O fogo que consumirá o exemplar do Alcorão que Terry Jones irá queimar poderá incendir todo o mundo islâmico.
Se há uma coisa que não poderia existir em pleno século XXI é a intolerância religiosa. Como seres presumivelmente evoluídos e civilizados, já deveríamos estar educados suficientemente para não mais haver confrontos religiosos no mundo. No entanto, em pleno despertar do terceiro milênio, a intolerância religiosa está mais presente do que nunca em nosso dia a dia.
A mais recente notícia, agora, vem dos Estados Unidos. Um tal de reverendo Terry Jones, pertencente à Dove World Outreach Center, uma igreja cristã fundamentalista, com sede em Gainesville, no estado americano da Flórida, quer queimar o Alcorão, o livro sagrado dos muçulmanos, nos dia de aniversário dos atentados de 11 de setembro de 2001, no próximo sábado.
Obviamente, uma ideia maluca como essa só poderia ter provocado reações nos Estados Unidos e em várias partes do mundo, principalmente nos países islâmicos. O secretário de Justiça dos Estados Unidos, Eric Holder, disse que a ideia é "idiota e perigosa". A declaração de Holder foi feita durante uma reunião com líderes religiosos em Washington, para encontrar meios de combater a violência religiosa. A ideia provocou, ainda, reações contrárias no Vaticano, na Indonésia (o maior país islâmico do mundo), no Irã e até protestos do comandante das tropas internacionais no Afeganistão, que teme reações das diversas facções islâmicas naquele país. No entanto a Dove World Outreach Center já anunciou que não pretende recuar e vai, mesmo, queimar o Alcorão.
Não há nada mas perigoso do que o radicalismo. É absurdo querer culpar todos os muçulmanos pelos atentados seria mais ou menos o mesmo que culpar todos os católicos do mundo pelos atentados que foram cometidos pelo IRA, na Irlanda do Norte, só pelo fatos se serem católicos.
Estamos em pleno século XXI. Já deveríamos, há muito, ter superado essa intolerância religiosa. Já deveríamos ter aprendido a conviver com as diferenças. No entanto isso não acontece. O grande mal da fé cega é que os adeptos de uma determinada religião se acham os donos da verdade e, por consequência, julgam os seguidores de outros segmentos religiosos diferentes do dele ignorantes e/ou até inimigos que devem ser combatidos. Esse tipo de visão é extremamente perigosa e já levou o mundo a muitas guerras sangrentas.
É impressionante que, em pleno ano de 2010, as pessoas não tenham aprendido ainda que religião é CRANÇA, somente CRENÇA, nada mais do que CRENÇA. Uma verdade irrefutável pode ser imposta por ser uma verdade irrefutável. A maior cidade do Brasil é São Paulo. Não adianta eu acreditar que a maior é Belo Horizonte ou Brasília. Não é nenhuma delas. A maior cidade mesmo é São Paulo e pronto. Isso está provado documentalmente. É uma verdade irrefutável. Quando se trata da existência de Deus, no entanto, há quem acredite nele fielmente, assim como há quem não acredite. Deus existe? Ninguém pode afirmar categoricamente, com bases científicas, com provas documentais, que sim ou que não. É apenas uma questão de crer ou não crer. É uma questão de fé.
Infelizmente, o radicalismo existe em todos os segmentos religiosos. Não adianta reclamar dos radicais islâmicos, quando os vemos, pela TV, protestar contra o Ocidente e queimar bandeiras dos Estados Unidos, gritando “morte à América”, Nós, ocidentais, também temos nossos segmentos ultraconservadores e radicais. E eles são tão perigosos quanto os radicais islâmicos. Aliás, todo fanatismo religioso é extremamente danoso ao ser humano e à sociedade.
A ideia do Sr. Terry Jones e sua Dove World Outreach Center é uma perigosa demonstração de radicalismo e intolerância religiosa. Ele quer culpar toda uma religião pelo que fizeram um grupo de fanáticos ensandecidos. Se ele realmente cumprir sua promessa, vai atrair para si toda ira dos milhões de praticantes do islamismo. O fogo que consumirá o exemplar do Alcorão que Terry Jones irá queimar poderá incendir todo o mundo islâmico.

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