domingo, 22 de fevereiro de 2009

Imposto de Renda - Pessoa Física: está chegando a hora de prestar contas ao "Leão".

Pois é, pessoal. Pode ir se preparando. Começa no próximo dia 2 de março e se estende até a 30 de abril o prazo para declarar o Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF) 2009, ano-base 2008. A Receita Federal espera receber aproximadamente 25 milhões de declarações, que podem ser feitas em papel, disquetes ou no site da instituição (www.receita.gov.br).

Neste ano, o IRPF terá algumas novidades, como o aumento no preço do formulário (de R$ 3,50 para R$ 4), para quem faz, ainda, a declaração por esse meio, Como muito pouca gente, hoje, faz declaração por formulários, esse é um detalha que vai passar praticamente despercebido da maioria dos contribuintes.

Outra novidade bastante interessante é a extensão do prazo de entrega para a meia-noite do dia 30 de abril para envio da declaração pela Internet – antes o prazo era até as 20 horas da mesma data. O contribuinte que não enviar sua declaração neste período pagará uma multa de R$ 165,74, no mínimo. Portanto, fique atento.


O contribuinte também poderá optar por informar ou não o número do recibo da declaração do ano anterior. Mas é recomendável informar o número do recibo, por questões de segurança. Se algum fraudador utilizar o dado ao enviar a documentação para a Receita, a declaração sem número perderá a validade.

O pagamento do imposto devido poderá ser agendado, seja em cota única ou parcelado em até oito vezes. O acerto pode ser feito por meio de débito automático em conta corrente. Para isso é necessário enviar a declaração até o dia 31 de março. Na própria declaração, você informa o banco, a agência e o número de sua conta bancária para o débito. Se não quiiser o débito, basta imprimir as DARFs correspondentes. O programa IRPF2009 oferece esse recurso.

Outra mudança é na tabela de alíquotas do imposto de renda.
  • Isento: até R$ 1.434
  • 7,5%: de R$ 1.434 a R$ 2.150
  • 15%: de R$ 2.150 a R$ 2.866
  • 22,5%: de R$ 2.886 a R$ 3.582
  • 27,5%: acima de R$ 3.582
Veja alguns outros aspectos importantes da declaração do Imposto de Renda deste ano:

Educação: As despesas com a educação regular (ensino infantil, fundamental, médio, superior, pós-graduação, mestrado, doutorado, ensino técnico e tecnológico) estão limitadas a abater R$ 2.592,29 por contribuinte. Cursos de idiomas, informática, kumon e outros não entram nas despesas com educação.

Dependentes: O abatimento com dependentes está limitado a R$ 1.655,88 por declarante.

Saúde: Podem ser abatidas integralmente da renda bruta despesas com médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, terapeutas ocupacionais, fonoaudiólogos, hospitais, exames em laboratórios, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos, próteses dentárias e ortopédicas. Não há limite fixo para os gastos com saúde, no entanto, valores muito altos tendem a ficar na malha fina por fugirem dos parâmetros estabelecidos pelos computadores da Receita. Tenha a nota fiscal de todos os pagamentos e despesas em hospitais – gastos com remédios, fraudas e demais materiais poderão ser abatidos somente nos casos de internação.

Plano de saúde: se você fez tratamentos médicos em 2008 (consultas, exames, internação, cirurgias, etc.) que foram cobertas por seu plano de saúde, essas despesas, obviamente, não entram, pois já estão inclusas em seu plano de saúde. O que você pode declarar são as mensalidades de seu plano de saúde.

Pensão alimentícia judicial e INSS: Pensões alimentícias registradas em cartório ou decretadas por um juiz podem ser abatidas integralmente da renda bruta, assim como a contribuição previdenciária oficial.

Contribuição à Previdência Social do empregado doméstico: O abatimento está limitado a R$ 651,40 e a um empregado doméstico. Somente os contribuintes que fizerem a declaração completa é que terão direito a esta redução.

Aluguéis de imóveis: Se você mora em casa ou apartamento alugado, pode também declarara essa despesa.

Aposentados com mais de 65 anos: A partir do mês em que completarem esta idade, os aposentados poderão abater a parcela adicional de R$ 1.372,81 por mês.

Incentivos Fiscais: Doações aos Fundos do Direito da Criança e Adolescente e incentivos à cultura, ao Audiovisual e ao Desporto poderão ser abatidos até o limite de 6% do imposto devido. Atenção: o limite de 6% é referente a todos os tipos de incentivos. Entidades filantrópicas não cadastradas nos Fundos de Direito da Criança e Adolescente não podem ser abatidas do imposto. Ao detectar uma doação que não se enquadre nesta relação, o sistema da Receita irá indicar a operação como uma tentativa de fraude.

Guarda de comprovantes: Guarde todos os documentos usados para a declaração referente a 2008 até o ano de 2014. A Receita utiliza o período como uma carência para efetuar análises sobre os dados fiscais do contribuinte.

Os programas para download estarão disponível no site da Receita Federal a partir doa dia 02 de março próximo. Você tem que baixar dois programas no site da Receita Federal: o IRPF2009, que é para fazer a sua declaração, e o Receitanet 2009, que é o programa que permite que você envie sua declaração para os computadores da Receita Federal.

Mais informações, no site da Receita Federal: www.receita.fazendo.gov.br.

Fonte: portal Último Segundo.

Princiais destaques dos jornais deste domingo de carnaval

Vamos ver quais são os destaques dos dois principais jornais de São Paulo hoje.

A principal manchete da FOLHA DE S. PAULO deste domingo é “Crise deve punir salários mais altos”. Segundo o jornal, os trabalhadores que recebem salários mais altos serão os maiore prejudicados com os efeitos da crise mundial em 2009. A conclusão é de um estudo do IPEA (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada). Isso está ocorrendo, segundo a pesquisa, em razão das demissões em grandes empresas do setor industrial. Segundo o IPEA, os funcionários com remunerações acima de dez salários mínimos (R$ 4.650) deverão ter mais dificuldade em encontrar e manter seus empregos.

Outro destaque da FOLHA é o desemprego no Japão, que atinge diretamente os brasileiros que lá estão. Segundo estimativa do consulado do Brasil em Nagóia, de 50 mil a 60 mil brasileiros perderam emprego nos últimos meses no Japão. Cerca de 25 mil brasileiros já retornaram ao Brasil devido ao agravamento da crise econômica. A crise afeta principalmente a indústria automotiva e de eletrônicos, nas quais a maioria dos decasséguis trabalha.

Já o jornal O ESTADO DE S. PAULO dese domingo traz a manchete “Retomada do crédito não chega ao consumo”. A matéria afirma que, apesar de o governo afirmar que a oferta de crédito no Brasil já voltou aos níveis que antecederam ao aprofundamento da crise econômica, análises divulgadas pelo próprio Banco Central que a realidade não é bem essa. Segundo o jornal, no último trimestre de 2008, as novas concessões de empréstimos para pessoas físicas caíram 4,9% em relação a igual período de 2007. Para as pessoas jurídicas, o recuo foi de 2,5%.

