Nos últimos dias, o principal assunto político tem sido a violação do sigilo fiscal da filha do candidato a presidente da República José Serra (PSDB).
Ontem à noite, inclusive, foi amplamente divulgado pela mídia, com base em informações oficiais do Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo (TRE-SP) de que o falso procurador de Veronica Serra, Antonio Carlos Atella Ferreira, foi filiado ao PT. Essa informação, por si só, obviamente, não confirma a acusação de José Serra de que tudo não passa de uma armação da campanha de Dilma Rousseff (PT), mas deverá, sem dúvida, colocar mais lenha na fogueira da campanha eleitoral.
O impressionante dessa história toda é que somente agora, por causa desse caso da filha de Serra, é que a classe política passou a se preocupar com a violação de sigilo fiscal. No início de agotsto deste ano, a Delegacia Antipirataria do Departamento de Investigações sobre o Crime Organizado (Deic) de São Paulo prendeu um homem suspeito de vender informações sigilosas na região central da cidade. Nos seis CDs adquiridos por um policial disfarçado de comprador, foram encontrados dados do Registro Geral (RG), CPF, endereços, telefones e informações de contribuintes do Imposto de Renda (IR), como o valor a ser restituído.
Situações como essa nos mostram que todos nós, cidadãos comuns, contribuintes, corremos risco de termos violado, não só nosso sigilo fiscal, mas também de termos nossa privacidade devassada, pois parece que esse comércio de dados sigilosos de milhões de cidadãos existe mesmo e tem que ser combatido com rigos. Com informações como nome, endereços, CPF, RG, telefones, valor da restituição a ser recebidas e demais informações pessoais, a bandidagem de plantão, com sua enorme e assutadora criatividade, pode cometer diversos tipo de crime.
Quanto à questão política, não creio que isso vá mudar a convicção dos eleitores. Pesquisa do IBOPE, divulgada ontem à noite, dá conta de que, apesar de todo barulho em torno do assunto, Q petista Dilma Rousseff continua liderando, com 51% das intenções de voto, o que lhe garantiria vitória já no primeiro turno, contra 27% de José Serra (PSDB) e 8% de Marina Silva (PV).
Em São Paulo, a disputa ao governo do Estado mostra o candidato do PSDB, Geraldo Alckmin, com 51% das intenções de voto. O candidato do PT, Aloizio Mercadante, aparece com 20%. Como a margem de erro é de três pontos percentuais para mais ou para menos, Alckmin pode ter entre 54% e 48%, e Mercadante, entre 23% e 17%.
Algo que me deixa impressionado é a liderança de Geraldo Alckmin. Nada contra ele. No entanto, há que se reconhecer que Alckmin não tem nenhum atributo natural típico de um político popular, como é o caso de Lula. Por causa justamente de sua personalidade insípida, inodora e incolor, Alckmin já foi chamado jocosamente, pelo impagável jornalista José Simão de “picolé de chuchu”. Contudo, é justamente esse “picolé sem sabor” que lidera, e com muita folga, a disputa para o governo do estado mais rico da Federação.
A explicação para isso: talvez o povo paulista goste mesmo de chuchu.

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