segunda-feira, 30 de novembro de 2015

OS PERIGOS DA DOUTRINAÇÃO IDEOLÓGICA E/OU RELIGIOSA

Melita Maschmann

Algum tempo atrás, lendo “GUIA POLITICAMENTE INCORRETO DA HISTÓRIA DO MUNDO*, um interessante livro do jornalista e escritor Leandro Narloch, deparei com a curiosa história de Melita Maschmann (1918-2010), que, na década de 30 do século passado, era uma jovem alemã, com todo um futuro pela frente e uma vida tranquila e confortável com seus pais. No entanto, encantada com o discurso de Adolf Hitler e com as ideias nazistas, decidiu engajar-se na Juventude Hitlerista. Em sua biografia, escrita em 1965, ela afirma que queria fugir da “vidinha pequena e infantil” que levava com seus pais e se engajar em alguma coisa “grande e fundamental”. Como muitos jovens alemães de sua época, Melita decidiu colar uma suástica em seu braço e integrar o movimento político que prometia recuperar o orgulho do povo alemão. Inicialmente, o interesse de Melita eram os esportes, as caminhadas e os acampamentos promovidos pela Juventude Hitlerista, atividades aparentemente inocentes. Porém, não tardou muito para que ela começasse a se interessar também por questões políticas. Acabou se tornando líder da Liga das Moças Alemãs, que era a ala feminina da Juventude Hitlerista. Melita estava, enfim, doutrinada. O Nazismo acabara de cooptar mais um componente para seu exército jovem e idealista, que defenderia o chamado “Terceiro Reich”.

Melita escreveu em suas memórias: “Minha família tinha planos conservadores para mim. Na boca de meus pais, as palavras ‘social’ e ‘socialismo’ tinham sempre um tom de desprezo. Mas eu acreditava nos nazistas quando eles propunham acabar com o desemprego e tirar 6 milhões de pessoas da pobreza. Eu acreditava neles quando diziam que iriam unificar a nação alemã, então dividida em mais de 40 partidos e superar as consequências ditadas no Tratado de Versalhes”.

Mesmo contra a vontade de seus pais “conservadores”, a jovem Melita Maschmann passou a se dedicar integralmente aos ideais nazistas. Em 1942, viajou para a Polônia, então ocupada pelo exército alemão, para fazer um trabalho voluntário. Com apenas vinte e três anos de vida, era a mais velha de um grupo de doze colegas. A vida na Polônia não era nada fácil, sem regalias e sem confortos, mas isso parecia só aumentar o espírito de aventura da empreitada. O trabalho de Melita não era dos mais “limpos”. Os nazistas expulsavam os judeus e eslavos de suas casas nos povoados poloneses, para encaminhá-los aos campos de extermínios. Em seus lugares, isto é, nas casas antes ocupadas pelos judeus e eslavos, colocavam descendentes de alemães. A função de Melita e de suas colegas era entrar nas casas desocupadas dos judeus e eslavos, limpá-las, rearranjar os móveis, queimar fotografias e objetos pessoais sem valor. Quando os novos moradores chegavam, Melita e suas colegas organizavam aulas de alemão e de teoria racial para os novos assentados. Até o fim da guerra, Melita Maschmann trabalhou incansavelmente em seu projeto de “mundo melhor”. Mesmo depois do suicídio de Hitler, da rendição alemã, do Tribunal de Nuremberg, Melita Maschmann demorou cerca de doze anos para se “desintoxicar” das ideias nazistas.

Apesar de todo avanço tecnológico, a arma mais poderosa usada pelo homem para dominar e manipular seus semelhantes continua sendo a palavra, ou seja, a doutrinação, ou, usando uma expressão mais popular, a “lavagem cerebral”. Muitas vezes, mesmo pessoas aparentemente inteligentes, bem formadas e informadas, estão sujeitas a serem doutrinadas e manipuladas por alguma corrente ideológica ou religiosa, sem que elas mesmo se apercebam disso.

As pessoas, muitas vezes encantadas e até inebriadas com o discurso de algum líder político, religioso ou filosófico, acabam sendo envolvidas por sua eloquência, por sua pregação, por seu palavreado bonito, envolvente, pela promessa de um mundo melhor ou coisas desse tipo. Geralmente, qualquer nova corrente religiosa, filosófica ou política tem por estratégia prometer um “mundo melhor” aos seus neófitos. A caminhada, a luta, a empreitada pode até envolver sacrifícios, mas o objetivo final sempre compensa: um mundo melhor, aqui ou no paraíso. Por mais altruísta que seja, todo ser humano pensa em si, na recompensa que virá, na Terra ou em “outro mundo”.