Outra matéria interessante do ESTADÃO deste domingo de carnaval é sobre a onda contra trabalhadores estrangeiros nos Estados Unidos, por conta do agravamento da crise financeira e do desemprego naquele país. Uma entidade norte-americana que reúne 13 associações de classe com mais de 500 mil membros está bancando uma campanha publicitárias na TV que afirma que no ano passado, 2,5 milhões de norte-americanos perderam o emprego, mas, segundo a entidade, apesar dos milhões de desempregados, o governo daquele país continua atraindo 1,5 milhão de trabalhadores estrangeiros por ano para pegar empregos dos americanos. Eles terminam o anúncio perguntando: “Será que o seu pode ser o próximo?”.

Estes são os principais destaques de hoje dos dois principais jornais paulistas.

Novo visual do blog

Pois é, pessoal. A partir de agora, nosso blog tem novo visual. Mas as mudanças não terminam aí. A partir de agora, também, ele vai ser mais ágil. Vai trazer mais informações interessantes, comentários, conteúdo ilustrados, com fotos ou até vídeos.

Vamos disponibilizar aqui, na medida do possível, informações diárias, ou seja, vamos ter o conteúdo deste nosso blog sempre atualizado. É claro que essas atuallizações diárias dependem de nossa sisponibilidade de tempo. Mas sempre que possível este blog estará com conteúdo novo.

Aguardo suas visitas e seus comentários.

sábado, 14 de fevereiro de 2009

Deus e Darwin, cento e cinquenta anos depois

No último dia 12 de fevereiro comemorou-se o bicentenário do nascimento de Charles Darwin, o naturalista inglês que, aos vinte e dois anos de idade, embarcou em um pequeno navio de exploração científica chamado Beagle, no qual, durante cinco anos, viajou por quatro continentes. Na viagem, ele recolheu milhares de amostras de espécies de animais e escreveu um diário de 770 páginas. Essa viagem de Darwini deu origem, depois, à mais famosa e barulhenta revolução no mundo científico: a publicação, em 1859, de seu polêmico livro A Origem das Espécies, em que ele apresenta sua teoria da evolução pela seleção natural, segundo a qual animais e plantas evoluem e se modificam aos longo das eras, ou seja, estão em constante processo de mutação, adaptando-se ao meio em que vivem, de acordo com suas necessidades naturais. Prega ainda a teoria de Darwin que cada grupo de seres vivos descende de um ancestral comum, assim como todos esses grupos juntos, incluindo animais e plantas, descendem, por sua vez, de uma única forma de vida na Terra, que seria um micro-organismo, uma ameba, uma bactéria unicelular que teria dado origem à toda vida na Terra, a célula mater de toda a vida em nosso planeta, isto é, o primeiro organismo vivo que surgiu na face da Terra.

Conforme descrito em matéria publicada na revista VEJA, de 11/02/2009, de autoria de Gabriela Carreli, matéria, aliás, que me despertou a escrever este texto, o grande laboratório do evolucionismo foram as Ilhas Galápagos, no Oceano Pacífico. Foi lá que Darwin percebeu que muitas das espécies que habitavam aquelas ilhas eram semelhantes às que existiam no continente, mas elas apresentavam pequenas diferenças de uma ilha para outra. Os que chamaram mais a atenção de Darwin foram os tentilhões. Esses pássaros apresentavam um formado de bico diferente em cada ilha, dependendo do tipo de alimentação disponível. A única explicação possível para isso é que, depois que as primeiras espécies chegaram às ilhas, vindas do continente, passaram a desenvolver características diferentes, de acordo com as condições do ambiente de cada ilha. Seria a prova da evolução. Mais recentemente, um grupo de biólogos, ao estudarem os mesmos tentilhões das Ilhas Galápagos, puderam observar o evolução ocorrendo em tempo real, pois os pássaros evoluíam de um ano para o outro, de acordo com as mudanças nas condições climáticas das ilhas.

A grande verdade é que, sem as teorias de Charles Darwin, complementadas pelos valiosíssimos estudos do monge Gregor Mendel, a biologia contemporânea não seria nem sombra do que é atualmente. Por isso, o resultado das pesquisas de Darwin é, hoje, amplamente aceito pela ciência, pois foi um importante ponto de partida para alcançarmos um elevado grau de avanço na medicina e na genética modernas. Portanto, a teoria da evolução das espécies é um dos principais pilares da ciência contemporânea, não restando qualquer dúvida sobre sua validade. Sua confirmação definitiva ocorreu quando os cientistas James Watson e Francis Crick descobriram, em 1953, a estrutura do DNA.

Se assim é, se as teorias de Darwin estão plenamente consagradas no mundo científico, por que ainda há gente que as rejeita? Por que há quem não aceite suas teorias?

Talvez a principal razão dessa rejeição seja por pura ignorância sobre o assunto. Existe uma lenda, provavelmente difundida por “criacionistas” desinformados ou, talvez, até mal intencionados, de que Darwin teria afirmado que nós, seres humanos, somos descendentes dos macacos, o que é totalmente inverídico. Darwin nunca disse tamanha asneira. Existe nessa lenda a mesma desinformação ou, talvez, até má fé, que há nas afirmações de certos segmentos religiosos ultraconservadores norte-americanos, que dizem que o darwanismo é apenas uma teoria, repleta de lacunas e carente de provas conclusivas. Só que, no meio científico, o termo
teoria não tem o significado de simples hipótese ou especulação. A palavra teoria, nesse caso, significa um conjunto de princípios fundamentais de uma determinada área científica, testados e comprovados por experimentação, leis e fatos científicos. Em suma, o evolucionismo não é uma simples especulação. É conhecimento científico comprovado.

Na matéria jornalística da qual falei acima, publicada na revista VEJA, deparei com algumas observações interessantes que talvez nos deem uma luz sobre essa questão. Em 1920, por exemplo, ao escrever sobre o impacto das teorias de Darwin, Sigmund Freud, o pai da psicanálise, disse que, ao longo do tempo, a humanidade teve de suportar dois grandes golpes em sua autoestima. O primeiro foi constatar que a Terra não é o centro do universo. O segundo ocorreu quando a biologia desmentiu a natureza especial do homem e o relegou à mera posição de descendente do mundo animal. Outra observação interessante, embora bastante materialista, é de Stephen Jay Gould, falecido em 2002, que dizia que as teorias de Darwin são tão mal compreendidas não porque sejam complexas, mas porque muita gente evita compreendê-las. Segundo ele, concordar com Darwin significa aceitas que a existência de todos os seres vivos é regida pelo acaso e que não há nenhum propósito elevado no caminho do homem na Terra. Já David Sloan Wilson, biólogo da Universidade de Binghamtom, afirma que as grandes ideias e teorias são aceitas ou rejeitadas popularmente por suas consequências, não pelo seu valor intrínseco. Infelizmente, segundo ele, a evolução é percebida por muitos como uma arma projetada para destruir a religião, a moral e o potencial dos seres humanos.

