
Durante as últimas eleições, eu dizia que Pereira Barreto precisava ter um prefeito que trouxesse nossa cidade para o século XXI. Eu sempre disse que, apesar de todos dos avanços tecnológicos e culturais pelos quais o Brasil e o mundo passou nos últimos anos, nossa cidade ainda parece viver na década de 70. Contra-argumentando, alguém poderia dizer que Pereira Barreto é uma cidade pequena, afastada dos grandes centos, nosso povo é simples e tem, em sua maioria, um baixo poder aquisitivo. Trata-se de uma visão comodista da situação. Apesar de todas as dificuldades, apesar de todos os argumentos em contrário que se possam arranjar, Pereira Barreto precisa urgentemente vir para o século XXI. Mas isso não depende somente da Administração Pública do município, mas também da sociedade local, dos empresários, do comércio, enfim, de toda a comunidade.
Olhem, na foto acima, como estão sendo tratados nossos monumentos públicos. Aliãs, o que fizeram com a Praça da Bandeira, quando a reformaram, alguns anos atrás, foi um crime contra a história da cidade. Em Pereira Barreto, o tempo é irrelevante. Não se avança rumo ao futuro, mas também não se respeita o passado.
Em 1996, eu e mais um grupo de pessoas da cidade tivemos a ideia de trazer a Internet para Pereira Barreto. Mesmo, na época, sendo a Internet um luxo só acessível aos grandes centros, não medimos esforços para trazer esse novo meio de comunicação para nossa cidade. Foram dois anos de luta, pois, naquele tempo, os serviços de comunicação eram, ainda, estatizados e, por isso, as empresas do setor estavam sucateadas. Somente em julho de 1998, é que conseguimos, finalmente, colocar nossa cidade no mundo virtual. Passamos a acesso à Internet muito antes do que muita cidade de porte médio de nosso país.
Se a sociedade pereira-barretense deixasse um pouco de viver de filantropia e se unisse mais para conseguir trazer mais benefícios para nossa cidade, até os problemas sociais poderiam ser atenuados. Somos uma estância turística. Se a gente quer atrair visitantes para a nossa cidade e, consequentemente, mais recursos e empregos para a cidade, temos de torná-la mais agradável, com mais opções de lazer, de cultura, de entretenimento, mais opções no comércio. Não podemos ficar esperando que tudo isso caia do céu, nem que o prefeito atual faça algum milagre. Não podemos esperar nada do governo estadual, já que parece que a filosofia da atual administração do Estado é jogar tudo o que for possível nas mãos dos municípios.
Algum tempo atrás, conversando com uma pessoa pela Internet, ao saber que eu era de Pereira Barreto, ela me disse que já tinha vindo visitar nossa cidade a trabalho. Mas ela me contou uma história que me deixou, como pereira-barretense, envergonhado. Ela disse que sofreu um pequeno acidente e, como não pôde ser atendida no Pronto Socorro local, teve de se deslocar até Ilha Solteira para ter atendimento médico. Isso é uma vergonha! Se nem um atendimento médico básico a gente pode oferecer aos nossos visitantes, quando necesário, como nós podemos querer ser uma cidade turística de verdade?
Aliás, saúde é um problema sério em nossa cidade. Acho bastante louvável que se façam campanhas para arrecadar fundos para o Hospital do Câncer de Barretos. Afinal de contas, é uma entidade que faz um trabalho admirável, o que a tornou um dos maiores centros de referência no tratamento do câncer no País. Muita gente de nossa cidade e da região se trata naquele Hospital. Mas também não podemos nos esquecer de que a Santa Casa de Misericórdia de Pereira Barreto, a única unidade hospitalar da cidade, apesar de todos os esforços da provedora, minha amiga Nair, e de toda a irmandade, vive em permanente dificuldade. Pela enormidade dos problemas financeiros que tem, é um milagre ela ainda estar em pleno funcionamento. E lembro: ela é a nossa única unidade hospitalar. Mesmo com todas as suas carências e dificuldades, é nela que nós, pereira-barretenses, quando temos algum problema de saúde de emergência, recebemos o primeiro atendimento médico, socorro sem o qual muitas vidas se perderiam, pois os hospitais mais próximos ficam a uma distância mínima de 40 quilômetros daqui. Essa distância e o tempo perdido na viagem, sem um primeiro atendimento médico, podem tirar a vida de muita gente.