A doutrinação político-ideológica e/ou religiosa é um vírus que infesta o mundo há muitos séculos e tem ajudado a formar verdadeiros exércitos de “idiotas úteis”, de milhões de pessoas manipuladas, para as mais variadas finalidades, que, na maioria das vezes, não são nenhum pouco nobres. Como ocorreu no caso de Melita Maschmann, o Nazismo se apresentou a ela como algo bom, positivo, que resolveria os problemas da Alemanha, acabando com as injustiças sociais, com o desemprego, oferecendo a todos um “mundo melhor”. Atualmente, por exemplo, a mesma estratégia é muito utilizada por grupos de radicais islâmicos, que têm cooptado milhares de jovens europeus de famílias muçulmanas. O mais conhecido desses grupos é o terrível e sanguinário Estado Islâmico.

No Brasil, especificamente, o que mais preocupa são a doutrinação religiosa cristã e a doutrinação ideológica de “esquerda”, de orientação marxista-leninista. No entanto, tem crescido, também, nos últimos tempos, movimentos mais conservadores, rotulados de “direita”. Mas são movimentos muito fragmentados, de diversas nuances ideológicas, muitos deles ligados a correntes religiosas mais conservadoras.

A doutrinação religiosa cristã no Brasil tem como principal alvo as pessoas mais humildes, com formação escolar precária, por serem, obviamente, muito mais fáceis de serem doutrinadas e manipuladas. O instrumento utilizado pelos doutrinadores religiosos é a Bíblia, o livro sagrado do Cristianismo, que, com seus textos complexos, que dão margem a múltiplas interpretações, fornece todos os elementos necessários para a doutrinação de milhões de pessoas, que, obviamente, por terem pouca ou nenhuma formação escolar e intelectual, dificilmente questionarão os argumentos e os “ensinamentos” de seus doutrinadores.

Apesar de sua banalização entre as pessoas religiosas, o conteúdo das escrituras sagradas do Cristianismo não é para qualquer um, por ser de difícil entendimento e interpretação. É preciso saber que a Bíblia é uma coletânea de vários textos antigos, escritos por vários autores hebreus, anônimos, de diferentes gerações, ao longo de cerca mil e quinhentos anos, em hebraico, aramaico e grego koinê. Como foram escritos há muitos séculos, em idiomas antigos, por vários autores, de um povo que tinha uma cultura e uma visão de mundo totalmente diferente da nossa, isto é, de hoje em dia, os textos bíblicos têm que ser contextualizados com muito cuidado e, principalmente, à luz de conhecimento histórico e geográfico da época e dos lugares em que se passaram os fatos narrados. Além disso, segundo alguns especialistas, as traduções dos textos bíblicos para as línguas contemporâneas os empobrece um pouco, em comparação com suas versões nos idiomas originais, já que as línguas antigas tinham uma estrutura sintática e semântica diferente da grande maioria dos idiomas falados e escritos atualmente, com muitas variantes, que dificultam bastante a conversão de textos para os idiomas contemporâneos. Portanto, para tentar estudar e conhecer bem os textos bíblicos, é recomendável – mas não essencial - que o interessado conheça os idiomas em que eles foram escritos originalmente. Além disso, é preciso entender que os autores bíblicos estavam mais preocupados em transmitir ensinamentos de crença e fé do que em fidelidade histórica. Muitos dos casos narrados nos textos bíblicos não foram testemunhados pelos autores bíblicos, mas chegaram até eles por meio de seus ascendentes, através da literatura oral da época. Como os hebreus eram um povo que preservava as tradições de seus antepassados, as histórias eram transmitidas oralmente, de pai para filho, isto é, de uma geração para outra. Naquele tempo, ler e escrever era uma arte acessível a pouquíssimos, isto é, restrita quase que exclusivamente aos escribas (escrivães). Na maioria das vezes, nem os reis e a aristocracia sabiam ler e escrever. Era uma arte, na época, como acontecia, por exemplo,  com os computadores nos anos 60 e 70, que só podiam ser utilizados por pessoas iniciadas. Portanto, a maioria absoluta das pessoas daquele tempo não sabia ler nem escrever. Como essas histórias eram contadas e recontadas oralmente por gerações, é possível que elas tenham chegado aos autores bíblicos já distorcidas, com acréscimos, decréscimos, omissões e adições. No entanto, os cristãos acreditam que a Bíblia teria sido escrita “sob a inspiração divina” e, por isso, seria a “Palavra de Deus” aos homens. Mas essa é uma questão de fé, que tem que ser respeitada, mas que, dentro do contexto histórico e científico deste texto, não vamos aqui analisar.