Concordo plenamente com o que disseram Sigmund Freud e David Sloan Wilson. Mas rejeito a segunda parte do parecer de Stephen Jay Gould, ou seja, de que concordar com Darwin significaria aceitar a ideia de que a existência de todos os seres vivos é regida pelo acaso e que não há nenhum propósito elevado no caminho do homem na Terra. Mas, quando ele diz que as teorias darwinistas são mal compreendidas porque muita gente evita compreendê-las, está absolutamente certo.

A meu ver, as teorias de Darwin não ameaçam a religião, a crença em Deus, a fé e nem tentam desmoralizar o primeiro livro da Bíblia. Os textos do Gênesis, cujo provável autor teria sido Moisés, foram dirigidos inicialmente aos antigos hebreus, um povo primitivo, que, como o resto da humanidade naquela época, ainda não conhecia os princípios básicos da física, da química, da biologia, da geologia, princípios esses que só começaram a ser descobertos pelo homem muitos séculos depois. Sendo assim, o autor do Gênesis, mesmo sob inspiração divina, como rezam as tradições religiosas judaico-islâmico-cristãs, teria de usar uma foram de comunicação que fosse entendida por aquele povo, sem a obrigação do rigor científico e histórico. Para isso, usou toda uma linguagem figurada, na qual céu e terra significariam o próprio universo, dias podem significar anos, séculos, milhões de anos ou até eras, a história de Adão e Eva representaria o despertar do homem de seu estado de selvagem ingênuo ao de ser racional, ciente de sua inteligência, pronto para atos de virtude ou para o pecado. Dirão alguns “criacionistas” que eles acreditam literalmente na versão literal do Gênesis “pela fé”, como costumam dizer. Ora, não podemos confundir fé com ingenuidade. Interpretar o livro dos Gênesis ao pé da letra é, a meu ver, subestimar o próprio autor, ou autores, dos textos e, sobretudo, para os que têm fé, subestimar o próprio Deus.

Para interpretarmos não só o livro do Gênesis, mas toda a Bíblia, não precisamos somente de fé, mas de conhecimentos. Ao interpretamos um texto qualquer, temos de saber contextualizá-lo, ou seja, temos de procurar saber quando, onde, por quem e em que circunstâncias esse texto foi escrito e com que propósitos. Os textos bíblicos, em especial, os do Velho Testamento, foram escritos por um povo muito antigo, de cultura, línguas e costumes totalmente diferentes dos nossos. Além disso, foram escritos e reescritos originariamente em línguas também antigas, a maioria delas hoje em desuso, e muito difíceis de serem vertidas para as língua contemporâneas, pois geralmente essas idiomas antigos trazem palavras e expressões muitas vezes intraduzíveis para as línguas de hoje, o que faz com que os tradutores tenham de reescrever ao seu modo frases inteiras de forma a torná-las o mais semelhantes possível do contexto da frase no idioma original. Tudo isso tem de ser levado em conta ao interpretarmos os textos bíblicos. E, além de tudo isso, por se tratar de livros religiosos, há, ainda, a interpretação pela fé, que é a mais complicada e, ao mesmo tempo, a mais perigosa. Os textos bíblicos, devido a seu hermetismo, possibilitam muitas interpretações diferentes e até conflitantes entre si. O resultado disso é o constante processo de fragmentação do judaísmo e, principalmente, do cristianismo, dividindo-se em muitos segmentos. Essas divisões são comuns também em outras religiões, como, por exemplo, no Islamismo. No cristianismo, principalmente na América Latina, essa fragmentação tem assumido proporções particularmente preocupantes, pois isso também abre espaço para que espertalhões, religiosos com más intenções ou até falsos religiosos façam uso dos textos bíblicos, interpretados à sua maneira, para manipular pessoas e até comunidades inteira e, assim, obter benefícios para si. Por essa razão, além de saber interpretar os textos bíblicos, os fiéis têm, também, que saber discernis os verdadeiros religiosos de possíveis picaretas de plantão.

Para concluir, sobre a teoria da evolução das espécies, acho que temos de saber separar a fé da razão, pois é bem provável que Deus e Darwin sejam "parceiros" nessa história toda. Darwin pode ter descoberto a evolução das espécies, mas, com certeza, foi Deus quem a criou.

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009

Lá não é como cá

Li, na imprensa, no último dia 03 de fevereiro que Tom Daschle, o candidato do presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, a ocupar a Secretaria de Saúde, desistiu do cargo, pressionado por um escândalo de sonegação fiscal. Ele pagou atrasado cerca de US$ 140 mil em impostos. Por isso, Daschle pediu ao Presidente Obama que retire sua nomeação. Ele, que é ex-senador pelo Estado de Dakota do Sul, corrigiu suas declarações de impostos de 2005 a 2007 no Serviço Interno de Rendas (IRS) para incorporar US$ 128.203 atrasados e um total de US$ 11.964 em juros, pois ele não tinha declarado impostos sobre rendas adicionais que recebeu por um trabalho de consultoria e o uso de um serviço de veículo e motorista, e também não documentou corretamente algumas doações para caridade. 

Daschle disse, em carta enviada à Comissão de Finanças do Senado que estava profundamente envergonhado e decepcionado com os erros que o obrigaram a corrigir suas declarações de impostos, pediu desculpas pelos erros e disse que lamentava profundamente que os membros da Comissão tenham tido que dedicar tempo a isso.

Veja que Tom Daschle não roubou, não participou de nenhuma maracutaia, de nenhum tipo de “mensalão”, não foi acusado de enriquecimento ilícito. Ele apenas atrasou o pagamento de impostos. Ele não deixou de pagar. Ele corrigiu as suas declarações e pagou depois. Mesmo assim, ele ele não vai assumir a Secretaria da Educação dos Estados Unidos (o equivalente ao Ministério da Educação aqui). Ele ainda pediu desculpas pelo que fez. Disse que se sente envergonhado pelo que fez. 

Veja o que é um país sério. Nós podemos dizer o que for dos Estados Unidos, da política externa deles. Mas não podemos negar que, apesar de todos os defeitos da sociedade americana, em muitos aspectos, eles são exemplos de cidadania, de respeito às leis, de patriotismo, de senso de cidadania. É preciso deixar claro que, ao contrário do que ocorre aqui, imposto de renda nos Estados Unidos é coisa séria. Não o pagar corretamente é falta grave, principalmente em se tratando de um homem público. 

Nunca sequer ouvi dizer que um político brasileiro tenha sido punido, advertido ou tenha sido simplesmente acusado de não estar com seus impostos em dia, ou até não tê-los pago. Aliás, nunca soube que um político brasileiro tenha sequer pedido desculpas por uma atitude errada ou por algum deslize grave que tenha cometido. Eles nunca têm culpa de nada. Mesmo quando pegos com a boca na botija, juram que são inocentes. 

Sinceramente, quando li a notícia sobre Tom Daschle, fiquei com uma ponta de inveja dos norte-americanos. 

terça-feira, 27 de janeiro de 2009

O comércio da fé

Em Hebreus, um dos livros do Novo Testamento, no capítulo 11, versículo 1, lê-se o seguinte: “Ora, a fé é o firme fundamento das coisas que se esperam e a prova das coisas que se não veem”

É lícito, e até louvável, que alguém prospere materialmente à custa da própria fé. Mas seria moralmente aceitável, também, alguém se enriquecer à custa da fé dos outros? 

