quarta-feira, 18 de março de 2009

Morre o estilista, apresentador de TV e deputado federal Clodovil, talves o mais polêmico dos polêmicos brasileiros

O grande destaque na mídia nesta quarta-feira é, sem dúvida, a morte do deputado federal, estilista e apresentador de TV Clodovil Hernandes (PR-SP). Ele faleceu aos 71 anos de idade, nesta terça-feira, dia 17 de março de 2009, às 18h50min, após uma parada cardíaca, no Hospital Santa Lúcia, em Brasília (DF). 

Filho de pais adotivos, Clodovil Hernandes nasceu em 1937, na cidade de Elisário, no interior de São Paulo. Aos 20 anos, mudou-se para a capital paulista e logo se firmou como costureiro das celebridades, entre elas Elis Regina, Cacilda Becker e as famílias Diniz e Matarazzo. Nas décadas de 60 e 70, ele dividia com Denner o domínio da alta-custura no Brasil. Naquele tempo, não se utilizava a expressão estilista, e sim costureiro. Com o falecimento do seu grande rival, em meados da década de 70, Clodovil ganhou mais espaço na moda brasileira. Em 1980, pasou a mostrar seus dotes da alta-custura na TV, no programa TV Mulher, o que lhe fez ganhar gosto por aparecer  na telinha. Depos disso, ele continou a trabalhar na TV, não como estilista, mas como apresentador mesmo, fazendo entrevistas. Ele passou pela Rede Manchete, Rede Bandeirantes, TV Gazeta, CNT e, mais recentemente, pela Rede TV.  Em todas as redes de TV nas quais trabalhou, sempre criou polêmicas e causou problemas. 

Alvo de diversas acusações de racismo, o deputado e apresentador chegou a dizer em uma entrevista, em 2005, que perdera a conta de quantos processo respondia. Em 2004, em um de seus programas, Clodovil chamou a então vereadora de São Paulo Claudete Alves (PT-SP) de "macaca de tailleur metida a besta". No ano seguinte, disse à deputada Cida Diogo (PT-RJ) que atualmente "as mulheres trabalham deitadas e descansam em pé". Ele chamou também a deputada de "mulher feia", que fez a parlamentar chorar no plenário.

Clodovil era um homem polêmico, de gênio difícil, sem papas na língua. Apesar de seus trejeitos, de seu modo de se vestir, de se portar e de falar, ele se dizia bissexual. No entanto, nunca abraçou bandeiras de movimentos gays. Dizia-se um conservador, um defensor da família. Declarava-se, por exemplo, totalmente contra a oficialização de união civil de pessoas do mesmo sexo. 

Eleito pelo Partido Trabalhista Cristão (PTC-SP) em 2006, como o terceiro deputado federal mais votado do País, com 493.951 votos. Clodovil deixou a legenda em 2007 para integrar os quadros do Partido da República (PR-SP). Acusado de infidelidade partidária, foi absolvido por unanimidade pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) na quinta-feira passada. Apresentou, ao longo de sua carreira parlamentar, apenas oito projetos, inclusive um que propõe a diminuição pela metade do número de deputados federais. Nenhum de seus projetos foi aprovado até hoje. 

Clodovil sofreu um acidente vascular cerebral (AVC) hemorrágico na madrugada de segunda-feira. Por volta das 7h, o deputado foi encontrado caído em sua casa por um assessor parlamentar. Ele foi levado ao Hospital Santa Lúcia pelo serviço de emergência da Câmara dos Deputados em estado de coma.

Segundo os médicos, na escala de 3 a 15, usada para qualificar a gravidade do coma (sendo o nível 3 o mais grave), Clodovil chegou ao hospital no nível 5. O parlamentar ficou internado na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) em estado de “extrema gravidade”. Os sinais vitais do deputado foram mantidos às custas de medicamentos e equipamentos.

Clodovil havia sido internado ao menos três vezes nos últimos dois anos. Em 2007, ele teve um AVC, decorrente de uma piora de um quadro de hipertensão arterial sistêmica, e uma suspeita de dengue. Já em 2008, o deputado federal foi levado ao hospital novamente por causa de uma embolia pulmonar.

Clodovil declarava em vida que gostaria que seus órgãos fossem doados, o que seria feito. No entantoa a equipe médica que o atendeu informou que, após a parada cardíaca que ele sofreu, somente as córneas poderão ser doadas. Já os demais órgãos ficaram inapropriados para o procedimento de transplante, pois, com a pareda cardíaca, todos os órgãos são perfurados por sangue, menos as córneas, que têm capacidade ímpar de estarem disponíveis para doação até seis horas depois do falecimento. 

Clodovil deverá ser velado hoje na Assembléia Legislativa de São Paulo e sepultado no final da tarde. Na Câmara dos Deputados, sua vaga será ocupada pelo primeiro suplente, coronel Paes de Lira (PTC-SP).

A assessoria do Clodovil informou que o deputado deixou um testamento com a divisão de seus bens. Ele possuia uma casa em Ubatuba (SP), além de jóias, prataria, obras de arte e móveis. A advogada Ana Maria Hebe de Queiroz, de São Paulo, deve cuidar dos trâmites. 

Fontes das informações deste post: portal ÚLTIMO SEGUNDO - http://ultimosegundo.ig.com.br/brasil/2009/03/17/hospital+confirma+morte+cerebral+do+deputado+clodovil+hernandes+em+brasilia+4860957.html

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