Em suma, diante de tanta complexidade, podemos concluir que os textos bíblicos oferecem os ingredientes perfeitos para serem usados como instrumentos de doutrinação e manipulação.

Claro que a doutrinação religiosa, por si só, não constitui nenhum perigo para o indivíduo nem para a sociedade. Quando o objetivo é somente a divulgação da fé, ela pode até ser saudável. O grande perigo está nas intenções que estão por trás de um processo de doutrinação religiosa. Muitas vezes, o objetivo é garantir um poder de manipulação de um grande número de pessoas, que, doutrinadas, tornam-se perfeitos “idiotas úteis” para um líder religioso ou para uma instituição com objetivos não muito nobres.

A doutrinação ideológica, hoje em dia, em plena era da informação, talvez não tenha tanta chance de ser abrangente e bem-sucedida como ocorreu com o nazifascismo, na Europa, nos anos 20 e 30 do século passado, mas ela, obviamente, não deixou de existir. No Brasil, por exemplo, ela está presente, principalmente em escolas, universidades, movimentos sociais, sindicatos e entidades congêneres. Seu grau de periculosidade é relativo, dependendo, obviamente, do conteúdo e dos objetivos do processo de doutrinação. No Brasil e em toda a América Latina, a predominância é da doutrinação ideológica de esquerda (marxista-leninista). Curioso é que, com a queda do Muro de Berlim, em 1989, o fim da União Soviética e a derrocada do comunismo, no início dos anos 90, a chamada “esquerda” sofreu um baque, o que fez muita gente pensar que seria o fim da chamada utopia socialista/comunista. Não foi. Muitos partidos de esquerda se renovaram diante da nova ordem mundial que surgia, como, por exemplo, o Partido Comunista Brasileiro (PCB), o velho “partidão”, que abandonou velhos conceitos de esquerda, adotou uma nova concepção de socialismo, mais voltado para a social-democracia, mudando até de nome da agremiação, passando a se chamar Partido Popular Socialista, PPS. Contudo, outros segmentos da esquerda, apesar da nova realidade geopolítica mundial, mantiveram-se fiéis ao sonho de construir uma sociedade moldada rigorosamente no receituário marxista-leninista, alegando que o “verdadeiro socialismo” ainda não aconteceu e que as experiências vividas até o início dos anos 90, na União Soviética, na Europa Oriental, na China, Coreia do Norte, no Vietnan, Camboja, Albânia e Cuba, que se transformaram em regimes autoritários, estavam longe de ser o verdadeiro socialismo/comunismo.

A ditadura militar (1964-1985), com truculência, perseguições, torturas, mortes e censura, e a forte influência da “esquerda” na mídia e nos movimentos culturais nas últimas décadas enfraqueceram bastante os discursos da chamada “direita” no Brasil. O vínculo que se criou, um tanto errôneo e arbitrário, entre “ditadura militar” e a palavra “direita” fez com que se estabelecesse aqui uma impropriedade semântica: ser “de direita” no Brasil passou a ser um pecado, um crime. No entanto, com o tempo, isso foi mudando, e os movimentos mais conservadores, rotulados de “direita”, estão crescendo novamente no Brasil, principalmente, e surpreendentemente, entre os jovens. Aliás, a sociedade brasileira, em sua grande maioria, sempre foi e continua sendo bastante conservadora. Em razão disso, mesmo esses segmentos “de direita” não possuindo muito espaço na chamada “grande mídia”, eles exercem grande influência no modo de pensar da grande maioria do povo brasileiro. Uma das razões disso é que boa parte desses segmentos recebe forte influência religiosa, principalmente dos setores mais conservadores da Igreja Católica e de igrejas evangélicas. Não podemos nos esquecer de que nunca antes na história deste país tanta gente frequentou igrejas como agora. Os templos, principalmente os de denominações evangélicas, vivem lotados de fiéis. Esse aumento espantoso de religiosidade na população brasileira nos últimos anos fez com que houvesse, obviamente, um processo de reconservadorização da maior parte da sociedade brasileira. Curiosamente, há aí um processo de doutrinação religiosa que pode resvalar para a doutrinação também ideológica.

Para concluirmos nossas conjecturas, vamos tentar saber, então, quais seriam, afinal, os efeitos danosos da douinação ideológica e/ou religiosa. Isso depende de uma série de fatores relacionados à pessoa doutrinada, entre os quais sua formação cultural e religiosa, sua personalidade, suas condições emocionais, seus conceitos de vida, etc. Mas os efeitos podem variar da limitação do horizonte intelectual e cultural do doutrinado, passando pelo comprometimento de sua vida social, podendo chegar ao risco de transformá-lo em um completo fanático.