O assunto é polêmico. Mas, lícito ou não, a verdade é que há muita gente ganhando dinheiro à custa da fé alheia. E não é pra menos, pois trata-se de um mercado amplo, diversificado e em pleno crescimento, aparentemente imune a qualquer tipo de crise. São CDs, DVDs, livros, bíblias, camisetas, revistas e um sem-núemero de outros produtos destinados a consumidores das diversas religiões. Trata-se de um nicho que, diferentemente do que muita gente pensa, não se restringir somente aos evangélicos. Esse tipo de comércio está presente em praticamente todos os segmentos religiosos: católicos, evangélicos, espíritas, seitas orientais,  etc.

Até certo ponto, tudo isso é saudável. Numa sociedade democrática e pluralista como a nossa, as instituições, sejam elas igrejas, seitas, ONGs, partidos políticos, clubes, sindicatos, associações altruístas, etc. têm todo direito de expor à sociedade suas ideias, seus propósitos, seus objetivos, desde que, é lógico, estejam amparadas na lei. Nos países islâmico, por exemplo, isso não ocorre, porque a religião lá é imposta a todos os cidadãos, que, por isso, não têm oportunidade de conhecer outros linhas de pensamentos religiosos, a não ser as do próprio Islamismo. Mas em nossa sociedade ocidental, livre e democrática, a liberdade de culto religioso é um direito inalienável. Por isso, há grande diversidade de pensamentos e crenças religiosas, o que faz com que as várias instituições tenham que fazer barulho, usar a mídia e outros recursos, para mostrarem que existem e, assim, atraírem adeptos.

Ocorre, no entanto, que esse comércio da fé está se transformando num negócio tão lucrativo que já surgiram, entre nós, verdadeiros magnatas do "faith business". Aqui no Brasil, hoje, eles são bem conhecidos. Suas igrejas se transformaram em verdadeiros impérios financeiros. Aí, sim, eu questiono: se ganhar dinheiro com a fé é moralmente discutível para algumas pessoas, o que dizer de quem faz grandes fortunas com ela?

É bom salientar que não estou questionando, aqui, a religião, a fé, as igrejas. Muito pelo contrário. A religião, a fé, a palavra de Deus são valores imprescindíveis para os fiéis. Quantas pessoas que não estavam à beira do abismo, no fundo do poço, e conseguiram resgatar sua dignidade graças à sua fé, à palavra de consolo e de carinho de um padre, de um pastor, de um sacerdote, ao apoio e solidariedade de uma comunidade religiosa? 

Não questiono aqui o dízimo e as ofertas que os fiéis, cumprindo uma tradição religiosa judaico-cristã, dão às suas igrejas, Mesmo porque sem os dízimos e as ofertas dos fiéis as igrejas não sobreviveriam, afinal de contas, para mantê-las em funcionamento há custos, que têm que ser, naturalmente, cotizados entre os fiéis. Também não questiono a idoneidade dessa ou daquela instituição religiosa, desse ou daquele padre, pastor, bispo, sacerdote. O que questiono é o uso da fé de milhares de pessoas, que procuram ajuda espiritual, socorro para seus inúmeros problemas, para criar verdadeiros conglomerados financeiros e até de comunicação. Além disso, vendem a fé como se ela fosse um simples produto de consumo, quase dizendo: “Venha para nossa igreja, pois o “nosso produto” é melhor”. 

Ora, a fé é um valor precioso demais para ser colocada à venda numa espécie de mercado persa de variados tipos e estilos de igrejas, das mais variadas matizes. A fé é algo que se consegue, muitas vezes, à custa de nossas próprias experiências de vida. 

quinta-feira, 22 de janeiro de 2009

YES, HE CAN


Sim, ele pode. Barack Hussein Obama, o novo presidente dos Estados Unidos, desde 20 de janeiro último, pode mudar os Estados Unidos e, consequentemente, o mundo. É para isso que ele foi eleito no dia 04 de novembro do ano passado. É isso que seus eleitores querem que ele faça.Quem diria que, quase quarenta e um anos após o assassinato de Martin Luther King, Junior, um negro chegaria à presidência dos Estados Unidos? Esta é uma demonstração clara de que, a sociedade norte-americana, com todos os seus defeitos, seu conservadorismo, pode mudar, pode se transformar.

Aliás, apesar de todas as críticas que se lhes possam fazer, os Estados Unidos são um exemplo claro de uma sociedade que deu certo em todos os sentidos. Já no final do século XIX, eram uma das maiores economias do mundo. Com o final da 2.ª Grande Guerra, em 1945, passaram a disputar com a extinta União Soviética o equilíbrio econômico e militar do planeta. Hoje, com o fim da União Soviética e mesmo com o surgimento de grandes nações emergentes, como China e Índia, os Estados Unidos continuam ainda a exercer seu poder de domínio econômico e cultural por praticamente todo o planeta.

O governo desastrado de George W. Bush fez com que os Estados Unidos começassem a perder crédito no mundo. Bush, considerado por muitos analistas como o pior presidente que os Estados Unidos já tiveram, que saiu da Casa Branca com apenas 20% de aprovação popular em seu país, destroçou a política externa norte-americana. O papel de Barak Obana vai ser o de superar esse descrédito a que seu país chegou, levado por seu antecessor. Para executar essa tarefa difícil, ele tem a credibilidade de um político novo, diferente de Bush, com novas ideias, com uma visão diferente. Se vai conseguir mudar a imagem dos Estados Unidos realmente, só o tempo dirá.

O slogan de sua campanha era “Yes, we can” (Sim, nós podemos). Sim, ele pode. Ele pode, se quiser, mudar a imagem dos Estados Unidos no mundo. Sim, ele pode acabar com a guerra do Iraque e combater o terrorismo de uma forma muito mais inteligente e competente do que Bush o fez. Sim, ele pode, se tiver apoio suficiente dos congressistas e do povo norte-americano, recuperar a economia dos Estados Unidos. Sim, ele pode e disse que vai fechar a prisão de Guantánamo. Sim, ele pode acabar com o bloqueio econômico a Cuba e, com isso, fazer com que o povo daquela ilha tenha esperança de viver em uma democracia em futuro breve. Sim, ele pode estabelecer uma relação de boa amizade com todos os países da América Latina. Sim, ele pode ajudar a que judeus e palestinos encontre uma forma de viverem em paz. Sim, ele pode fazer tudo isso e muito mais.

Se ele fará pelo menos metade de tudo isso, só o futuro nos dirá. O fato é que o mundo nunca colocou tanta esperança num novo líder mundial antes como está fazendo em relação a Barack Obama. Não é para menos. Afinal, os Estados Unidos continuam sendo a nação mais rica e importante do planeta. Praticamente metade da economia do mundo está nas mãos dos norte-americanos. O que Barak Obama fizer de certo ou de errado pode mudar os destinos do mundo.


sábado, 17 de janeiro de 2009

Por que palestinos e israelenses brigam tanto?

