quarta-feira, 5 de agosto de 2009

Continuamos no passado

Nesta semana, vi, pela TV, duas cenas que me deixaram impressionado. A primeira foi a briga, travada nas dependências do Senado, entre os senadores Pedro Simon, Renan Calheiros e Fernando Collor. Vi um Pedro Simon acuado, um Renan Calheiros atrevido e um Fernando Collor ameaçador, com a mesma cara arrogante dos seus tempos de presidente da República. A cara feia de Collor ainda está na minha cabeça. 

Outra cena curiosa que vi foi uma reapresentação, na TV Cultura, de um programa de entrevista, chamado com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, de 1978, época em que ele era apenas um dirigente sindical. Naquele tempo, ainda em plena ditadura militar, era somente Luiz Inácio da Silva. Não tinha o “Lula” no nome. O Lula que estava ali era um outro Lula, totalmente diferente do Lula de hoje. Era um Lula pelo menos aparentemente apolítico. Um Lula em seu "estado puro". Na entrevista, Lula disse que não tinha pretensões políticas. Cometendo muito mais erros de português do que ele comete hoje, ele diz: “Não dou pra político”, querendo dizer que não tinha vocação para a política partidária. O tempo encarregou-se de provar o contrário. Mas esse Lula que apareceu nessa entrevista de 1978 não existe mais. O Lula de hoje, político, presidente da República, é um Lula com 31 anos de distância daquele Lula sindicalista, apolítico. 

Mas o que eu quero dizer é que, passados todos esses anos de história, de lutas contra a ditadura, de lutas pela redemocratização do País, de luta para mudar o Brasil, modernizá-lo, transformá-lo em uma nação soberana, livre, com cada vez menos injustiças sociais, com todas as suas instituições políticas e jurídicas mais aperfeiçoadas, o que se vê hoje, ainda, na politica nacional são velhos “coronéis” ainda dando as cartas, Apesar de toda luta, de todas as transformações pelas quais o Brasio passou nos últimos 30 anos, muita gente que já deveria estar na lata de lixo da história deste país ainda continua aí, mandando e desmandando, e, o que é pior, apoiados por muitos daqueles que diziam estar lutando pela redemocratização e pela modernização de nosso país, inclusive o presidente Lula. Triste sina a nossa. Continuamos no passado. 

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