Uma pessoa com o horizonte intelectual limitado, decorrente de um processo de doutrinação intensa, a famosa “lavagem cerebral”, é aquela popularmente conhecida como “bitolada”, que tem uma compreensão ou uma visão do mundo, das coisas e da vida muito limitada. Parece que seu cérebro foi “reformatado”. Seu universo parece estar restrito àquilo que foi colocado em sua mente pelos seus doutrinadores. O que sair fora desses limites, a pessoa refuta, repele, desconsidera. No entanto, independentemente disso, ela pode até ter uma vida normal, possuir amigos e até uma vida social intensa. Há, no entanto, casos em que a pessoa passa a ter dificuldades de se relacionar com parentes e amigos. Ela se torna a “chata” ou o “chato” da turma, que todos começam a evitar, por não suportar mais suas ideias fixas de religião, ou de ideologia, ou de política. Como a pessoa julga-se descobridora da “Verdade”, achando que encontrou a “luz”, convence-se de que tem a obrigação de “salvar a humanidade”, de disseminar suas ideias “revolucionárias” ou “salvadoras”. Esse ou essa já está a um passo do fanatismo.

Somente uma formação intelectual e cultural sólida não é o bastante para proteger alguém de um processo de doutrinação. É preciso que a pessoa tenha, acima de tudo, um senso crítico apurado. Foi dito sempre aos fiéis das religiões do mundo: não questione. Creia. Eu, porém, lhes digo que não devem somente crer, mas questionar também. Pergunte, pesquise, duvide. Só a dúvida leva ao conhecimento. Não aceite uma ideia de pronto somente porque ela lhe parece bonita, bem-intencionada. Eu não diria que ninguém é dono da verdade. Mas, com certeza, ninguém, até hoje, conseguiu provar ser o dono da verdade. Então, não se deixe levar por oradores eloquentes, por discursos bonitos. Cuidado quando sentir aquela impressão de que “ele ou ela está dizendo justamente aquilo que eu precisava ouvir”. É justamente aí que pode estar a armadilha. Não se deixe enganar pelos falsos heróis, pelos falsos defensores dos pobres e oprimidos. Como diz a sabedoria popular, o inferno está repleto de bem-intencionados.

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* NARLOCH, Leandro, Guia Politicamente Incorreto da História do Mundo, São Paulo, Leya, 2013, pgs. 199 e 202.

sábado, 14 de novembro de 2015

Terrorismo islâmicos? O que fazer com eles?

O que aconteceu na última sexta-feira, dia 13 de novembro de 2015, em Paris, aquela tragédia terrível, aquele banho de sangue, só tem uma explicação lógica: se você cria monstros, acaba tendo que conviver com eles.

Ao longo das últimas décadas, especialmente durante a chamada “Guerra Fria”, as grandes potências, como Estados Unidos e seus aliados, assim como a União Soviética e seus satélites comunistas, financiaram grupos de guerrilha muçulmanos para lutarem a seu favor nos vários conflitos regionais que patrocinaram, componentes sujos da disputa ideológica e econômica que travavam entre si naquela época.


Os Estados Unidos, por exemplo, financiaram, nos anos 80, guerrilheiros islâmicos para lutarem contra a União Soviética, que havia invadido o Afeganistão. Com isso, criaram Bin Laden e a Al Qaeda. A união Soviética e seu herdeiro natural, o governo russo nacionalista de hoje, submeteram e submetem até hoje vários povos muçulmanos ao seu jugo.


O que esperar disso? A “Guerra Fria” acabou há um bom tempo, mas os mesmos erros continuam sendo cometidos, por parte dos Estados Unidos, que têm um presidente, hoje, curiosamente, de centro-esqurda, e de seus aliados ocidentais, e por parte da Rússia, que tem um presidente, hoje, curiosamente, também, populista, nacionalista e de direita.


E os monstros criados por eles estão aí, cometendo atrocidades, como as que aconteceram na última sexta à noite em Paris. O que fazer com eles?  

quarta-feira, 11 de novembro de 2015

Não me esqueci deste espaço...

Quem, porventura, abre este blog, tem se decepcionado, pois faz um bom empo que não psoto nada aqui. Mas eu não abandonei este espaço. Em breve devo voltar a postar aqui minhas ideias, minhas opiniões, enfim, aquilo que eu penso e acho que devo deixar registrado publicamente. Já tenho um texto quase pronto para publicar aqui, mas ele é um tanto delicado e polêmico. Por isso, estou tendo um certo cuidado em redigi-lo. 