O ataque de Israel à Faixa de Gaza, causando mortes e sofrimento, está provocando revolta em todo o mundo. Mas por que será que os judeus de Israel não se entendem com os árabes, principalmente com os palestinos?

ooOoOoo


Por que Israel e palestinos brigam tanto? Por que tanta animosidade entre esses dois dois povos, que têm entre si fortes vínculos étnicos? Por que tantas guerras, tantas mortes, tanto sofrimento naquela região? Para saber os reais motivos desse ódio mútuo inesgotável, precisamos voltar no tempo.

Segundo a tradição judaico-islâmico-cristã, tudo começou, cerca de 2.000 anos a.C., numa cidade do sul da Mesopotâmia, atual Iraque, chamada Ur, ou a Ur dos Caldeus, onde um homem, chamado Abraão, teria recebido um chamado de Deus para que abandonasse seu povo e fosse, com sua família, para a “terra prometida” de Canaã, antigo nome pelo qual era conhecida a atual região ocupada hoje por Israel, Cisjordânia, parte ocidental da Jordânia e sul do Líbano. Abraão e sua família, obedecendo a Deus, teriam percorrido os desertos daquela região por muitos anos, em busca da tal terra prometida por Deus. O próprio Abraão teria morrido antes de alcançar Canaã, mas seus descendentes chegaram lá, entre eles, estavam seu filho Ismael, que seria ascendente dos povos árabes, e seu neto Jacó, filho de Isaque, que teria sido ascendente do povo hebreu.

Se Abraão existiu ou não, se árabes e judeus tiveram um ancestral em comum, como contam suas tradições religiosas, a História não pode confirmar seguramente. Mas a origem mesopotâmica desses povos, hoje, é quase certa, em razão de algumas semelhança culturais e linguísticas com os antigos mesopotâmios.

Deixemos de lado, agora, a origem de árabes e judeus e vamos nos ater a um fato ocorrido em Jerusalém, no ano 70 d.C., ou seja, cerca de trinta anos após o julgamento e crucificação de Jesus Cristo. Os romanos, que ainda dominavam aquela região e também eram pagãos, queriam construir na cidade um templo dedicado a Júpiter. Para os hebreus, que eram monoteístas e intransigentes em matéria de religião, era um absurdo, uma heresia. A revolta foi grande. Mas a resposta dos romanos foi impiedosa. Em suma, os hebreus foram expulsos da Judeia, isto é, enxotados de sua própria terra. Começava. aí, a grande diáspora. Os judeus, expatriados, espalharam-se pelo mundo. O antigo estado judeu, a partir de então, deixou de existir.

Muitos séculos se passaram e, mesmo espalhados pelo mundo, vivendo em comunidades judaicas na Ásia Menor, no leste da Europa, no norte da África, na Península Ibérica, nos Países Baixo, nos Bálcãs e, depois, até na América, estigmatizados, perseguidos, humilhados, às vezes até expulsos de uma região ou outra, os judeus não perderam sua identidade cultural, religiosa e linguística.

Na segunda metade do século XIX, surgiu, na Europa, o movimento Sionista (em referência ao monte Sion, que fica nos arredores de Jerusalém), que defendia o direito à autodeterminação do povo judeu e a criação de um estado nacional judaico. Seu principal líder era Theodor Herzl (1860-1904), um jornalista judeu húngaro, autor do livro "Der Judenstaat" ("O estado judaico"), no qual pregava que o problema do antissemitismo só seria resolvido quando os judeus dispersos pelo mundo pudessem se reunir e se estabelecer em um estado nacional independente. Durante um congresso, em Basileia, na Suíça, em 1897, os judeus reunidos iniciaram oficialmente a luta para a criação de um estado próprio. O grande problema era em que região o estado judaico deveria ser fundado. Entre vários locais apontados, estavam Chipre, Argentina e o Congo. Para alguns sionistas, a justificativa da expulsão em 70 d.C., da diáspora, não justificaria a recriação de um estado judeu na Palestina, pois, muito antes da expulsão pelos romanos, a grande maioria do povo hebreu já havia se helenizado e migrado espontaneamente ou, mesmo, nem retornado para a Palestina depois do cativeiro da Babilônia. No entanto, por razões históricas e pelo forte apelo religioso, baseado na redenção do povo de Israel na “terra prometida”, o local escolhido foi mesmo a Palestina, de onde haviam sido expulsos cerca de mil e oitocentos anos antes.

Em razão disso, a partir do final do século XIX, principalmente por causa do antissemitismo, a migração de judeus da Europa para a Palestina se intensificou. No entanto, a Palestina, naquela época, já estava cultural e etnicamente arabizada, isto é, já era habitada por uma população de esmagadora maioria árabe, lá enraizada por uma longa e consistente migração e assimilação iniciada por volta do ano 350 d.C. e que perdurou e floresceu por mais de 400 anos, durante as dinastias árabes Omanida, Abássida e Fatímida. No entanto, isso não impediu a migração em massa de judeus da Europa para a região. Para se ter uma ideia desse fluxo, basta dizer que, entre 1890 e 1922, a população judaica na Palestina dobrou, de 40 mil para cerca de 85 mil. Já em 1909, foi criado na região o primeiro kibutz, que é um tipo de colônia agrícola de inspiração socialista. Claro que os árabes palestinos não começaram a ver aquele verdadeira invasão de judeus com bons olhos. Por isso, já também em 1909, os judeus começavam a criar grupos armados para se defender da fúria dos árabes palestinos. Afinal de contas, depois de quase dois mil anos, eles queriam a Palestina de volta para si, mas os árabes ali instalados havia séculos também, obviamente, não estavam de acordo com essa invasão judaica.

Diante dessas dificuldades, para o estabelecimento de um estado judeu, o movimento sionista teria de fazer uma grande alteração para mudar o equilíbrio étnico e demográfico da região, mesmo porque o projeto de um estado judaico padrão deveria se basear nas utopias religiosas e culturais bem próprias, exclusivas e definidas com os costumes e o idioma do povo judeu que habitava o leste europeu, uma cultura totalmente estranha não só para a comunidade árabe local, mas também para os judeus que já viviam na região bem antes do sionismo.

Até o final da I Guerra Mundial, a Palestina fazia parte do Império Turco-Otomano. Com a dissolução desse império, o território passou para o domínio da Grã-Bretenha. Em 1917, o chanceler britânico Arthur Balfour declarou formalmente apoio ao estabelecimento de um estado judeu na Palestina, desde que respeitados os direitos das comunidades não judaicas da região (Declaração Balfour). Na época, o governo britânico prometeu aos árabes-palestinos a criação de um grande estado, que jamais chegou a existir. A Liga das Nações, entidade que correspondia à ONU de hoje, outorgou ao Reino Unido a administração da Palestina em 1920. A comunidade árabe da região sentiu-se traída pelos britânicos e ameaçados pelos judeus. As animosidades se intensificaram. Nos anos de 1929 e 1936, ocorrem violentos distúrbios entre árabes e judeus.