CIDADE CONTRA CIDADE – 40 ANOS ATRÁS
Pouca gente se lembra ou tem conhecimento disso, mas, no próximo dia 08 de agosto, fará 40 anos que Pereira Barreto participou do programa “Cidade contra Cidade”, apresentado por Sílvio Santos, na TV Tupi de São Paulo. Disputamos com a cidade de Itapeva, do Vale do Ribeira, e e perdemos a disputa. A causa maior da derrota era e desigualdade entre as cidades participantes. A produção do programa não tinha muitos critérios e escalavam para competir cidades de portes diferentes. Contra Itapeva, uma cidade bem mais antiga e bem maior que Pereira Barreto, havia, evidentemente, pouca chance de vitória.
Mas, para mim, que, ainda um pré-adolescente na época, o fato mais relevante dessa história foi a união de toda a comunidade pereira-barretense daquela época para participar do programa. Durante os meses que antecederam a disputa, toda a sociedade local se mobilizou para mostrar para todo o Estado de São Paulo, sul do Mato Grosso (hoje, Mato Grosso do Sul), sul de Minas Gerais e norte do Paraná, isto é, aonde chegava o sinal da extinta TV Tupi de São Paulo, o que Pereira Barreto tinha de melhor. Muitas promoções foram feitas, a fim de arrecadar recursos. O programa iria ao ar, ao vivo, numa sexta-feira, dia 08 de agosto de 1969. Na noite anterior ao programa, eu me lembro de centenas de pessoas aglomeradas em frente ao CAP para embarcar em um dos vários ônibus que iriam levá-las à capital do Estado para assistir ao programa e torcer pela nossa cidade. Como o aniversário de Pereira Barreto, que completaria, então, 41 anos, seria na segunda-feira seguinte, dia 11, o então prefeito Ernesto Trentin antecipou o feriado de aniversário para aquela sexta-feira, dia 08. Foi um dia de muita expectativa e ansiedade em Pereira Barreto, com todo o mundo aguardando a noite chegar para ver a nossa cidade na TV. Mas ninguém se iludiu, achando que Pereira Barreto ganharia a disputa. O importante para os pereira-barretenses daquele tempo era participar. Hoje, pouca gente se lembra de tudo isso.
Infelizmente, hoje, os tempos são outros, e as pessoas também são outras.
Olhem, na foto acima, como estão sendo tratados nossos monumentos públicos. Aliãs, o que fizeram com a Praça da Bandeira, quando a reformaram, alguns anos atrás, foi um crime contra a história da cidade. Em Pereira Barreto, o tempo é irrelevante. Não se avança rumo ao futuro, mas também não se respeita o passado.
Em 1996, eu e mais um grupo de pessoas da cidade tivemos a ideia de trazer a Internet para Pereira Barreto. Mesmo, na época, sendo a Internet um luxo só acessível aos grandes centros, não medimos esforços para trazer esse novo meio de comunicação para nossa cidade. Foram dois anos de luta, pois, naquele tempo, os serviços de comunicação eram, ainda, estatizados e, por isso, as empresas do setor estavam sucateadas. Somente em julho de 1998, é que conseguimos, finalmente, colocar nossa cidade no mundo virtual. Passamos a acesso à Internet muito antes do que muita cidade de porte médio de nosso país.
Se a sociedade pereira-barretense deixasse um pouco de viver de filantropia e se unisse mais para conseguir trazer mais benefícios para nossa cidade, até os problemas sociais poderiam ser atenuados. Somos uma estância turística. Se a gente quer atrair visitantes para a nossa cidade e, consequentemente, mais recursos e empregos para a cidade, temos de torná-la mais agradável, com mais opções de lazer, de cultura, de entretenimento, mais opções no comércio. Não podemos ficar esperando que tudo isso caia do céu, nem que o prefeito atual faça algum milagre. Não podemos esperar nada do governo estadual, já que parece que a filosofia da atual administração do Estado é jogar tudo o que for possível nas mãos dos municípios.