Por isso, dentro de alguns dias, deve ter algo novo por aqui. 

quarta-feira, 5 de agosto de 2015

O PT precisa admitir seus erros e rever seus conceitos

Eu já votei no PT algumas vezes, mesmo não sendo de esquerda. Tenho muitos amigos petistas em minha cidade, pessoas muita queridas, amigas, honestas, íntegras, dignas. Mas acho que o partido está pagando por um erro que começou a cometer logo que saíram as primeiras denúncias de envolvimentos de petistas em denúncias de corrupção logo no começo do governo Lula. 

O PT deveria, já de início, ter sido mais firme com esses acusados, exigir deles uma explicação, uma prestação de contas ao partido e, em caso de sentença condenatória transitada em julgado, expulsado o membro participante de malfeito.

No entanto, o PT adotou uma postura diferente: em vez de ser intransigente com relação à conduta ética de seus membros, passou a mão em suas cabeças, defendeu-os, protegeu-os, adulou-os, tratou alguns até como heróis. Adotando aquele comportamento daquele pai protetor, que mima o filho problemático, dizendo aquela velha frase: "Meu filho não faz essas coisas".

Isso fez com aquele partido político, que nasceu do movimento sindical do final dos anos 70, no ABC paulista, que dizia carregar a bandeira da ética e da dignidade política, fosse se desgastando, perdendo credibilidade e se transformasse, hoje, em alvo de chacotas na mídia e nas redes sociais.  Não bastasse isso, aquela velha desculpa de que o PT é vítima de perseguição das “elites”, da “mídia golpista”, do Ministério Público, do STF, da Secretaria Geral  da ONU, dos Illuminati,  da Santíssima Trindade, ou seja lá de quem for, não convence mais ninguém. Só os militantes apaixonados é que ainda caem nessa desculpa esfarrapada. Também não podemos aceitar a outra desculpa esfarrapada, principalmente para quem acompanhou a história do partido, desde suas origens, de que a corrupção não é exclusividade do PT, de que outros partidos também teriam errado. Isso não isenta, de forma nenhuma, o PT de sua postura totalmente inadequado na condução dos escândalos em que membros seus estiveram e estão envolvidos.

O PT cometeu erros e está pagando por eles. O partido, estigmatizado e com sua imagem desgastada, precisa mudar sua postura, desfazer-se da influência populista e demagógica da pseudoesquerda de alguns países latino-americanos, e voltar a ser o PT velho de guerra, defensor da ética, da boa conduta política, do verdadeiro trabalhador, e não de "parasitas do Estado". Foi nesse PT que eu votei um dia, ou pensei ter votado. 

Enfim, o partido tem que rever seus conceitos e repensar sua postura diante da sociedade brasileira, que cada vez o rejeita mais. Se o PT não se renovar, não se livrar de velhos discursos populistas  e da velha esquerda retrógrada, estará condenado ao aniquilamento. 

sábado, 18 de julho de 2015

Velhos discursos em pleno século XXI

Já faz quase um ano que não posto nada neste blog. Nesse período em que fiquei ausente, muita coisa aconteceu, mas felizmente estamos aqui. Vamos então ao que nos interessa agora.

Ultimamente, na mídia e, principalmente, nas chamadas “redes sociais”, em pleno século XXI, no ano 2015, tenho a impressão de que estamos vivendo ainda nos anos ou dias que antecederam o golpe civil-militar de 1964 no Brasil. Mesmo em um mundo globalizado, interligado pela comunicação rápida, com o mapa da Europa redesenhado, após a queda do Muro de Berlim, velhos discursos ressurgem, como se tivessem sido retirados de gavetas e armários, onde permaneceram por mais de cinquenta anos. Ouvimos de novo o discursos do “comunista criminoso” contra o “burguês explorador”; do “defensor da justiça social, da natureza e da diversidade” contra o “defensor da ordem, da moral, dos bons costumes e da propriedade”. São velhos discursos, embasados em ideologias ou conceitos que já deveriam estar na lata de lixo da história.

As únicas novidades inseridas nesses discursos são a as questões da sexualidade e ambientais, que entraram na ordem do dia das “boas intenções” da chamada “esquerda”, para , assim, se dizerem "progressistas".. Na chamada “direita” não houve tanto “avanço”, a não ser a substituição das “ligas das senhoras católicas” por pastores e padres mais comunicativos e eloquentes. No mais, parece que, passadas décadas, esses discursos ideológicos são os mesmos, tão utópicos quanto hipócritas. Nunca levaram a nada. Não é agora, no terceiro milênio, que eles vão resolver alguma coisa. O mundo, hoje, não tem mais espaço para filósofos em tempo integral nem para intelecualoides de boteco. Precisamos de novas ideias, que sejam reais, exequíveis, em conformidade com a realidade que vivemos, que temos,  e não com a realidade que a gente gostaria de ter. 