A perseguição aos judeus imposta pelo regime nazista de Adolf Hitle, a partir de 1933, intensificou a migração para a Palestina. Finda a II Guerra Mundial, o apoio internacional à criação de um estado judaico aumentou em virtude da revelação do massacre de seis milhões de judeus nos campos de extermínio nazistas, o holocausto. Os britânicos, então, delegaram à então recém-criada ONU (Organizações das Nações Unidas) a tarefa de solucionar os problemas daquela região. Sem consulta prévia aos árabes-palestinos, a ONU aprovou, em 1947, a divisão da Palestina em dois estados, um para os judeus, e outro para os árabes, que rejeitam a decisão.

Apesar da revolta árabe, em 14 de maio de 1948, foi, então, criado o Estado de Israel, com David Ben-Gurin como primeiro-ministro. Cinco países árabes enviaram tropas para tentar evitar a fundação do estado hebreu. A guerra terminou em janeiro de 1949, com a vitória de Israel. Cerca de 700 mil palestinos se refugiaram na Cisjordânia, na Faixa de Gaza ou migraram para os países árabes. A maioria deles perdeu casas e propriedades. O Egito incorporou a Faixa de Gaza ao seu território; a Jordânia recebeu Jerusalém Oriental e a Cisjordânia. O estado árabe-palestino, previsto pela ONU, acabou não sendo criado, enquanto Israel passou a controlar 75% do território da Palestina. Os árabes-palestinos, então, ficam sem território,

Com apoio estrangeiro e remessa privada de dinheiro, a economia de Israel floresceu rapidamente. Com o apoio dos Estados Unidos, os israelenses se tornaram militarmente fortes. Com isso, ao longo dos anos, Israel tem conseguido sobreviver cercados de inimigos, aos quais tem conseguido vencer nos campos de batalha. Em 1967, diante da aliança militar entre Egito, Síria e Jordânia, com apoio da União Soviética, Israel, fortemente armado pelos Estados Unidos, teve a ousadia de atacar os três países ao mesmo tempo, em 05 de junho. O episódio, conhecido como “Guerra dos Seis Dias”, terminou no dia 10 de junho, com a vitória de Israel, que conquistou o Sinai, a Faixa de Gaza, a Cisjordânia, as Colinas de Golã (na Síria), e a zona oriental de Jerusalém. Mesmo com uma resolução da ONU na época, determinando a devolução das áreas ocupadas, Israel exigiu que os países árabes reconhecessem sua existência como nação.

De lá para cá, o cotidiano dos povos daquela regiao é de permanente hostilidade mútua. Durante as Olimpíadas de 1972, em Munique, na então Alemanha Ocidental, onze atletas israelenses foram mortos pelo grupo “Setembro Negro”, ligado à OLP (Organizaão para a Libertação da Palestina). Em 1973, na chamada Guerra do Yom Kippur, o “Dia do Perdão” (feriado religioso judeu), a Síria e o Egito, de surpresa, atacaram Israel pelo Sinai e pelas colinas de Golã. Depois de 48 horas de lutas, Israel inverteu a vantagem dos árabes e os derrotou. Nesse ano, os árabes fizeram do petróleo uma arma de guerra: boicotaram seu fornecimento aos países que apoiavam Israel, aumentando o preço do produto e causando a primeira grande crise do petróleo no mundo. Em 1974, o Fatah, facção dominante na OLP, passou a defender a criação de um Estado binacional na Palestina, quando facções palestinas mais radicais romperam com a OLP. Em 1978, por ocasião da assinatura do acordo de Camp David, mediado pelos Estados Unidos, Israel devolveu o Sinai ao Egito. Em 1982, Israel invadiu o Líbano para expulsar a OLP de lá. O exército israelense chegou a Beirute, onde permitiu o massacre de refugiados palestinos nos campos de Sabra e Shatila por milícias cristãs aliadas. Em 1987, eclodiu a primeira Intifada (revolta) contra Israel em Gaza e na Cisjordânia. Em 1988, uma declaração de independência palestina, feita pela OLP, reconheceu indiretamente o Estado de Israel, de acordo com as fronteiras anteriores a 1967. No mesmo ano, surgiu o Movimento de Resistência Islâmica (Hamas), que prega até hoje a destruição de Israel.

Por pressão dos Estados Unidos, Israel iniciou, em 1991, as primeiras negociações diretas com representantes palestinos, na Conferência de Madri (Espanha). Em 1993, Israel e OLP firmam o Acordos de Oslo, que previa um estágio interino de autonomia palestina em Gaza e na Cisjordânia até a conclusão de negociações para a criação de um estado palestino na região. Foi criada, então, a Autoridade Nacional Palestina (ANP), sob comando de Yasser Arafat, que em 1994 voltou do exílio na Tunísia. Em 1996, Arafat foi eleito presidente da ANP. Dessa forma, áreas de Gaza e da Cisjordânia passaram ao controle palestino, mas Israel manteve a colonização da Cisjordânia. Em 1994, o Hamas promoveu seu primeiro atentado terrorista, após a morte de 29 palestinos por grupo extremista judaico em Hebron. Em 1995, o primeiro-ministro israelense Yitzhak Rabin foi assassinado por um extremista judeu. Em 1996, o direitista Binyamin Netanyahu foi eleito primeiro-ministro de Israel. Em 1999, ele foi sucedido pelo trabalhista Ehud Barak. Em julho de 2000, no último ano de seu mandato, o presidente dos Estados Unidos, Bill Clinton, reuniu o primeiro-ministro de Israel Ehud Barak e o presidente da Autoridade Nacional Palestina, Yasser Arafat, em Camp David (EUA) para cúpula destinada a pôr fim à questão. A cúpula fracassou, apesar de Israel julgar ter apresentado sua melhor proposta. Barak oferecia aos palestinos 95% de Gaza e da Cisjordânia (equivalente a menos de 22% da Palestina histórica) e capital em parte da Jerusalém árabe, mas não soberania sobre Esplanada das Mesquitas. Também não houve acordo sobre retorno dos refugiados.

Em setembro de 2000, Ariel Sharon, líder do partido de direita israelense Likud, em campanha para eleitoral, foi à Esplanada das Mesquitas. Começou, então a Segunda Intifada. Atentados terroristas, ataques israelenses e confrontos deixaram cerca de 5.000 palestinos e 1.000 israelenses mortos em quatro anos. Sharon, eleito primeiro-ministro em 2001, fundou o partido Kadima, que prometia abrir mão da "Grande Israel". Em 2002, ele começou construção do muro entre Israel e Cisjordânia. Esse muro reduziu a quase zero os atentados em Israel, mas anexou grandes porções do território palestino. Em 2004, Yasser Arafat morreu e foi substituído na Presidência da ANP por Mahmoud Abbas, do Fatah, eleito em 2005. Naquele mesmo ano, Israel retirou soldados e 8.000 colonos de Gaza, mas manteve controle sobre fronteiras marítimas e terrestres do território. Na Cisjordânia e em Jerusalém Oriental foram mantidos 400 mil colonos. O primeiro-ministro Ariel Sharon entrou em coma em 2006 e foi substituído por Ehud Olmert. Em 2006, o Hamas venceu as eleições legislativas palestinas de janeiro de 2006. Seu gabinete foi boicotado por Israel e pelo Ocidente, que classificaram o grupo como terrorista. Em 2007, combates entre Hamas e Fatah levaram à expulsão do Fatah de Gaza. A ANP nomeou, então, novo gabinete, que só teve voz em parte da Cisjordânia. Israel iniciou, em razão disso, um cerco econômico a Gaza. O Hamas começa a usar túneis na fronteira com o Egito para contrabandear alimentos, combustível e armas. O grupo e facções ultrarradicais, como Jihad Islâmica, aumentaram os ataques com foguetes contra Israel. Uma trégua, mediada pelo Egito, entre Israel e Hamas vigorou entre junho e dezembro de 2008. Nenhum dos dois lados cumpriu estritamente o acordo. Deu no que deu. Desde 27 de dezembro do ano passado, Israel, respondendo aos ataques com foguetes do Hamas, vem atacando violentamente a Faixa de Gaza, provocando, até agora, mais de mil palestinos mortos, entre os quais, muitas crianças.