Algum tempo atrás, conversando com uma pessoa pela Internet, ao saber que eu era de Pereira Barreto, ela me disse que já tinha vindo visitar nossa cidade a trabalho. Mas ela me contou uma história que me deixou, como pereira-barretense, envergonhado. Ela disse que sofreu um pequeno acidente e, como não pôde ser atendida no Pronto Socorro local, teve de se deslocar até Ilha Solteira para ter atendimento médico. Isso é uma vergonha! Se nem um atendimento médico básico a gente pode oferecer aos nossos visitantes, quando necesário, como nós podemos querer ser uma cidade turística de verdade?
Aliás, saúde é um problema sério em nossa cidade. Acho bastante louvável que se façam campanhas para arrecadar fundos para o Hospital do Câncer de Barretos. Afinal de contas, é uma entidade que faz um trabalho admirável, o que a tornou um dos maiores centros de referência no tratamento do câncer no País. Muita gente de nossa cidade e da região se trata naquele Hospital. Mas também não podemos nos esquecer de que a Santa Casa de Misericórdia de Pereira Barreto, a única unidade hospitalar da cidade, apesar de todos os esforços da provedora, minha amiga Nair, e de toda a irmandade, vive em permanente dificuldade. Pela enormidade dos problemas financeiros que tem, é um milagre ela ainda estar em pleno funcionamento. E lembro: ela é a nossa única unidade hospitalar. Mesmo com todas as suas carências e dificuldades, é nela que nós, pereira-barretenses, quando temos algum problema de saúde de emergência, recebemos o primeiro atendimento médico, socorro sem o qual muitas vidas se perderiam, pois os hospitais mais próximos ficam a uma distância mínima de 40 quilômetros daqui. Essa distância e o tempo perdido na viagem, sem um primeiro atendimento médico, podem tirar a vida de muita gente.
CIDADE CONTRA CIDADE – 40 ANOS ATRÁS
Pouca gente se lembra ou tem conhecimento disso, mas, no próximo dia 08 de agosto, fará 40 anos que Pereira Barreto participou do programa “Cidade contra Cidade”, apresentado por Sílvio Santos, na TV Tupi de São Paulo. Disputamos com a cidade de Itapeva, do Vale do Ribeira, e e perdemos a disputa. A causa maior da derrota era e desigualdade entre as cidades participantes. A produção do programa não tinha muitos critérios e escalavam para competir cidades de portes diferentes. Contra Itapeva, uma cidade bem mais antiga e bem maior que Pereira Barreto, havia, evidentemente, pouca chance de vitória.
Mas, para mim, que, ainda um pré-adolescente na época, o fato mais relevante dessa história foi a união de toda a comunidade pereira-barretense daquela época para participar do programa. Durante os meses que antecederam a disputa, toda a sociedade local se mobilizou para mostrar para todo o Estado de São Paulo, sul do Mato Grosso (hoje, Mato Grosso do Sul), sul de Minas Gerais e norte do Paraná, isto é, aonde chegava o sinal da extinta TV Tupi de São Paulo, o que Pereira Barreto tinha de melhor. Muitas promoções foram feitas, a fim de arrecadar recursos. O programa iria ao ar, ao vivo, numa sexta-feira, dia 08 de agosto de 1969. Na noite anterior ao programa, eu me lembro de centenas de pessoas aglomeradas em frente ao CAP para embarcar em um dos vários ônibus que iriam levá-las à capital do Estado para assistir ao programa e torcer pela nossa cidade. Como o aniversário de Pereira Barreto, que completaria, então, 41 anos, seria na segunda-feira seguinte, dia 11, o então prefeito Ernesto Trentin antecipou o feriado de aniversário para aquela sexta-feira, dia 08. Foi um dia de muita expectativa e ansiedade em Pereira Barreto, com todo o mundo aguardando a noite chegar para ver a nossa cidade na TV. Mas ninguém se iludiu, achando que Pereira Barreto ganharia a disputa. O importante para os pereira-barretenses daquele tempo era participar. Hoje, pouca gente se lembra de tudo isso.
Infelizmente, hoje, os tempos são outros, e as pessoas também são outras.

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