sábado, 30 de agosto de 2014

Aposta perigosa? Só o futuro dirá

O Brasil passa por um momento difícil. A economia brasileira encolheu 0,6% no segundo trimestre em comparação com os três primeiros meses de 2014, conforme dados divulgados ontem pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). Foi o segundo trimestre consecutivo de retração na economia do País, um dos sintomas típico recessão, de crise. Enquanto isso, diante de falta de nomes confiáveis para governar o Brasil, o eleitorado prefere apostar em mais uma incógnita, em mais uma aventura, de tantas que já tivemos. Marina Silva, candidata a presidente pelo PSB não para de crescer nas pesquisas. Já está empatada com Dilma Rousseff, em 34 pontos, segundo a ultima pesquisa do DATAFOLHA. Que futuro nos aguarda? Dá até arrepios de pensar. Há quem chame Marina de uma espécie de Jânio Quadros de saia. Pode ser. Mas o eleitor, mais uma vez, quer mudanças. Já tivemos Jânio, e Collor, que encantaram o Brasil com seus discursos. Um renunciou por causa de “forças terríveis”, o outro foi apeado do poder. Será que Dilma não é mais uma aposta perigosa? Só o futuro nos dirá.

sexta-feira, 6 de junho de 2014

E o tal decreto “bolivariano” de Dilma?

E o tal Decreto n.º 8.243/2014 da Presidência da República, publicado no Diário Oficial da União de 26 de maio de 2014, que “institui a Política Nacional de Participação Social - PNPS e o Sistema Nacional de Participação Social – SNPS e dá outras providências”, como diz seu resumo introdutório.

Parece que esse decreto é mais uma tentativa do atual governo do PT e de boa parte da esquerda brasileira de criar mais um ornamento democrático. Parece que se esqueceram de que o Brasil é uma democracia representativa. A cada dois anos, nós, os membros da tal sociedade civil, os cidadãos, somos convocados a escolher nossos representantes, vereadores, deputados estaduais, deputados federais e senadores, assim como somos convocados também eventualmente para, em plebiscito ou referendo, decidirmos sobre assuntos espinhosos demais para nossos representantes. É assim que funciona a democracia representativa.

Não bastassem esses instrumentos institucionais, agora, a atual presidente da República, num acesso repentino de “democracismo”, assina um Decreto criando a tal Política Nacional de Participação Social e o tal de Sistema Nacional de Participação Social, para, por meio de conselhos, comissões, ouvidorias, fóruns, audiências e consultas públicas e toda essa parafernália aparentemente democrática, fazer de conta que toda a sociedade civil brasileira participa ativamente das diretrizes das políticas públicas.

Os partidos de oposição estão se unindo e querem revogar esse decreto, por considerarem que se trata de um golpe “bolivariano”, um atentado contra a democracia. E é mesmo um golpe. O amigo leitor pode até questionar: mas como um atentado contra a democracia, se a presidente está abrindo canais para que a sociedade civil participe e dê sua dose de colaboração na elaboração de políticas públicas.

Inicialmente, devemos lembrar que não podemos, de forma alguma, substituir ou tentar igualar a representatividade universal estabelecida constitucionalmente para a democracia representativa com a representatividade de conselhos, comissões ou fóruns ditos “populares”. Tentar fazer isso é, realmente, um golpe na democracia. Além disso, quem fará parte desses conselhos populares? Com toda certeza, somente militantes de partidos políticos ou dos chamados “movimentos sociais”.

E onde ficamos nós, cidadãos, trabalhadores, pessoas comuns, membros da sociedade civil, nessa história? Diferentemente desse pessoal dos “movimentos sociais”, dos “blogueiros progressistas”, dos “militantes de partidos”, nós, cidadãos, temos que trabalhar, estudar, pagar nossas contas, pagar os impostos, cuidar de nossas famílias, de nossas casas, de nossas vidas, enfim. Nós, cidadãos comuns, trabalhadores, contribuintes, que sustentamos com nossos impostos toda essa enorme e muitas vezes inútil burocracia estatal, não temos tempo, disposição, nem conhecimento técnico para participar de conselhos e audiências públicas. Nós já elegemos nossos representantes lá no Congresso Nacional, nas assembleias legislativas e nas câmaras municipais. Nós, cidadãos, contribuintes, trabalhadores, temos mais o que fazer do que ficar dando palpite sobre coisas das quais não entendemos.

Então, quem vai participar desses conselhos? Provavelmente, gente que tem tempo para ficar o dia todo fazendo manifestação, invadindo propriedades alheias, depredando prédios públicos e privados, que fica o dia todo escrevendo em blogs e fazendo panfletagem nas redes sociais, enfim, desocupados...