O permanente clima de hostilidades entre judeus e palestinos parece não ter solução. O radicalismo de ambos os lados e o fanatismo religioso não permitem que haja bom senso, que haja concessões. É um problema, pelo menos a curto e a médio prazo, sem uma solução definitiva. Mesmo que se transforme a Faixa de Gaza e a Cisjordânia em um estado nacional palestino, as hostilidades vão continuar, infelizmente.

Israel e as reservas de gás natural no litoral da Faixa de Gaza

Está circulando na Internet uma informação, originariamente divulgada por Michel Chossudovsky, um economista, professor da Universidade de Ottawa, no Canadá, que dirige também um tal Centro de Estudos de Globalização, a versão de que overdadeiro motivo de Israel ter atacado militarmente a Faixa de Gaza é o interesse dos israelenses em assumir o controle das reservas de gás natural existentes no litoral daquela região.

Até faz sentido. No entanto, como  muita gente não leva a sério o que Chossudovsky diz em seu livros e artigos, seria bom encarar essa versão dele com certa reserva.

sexta-feira, 9 de janeiro de 2009

Reforma ortográfica: será que o Brasil não vai acabar ficando sozinho nessa?

As novas regras ortográficas, fruto do Acordo de Unificação da Ortográfica de 1990, entraram em vigor no Brasil no último dia 1.º de janeiro. Mas não há motivo para desespero, pois as regras ortográficas antigas estarão em vigor até o dia 31 de dezembro de 2012. A partir de 1.º de janeiro de 2013, só valerão as novas regras.

Os países de língua portuguesa convivem há anos com dois sistemas de regras ortográficas: o lusitano, utilizado em Portugal, Angola, Moçambique, Cabo Verde, São Tomé e Príncipe, Guiné-Bissau e Timor-Leste, e o brasileiro, em uso, obviamente, por nós, que vivemos cá, deste lado do Atlântico. Daí, a nova ortografia, pois o objetivo final dessa reforma é promover a unificação ortográfica, a fim de que todos os países que têm o português como idioma oficial possuam também um só conjunto de regras ortográficas, e não dois, como é atualmente. A justificativa dessa unificação é que o português, apesar de ser um dos idiomas mais falados do mundo, em razão da soma das populações de Brasil, Portugal, Angola, Moçambique, Cabo Verde, São Tomé e Príncipe, Guiné-Bissau e Timor-Leste, é politicamente inexpressivo. A unificação ortográfica iria fortalecer a língua portuguesa no mundo, como é o caso de idiomas como o espanhol, o árabe, o francês.

O argumento dos defensores da tal unificação ortográfica é inconsistente. O que tornou idiomas como o espanhol, o árabe, o francês e o inglês politicamente fortes e dominantes é o fato de que as pátrias-mães desses idiomas, ou seja, Espanha, Arábia, França e Inglaterra, terem sido nações fortes, dominadoras, que impuseram suas culturas e suas línguas por todos os seus domínios. O português é uma língua politicamente inexpressiva, porque, na era colonial, Portugal era um país politicamente inexpressivo.

De fato, a ortografia do espanhol, um idioma que, além de falado obviamente em seu país de origem, a Espanha, é utilizado também em praticamente toda a América Latina, bem como por uma parcela significativa de pessoas que vivem nos Estados Unidos, tem uma única ortografia. Mexicanos, argentinos, colombianos, espanhóis, uruguaios e nicaraguenses têm, cada um, suas peculiaridades no falar, isto é, falam diferente uns do outros, mas escrevem da mesma forma, o que demonstra o respeito que as ex-colônias espanholas tiveram e têm pelo idioma que herdaram, o que não ocorreu no Brasil. Nós sempre fomos rebeldes nessa parte. Tanto é assim, que todos os demais países de língua portuguesa, mesmo depois de se libertarem de Portugal, preservaram as regras ortográficas da antiga metrópole. Ao passo que nós, brasileiros, enveredamos por outros caminhos e criamos nossa própria ortografia. Agora queremos fazer o caminho de volta. Será que não é tarde demais?

É tão tarde que, quando se fala em unificação ortográfica, trata-se, na verdade, de uma unificação apenas legal. Isso significa que, se tudo der certo, se todos os países de língua portuguesa aderirem, teremos um só conjunto de regras ortográficas, mas, na prática, não haverá uma unificação real. Os portugueses continuarão escrevendo “génio”, “matiné”, “cómodo”, “facto”, enquanto nós, do lado de cá do Atlântico, continuaremos a escrever “gênio”, “matinê”, “cômodo”, “fato”.

A nova ortografia traz, sim, alguns avanços importantes, como o fim de certos acentos diferenciais que não tinham razão de ser; a eliminação do acento circunflexo em “vôo”, “crêem”, “vêem”. Por outro lado, traz também algumas incompreensíveis bobagens, como querer “uniformizar” a grafia de palavras como “hástia”, “véstia” e “cúmio”, e tentar “oficializar” formas de conjugação verbal, como “premeio”, “negoceio”, isso, sem falar na confusão que está causando na grafia de palavras unidas por hífen.

