportunidade aqui. Meu assunto, hoje, é esse início insosso da campanha eleitoral de 2010.

Quem teve oportunidade de assistir ao primeiro debate dos presidenciáveis na TV Bandeirantes na última quinta-feira, dia 05 de agosto, pôde perceber que os principais participantes da disputa estão apresentando discursos muito parecidos entre si. Há uma total falta de novidades nessa campanha.

Os índices de audiência da TV Bandeirantes na noite do debate deu uma ideia clara de como a maioria da população parece estar pouco interessada no que querem dizer os candidatos. Há que se considerar que, na mesma noite do debate, a Rede Globo e mais dois canais a cabo de esportes estavam transmitindo ao vivo a partida semifinal da Copa Libertadores da América entre São Paulo F.C. contra o Internacional de Porto Alegre (RS). Mas os números registrados naquela noite provam que a transmissão do jogo pouco influenciou no desinteresse dos telespectadores pelo debate. A líder de audiência na noite de 05 de agoto último foi a Rede Globo, com média de 33 pontos, segundo alguns sites que divulgam audiência em tempo real, o chamado “Real Time”. A TV Bandeirantes era apenas a quarta colocada, com pouco mais de 3 pontos, perdendo para a TV Record e para o SBT. Para um debate de tanta importância, amplamente divulgado pela mídia, pouco mais de 3 pontos de audiência é quase nada.

O fato é que a campanha eleitoral ainda não empolgou o eleitorado. O que falta é conteúdo, propostas realmente interessantes. O que se ouviram até agora dos candidatos foram discursos bem semelhantes entre si, que não apresentam nenhuma proposta nova, diferente, que chame a atenção dos eleitores. Mas há quem ache que ainda é cedo para se exigir dos candidatos alguma coisa nova. O jogo ainda está no início. Os candidatos não utilizam, agora, todas as munições de que dispõem. Vamos aguardar os próximos debates.