Nas próximas eleições, nós, cidadãos, os verdadeiros representantes da sociedade civil, termos de dar um basta nesta baderna em que se transformou este país. Esse é o único caminho verdadeiramente democrático de mudança: o voto, livre e consciente. É por meio dele que nós, o povo, a sociedade civil, vamos eleger nossos representantes, que terão o encargo de definir as diretrizes das políticas públicas. O resto é conversa mole, é teatro, é golpe. Acorda, Brasil!

segunda-feira, 2 de junho de 2014

Os sectários e suas “verdades”.

Você conhece um sectário?

Mas o que é um sectário? Em rigor, sectário é um seguidor de uma seita. No entanto, a palavra, hoje, adquiriu um sentido mais amplo, mais abrangente. Sectário pode ser definido, nos tempos de hoje, como aquele indivíduo que tem um apego exacerbado por um determinado ponto de vista, com uma visão, muitas vezes, estreita da realidade, quase sempre apresentando uma postura intransigente, intolerante, repelindo de forma abrupta tudo aquilo que contrarie seus conceitos, seus dogmas, seu entendimento de mundo. Acham-se “iluminados”, intelectualmente superiores à grande maioria das pessoas, mas, na verdade, não passam, muitas vezes, de idiotas úteis, que, por causa de seu fanatismo, já perderam o senso crítico.

Há sectários de todos os tipos. Mas, os dois mais conhecidos são os sectários político-ideológicos e os sectários religiosos.

Vamos analisar inicialmente os sectários político-ideológicos, que podem ser divididos em sectários de direita e de esquerda.

Os sectários de direita são mais raros, mas, quando aparecem, não são menos fanáticos e apaixonados que seus congêneres de esquerda. Geralmente são moralistas ao extremo, apegados à tradição, à família. São autoritários, intolerantes, intransigentes e preconceituosos. Felizmente, com as mudanças dos costumes, os sectários de direita são uma espécie quase em extinção, mas há muitos exemplares deles ainda espalhados por aí lutando em favor da moral e dos bons costumes.

Já os sectários de esquerda são aqueles que se dizem socialistas e sonham com um ittópico mundo igualitário. Mesmo depois de passados mais de 24 anos do fim da União Soviética, da quea do Muro de Berlim, do encerramento da “Guerra Fria” e da derrocada de todos os regimes socialistas da Europa Oriental, eles continuam falando como se ainda estivessem na década de 60, imputando aos Estados Unidos e ao capitalismo “selvagem” a culpa por todas as mazelas do mundo. O sectário de esquerda geralmente vê o mundo de forma maniqueísta. Para ele, baseado no que escreveram Karl Marx e Friedrich Engels, há 166 anos, num contexto socioeconômico totalmente diferente do atual, o mundo se divide em proletários, isto é, a classe trabalhadora, e a burguesia. Muitos deles não bebem Coca-Cola, por sem um produto-símbolo do que eles chamam de “imperialismo yankee”, mas, incoerentemente, usam telefone fixo e celular (todos invenções dos imperialistas), luz elétrica (invenção dos imperialistas), computadores (invenção dos imperialistas) e Internet (invenção dos imperialistas justamente para ser uma arma de guerra durante a “Guerra Fria”). A grande maioria deles é doutrinada, isto é, condicionada a pensar dessa forma, principalmente em universidades, sindicatos ou em grupos ou organizações chamadas de “movimentos sociais”. Eles se dizem “de esquerda”, “progressistas”, e consideram todo aquele que pensa diferente deles “de direita”, “conservador”, “reacionário” “fascista”, muito embora a grande maioria deles nem saiba o que realmente significam essas palavras.

Tão fanático quanto o sectário político-ideológico de direita e de esquerda é o sectário religioso. Esse é aquele que, quando adere a uma religião ou seita, acha que descobriu finalmente a “verdade” e, por isso, acha-se no direito de “salvar a humanidade”, de conquistar neófitos para que também sejam “salvos”.

Todo sectário, seja político-ideológico ou religioso, acha-se um privilegiado intelectualmente e enxerga todo aquele que não comunga de suas ideias como ignorantes, alienados, pecadores, ímpios, infiéis, etc. Na verdade, ele mesmo não passa de um idiota útil, um manipulado, alguém que intelectualmente come pela mão dos seus “mestres”, seus doutrinadores, sem se aperceber disso.

Quando deparo com um desses sectários, “donos da verdade”, me lembro dos versos de Fernando Pessoa, quando ele diz em um trecho de seu poema Lisbon Revisited, “Não me venham com conclusões!/A única conclusão é morrer”. Mais adiante, ele é mais direto: “Se têm a verdade, guardem-na!