Como tem dito o conhecido professor Pasquale Cipro Neto, o custo dessa reforma ortográfica é muito alto para os poucos benefícios que ela pode gerar. Além disso, os portugueses, que serão bem mais atingidos por essa reforma do que nós, estão muito resistentes a essas mudanças na ortografia. Enquanto aqui no Brasil, apesar de críticas de intelectuais, escritores e outros setores da sociedade, não há nenhuma resistência à reforma ortográfica. Em Portugal, pelo contrário, que tem uma sociedade muito mais politizada, organizada e conservadora que a nossa, a forte resistência a essa unificação ortográfica pode fazer a diferença e, mesmo tendo o parlamento português aprovado a unificação, os lusitanos podem adiar indefinidamente a implantação da reforma e até nem a implantarem. Caso isso ocorra, é praticamente certo que Angola, Moçambique, Cabo Verde, Guiné-Bissau, São Tomé e Príncipe e Timor-Leste acompanharão a pátria-mãe e não implantarão também a tal reforma ortográfica. Se isso realmente vier a se concretizar, o que não é nada difícil, o Brasil vai ficar sozinho nessa aventura cara e, obviamente, vai ter de pagar a conta sozinho também.


quinta-feira, 1 de janeiro de 2009

Cuba - 50 anos socializando a miséria

No dia 1.º de janeiro de 1959, um grupo de algumas dezenas de homens, liderado por Fidel Castro, Camilo Cienfuegos e Ernesto “Che” Guevara, derrubou a ditadura de Fulgêncio Batista, um sargento medíocre e semi-analfabeto, que, desde 1952, havia imposto um governo corrupto e tirano a Cuba. Foi a Revolução Cubana, que transformaria Cuba, um país que fica em uma ilha a pouco mais de 150 quilômetros da costa dos Estados Unidos, no único país comunista das Américas,

Cuba era uma colônia espanhola, mas os Estados Unidos demonstraram interesse pela Ilha. Entraram, então, em guerra contra a Espanha pelo domínio de Cuba e acabaram expulsando os espanhóis e governando a Ilha até 1902, quando Cuba se tornou independente. Independente em parte, pois o País passou a ser praticamente tutelado pelos Estados Unidos, que fez de Cuba uma espécie de neocolônia sua. Para se ter uma ideia da dimensão desse neocolonialismo, basta dizer que, em meados do século XX, mais de 70% das lavouras de cana-de-açúcar de Cuba estavam nas mãos de norte-americanos. Até a queda da ditadura de Fulgêncio Batista, em 1959, a ingerência política e econômica dos Estados Unidos na Ilha era muito forte.

Para desespero dos norte-americanos, essa situação mudou radicalmente, em 1.º de janeiro de 1959, com a Revolução Cubana, que transformou Cuba no único “satélite” do imperialismo soviético nas Américas. Assim como fazia com todos os demais países do Leste Europeu, Moscou trazia o governo cubano sob seu controle e ainda fornecia alimentos, petróleo e armamentos subsidiados ao governo de Fidel Castro. Ou seja, Cuba passou das mãos do Demônio para as de Satanás. Aliás, o país-satélite dos soviéticos que ousasse contrariar as orientações de Moscou sofreria sérias sanções do Kremlin. Hungria, em 1956, e Tchecoslováquia, em 1968, sentiram na pele a intransigência do imperialismo soviético a rebeldias e a ideias liberalizantes de seus “satélites”.

Cuba, depois da Revolução, teve alguns progressos sociais significativos na saúde, no esporte e na educação, uma educação direcionada, evidentemente, mas, em comparação com o que havia antes de Fidel chegar ao poder, já era algum avanço. Todos os cubanos adultos, hoje, sabem ler, mas só podem ler aquilo que o governo autorizar; todos os cubanos adultos, hoje, também saber escrever, desde que não escrevam nada contra o governo cubano ou contra o comunismo.

A exemplo do que havia antes da Revolução, continuaram, também, as perseguições, as prisões e as execuções. Não se sabe, com precisão, até hoje, quantos dissidentes o regime comunista cubano executou ao longo de sua existência. Há quem fale em 60 mil. Presume-se que ainda há muitos presos políticos em Cuba, assim como ainda há muita gente tentando fugir do País. Por causa disso é que, provavelmente, a pesca marinha em Cuba seja proibida, afinal de contas, os Estados Unidos ficam logo ali, a 150 quilômetros da costa cubana.

A verdade é que, hoje, depois que o Muro de Berlim foi derrubado, a União Soviética acabou, a China adotou um capitalismo ultrasselvagem, os países do Leste Europeu se democratizaram e adotaram a economia de mercado, inclusiva a Rússia, e o Vietnan, um antigo desafeto dos Estados Unidos, passou a ter os norte-americanos como seus maiores parceiros comercias, Cuba, que insistiu em manter-se até hoje na ortodoxia marxista, transformou-se num verdadeiro museu do socialismo utópico.

Como toda revolução, a cubana também criou um mito: o médico e aventureiro Ernesto “Che” Guevara, um argentino de classe média, que, por sua participação na Revolução Cubana, ganhou notoriedade e prestígio muito maiores que o próprio líder do movimento, Fidel Castro.

Ernestro “Che” Guevara foi mais um mito do que um herói ou vilão. Na verdade, sua atuação como guerrilheiro, com certo sucesso, restringiu-se apenas à Revolução Cubana. Na verdade, o grupo comandado por ele, Fidel Castro e Camilo Cienfuegos foi vitorioso mais por incompetência do próprio ditador Fulgêncio Batista do que pelos méritos dos guerrilheiros. No final de 1958, Batista estava praticamente isolado, sem apoio. Seu exército recusava-se a sair dos quartéis para combater a guerrilha de Fidel. Além disso, já não possuía mais o apoio dos Estados Unidos.

Depois da vitória da Revolução, “Che” foi ser presidente do Banco Nacional de Cuba e, em seguida, ministro da Indústria. Foi um fracasso nos dois cargos. Seu único feito, nessa época, foi comandar a reação do exército de Fidel à frustrada tentativa dos Estados Unidos de invadir Cuba, pela baia dos Porcos, a fim de derrubar os revolucionários cubanos. Sua duas tentativas seguintes de voltar à guerrilha revolucionária foram um fracasso, tanto no Congo como na Bolívia, onde ele morreu, em 09 de outubro de1967, em La Higuera, executado por Mario Terán, um tenente do exército boliviano. Fidel castro, então, se transformou naquele tipo de mito que, se não é amado, é odiado.

Muita gente culpa o bloqueio econômico que os Estados Unidos impõem a Cuba, há quase cinquenta anos, pela atual situação de penúria em que vive o país de Fidel Castro hoje. Apesar de haver já um comércio informal de cerca de US$500 milhões por ano entre Estados Unidos e Cuba, não há dúvida de que ficar privado de negociar com a maior economia do mundo pode afetar muito a vida da população da Ilha. No entanto, o próprio governo cubano não tem feito sua parte para mudar isso. A saída de cena de Fildel Castro, substituído por seu irmão, Raul Castro, trouxe alguma expectativa de mudanças e de abertura no País, mas liberar uso de celulares e de computadores é muito pouco para mostrar aos Estados Unidos e ao resto do mundo que Cuba está mudando, está se abrindo para o mundo moderno, para o século XXI. Enquanto o governo cubano teimar em continuar inflexível na velha ortodoxia socialista e não iniciar logo um processo de democratização do seu país, dificilmente haverá boa vontade do governo dos Estados Unidos, seja ele democrata ou republicano, para abrir suas portas para Cuba. Enquanto isso os cubanos vão continuar se privando de bem de consumo básicos, ganhando salários baixo. Ou seja, Cuba continuará socializando somente a miséria.

Para saber mais um pouco sobre Cuba hoje, leia uma interessante matéria apresentada pelo portal G!. Reportagem do portal esteve em Cuba e conta como é a vida naquele país hoje. Vale a pena ler. Para ler a matéria, clique AQUI.

____________________
Este texto foi elaborado já com base na nova ortografia da língua português, vigente a partir desta data