O sectarismo, em graus mais suaves, só incomoda. Mas em graus mais elevados, como a História demonstra, pode perseguir, torturar e matar milhões de pessoas.

No evangelho de João, 18: 38, num improvável diálogo entre Jesus (que falava aramaico) e Pilatos (que falava latim), o então prefeito da Judeia pergunta ao jovem réu galileu: Quid est veritas? (O que é a verdade?). Jesus não respondeu. Ou ele não sabia a resposta ou sabia que seria impossível tentar explicar a Pilatus o que é a verdade.

Poer isso, se você tem a “verdade”, por favor, guarde-a.

sábado, 17 de maio de 2014

Nem tudo está perdido…

Em uma espécie de imitação um tanto desajeitada dos velhos concursos de músicas da televisão dos anos 60, chamados de “festivais”, a Prefeitura de Pereira Barreto está realizando mais um festival de MPB, sigla muita usada nos anos 60 e 70 para “música popular brasileira”, de uma época em que essas músicas eram mesmo populares, não só no nome. Era um tempo em que Chico Buarque, Caetano e Gil tocavam em populares programas musicais do rádio.

O tempo passou, o mundo mudou e os velhos festivais da Record e da Excelsior viraram somente doces lembranças. No entanto, em cidades perdidas no interior do Brasil, como Pereira Barreto e Ilha Solteira, citanto só duas como exemplo, os anos 60, de repente, estão de volta. Num determinado momento, centenas de cidadãos do século XXI viajam no tempo para reviverem uma época de muita agitação, rebeldia, protesto e música de letra complicada, que fala de política, de problemas existenciais e sociais, de política e de costumes, num misto de pretenso intelectualismo e ingenuidade.

Em tempos de funk e sertanejo universitário, o sucesso, em uma pequena cidade do interior do Brasil,  de um concurso de músicas mais sofisticadas, com letras mais elaboradas, falando de assuntos que vão do intimismo a questões sociais, é algo que realmente surpreende. É um sinal de que a boa música, a música de verdade, ainda pode ser resgatada. Nem tudo está perdido....

quarta-feira, 30 de abril de 2014

Cuidado com a guerra de informações que vem por aí

Na medida do possível, tenho tentado acompanhar o que acontece na v ida política do Brasil e do mundo. Não é fácil, hoje em dia, absorver tanta informação que a gente recebe diariamente, p0ela TV, pelos jornais, revistas e, principalmente, pela Internet. Na, dentro do possível, a gente vai se informando e acompanhando os fatos e tentando fazer um juízo de valor sobre eles.

Estamos em ano de eleições para deputados estaduais e federais, senadores, governadores e presidente da República. O ambiente político está em ebulição. Quem se limita a acompanhar os acontecimentos somente pela TV, como faz a maioria das pessoas, não percebe muito o clima tenso em que o País está entrando. Mas quem acompanha os fatos pela Internet, principalmente, pelas chamadas redes sociais, percebe que está havendo uma grande radicalização político-ideológica nos debares políticos, que há muito não se via no Brasil.

Aos poucos, radicais de esquerda e de direita começam a expor suas ideias na rede. A medida que as eleições se aproximam, os debates nas redes sociais e, principalmente, a radicalização desses debates, têm se tornando mais intensos. A impressão que se tem é que teremos ao longo deste ano uma intensa guerra de informações, desinformações, contrainformações, muitos boatos, a grande maioria, obviamente, falsos. O sectarismo e o radicalismo, num clima desse, é perigoso. Não se iluda o amigo leitor: os dois lados são “golpistas”. A briga não é só pelo poder, mas também pela hegemonia cultural. Todo o mundo quer impor suas “verdades absolutas”.

Portanto, há que se tomar muito cuidado com o que se lê o que se houve na mídia e, principalmente, nas redes sociais durante esse período pré-eleitoral e eleitoral. O importante é estar atento, saber filtrar as informações. Embora a maioria dos segmentos radicais de esquerda e de direita tentem desqualificar as informações da mídia tradicional, ela, apesar de todos os pesares, de todas as suas conhecidas mazelas, de seus interesses, etc., ainda é a fonte de informação mais segura e confiável, porque, como instituição legalmente constituída, ela tem um certo compromisso com a informação e, obviamente, precisam tentar manter sua credibilidade. Mesmo assim, nunca confie somente em uma fonte mesma fonte. Ao tomar conhecimento de uma informação por meio de um determinado canal de mídia (TV, jornais, portais, etc.), procure ver se a mesma informação está disponível em outro canal. Se não estiver, desconfie.